Passagens sobre Doces

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Frases sobre doces, poemas sobre doces e outras passagens sobre doces para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

N√£o!

Tenho-te muito amor,
E amas-me muito, creio:
Mas ouve-me, receio
Tomar-te desgraçada:
O homem, minha amada,
N√£o perde nada, goza;
Mas a mulher √© rosa…
Sim, a mulher é flor!

Ora e a flor, vê tu
No que ela se resume…
Faltando-lhe o perfume,
Que é a essência dela,
A mais viçosa e bela
V√™-a a gente e… basta.
Sê sempre, sempre, casta!
Ter√°s quanto possuo!

Ter√°s, enquanto a mim
Me alumiar teu rosto,
Uma alma toda gosto,
Enlevo, riso, encanto!
Depois ter√°s meu pranto
Nas praias solit√°rias…
Ondas tumultu√°rias
De l√°grimas sem fim!

À noite, que o pesar
Me arrebatar de cada,
Irei na campa rasa
Que resguardar teus ossos,
Ah! recordando os nossos
T√£o venturosos dias,
Fazer-te as cinzas frias
Ainda palpitar!

Mil beijos, doce bem,
Darei no pó sagrado,
Em que se houver tornado
Teu corpo t√£o galante!
Com pena, minha amante,
De n√£o ter a morte
Ca√≠do a mim em sorte…
Caído em mim também!

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Leio-Te: – O Pranto Dos Meus Olhos Rola:

Leio-te: – o pranto dos meus olhos rola:
– Do seu cabelo o delicado cheiro,
Da sua voz o timbre prazenteiro,
Tudo do livro sinto que se evola …

Todo o nosso romance: – a doce esmola
Do seu primeiro olhar, o seu primeiro
Sorriso, – neste poema verdadeiro,
Tudo ao meu triste olhar se desenrola.

Sinto animar-se todo o meu passado:
E quanto mais as p√°ginas folheio,
Mais vejo em tudo aquele vulto amado.

Ouço junto de mim bater-lhe o seio,
E cuido vê-la, plácida, a meu lado,
Lendo comigo a p√°gina que leio.

O estatuto da realidade: descobrir esse doce exerc√≠cio destrona a asc√©tica parcim√≥nia do pensar racional. Mais do que um mero crep√ļsculo, flex√≠vel ou determinado, o pensamento precisa de ilus√£o e assim a obra de arte abre-se em leque sobre o invent√°rio do mundo.

Cantata de Dido

J√° no roxo oriente branqueando,
As prenhes velas da troiana frota
Entre as vagas azuis do mar dourado
Sobre as asas dos ventos se escondiam.
A misérrima Dido,
Pelos paços reais vaga ululando,
C’os turvos olhos inda em v√£o procura
O fugitivo Eneias.
Só ermas ruas, só desertas praças
A recente Cartago lhe apresenta;
Com medonho fragor, na praia nua
Fremem de noite as solit√°rias ondas;
E nas douradas grimpas
Das c√ļpulas soberbas
Piam nocturnas, agoureiras aves.
Do marmóreo sepulcro
Atónita imagina
Que mil vezes ouviu as frias cinzas
De defunto Siqueu, com débeis vozes,
Suspirando, chamar: ‚Äď Elisa! Elisa!
D’Orco aos tremendos numens
Sacrifícios prepara;
Mas viu esmorecida
Em torno dos turícremos altares,
Negra escuma ferver nas ricas taças,
E o derramado vinho
Em pélagos de sangue converter-se.
Frenética, delira,
P√°lido o rosto lindo
A madeixa subtil desentrançada;
Já com trémulo pé entra sem tino
No ditoso aposento,
Onde do infido amante
Ouviu, enternecida,
Magoados suspiros, brandas queixas.
Ali as cruéis Parcas lhe mostraram
As ilíacas roupas que,

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Acho que quando nos casamos √© para ter filhos. (…) Ver√° como √© doce ocuparmo-nos das nossas crian√ßas, e espero de todo o meu cora√ß√£o que esta ocupa√ß√£o lhe chegar√° brevemente. (…) Ter filhos √© na verdade a maior felicidade que possa acontecer a uma jovem mulher. (…) Acho que quando se ama o nosso marido, deseja-se e gosta-se de os ter.

Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do Seu amor, nem pulsa o entusiasmo de fazer o bem.

Irm√£o

Eu não fiz uma revolução.
Mas me fiz irm√£o de todas as revolu√ß√Ķes.
Eu fiquei irm√£o de muitas coisas no mundo.
Irm√£o de uma certa camisa.
Uma certa camisa que era de um gesto de céu
e com certo carinho me vestia, como se me
vestisse de √°rvore e de nuvens.
Eu fiquei irm√£o de uma vaca, como se ela
também sonhasse. Fiquei irmão de um vira-lata
com o brio com que ele também me abraçava.
Fiquei irmão de um riacho, que é nome
de rio pequeno, um pequeno que cabe
todo dentro de mim, me falando,
me beijando, me lambendo, me lembrando.
Brincava e me envolvia, certos dias eu
girava em torno do redemoinho do cachorro
e do riacho e da vaca, sem às vezes saber
se estava beijando o riacho, o cachorro
ou a vaca, com um grande céu
me entornando, com um grande céu
com a vaca no lombo e com o c√£o,
com o riacho rindo de nós todos.
Eu fiquei irm√£o de livros, de gentes.
Eu fiquei irm√£o de uma certa montanha.

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A Paisagem Faz a Raça

A paisagem faz a ra√ßa. A Holanda √© uma terra pac√≠fica e serena, porque a sua paisagem √© larga, plana e abundante. A paisagem que fez o grego, era o mar, reluzente e infinito, o c√©u, sereno, transparente, doce, e destacando-se sob aquela imobilidade azul, um templo branco, puro, augusto, r√≠tmico, entre a sombra que faz um grupo de oliveiras. A paisagem do romano √© toda jur√≠dica: as terras √°speras, a perder de vista, separadas por marcos de tijolo; uma grande charrua puxada por b√ļfalos, vai passando entre os trigos; uma larga estrada lajeada, eterna, sobre a qual rolam as duas altas rodas maci√ßas dum carro sabino; uma casa coberta de vinha branqueja ao longe, na plan√≠cie. N√£o importa a cor do c√©u: o romano n√£o olha para o c√©u. A ra√ßa anglo-sax√≥nica tira a sua tenebrosa mitologia, o seu esp√≠rito inquieto, da sua paisagem escura, acidentada, desolada e rom√Ęntica. √Č o estreito e √°rido aspecto do vale de Jerusal√©m que fez o judeu.

Imortal Falerno

Quando as Esferas da Ilus√£o transponho
Vejo sempre tu’alma – essa galera
Feita das rosas brancas da Quimera,
Sempre a vagar no estranho mar do Sonho.

Nem aspecto nublado nem tristonho!
Sempre uma doce e constelada Esfera,
Sempre uma voz clamando: – espera, espera,
Lá do fundo de um céu sempre risonho.

Sempre uma voz dos Ermos, das Dist√Ęncias!
Sempre as long√≠nquas, m√°gicas fragr√Ęncias
De uma voz imortal, divina,pura…

E tua boca, Sonhador eterno,
Sempre sequiosa desse azul falerno
Da Esperança do céu que te procura!

Os hip√≥critas s√£o como as t√Ęmaras: o doce est√° fora, o mel nas palavras e o duro l√° dentro, na alma.

Hino à Dor

Sorri com mais doçura a boca de quem sofre,
Embora amargue o fel que os seus l√°bios beberam;
√Č mais ardente o olhar onde, como um aljofre,
A Dor se condensou e as l√°grimas correram.

Soa, como se um beijo ou uma carícia fosse,
A voz que a soluçar na Desgraça aprendeu;
E não há para nós consolação mais doce
Que o regaço de quem muito amou e sofreu.

