Passagens sobre Próprio

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Frases sobre pr√≥prio, poemas sobre pr√≥prio e outras passagens sobre pr√≥prio para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Geralmente a solução do governo para um problema é tão ruim quanto o próprio problema.

A Liberdade é a Possibilidade do Isolamento

A liberdade √© a possibilidade do isolamento. √Čs livre se podes afastar-te dos homens, sem que te obrigue a procur√°-los a necessidade do dinheiro, ou a necessidade greg√°ria, ou o amor, ou a gl√≥ria, ou a curiosidade, que no sil√™ncio e na solid√£o n√£o podem ter alimento. Se te √© imposs√≠vel viver s√≥, nasceste escravo. Podes ter todas as grandezas do esp√≠rito, todas da alma: √©s um escravo nobre, ou um servo inteligente: n√£o √©s livre.
E n√£o est√° contigo a trag√©dia, porque a trag√©dia de nasceres assim n√£o √© contigo, mas do Destino para si somente. Ai de ti, por√©m, se a opress√£o da vida, ela pr√≥pria, te for√ßa a seres escravo. Ai de ti, se, tendo nascido liberto, capaz de te bastares e de te separares, a pen√ļria te for√ßa a conviveres. Essa sim, √© a tua trag√©dia, e a que trazes contigo.
Nascer liberto é a maior grandeza do homem, o que faz o ermitão humilde superior aos reis, e aos deuses mesmo, que se bastam pela força, mas não pelo desprezo dela.

Sem qualquer excep√ß√£o, homens e mulheres de todas as idades, de todas as culturas, de todos os graus de instru√ß√£o e de todos os n√≠veis econ√≥micos t√™m emo√ß√Ķes, est√£o atentos √†s emo√ß√Ķes dos outros, cultivam passatempos que manipulam as suas pr√≥prias emo√ß√Ķes, e governam as suas vidas, em grande parte, pela procura de uma emo√ß√£o, a felicidade, e pelo evitar das emo√ß√Ķes desagrad√°veis. √Ä primeira vista, n√£o existe nada de caracteristicamente humano nas emo√ß√Ķes, uma vez que √© bem claro que os animais tamb√©m t√™m emo√ß√Ķes. No entanto, h√° qualquer coisa de muito caracter√≠stico no modo como as emo√ß√Ķes est√£o ligadas √†s ideias, aos valores, aos princ√≠pios e aos ju√≠zos complexos que s√≥ os seres humanos podem ter , sendo nessa liga√ß√£o que reside a nossa ideia bem leg√≠tima de que a emo√ß√£o humana √© especial. A emo√ß√£o humana n√£o se reduz ao prazer sexual ou ao pavor de r√©pteis. Tem a ver, igualmente, com o horror de testemunhar o sofrimento e com a satisfa√ß√£o de ver cumprida a justi√ßa.

Para a sa√ļde da mente e do corpo, os homens deveriam enxergar com seus pr√≥prios olhos, falar sem megafone, caminhar com sobre os pr√≥prios p√©s em vez de andar sobre rodas, trabalhar e lutar com seus pr√≥prios bra√ßos, sem artefatos ou m√°quinas.

Não creio que a filosofia e a própria razão sejam os guias do homem num futuro próximo; contudo, continuarão a ser o belo santuário que sempre foram para os escolhidos.

Combater a Opress√£o

√Č certamente admir√°vel o homem que se op√Ķe a todas as esp√©cies de opress√£o, porque sente que s√≥ assim se conseguir√° realizar a sua vida, s√≥ assim ela estar√° de acordo com o esp√≠rito do mundo; constitui-lhe suficiente imperativo para que arrisque a tranquilidade e bordeje a pr√≥pria morte o pensamento de que os esp√≠ritos nasceram para ser livres e que a liberdade se confunde, na sua forma mais perfeita, com a raz√£o e a justi√ßa, com o bem; a exist√™ncia passou a ser para ele o meio que um deus benevolente colocou ao seu dispor para conseguir, pelo que lhe toca, deixar uma centelha onde at√© a√≠ apenas a treva se cerrara; √© um esfor√ßo de indiv√≠duo que reconheceu o caminho a seguir e que deliberadamente por ele marcha sem que o esmore√ßam obst√°culos ou o intimide a amea√ßa; afinal o poder√≠amos ver como a alma que busca, ap√≥s uma luta de que a n√£o interessam nem dificuldades nem extens√£o.

Quando um personagem nasce, adquire imediatamente tal independ√™ncia inclusive do seu pr√≥prio autor, que pode ser imaginado por todos em tantas outras situa√ß√Ķes em que o autor n√£o pensou inseri-lo, e √†s vezes pode adquirir tamb√©m um significado que o autor jamais sonhou em dar-lhe!

