Textos sobre Mulheres

293 resultados
Textos de mulheres escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A Vida Raramente depende da Inciativa dos Homens

Poucas pessoas saber√£o, a meio da vida, como chegaram a ser o que s√£o, aos seus prazeres, √† sua vis√£o do mundo, √† sua mulher, ao seu car√°cter, √† sua profiss√£o e aos seus √™xitos; mas sentem que a partir da√≠ as coisas j√° n√£o ir√£o mudar muito. Poderia mesmo afirmar-se que foram enganadas, porque n√£o se consegue descobrir em lugar nenhum a raz√£o suficiente para que tudo tenha acontecido como aconteceu, quando teria sido perfeitamente poss√≠vel ter acontecido de outra forma. O que acontece, ali√°s, raramente depende da iniciativa dos homens, mas quase sempre das mais variadas circunst√Ęncias, dos caprichos, da vida e da morte de outras pessoas, e, de certo modo, limita-se a vir ter connosco naquele preciso momento. Na juventude, a vida est√° ainda √† nossa frente como uma manh√£ inesgot√°vel, plena de possibilidades e de vazio; mas logo ao meio-dia algo se anuncia que reclama ser a nossa pr√≥pria vida, mas que √© t√£o surpreendente como uma pessoa com quem nos correspondemos durante vinte anos sem a conhecer, e que um belo dia, de repente, temos diante de n√≥s e constatamos que √© completamente diferente do que hav√≠amos imaginado.
Mas o mais estranho é que a maior parte das pessoas nem dêem por isso;

Continue lendo…

O que Une uma Mulher a um Homem

O que une uma mulher a um homem n√£o passa por nada do que aparentemente vale. Passa por onde? N√£o, n√£o: pode n√£o ser por a√≠, embora seja fundamentalmente por a√≠. Porque mesmo a√≠ outros poderiam cumprir melhor, com o acr√©scimo do resto. H√° uma falha (uma falta) essencial na mulher que s√≥ um certo homem pode preencher. E n√£o √© necessariamente essa. O mais misterioso no dom√≠nio das rela√ß√Ķes √© o que se situa nas rela√ß√Ķes amorosas. Ou seja no que h√° de mais √≠ntimo, essencial, primeiro do ser humano. Um labreg√≥rio qualquer, torto, bronco, cabe√ßudo, pode ser amado pela mulher mais divinal e inteligente e ilustrada e refinada de figura. Haver√°, pois, para o homem dois mundos que n√£o comunicam entre si e que se separam na porta do quarto. Poucos s√£o os que a atravessam em gl√≥ria ‚ÄĒ idos da rua ou para a rua.

Temos de Ser o que Nos Apetecer

Se n√£o mudares, os outros fazem de ti o que querem.

A velha m√°xima ¬ęSe est√°s mal, muda-te¬Ľ faz mesmo todo o sentido.

Se não nos sentimos bem com determinado relacionamento, se não estamos felizes no nosso trabalho, se não conseguimos encarar certa pessoa ou se, simplesmente, não nos sentimos bem naquele jantar, naquele ginásio ou naquela viagem, só nos resta uma alternativa: mudar.

Acontece que, e apesar de parecer simples, essa decisão é extremamente delicada. E porquê? Porque uma vez mais colocamos o mundo inteiro à nossa frente. Em vez de nos respeitarmos e levarmos a cabo o nosso desejo de liberdade, saindo de onde estamos para onde queremos estar, não, deixamo-nos ficar mesmo que o amor já não exista, mesmo que o patrão ou os colegas nos tratem mal, mesmo que continuemos a ser julgados ou cobrados pela mãe, pelo pai, pelo tio ou pelo cão e por aí adiante. Não mudamos e o caldo entorna-se. Ou seja, é o pior dos dois mundos.
N√£o comemos a sopa, n√£o nos nutrimos, e ainda nos queimamos por andarmos constantemente nas m√£os de uns e outros.

