Passagens sobre Próprio

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Frases sobre pr√≥prio, poemas sobre pr√≥prio e outras passagens sobre pr√≥prio para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

√Č ego√≠smo pensar somente em n√≥s pr√≥prios como centro do mundo e construir um mundo fechado que nos isola das oportunidades que a vida pode oferecer.

Só um homem de meditação pode permitir que a intimidade aconteça. Ele não tem nada a esconder. Ele próprio deixou cair tudo aquilo que o fazia ter medo de que alguém descobrisse. Ficou apenas com o silêncio e um coração afectuoso.

Obra suprema √© aquela em que (a par, √© certo, da r√≠gida constru√ß√£o que assinala os mestres) pensamento original e emo√ß√£o pr√≥pria se re√ļnem e se fundem…

Cada homem age por si, segundo um plano próprio, mas o resultado é uma acção social, em que outro plano, externo a ele, se realiza; e com os fios crus, finos e desfeitos da vida de cada um, se tece a teia de pedra da história.

Considera√ß√Ķes Sobre a Amizade

√Č a insufici√™ncia do nosso ser que faz nascer a amizade, e √© a insufici√™ncia da pr√≥pria amizade que a faz perecer. Est√°-se sozinho, sente-se a pr√≥pria mis√©ria, sente-se necessidade de apoio, procura-se quem lhe favore√ßa os gostos, um companheiro nos prazeres e nos pesares; quer-se um homem de quem se possa possuir o cora√ß√£o e o pensamento. Ent√£o a amizade parece ser o que de mais doce h√° no mundo; tem-se o que se desejou, logo se muda de ideia. Quando se v√™ de longe algum bem, ele fixa de in√≠cio os nossos desejos, e quando se chega a ele, sente-se o seu nada. A nossa alma, de que ele prendia a vista na dist√Ęncia, n√£o pode repousar-se nele quando v√™ mais adiante: assim a amizade, que de longe limitava todas as nossas pretens√Ķes, cessa de limit√°-las de perto; n√£o preenche o vazio que prometera preencher; deixa-nos necessidades que nos distraem e nos levam a outros bens.
Ent√£o a gente torna-se negligente, dif√≠cil, exige-se logo como um tributo as complac√™ncias que de in√≠cio eram recebidas como um dom. √Č do car√°cter dos homens apropriar-se a pouco e pouco at√© das gra√ßas de que beneficiam; uma longa posse acostuma-os naturalmente a olhar as coisas que possuem como sendo deles;

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A Castração da Personalidade

O homem √© um animal greg√°rio. Pol√≠tico, dizia Arist√≥teles, ou seja, membro da cidade. Mas n√£o s√≥ da cidade – de todas as greis espont√Ęneas ou artificiais, est√°veis ou prec√°rias, onde quer que se encontre. N√£o pode suportar a ideia de estar s√≥, consigo – quer ser unidade e n√£o individualidade. Tem necessidade de se sentir cotovelo com cotovelo, pele com pele, no calor de uma multid√£o, ligado, seguro, uniforme, conforme. Se o le√£o anda s√≥, em n√≥s predomina o instinto ovino, do rebanho – os pr√≥prios individualistas, para afirmar o seu individualismo, congregam-se: sempre segundo a pr√°tica ovina.

O homem, quando s√≥, sente-se incompleto – tem medo. Opor-se √† grei significa separar-se, permanecer s√≥, morrer. Os conceitos do bem e do mal nascem da necessidade de conviv√™ncia. √Č bem o que aproveita ao grupo, mal o que o prejudica ou n√£o beneficia. O rebanho n√£o quer que cada ovelha pense demasiado em si, e como a privilegiada √© a que obt√©m a boa opini√£o das outras, v√™-se for√ßada, ainda que contra os seus gostos e interesses, a agir no sentido do bem supremo do rebanho. H√° que pagar, com a castra√ß√£o da personalidade, a seguran√ßa contra o medo.

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Não conseguimos escapar ao nosso próprio carácter: eras misógino e continuas a sê-lo. Quem diria?

Todo o delito
Já traz no ventre o seu próprio anjo vingador,
A terrível espera.

Todo o país escravizado por outro ou outros países, tem na mão, enquanto souber ou puder conservar a própria língua, a chave da prisão onde jaz.

Quando Deus nos encaminha àquilo que temos capacidade de amar com maior verdade, está nos encaminhando a ele próprio.

A juventude √© uma das condi√ß√Ķes mais arrogantes que se pode experimentar. Isto porque, actualmente, faz parte da pr√≥pria no√ß√£o de juventude n√£o perceber a sua extrema transitoriedade. Todos nos dirgimos para a velhice.

