Textos sobre Mundo

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Textos de mundo escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Daqui a Vinte e Cinco Anos

Perguntaram-me uma vez se eu saberia calcular o Brasil daqui a vinte e cinco anos. Nem daqui a vinte e cinco minutos, quanto mais vinte e cinco anos. Mas a impressão-desejo é a de que num futuro não muito remoto talvez compreendamos que os movimentos caóticos atuais já eram os primeiros passos afinando-se e orquestrando-se para uma situação económica mais digna de um homem, de uma mulher, de uma criança. E isso porque o povo já tem dado mostras de ter maior maturidade política do que a grande maioria dos políticos, e é quem um dia terminará liderando os líderes. Daqui a vinte e cinco anos o povo terá falado muito mais.
Mas se n√£o sei prever, posso pelo menos desejar. Posso intensamente desejar que o problema mais urgente se resolva: o da fome. Muit√≠ssimo mais depressa, por√©m, do que em vinte e cinco anos, porque n√£o h√° mais tempo de esperar: milhares de homens, mulheres e crian√ßas s√£o verdadeiros moribundos ambulantes que tecnicamente deviam estar internados em hospitais para subnutridos. Tal √© a mis√©ria, que se justificaria ser decretado estado de prontid√£o, como diante de calamidade p√ļblica. S√≥ que √© pior: a fome √© a nossa endemia, j√° est√° fazendo parte org√Ęnica do corpo e da alma.

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A Variedade √© a √önica Desculpa da Abund√Ęncia

A variedade √© a √ļnica desculpa da abund√Ęncia. Ningu√©m deveria deixar vinte livros diferentes, a menos que seja capaz de escrever como vinte homens diferentes. As obras de Victor Hugo enchem cinquenta grossos volumes, mas cada volume, cada p√°gina quase, cont√©m todo o Victor Hugo. As outras p√°ginas somam-se como p√°ginas, n√£o como g√©nio. Nele n√£o existia produtividade, mas prolixidade. Desperdi√ßou o seu tempo como g√©nio, por pouco que o tivesse desperdi√ßado como escritor. A opini√£o de Goethe a seu respeito continua a ser suprema, apesar de ter sido precocmente emitida, e uma grande li√ß√£o para todos os artistas: ¬ęDeveria escrever menos e trabalhar mais¬Ľ, disse ele. Este parecer, na sua distin√ß√£o entre o trabalho a s√©rio, que n√£o se espraia, e o trabalho fict√≠cio, que ocupa espa√ßo (pois as p√°ginas nada mais s√£o do que espa√ßo), √© uma das grandes opini√Ķes cr√≠ticas do mundo.
Se conseguir escrever como vinte homens diferentes, é vinte homens diferentes, seja lá como for, e os seus vinte livros têm justificação.

Medo da Própria Alma

Se Deus n√£o existe… O pior de tudo √© que eu digo e afirmo – Deus n√£o existe! – mas na realidade n√£o sei se Deus existe ou n√£o. N√£o h√° nada que o prove – ou que prove o contr√°rio. O pior de tudo √© que eu sinto uma sombra por tr√°s de mim e n√£o sei por que nome lhe hei-de chamar. O pior que podia acontecer no mundo foi algu√©m p√īr esta ideia a caminho.
Mas mesmo que Deus não exista, tenho medo de mim mesmo, tenho medo da minha alma, tenho medo de me encontrar sós a sós com a minha alma, que é nada, o fim e o princípio da vida e a razão do meu ser. Mesmo que Deus não exista e a consciência seja uma palavra, há ainda outra coisa indefinida e imensa diante de mim, ao pé de mim, perto de mim.

A Devida Educação

Das coisas que mais custa ver é uma pessoa inteligente e criativa, quando nos está a contar uma opinião ou um acontecimento, ser diminuída pela falta de vocabulário Рou de outra coisa facilmente aprendida pela educação.
A distribuição humana de inteligência, graça, sensibilidade, sentido de humor, originalidade de pensamento e capacidade de expressão é independente da educação ou do grau de instrução. Em Portugal e, ainda mais, no mundo, onde as oportunidades de educação são muito mais desiguais, logo injustamente, distribuídas, é não só uma tragédia como um roubo.
Rouba-se mais aos que n√£o falam nem escrevem com os meios t√©cnicos de que precisam. Mas tamb√©m s√£o roubados aqueles, adequadamente educados, que n√£o podem ouvir ou ler os milh√Ķes de pessoas que s√≥ n√£o conseguem dizer plenamente o que querem, porque n√£o t√™m as ferramentas que t√™m as pessoas mais novas, com mais sorte.
Mete nojo a ideia de a educação ser uma coisa que se dá. Que o Estado ou o patrão oferece. Não é assim. A educação, de Platão para a frente, é mais uma coisa que se tira. Não educar é negativamente positivo: é como vendar os olhos ou cortar a língua.
O meu pai,