As pessoas relacionam-se mais por medo de se perderem umas às outras ou por necessidade de dominarem alguém do que por se amarem genuinamente,

Continue lendo…

Ter Raz√£o √© uma Quest√£o de Explica√ß√Ķes

Havia que ser um fan√°tico para querer ter sempre raz√£o. Ter raz√£o era sobretudo uma quest√£o de explica√ß√Ķes. O homem intelectual tornara-se uma criatura explicativa. Toda a gente explicava, os pais aos filhos, os maridos √†s mulheres, os conferencistas ao seu p√ļblico, os especialistas aos leigos, os colegas aos colegas, os m√©dicos aos pacientes, o homem √† sua alma. A g√©nese disto, a causa daquilo, as origens dos acontecimentos, a hist√≥ria, a estrutura, as raz√Ķes pelas quais. Na maior parte dos casos, a explica√ß√£o entrava por um ouvido e sa√≠a pelo outro. A alma desejava o que desejava. Tinha o seu pr√≥prio saber natural. A infeliz poisava, pobre avezinha, sobre superstruturas de explica√ß√£o, sem saber para onde levantar voo.

(…) Era um af√£ holand√™s, pensou Sammler, sempre a dar √† bomba para manter enxutos alguns hectares de terra. O mar invasor era uma met√°fora da multiplica√ß√£o dos factos e das sensa√ß√Ķes; quanto √† terra, era uma terra de ideias.

. Sammler’

Nenhum Amor é Menos Ridículo que Outro

Temos, pois, que ao amor corresponde o am√°vel, e que este √© inexplic√°vel. Concebe-se a coisa, mas dela n√£o se pode dar raz√£o; assim tamb√©m √© que de maneira incompreens√≠vel o amor se apodera da sua presa. Se, de tempos a tempos, os homens ca√≠ssem por terra e morressem subitamente, ou entrassem em convuls√Ķes violentas mas inexplic√°veis, quem √© que n√£o sofreria a ang√ļstia? No entanto, √© assim que o amor interv√©m na vida, com a diferen√ßa de que ningu√©m receia por isso, visto que os amantes encaram tal acontecimento como se esperassem a suprema felicidade. Ningu√©m receia por isso, toda a gente ri afinal, porque o tr√°gico e o c√≥mico est√£o em perp√©tua correspond√™ncia. Conversais hoje com um homem; parece-vos que ele se encontra em estado normal; mas amanh√£ ouvi-lo-eis falar uma linguagem metaf√≥rica, v√™-lo-eis exprimir-se com gestos muito singulares: √© sabido, est√° apaixonado. Se o amor tivesse por express√£o equivalente ¬ęamar qualquer pessoa, a primeira que se encontra¬Ľ, compreender-se-ia a impossibilidade de apresentar melhor defini√ß√£o; mas j√° que a f√≥rmula √© muito diferente, ¬ęamar uma s√≥ pessoa, a √ļnica no mundo¬Ľ, parece que tal acto de diferencia√ß√£o deve provir de motivos profundos.
Sim, deve necessariamente implicar uma dial√©tica de raz√Ķes,

Continue lendo…

√Č o Que a Gente Leva Desta Vida…

A persist√™ncia instintiva da vida atrav√©s da apar√™ncia da intelig√™ncia √© para mim uma das contempla√ß√Ķes mais √≠ntimas e mais constantes. O disfarce irreal da consci√™ncia serve somente para me destacar aquela inconsci√™ncia que n√£o disfar√ßa.
Da nascença à morte, o homem vive servo da mesma exterioridade de si mesmo que têm os animais. Toda a vida não vive, mas vegeta em maior grau e com mais complexidade. Guia-se por normas que não sabe que existem, nem que por elas se guia, e as suas ideias, os seus sentimentos, os seus actos, são todos inconscientes Рnão porque neles falte a consciência, mas porque neles não há duas consciências.
Vislumbres de ter a ilus√£o – tanto, e n√£o mais, tem o maior dos homens.
Sigo, num pensamento de divaga√ß√£o, a hist√≥ria vulgar das vidas vulgares. Vejo como em tudo s√£o servos do temperamento subconsciente, das circunst√Ęncias externas alheias, dos impulsos de conv√≠vio e desconv√≠vio que nele, por ele e com ele se chocam como pouca coisa.
Quantas vezes os tenho ouvido dizer a mesma frase que simboliza todo o absurdo, todo o nada, toda a insci√™ncia falada das suas vidas. √Č aquela frase que usam de qualquer prazer material: ¬ę√© o que a gente leva desta vida¬Ľ…

