Passagens de Anais Nin

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E chegou o dia em que o risco de continuar espremido dentro do bot√£o era mais doloroso que o de desabrochar.

Me nego a viver em um mundo ordin√°rio como uma mulher ordin√°ria. A estabelecer rela√ß√Ķes ordin√°rias. Necessito o √™xtase. N√£o me adaptarei ao mundo. Me adapto a mim mesma.

A Racionaliza√ß√£o das Emo√ß√Ķes

O ponto de vista feminino tem sido muito mais difícil de expressar que o masculino. Se assim me posso exprimir, o ponto de vista feminino não passa pela racionalização por que o intelecto do homem faz passar os seus sentimentos. A mulher pensa emocionalmente; a sua visão baseia-se na intuição. Por exemplo, ela pode ter um sentimento em relação a qualquer coisa que nem sequer é capaz de articular.
A princ√≠pio, achei extremamente dif√≠cil descrever como me sentia. Por√©m, se fazemos psican√°lise, a quest√£o √© sempre: ¬ęComo √© que se sentiu em rela√ß√£o a isso?¬Ľ e n√£o ¬ęO que √© que pensou?¬Ľ E como muito frequentemente a mulher n√£o deu o segundo passo, que √© explicar a sua intui√ß√£o – por que passos l√° chegou, o a-b-c daquilo – ela n√£o consegue ser t√£o articulada.
Ora eu tentei fazer isso (quer tenha conseguido quer n√£o), e, porque estava a escrever um di√°rio que pensava que ningu√©m leria, consegui anotar o que sentia acerca das pessoas ou o que sentia acerca do que via sem o segundo processo. O segundo processo veio atrav√©s da psican√°lise, que era igualmente um m√©todo de comunicar com o homem em termos de uma racionaliza√ß√£o das nossas emo√ß√Ķes de modo que pare√ßam fazer sentido ao intelecto masculino.

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O inimigo de um amor nunca vem de fora, não é homem ou mulher, é o que falta em nós mesmos

Tornamo-nos Mais Objectivos Depois de Reconhecermos a Nossa Subjectividade

Toda a arte da psicologia ou da ci√™ncia da psicologia, se lhe quisermos chamar assim, √© baseada numa invers√£o do processo de objectividade. N√£o que n√£o possamos tornar-nos objectivos, mas que apenas possamos tornar-nos objectivos depois de termos confrontado as nossas atitudes n√£o objectivas, as nossas atitudes n√£o racionais. Atingir uma objectividade honesta significa termos de saber quais os pontos da nossa natureza que s√£o propensos a determinado preconceito, que parte de n√≥s √© defensiva, que parte de n√≥s distorce o que ouvimos. E √© necess√°ria uma tremenda auto-honestidade para come√ßar a remover essas distor√ß√Ķes e a clarificar a nossa vis√£o. De modo que s√≥ podemos atingir a objectividade depois de termos descoberto quais as √°reas da nossa psique que n√£o s√£o objectivas.
Além disso, o reconhecimento básico da psicologia é que, lá bem no íntimo, a maior parte da nossa vida é desconhecida da mente consciente e que, quanto mais nos tornamos consciente dela, mais honestos e mais objectivos nos podemos tornar. Nós não vemos os outros com clareza, e o que obscurece a nossa visão são os preconceitos que a pessoa supostamente objectiva se recusa a reconhecer. Uma pessoa objectiva diria que não é responsável pela guerra,

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N√£o Existem Pessoas Totalmente Ocas

Nunca encontrei uma pessoa oca. Nunca encontrei uma vida sem significado quando se procura realmente o seu significado. √Č esse o perigo de dizer que n√£o procuramos, porque foi assim que cheg√°mos ao ponto em que sentimos que a vida n√£o tinha qualquer significado. Bem v√™, n√≥s repudi√°mos tantas formas de terapia. Quer dizer, tantos de n√≥s repudiam actualmente a filosofia, a religi√£o ou qualquer outro padr√£o que nos mantinha coesos anteriormente. Repudi√°mos tudo. At√© repudi√°mos a terapia da arte. Por isso n√£o nos restou realmente mais que olhar para dentro, e os que o fazem descobrem que toda a vida tem significado porque a vida tem significado. Fomos seriamente prejudicados por pessoas que disseram que a vida era irracional e de qualquer modo n√£o significava nada. Mas assim que come√ßamos a olhar, descobrimos o padr√£o e descobrimos a pessoa. Nunca encontrei aquilo a que se poderia chamar uma pessoa totalmente oca.

Ela sempre enfurecia-se sozinha, irritava-se sozinha, suportava sozinha suas intensas convuls√Ķes emocionais, das quais ele nunca participava.

A vida √© um processo de crescimento, uma combina√ß√£o de situa√ß√Ķes que temos de atravessar. As pessoas falham quando querem eleger uma situa√ß√£o e permanecer nela. Esse √© um tipo de morte.

A nossa vida em grande parte comp√Ķe-se de sonhos. √Č preciso lig√°-los √† ac√ß√£o.

Eu desprezo as propor√ß√Ķes, as medidas, o tempo do mundo comum. Recuso-me a viver no mundo comum como mulheres comuns. Para entrar rela√ß√Ķes normais, eu quero √™xtase.

Subtraia a superintensidade, o chiado das idéias, e você tem uma mulher que ama a perfeição.

A tua beleza submerge-me, submerge o mais fundo de mim. E quando a tua beleza me queima, dissolvo-me como nunca, perante um homem, me dissolvera. De entre os homens eu era a diferente, era eu própria, mas em ti vejo a parte de mim que és tu. Sinto-te em mim. Sinto a minha própria voz tornar-se mais grave como se te tivesse bebido, como se cada parcela da nossa semelhança estivesse soldada pelo fogo e a fissura não fosse detectável.

O Amor Dominado

Um homem que domina √© um homem que n√£o ama. Tem uma tremenda vitalidade animal, uma for√ßa, capaz de conquistar. √Č um conquistador, as pessoas submetem-se-lhe, mas ele n√£o ama ou compreende. √Č apenas uma for√ßa e encontra-se imbu√≠do da sua pr√≥pria for√ßa. Se chegar a amar, ser√° uma for√ßa como a sua, pelo que, novamente, ama apenas uma esp√©cie de for√ßa igual √† sua, e n√£o as outras, o que seria uma infiltra√ß√£o. Observe-se bem o conquistador; observe-se o homem ou a mulher que domina os outros: n√£o √© ele quem ama. Aquele que ama √© o ser que √© dominado.