Serenidade da Alma

N√£o examinar o que se passa na alma dos outros dificilmente far√° o infort√ļnio de algu√©m; mas os que n√£o seguem com aten√ß√£o os movimentos das suas pr√≥prias almas s√£o fatalmente desditosos.
(…) Ser semelhante ao promont√≥rio contra o qual v√™m quebrar as vagas e que permanece firme enquanto, √† sua volta, espumeja o furor das ondas.
РQue desgraça ter-me acontecido isto!
Não, não é assim que se deve falar, mas desta maneira:
– Que felicidade, apesar do que me aconteceu, eu n√£o me mortificar, n√£o me deixar abater pelo presente nem me assustar pelo futuro!
Na verdade, coisa idêntica poderia suceder a toda a gente, mas bem poucos a suportariam sem se mortificarem. Por que razão considerar este acontecimento infortunado e aquele outro feliz?
Em resumo, chamas de infort√ļnio para o ser humano aquilo que n√£o √© um obst√°culo √† sua natureza? E consideras um obst√°culo √† natureza do ser humano aquilo que n√£o vai contra a vontade da sua natureza? Que queres, ent√£o? Conheces bem essa vontade; aquilo que te sucede impede-te, por acaso, de ser justo, magn√Ęnimo, s√≥brio, reflectido, prudente, sincero, modesto, livre, e de possuir as outras virtudes cuja posse assegura √† natureza do ser humano a felicidade que lhe √© pr√≥pria?

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Poucos s√£o aqueles que veem com seus pr√≥prios olhos e sentem com seus pr√≥prios cora√ß√Ķes.

Saber que um rival √© amado j√° √© bastante cruel, mas receber a confiss√£o do amor que ele inspira feita pela pr√≥pria mulher que se ama √© sem d√ļvida o c√ļmulo do sofrimento.

O Sentimento Religioso é o Mais Inconfessável de Todos

A religi√£o, ou o sentimento religioso, √© o mais inconfess√°vel de todos: n√£o por irracional, mas porque √© da sua mais √≠ntima natureza o sil√™ncio da vida f√≠sica do universo, que s√≥ faz barulho por acaso e n√£o para a gente ouvir. Que mais n√£o fosse, acharia rid√≠cula, e acho, a atitude dos ¬ęlibertos¬Ľ, nascidas da cabe√ßa de J√ļpiter, desirmanados de tudo quanto encarnou as dores e as esperan√ßas de uma humanidade dolorosamente em busca do seu pr√≥prio corpo. Mais que rid√≠cula, criminosa, estulta, digna dos raios divinos, se os houvesse. Neste sentido, me √© respeit√°vel a religi√£o considerada na sua ac√ß√£o interior e na sua simb√≥lica aparente; e, como poeta, n√£o posso deixar de ser sens√≠vel ao paganismo que a Igreja Cat√≥lica n√£o sonha – ou sonha at√© – a que ponto herdou. Quando a religi√£o pretende fixar-se, lutar ligada a interesses materiais que geraram muitas das formas que ela tomou, evidentemente que sou contr√°rio a ela, a aquela, porque sei que n√£o h√° eternidade das formas e das conven√ß√Ķes, mas sim da org√Ęnica simb√≥lica que assume uma ou outra forma, segundo o estado social em que se desenvolve.

Jorge de Sena, carta a sua noiva Mécia Lopes,

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Uma literatura que n√£o respire o ar da sociedade que lhe √© contempor√Ęnea, que n√£o ouse comunicar √† sociedade os seus pr√≥prios sofrimentos e as suas pr√≥prias aspira√ß√Ķes, que n√£o seja capaz de perceber a tempo os perigos morais e sociais que lhe dizem respeito, n√£o merece o nome de literatura: quando muito pode aspirar a ser cosm√©tica.

A Leitura √© a Mais Nobre das Distrac√ß√Ķes

Se o gosto pelos livros aumenta com a intelig√™ncia, os perigos, como vimos, diminuem com ela. Um esp√≠rito original sabe subordinar a leitura √† actividade pessoal. Ela √© para ele apenas a mais nobre das distra√ß√Ķes, sobretudo a mais enobrecedora, pois, s√≥ a leitura e o saber conferem ¬ęas boas maneiras¬Ľ do esp√≠rito. O poder da nossa sensibilidade e da nossa intelig√™ncia, s√≥ o podemos desenvolver dentro de n√≥s pr√≥prios, nas profundezas da nossa vida espiritual. Mas √© nesse contacto com os outros esp√≠ritos que a leitura √©, que se faz a educa√ß√£o das “maneiras” do esp√≠rito. Os letrados permanecem, apesar de tudo, como as pessoas not√°veis da intelig√™ncia, e ignorar um determinado livro, uma determinada particularidade da ci√™ncia liter√°ria, ser√° sempre, mesmo num homem de g√©nio, uma marca de grosseria intelectual. A distin√ß√£o e a nobreza consistem na ordem do pensamento tamb√©m, numa esp√©cie de franco-ma√ßonaria de costumes, e numa heran√ßa de tradi√ß√Ķes.

A maior parte das pessoas vê no problema do amor, em primeiro lugar, o problema de ser amado, e não o problema da própria capacidade de amar.

Nada √© mais relaxante do que ser apenas um ser humano consciente das suas imperfei√ß√Ķes e limites. Nada √© t√£o stressante como querer ser o que n√£o somos. Quem n√£o tem contacto consigo pr√≥prio n√£o consegue reescrever a sua hist√≥ria. N√£o represente, seja voc√™ mesmo. A sua sa√ļde ps√≠quica agradece.

Faz-se Luz

Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas no próprio seio dela
intensamente amantes    loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem

Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina    realmente    os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual n√£o podemos contactar
sen√£o como amantes
de olhos fechados
e l√Ęmpadas nos dedos¬†¬†¬† e na boca