Continue lendo…

Casar por Amor

Quando eu pensava que n√£o podia ser mais feliz, manh√£ ap√≥s manh√£ era mais, mas s√≥ um bocadinho mais do que o m√°ximo humanamente poss√≠vel; pensava eu ser absolutamente imposs√≠vel que eu fosse, de repente, muito mais feliz, do que a pr√≥pria felicidade at√©. Mas, de repente, fui. Muito mais. Casei com o meu amor e o meu amor tornou-se a minha mulher, minha em tudo, para tudo, para sempre. E eu, finalmente, consegui divorciar-me de mim e deixar de ser t√£o triste e aborrecidamente meu, trocando-me, no melhor neg√≥cio do s√©culo, por ela. Ela ficou minha. Eu fiquei dela. √Č ou n√£o √© estranho e lindo e bem pensado por Deus Nosso Senhor que ambos pensemos que nos livr√°mos de boa e fic√°mos a ganhar? √Č.

√Č sim. A minha mulher √© mais minha do que eu alguma vez fui meu ‚ÄĒ e eu antes n√£o podia ter sido mais para mim, felizmente. Por ter tudo agora para lhe dar. Que al√≠vio. Nunca mais me quero ver na vida.
A n√£o ser aos olhos dela, onde sou muito bem visto ‚ÄĒ talvez o maior homem que j√° viveu, logo a seguir ao pai dela, claro. √Č um milagre como melhorei tanto.

Continue lendo…

A Minha Inspiração

A minha inspira√ß√£o s√£o os homens e as mulheres que surgiram em todo o globo e escolheram o mundo como o teatro das suas opera√ß√Ķes, e que lutam contra as condi√ß√Ķes socioecon√≥micas que n√£o promovem o avan√ßo da Humanidade, onde quer que este ocorra. Homens e mulheres que lutam contra a supress√£o da voz humana, que combatem a doen√ßa, a iliteracia, a ignor√Ęncia, a pobreza e a fome. Alguns s√£o conhecidos, outros n√£o. Essas s√£o as pessoas que me inspiraram.

Lutar Contra as Adversidades

Depois dos bons momentos… v√™m sempre os piores. O encontro com o mais belo da exist√™ncia n√£o anula a nossa fragilidade. Mais uma vez, ca√≠mos. Mais uma vez, experimentamos a derrota, sentimos que n√£o somos t√£o importantes quanto julg√°vamos, nem, t√£o-pouco, nada de extraordin√°rio. Estamos, mais uma vez, no ch√£o. Encolhidos. Como no ventre da nossa m√£e.

A fraqueza acumulada √© uma adversidade brutal. N√£o √© apenas necess√°rio lutar contra o que temos por diante, temos de combater tamb√©m as derrotas das lutas anteriores, todas as dores, cicatrizes e feridas abertas… todas as perdas.

O que faz à vontade o sofrimento recorrente? Aumenta a tentação de ceder ao mal. Como se fosse natural habituarmo-nos mais aos vícios do que às virtudes.

A cada passo o caminho se torna mais longo…

Sofremos o que n√£o merecemos. Mas a tristeza s√≥ √© absurda quando n√£o se sabe por que se luta… enquanto n√£o se consegue ver sentido algum na dor…

Há homens e mulheres que, longe dos olhares alheios, lutam contra adversidades enormes, que alguns imaginam impossíveis. Lutam, sofrem e erguem-se, apesar de tudo.

A sua vontade de viver e sorrir é maior do que a de desistir e chorar.

Continue lendo…

Cartas Trocadas para o Marido e para o Amante

Anais,

Uma terr√≠vel asneira foi feita. Enviaste a carta para o Hugo, no dia em que chegaste, e mandaste-lhe a minha. O Hugo est√° freneticamente a tentar entrar em contacto comigo. Mandou a Am√©lia aqui, que deixou debaixo da porta o bilhete que junto. Ela esteve aqui de manh√£ e outra vez esta noite. Pensei de manh√£ que era o pr√≥prio Hugo e que ele tinha vindo para me “apanhar”… Por isso, n√£o abri a porta.