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Cada Homem Habita em Todos os Outros

Vossemec√™ aprendeu a desenhar v√°-se l√° saber onde e os seus desenhos parecem-se muito com as coisas, n√£o haja d√ļvida. Mas nenhum homem consegue p√īr o mundo inteiro num livro. Assim como um livro onde todas as coisas estivessem desenhadas n√£o seria o mundo.
Muito bem, Marcus, respondeu o juiz.
Mas n√£o me desenhe a mim, disse Webster. Porque eu n√£o quero fazer parte do seu livro.
O meu livro ou outro livro qualquer, disse o juiz. O que h√°-de vir n√£o se desvia nem um bocadinho do livro onde est√° escrito. Como poderia desviar-se? O livro seria falso, e um livro falso nem sequer merece tal nome.
Vossemecê fala por enigmas como ninguém e eu não vou terçar palavras consigo. Só lhe peço que não ponha a minha venerável carantonha nesse seu caderno porque não me agrada que ande a mostrá-la por aí, se calhar a estranhos.
O juiz sorriu. Seja no meu livro ou não, cada homem habita em todos os outros e em troca alberga-os em si e assim por diante numa infindável complexidade de ser e testenunha até aos confins do mundo.

Os Descrentes

Nunca encontrei um descrente, apenas desvairados inquietos… √© assim que √© melhor trat√°-los. S√£o pessoas diferentes, n√£o se percebe bem o que s√£o: tanto os grandes como os pequenos, os ignorantes como os cultos, mesmo a gente da classe mais simples, tudo neles √© desvario. Porque passam a vida a ler e a interpretar e depois, fartos da do√ßura livresca, continuam perplexos e n√£o conseguem resolver nada.
H√° quem se disperse, de maneira que n√£o consegue atentar em si mesmo. H√° quem seja rijo como pedra, mas no seu cora√ß√£o vagueiam sonhos. H√° tamb√©m o insens√≠vel e f√ļtil que s√≥ quer gozar e ironizar. H√° quem s√≥ tire dos livros florinhas, e mesmo elas consoante a sua opini√£o, e h√° nele desvario e falta de perspic√°cia. E digo mais: h√° muito t√©dio.
O homem pequeno é necessitado, não tem pão, não tem com que sustentar os filhos, dorme na palha áspera, mas tem o coração leve e alegre; é pecador e malcriado, mas mantém na mesma o coração alegre. E o homem grande farta-se de comer e beber, senta-se num montão de ouro, mas tem sempre a mágoa no coração. Há quem domine as ciências mas não se livre do tédio.

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A carne tenta com doçuras, o mundo com vaidades, e o demónio com amarguras

A carne tenta com doçuras, o mundo com vaidades, e o demónio com amarguras.

A Palavra No Momento Certo

Uma grande parte da infelicidade no mundo tem sido causada por confusão e fracasso de se dizer a palavra certa no momento certo. Uma palavra que não é proferida no momento certo é prejudicial, e tem sido sempre assim.

Neste mundo poucos são os que nascem com conhecimento: a sabedoria é produto de ardente

Neste mundo poucos são os que nascem com conhecimento: a sabedoria é produto de ardente meditação.

Os Dias Zangados S√£o Dias de Amor

Raios partam os dias zangados. Nada há que se possa fazer para fugir deles. Esperam por nós, como credores ajudados por juros injustificáveis, para nos cortarem a fatia do nosso coração que lhes cabe.
Não são como os dias tristes, que não conseguem habituar-se a uma realidade qualquer, que se revelou, sem querer, desiludindo-nos de uma ilusão que nós próprios inventámos, para mais facilmente podermos acreditar, falsamente, nela. Mas assemelham-se para mais bem nos poderem magoar. Depois. Quase ao mesmo tempo. Bem.
Quem não tem um dia zangado, em que ninguém ou nada corresponde ao que esperávamos? A felicidade é a excepção e o engano. Resulta mais de um esquecimento do que de uma lembrança.
Pouco h√° de certo neste mundo. S√£o muitos os pobres, mas n√£o s√£o poucos os ricos. As pessoas do sexo masculino n√£o se entendem nem com as pessoas do sexo masculino, nem com as do sexo feminino. As pessoas, sejam de que sexo e sexualidade forem, compreendem-se mal. D√£o-se mal, por muito bem que se d√™em. As mais apaixonadas umas pelas outras s√£o as que menos bem aceitam as diferen√ßas, as incompreens√Ķes, os dias zangados e as noites zangadas que apenas servem para nos relembrar que todos n√≥s nascemos e morremos sozinhos.