Voz, que jamais vibrou num soluço de mágoa,
Ao nosso cora√ß√£o nunca pode chegar…
Mas o pranto, ao cair duns olhos rasos de √°gua,
Torna mais penetrante e mais profundo o olhar.

Lábio, que só bebeu na fonte da Alegria,
√Č frio, como o olhar de quem nunca chorou;
A Bondade é uma flor que se alimenta e cria
Dos resíduos que a Dor no coração deixou.

Em tudo quanto existe o Sofrimento imprime
Uma augusta express√£o… mesmo a Suprema Gra√ßa,
Dando aos versos do Poeta esse esmalte sublime
Que torna imorredoira a Inspiração que passa.

√Č por isso que a Dor, sem tr√©gua nem guarida,

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Muito pouco sabes acerca dos tempos em que vives se pensas que o mel é mais doce do que dinheiro na mão.

O Abraço

(excerto)

Não vês inda, de gosto sufocados,
Um noutro nossos peitos esculpidos?
N√£o sentes nossos rostos t√£o chegados
E ainda mais os cora√ß√Ķes unidos?
Oh! Mais, mais do que unidos!
Tu fizeste, Doce encanto, que eu fosse mais que teu.
Lembra, lembra-te quando me disseste:
– Meu bem, eu n√£o sou tu?… Tu n√£o √©s eu?

Goza, de todo goza o teu amante;
E unidos ambos… -Oh!… e est√°s t√£o perto!…
Meu bem, deliro, sonho ou estou desperto?
Ambos unidos em mimoso laço,
Faces, bocas unidas… Ah! que fa√ßo?…
√Č ar… Quando que a abra√ßo me parece,
A mim me abraço e em ar se desvanece.
Mas que duvido com abraço estreito
Cingir-me?… Dize, n√£o √©s seu, meu peito?…
[…]
Goza, meu bem (enquanto a Sorte avara
Com tanta crueldade nos separa)
Goza do alívio, que nos concedeu,
De dizer com certeza: √Č minha! – √Č meu!…

Conversas malucas e doces cheias de meias frases, devaneios e mal-entendidos, s√£o mais emocionantes do que o entendimento entre duas pessoas pode alguma vez ser.

A fama é girassol sem perfume, com pomposa coroa de ouro, mas amizade é rosa viva que exala doce perfume em cada pétala.

Chuva De Ouro

A Rainha desceu do Capitólio
Agora mesmo — vede-lhe o rega√ßo…
Como tem flores, como traz o braço
Farto de jóias, como pisa o sólio

Triunfantemente, numa unção, num óleo
Mais santo e doce que essa luz do espa√ßo…
E como desce com bravura de a√ßo…
Pois se a Rainha, como um rico espólio,

O seu brioso coração foi dando
Aos pobrezinhos, que inda est√£o gozando
B√™n√ß√£os mais puras qu’os clar√Ķes diurnos,

Por certo que h√° de vir descendo a escada
Do Capit√≥lio da virtude — olhada
Pelos Albergues infantis, noturnos!

Ao Estrídulo Solene Dos Bravos

–¬†Os Tr√≥picos pulando as palmas batem…
Em p√© nas ondas¬†– O Equador d√° vivas!…

Ao estrídulo solene dos bravos! das platéias,
Prossegues altaneira, oh! √≠dolo da arte!…
–¬†O sol p√°ra o curso p’ra bem de admirar-te
–¬†O sol, o grande sol, o misto das id√©ias.

A velha natureza escreve-te odiss√©ias…
A estrela, a n√≠vea concha, o arbusto… em toda a parte
Retumba a doce orquestra que ousa proclamar-te
Assombro do ideal, em duplas melopéias!

Perpassam vagos sons na harpa do mistério
Lá, quando no proscênio te ergues imperando
–¬†Oh! √ćbis magistral do mundo azul –¬†sid√©rio!

Ent√£o da imensidade, audaz vem reboando
De palmas o tufão, veloz, febril, aéreo
Que cai dentro das almas e as vai arrebatando!…