J√° que eu tinha recebido a carta dele na noite anterior (a tua carta para ele), tive um pressentimento de que as cartas tinham sido postas nos envelopes errados e fiquei apreensivo. Esta noite enviei-lhe a sua carta para o n√ļmero 18 da Ave. de Versailles, sem dar a minha morada. N√£o posso dizer nesta carta se chegarei a receber a que me era devida. Espero que sim. Suponho que ele saiba tudo agora. Mas estou a evit√°-lo, porque n√£o quero admitir nem negar. Ele deve estar furioso, mas, ao mesmo tempo, num estado terr√≠vel. Eu pr√≥prio estou exausto de apreens√£o. Trouxe o Fred para ficar aqui comigo, porque at√© o Hugo partir vou estar em pulgas. Sei que, se ele me matasse,

Continue lendo…

Duas Espécies de Génio

H√° duas esp√©cies de g√©nio: um que, antes de mais, fecunda e quer fecundar outros, e outro que prefere ser fecundado e parir. E da mesma maneira h√° entre os povos geniais aqueles a quem coube o problema feminino da gravidez e a miss√£o secreta de formar, amadurecer e aperfei√ßoar – os gregos, por exemplo, foram um povo desta esp√©cie, assim como os franceses – ; e outros que t√™m de fecundar e ser a causa de novas ordens de vida, – como os judeus, os romanos e talvez, perguntando-se com toda a mod√©stia, os alem√£es? – povos atormentados e extasiados com febres desconhecidas e irresistivelmente impelidos para fora de si pr√≥prios, apaixonados e √°vidos de ra√ßas estranhas (aqueles que se ¬ędeixam fecundar¬Ľ -) e, com tudo isso, √°vidos de dom√≠nio, como tudo o que se sabe cheio de for√ßa geradora e, por conseguinte, escolhido ¬ępela gra√ßa de Deus¬Ľ. Estas duas esp√©cies procuram-se como o homem e a mulher; mas tamb√©m se d√£o mal mutuamente, – como o homem e a mulher.

A Intimidade na Amizade

Se dois homens ou duas mulheres t√™m de partilhar por algum tempo o mesmo espa√ßo (em viagem, numa carruagem-cama ou numa pens√£o superlotada), n√£o √© raro nascerem nessas situa√ß√Ķes amizades muito singulares. Cada um tem a sua maneira especial de lavar os dentes, de se curvar para descal√ßar os sapatos ou de encolher as pernas para dormir. A roupa interior, e o resto do vestu√°rio, embora semelhantes, revelam, no pormenor, in√ļmeras pequenas diferen√ßas a um olhar atento. A princ√≠pio – provavelmente devido ao individualismo excessivo do modo de vida actual – existe qualquer coisa como uma resist√™ncia semelhante a uma leve repugn√Ęncia e que rejeita uma aproxima√ß√£o maior, uma ofensa contra a pr√≥pria personalidade, at√© ao momento em que essa resist√™ncia √© superada para dar lugar a uma comunidade que revela uma estranha origem, como uma cicatriz. Muitas pessoas mostram-se, depois de uma tal transforma√ß√£o, mais alegres do que normalmente s√£o; a maior parte mais inofensivas; uma boa parte delas mais faladoras; e quase todas mais am√°veis. A sua personalidade mudou, quase se poderia dizer que foi trocada, subcutaneamente, por outra, menos marcada: no lugar do eu surge o primeiro ind√≠cio de um n√≥s, claramente sentido como um mal-estar e uma diminui√ß√£o,