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N√£o Sabemos Ler o Mundo

Falamos em ler e pensamos apenas nos livros, nos textos escritos. O senso comum diz que lemos apenas palavras. Mas a ideia de leitura aplica-se a um vasto universo. N√≥s lemos emo√ß√Ķes nos rostos, lemos os sinais clim√°ticos nas nuvens, lemos o ch√£o, lemos o Mundo, lemos a Vida. Tudo pode ser p√°gina. Depende apenas da inten√ß√£o de descoberta do nosso olhar. Queixamo-nos de que as pessoas n√£o l√™em livros. Mas o deficit de leitura √© muito mais geral. N√£o sabemos ler o mundo, n√£o lemos os outros.

Vale a pena ler livros ou ler a Vida quando o acto de ler nos converte num sujeito de uma narrativa, isto é, quando nos tornamos personagens.

A Realidade da Vida e a Realidade do Mundo

A nossa crença na realidade da vida e na realidade do mundo não são, com efeito, a mesma coisa. A segunda provém basicamente da permanência e da durabilidade do mundo, bem superiores às da vida mortal. Se o homem soubesse que o mundo acabaria quando ele morresse, ou logo depois, esse mundo perderia toda a sua realidade, como a perdeu para os antigos cristãos, na medida em que estes estavam convencidos de que as suas expectativas escatológicas seriam imediatamente realizadas. A confiança na realidade da vida, pelo contrário, depende quase exclusivamente da intensidade com que a vida é experimentada, do impacte com que ela se faz sentir.
Esta intensidade √© t√£o grande e a sua for√ßa √© t√£o elementar que, onde quer que prevale√ßa, na alegria ou na dor, oblitera qualquer outra realidade mundana. J√° se observou muitas vezes que aquilo que a vida dos ricos perde em vitalidade, em intimidade com as ¬ęboas coisas¬Ľ da natureza, ganha em refinamento, em sensibilidade √†s coisas belas do mundo. O facto √© que a capacidade humana de vida no mundo implica sempre uma capacidade de transcender e alienar-se dos processos da pr√≥pria vida, enquanto a vitalidade e o vigor s√≥ podem ser conservados na medida em que os homens se disponham a arcar com o √≥nus,

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O Amor Social

√Č necess√°rio voltar a sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo, que vale a pena sermos bons e honestos. Vivemos j√° muito tempo na degrada√ß√£o moral, baldando-nos √† √©tica, √† bondade, √† f√©, √† honestidade; chegou o momento de reconhecer que esta alegre superficialidade de pouco nos serviu. Uma tal destrui√ß√£o de todo o fundamento da vida social acaba por nos colocar uns contra os outros, na defesa dos pr√≥prios interesses, provoca o despertar de novas formas de viol√™ncia e crueldade e impede o desenvolvimento de uma verdadeira cultura do cuidado do meio ambiente.

O exemplo de Santa Teresa de Lisieux convida-nos a p√īr em pr√°tica o pequeno caminho do amor, a n√£o perder a oportunidade de uma palavra gentil, de um sorriso, de qualquer pequeno gesto que semeie paz e amizade. Uma ecologia integral √© feita tamb√©m de simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a l√≥gica da viol√™ncia, da explora√ß√£o, do ego√≠smo. Pelo contr√°rio, o mundo do consumo exacerbado √©, simultaneamente, o mundo que maltrata a vida em todas as suas formas.