O Homem não é um Ser Egoísta

Todos os homens est√£o prontos a morrer pelo que amam. N√£o diferem a n√£o ser pelo grau da coisa amada e da concentra√ß√£o ou dispers√£o do amor. Ningu√©m se desama a si mesmo. O homem deseja ser ego√≠sta e n√£o consegue. √Č a caracter√≠stica mais tocante da sua desgra√ßa e a fonte da sua grandeza.
O homem dedica-se sempre a uma ordem. No entanto, salvo ilumina√ß√£o sobrenatural, esta ordem tem como n√ļcleo o pr√≥prio ou um ser particular (que pode ser uma abstrac√ß√£o) para o qual se transferiu (Napole√£o para os soldados, a Ci√™ncia, o Partido, etc.). Ordem perspectiva.

Alguma coisa h√° mais perigosa do que a ignor√Ęncia, e √© n√£o a conhecer; porque todas as ignor√Ęncias humanas, que s√£o mais inumer√°veis do que as estrelas do c√©u, a pior de todas, a mais fatal, a mais fecunda de infinitos desastres, √© a ignor√Ęncia da pr√≥pria ignor√Ęncia.

A Felicidade

A felicidade √© um estado permanente que n√£o parece ter sido feito, aqui na terra, para o homem. Na terra, tudo vive num fluxo cont√≠nuo que n√£o permite que coisa alguma assuma uma forma constante. Tudo muda √† nossa volta. N√≥s pr√≥prios tamb√©m mudamos e ningu√©m pode estar certo de amar amanh√£ aquilo que hoje ama. √Č por isso que todos os nossos projectos de felicidade nesta vida s√£o quimeras.
Aproveitemos a alegria do esp√≠rito quando a possu√≠mos; evitemos afast√°-la por nossa culpa, mas n√£o fa√ßamos projectos para a conservar, porque esses projectos s√£o meras loucuras. Vi poucos homens felizes, talvez nenhum; mas vi muitas vezes cora√ß√Ķes contentes e de todos os objectos que me impressionaram foi esse o que mais me satisfez. Creio que se trata de uma consequ√™ncia natural do poder das sensa√ß√Ķes sobre os meus sentimentos. A felicidade n√£o tem sinais exteriores; para a conhecer seria necess√°rio ler no cora√ß√£o do homem feliz; mas a alegria l√™-se nos olhos, no porte, no sotaque, no modo de andar, e parece comunicar-se a quem dela se apercebe.

Mesmo que envolvamos um diamante com lama e imund√≠cies, ele pr√≥prio n√£o se macula. O diamante permanece limpo e puro sob a sujeira. O que est√° sujo √© apenas a sujeira. Assim tamb√©m √© a ess√™ncia espiritual do ser humano: por mais que o homem se envolva com pecados, jamais fica maculado; apenas encobre sua natureza verdadeira. √Č isto que queremos dizer quando afirmamos que ‚Äėneste mundo n√£o h√° um pecador sequer‚Äô. Na verdade, o que √© pecaminoso √© unicamente o pecado e n√£o o ser verdadeiro, isento de pecado.

O Amor Sugado

O amor, enquanto afei√ß√£o humana, √© o amor que deseja o bem, possui uma disposi√ß√£o amig√°vel, promove a felicidade dos demais e alegra-se com ela. Mas √© patente que aqueles que possuem uma inclina√ß√£o meramente sexual n√£o amam a pessoa por nenhum dos motivos ligados √† verdadeira afei√ß√£o e n√£o se preocupam com a sua felicidade, mas podem at√© mesmo lev√°-la √† maior infelicidade simplesmente visando satisfazer a sua pr√≥pria inclina√ß√£o e apetite. O amor sexual faz da pessoa amada um objecto do apetite; t√£o logo foi possu√≠da e o apetite saciado, ela √© descartada ¬ętal como um lim√£o sugado¬Ľ.

Silêncio

Já o silêncio não é de oiro: é de cristal;
redoma de cristal este silêncio imposto.
Que lívido museu! Velado, sepulcral.
Ai de quem se atrever a mostrar bem o rosto!

Um h√°lito de medo embaciando o vidrado
d√°-nos um estranho ar de fantasmas ou fetos.
Na silente armadura, e sobre si fechado,
ninguém sonha sequer sonhar sonhos completos.

Tão mal consegue o luar insinuar-se em nós
que a pr√≥pria voz do mar segue o risco de um disco…
N√£o cessa de tocar; n√£o cessa a sua voz.
Mas j√° ningu√©m pretende exp’rimentar-lhe o risco!