Continue lendo…

O Sentido de Possibilidade

Poderia definir-se o sentido de possibilidade como aquela capacidade de pensar tudo aquilo que tamb√©m poderia ser e de n√£o dar mais import√Ęncia √†quilo que √© do que √†quilo que n√£o √©. Como se v√™, as consequ√™ncias desta disposi√ß√£o criadora podem ser not√°veis; infelizmente, n√£o √© raro que fa√ßam aparecer como falso aquilo que as pessoas admiram e como l√≠cito aquilo que elas pro√≠bem, ou ent√£o as duas coisas como sendo indiferentes. Esses homens do poss√≠vel vivem, como se costuma dizer, numa trama mais subtil, numa teia de n√©voa, fantasia, sonhos e conjuntivos; se uma crian√ßa mostra tend√™ncias destas, acaba-se firmemente com elas, e diz-se-lhe que tais pessoas s√£o vision√°rios, sonhadores, fracos, gente que tudo julga saber melhor e em tudo p√Ķe defeito.
Quando se quer elogiar estes loucos, chama-se-lhes também idealistas, mas é claro que com isso só se alude à sua natureza débil, incapaz de compreender a realidade, ou que a evita por melancolia, uma natureza na qual a falta do sentido de realidade é um verdadeiro defeito. O possível, porém, não abarca apenas os sonhos dos neurasténicos, mas também os desígnios ainda adormecidos de Deus. Uma experiência possível ou uma verdade possível não são iguais a uma experiência real e uma verdade real menos o valor da sua realidade,

Continue lendo…

Sempre a Amante Ultrapassa o Amado

O destino gosta de inventar desenhos e figuras. A sua dificuldade reside no que é complicado. A própria vida, porém, tem a dificuldade da simplicidade. Só tem algumas coisas de uma dimensão que nos excede. O santo, declinando o destino, escolhe estas coisas por amor a Deus. Mas que a mulher, segundo a sua natureza, tenha de fazer a mesma escolha em relação ao homem, isso evoca a fatalidade de todos os laços de amor: decidida e sem destino, como um ser eterno, fica ao lado dele, que se transformará. Sempre a amante ultrapassa o amado, porque a vida é maior do que o destino. A sua entrega quer ser sem medida: esta é a sua felicidade. A dor inominada do seu amor, porém, foi sempre esta: exigirem-lhe que limitasse essa entrega.

A Única Coisa que Desculpa o Casamento é o Amor

Na carta que lhe escrevi dava-lhe, como me tinha pedido, a minha opini√£o sobre o casamento. √Č a seguinte: acho o casamento uma coisa revoltante! E isto por uma √ļnica raz√£o mas que para mim √© tudo, para mim e para aquelas mulheres que n√£o s√£o apenas f√™meas, para todas as delicadas, para todas as que t√™m pudor, esp√≠rito e consci√™ncia. Essa raz√£o √© a posse, essa suprema e grande lei da Natureza que, no entanto, revolta tudo quanto eu tenho de delicado e bom no √≠ntimo da minha alma. Ganha-se um amigo muitas vezes, √© certo; um amigo que √†s vezes √© o nosso supremo amparo, mas em compensa√ß√£o quantas revoltas, quantas m√°goas, quantas desilus√Ķes! Quantas!… A minha querida faz bem, faz muito bem em n√£o se querer sujeitar ao mercado, √† venda. Eu casei e casei por amor. √Č a √ļnica coisa que desculpa, no meu entender, o casamento, porque do contr√°rio, quando nele apenas entram o interesse e a ambi√ß√£o, revolta-me e indigna-me.

Casamento e Amor

Um casamento pode sobreviver a um homem infiel e pode sobreviver a uma mulher infiel tamb√©m. Um casamento s√£o duas pessoas que est√£o juntas ‚Äď e, felizmente, as raz√Ķes por que as pessoas est√£o juntas n√£o se reduzem ao sentimento. Coisa diferente, por√©m, √© o amor propriamente dito. Um homem pode ser infiel √† sua mulher e, no entanto, am√°-la eterna e incondicionalmente. Uma mulher infiel simplesmente j√° n√£o ama o seu marido. Pode gostar dele. Pode ter pena dele. Pode estimar a vida que os dois t√™m juntos: as rotinas, os objectos, os lugares, os cheiros, as pessoas. Mas pode viver sem eles tamb√©m – e sabe-o. Porque, sendo t√£o capaz como o homem de ausentar-se do seu corpo, n√£o ser√° capaz nunca de ausentar-se das suas emo√ß√Ķes. E porque, se o fizer, j√° n√£o encontrar√° o caminho de regresso.