O amor, cheio de pequenos gestos de cuidado m√ļtuo, √© tamb√©m civil e pol√≠tico,

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O Elogio do Trabalho

H√° no trabalho, segundo a natureza da obra e a capacidade do trabalhador, todas as grada√ß√Ķes, desde o simples al√≠vio do t√©dio √†s satisfa√ß√Ķes mais profundas. Na maior parte dos casos, o trabalho que as pessoas t√™m de executar n√£o √© interessante, mas ainda em tais circunst√Ęncias oferece grandes vantagens. Em primeiro lugar, preenche uma boa parte do dia sem haver necessidade de decidir sobre o que se h√°-de fazer. A maioria das pessoas, quando est√£o em condi√ß√Ķes de escolher livremente o emprego do seu tempo, t√™m dificuldade em encontrar o que quer que seja suficientemente agrad√°vel para as ocupar. E tudo o que decidam deixa-as atormentadas pela ideia de que qualquer outra coisa seria mais agrad√°vel.
Ser capaz de utilizar inteligentemente os momentos de lazer √© o √ļltimo degrau da civiliza√ß√£o, mas presentemente muito poucas pessoas o atingiram. Al√©m disso, a ac√ß√£o de escolher √© fatigante. Excepto para os indiv√≠duos dotados de extraordin√°rio esp√≠rito de iniciativa, √© muito c√≥modo ser-se informado do que se tem a fazer em cada hora do dia, desde que tais ordens n√£o sejam desagrad√°veis em demasia.

A maior parte dos ricos occiosos sofrem de um inexprimível aborrecimento em paga de se terem libertado dum trabalho penoso.

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Artista, Homem e Revolucion√°rio

Creio que n√£o √© preciso. Em todo o caso, fica aqui a declara√ß√£o. O que eu fui sempre, o que eu sou, e o que serei, √© um artista, um homem e um revolucion√°rio. Na medida em que sou artista, quero um mundo onde a beleza seja o v√©rtice da pir√Ęmide. Na medida em que sou homem, quero que nesse mundo os indiv√≠duos sejam livres e conscientes. E na medida em que sou revolucion√°rio, quero que a revolu√ß√£o traga √† tona as grandes massas, e que nunca acabe de percorrer o seu caminho perp√©tuo, sem estratifica√ß√Ķes e sem dogmas.

O Amor Infinito

Da mulher o que nos comove e enleva √© a parte impoluta que ela tem do c√©u; √© a magia que a fada exercita obedecendo a interno impulso, n√£o sabido dela, n√£o sabido de n√≥s. Ali h√° mensagem de outras regi√Ķes; aqui, no peito arquejante, nos olhos amarados de gozozas l√°grimas, h√° um espirar para o alto, um ir-se o cora√ß√£o avoando desde os olhos, desde o sorriso dela para soberanas e imorredouras alegrias. N√≥s √© que n√£o sabemos nem podemos ver sen√£o o pouquinho desse infinito que nos entre-luz nas gra√ßas do primeiro amor, do segundo amor, de quantos estremecimentos de s√ļbita embriaguez nos fazem crer que despimos o inv√≥lucro de barro e pairamos alados sobre a regi√£o das l√°grimas.

√Č Deus que n√£o quer ou somos n√≥s que n√£o podemos prorrogar a dura√ß√£o ao sonho? Se Deus, que mal faria √† sua divina grandeza que o pequenino guzano o adorasse sempre? Porque vai t√£o r√°pida aquela esta√ß√£o em que o homem √© bom porque ama, e √© caritativo e dadivoso porque tudo sobeja √† sua felicidade? Quando poderam aliar-se um amor puro com a impureza das inten√ß√Ķes? Quais olhos de homem afectivo e como santificado por seu amor recusaram chorar sobre desgra√ßas estranhas?

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A Necessidade da Mentira

A imoralidade da mentira n√£o consiste na viola√ß√£o da sacrossanta verdade. Ao fim e ao cabo, tem direito a invoc√°-la uma sociedade que induz os seus membros compulsivos a falar com franqueza para, logo a seguir, tanto mais seguramente os poder surpreender. √Ä universal verdade n√£o conv√©m permanecer na verdade particular, que imediatamente transforma na sua contr√°ria. Apesar de tudo, √† mentira √© inerente algo repugnante cuja consci√™ncia submete algu√©m ao a√ßoite do antigo l√°tego, mas que ao mesmo tempo diz algo acerca do carcereiro. O erro reside na excessiva sinceridade. Quem mente envergonha-se, porque em cada mentira deve experimentar o indigno da organiza√ß√£o do mundo, que o obriga a mentir, se ele quiser viver, e ainda lhe canta: “Age sempre com lealdade e rectid√£o”.
Tal vergonha rouba a for√ßa √†s mentiras dos mais subtilmente organizados. Elas confundem; por isso, a mentira s√≥ no outro se torna imoralidade como tal. Toma este por est√ļpido e serve de express√£o √† irresponsabilidade. Entre os insidiosos pr√°ticos de hoje, a mentira j√° h√° muito perdeu a sua honrosa fun√ß√£o de enganar acerca do real. Ningu√©m acredita em ningu√©m, todos sabem a resposta. Mente-se s√≥ para dar a entender ao outro que a algu√©m nada nele importa,

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Sucesso é Realização

O sucesso é a realização de qualquer coisa valiosa para si. Pode ser a paz de espírito e felicidade; união no lar e na família; o gosto pelo trabalho; independência financeira; alegria e satisfação por servir os outros; o desenvolvimento das forças construtivas inerentes ao homem; amar a vida e sentir-se satisfeito com o seu carácter, os seus ideais e os trabalhos realizados.
¬ęTalvez ainda se n√£o tivesse encontrado uma defini√ß√£o de sucesso aplic√°vel a todas as pessoas¬Ľ – escreveu Zu Tavern – ¬ęCada um de n√≥s tem a sua ideia pessoal de sucesso, e essa mesma ideia vai-se modificando com a passagem do tempo. Para alguns, sucesso √© igual a fama; para outros, riqueza em dinheiro; para outros ainda, apenas amor e felicidade.¬Ľ
√Č uma lei da natureza humana realizar, ganjear respeito, ser um trabalhador e construtor activo, deixar o mundo um pouco melhor que o encontrado. O homem foi feito para realizar. A maior satisfa√ß√£o da vida prov√©m da realiza√ß√£o. Isto prova-se pela sua estrutura f√≠sica, mental e moral.
Quando faz qualquer coisa – para os outros ou para o seu pr√≥prio bem – √© feliz e sente-se √ļtil.
O desejo de realizar nasce connosco.

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O Mundo é de Quem não Sente

O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade. A qualidade principal na prática da vida é aquela qualidade que conduz à acção, isto é, a vontade. Ora há duas coisas que estorvam a acção Рa sensibilidade e o pensamento analítico, que não é, afinal, mais que o pensamento com sensibilidade. Toda a acção é, por sua natureza, a projecção da personalidade sobre o mundo externo, e como o mundo externo é em grande e principal parte composto por entes humanos, segue que essa projecção da personalidade é essencialmente o atravessarmo-nos no caminho alhieo, o estorvar, ferir e esmagar os outros, conforme o nosso modo de agir.
Para agir √©, pois, preciso que nos n√£o figuremos com facilidade as personalidades alheias, as suas dores e alegrias. Quem simpatiza p√°ra. O homem de ac√ß√£o considera o mundo externo como composto exclusivamente de mat√©ria inerte – ou inerte em si mesma, como uma pedra sobre que passa ou que afasta do caminho; ou inerte como um ente humano que, porque n√£o lhe p√īde resistir, tanto faz que fosse homem como pedra, pois, como √† pedra, ou se afastou ou se passou por cima.

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A TV Como Instrumento Redutor

Porque √© que a TV foi essa ¬ęcaixinha que revolucionou o mundo¬Ľ? Fa√ßo a pergunta e as respostas v√™m em turbilh√£o. Fez de tudo um espect√°culo, fez do longe o mais perto, promoveu o analfabetismo e o atraso mental. De um modo geral, desnaturou o homem. E sobretudo miniturizou-o, fazendo de tudo um pormenor, isturado ao quotidiano dom√©stico. Porque mesmo um filme ou pe√ßa de teatro ou at√© um espect√°culo desportivo perdem a grandeza e metaf√≠sica de um largo espa√ßo de uma comunidade humana.

J√° um acto religioso √© muito diferente ao ar livre ou no interior de uma catedral. Mas a TV √© algo de min√ļsculo e trivial como o sof√° donde a presenciamos. Diremos assim e em resumo que a TV √© um instrumento redutor. Porque tudo o que passa por l√° chega at√© n√≥s diminu√≠do e desvalorizado no que lhe √© essencial. E a maior raz√£o disso n√£o est√° nas reduzidas dimens√Ķes do ecr√£, mas no facto de a ¬ęcaixa revolucionadora¬Ľ ser um objecto entre os objectos de uma sala.

Mas por sobre todos os males que nos infligiu, ergue-se o da promoção do analfabetismo. Ser é um acto difícil e olhar o boneco não dá trabalho nenhum.

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