Felicidade e Prazer

Devemos estudar os meios de alcan√ßar a felicidade, pois, quando a temos, possu√≠mos tudo e, quando n√£o a temos, fazemos tudo por alcan√ß√°-la. Respeita, portanto, e aplica os princ√≠pios que continuadamente te inculquei, convencendo-te de que eles s√£o os elementos necess√°rios para bem viver. Pensa primeiro que o deus √© um ser imortal e feliz, como o indica a no√ß√£o comum de divindade, e n√£o lhe atribuas jamais car√°cter algum oposto √† sua imortalidade e √† sua beatitude. Habitua-te, em segundo lugar, a pensar que a morte nada √©, pois o bem e o mal s√≥ existem na sensa√ß√£o. De onde se segue que um conhecimento exacto do facto de a morte nada ser nos permite fruir esta vida mortal, poupando-nos o acr√©scimo de uma ideia de dura√ß√£o eterna e a pena da imortalidade. Porque n√£o teme a vida quem compreende que n√£o h√° nada de tem√≠vel no facto de se n√£o viver mais. √Č, portanto, tolo quem declara ter medo da morte, n√£o porque seja tem√≠vel quando chega, mas porque √© tem√≠vel esperar por ela.
√Č tolice afligirmo-nos com a espera da morte, visto ser ela uma coisa que n√£o faz mal, uma vez chegada. Por conseguinte, o mais pavoroso de todos os males,

Continue lendo…

A Alma do Amor

Quando um homem, quer tenda para os rapazes ou para as mulheres, encontra aquele mesmo que √© a sua metade, √© um prod√≠gio como os transportes de ternura, confian√ßa e amor os tomam. Eles n√£o desejariam mais separar-se, nem por um s√≥ instante. E pensar que h√° pessoas que passam a vida toda juntas, sem poder dizer, diga-se de passagem, o que uma espera da outra; pois n√£o parece que seja o prazer dos sentidos que lhes fa√ßa encontrar tanto encanto na companhia uma da outra. √Č evidente que a alma de ambas deseja outra coisa, que n√£o pode dizer, mas que adivinha e deixa adivinhar.

O Antagonismo Racial

O elemento puramente instintivo n√£o constitui sen√£o uma pequena parte do √≥dio racial e n√£o √© dif√≠cil de vencer. O medo do que √© estrangeiro, que √© a sua principal ess√™ncia, desaparece com a familiaridade. Se nenhum outro elemento o formasse, toda a perturba√ß√£o desapareceria logo que pessoas de ra√ßas diferentes se habituassem umas √†s outras. Mas h√° sempre pretextos para se odiarem os grupos estrangeiros. Os seus h√°bitos s√£o diferentes dos nossos e portanto (em nossa opini√£o) piores. Se triunfam, √© porque nos roubam as oportunidades; se n√£o triunfam, √© porque s√£o miser√°veis vagabundos. A actual popula√ß√£o do mundo descende dos sobreviventes de longos s√©culos de guerras e por instinto est√° √† espreita de ocasi√Ķes de hostilidade colectiva.

O desejo de ter um inimigo fixa-se no cora√ß√£o desse instinto racista e constr√≥i √† sua volta um edif√≠cio monstruoso de crueldade e de loucura. Tais conflitos representam hoje uma cat√°strofe universal e n√£o j√° somente, como outrora, um desastre para os vencidos: da√≠ as inquieta√ß√Ķes do nosso tempo. √Č por isso que √© mais importante do que nunca conseguir um certo grau de dom√≠nio racional sobre os nossos sentimentos destruidores.

Em geral o ódio racial tem duas origens,

Continue lendo…

O Meu Amor

[Cita√ß√Ķes da entrevista do jornal P√ļblico a Miguel Esteves Cardoso (MEC) e Maria Jo√£o Pinheiro (MJ), no dia 21 de Abril de 2013]

MEC РEla é sempre maravilhosa. Vivia muito desconfiado nos, sei lá, nos primeiros meses e anos. Desconfiava de que ela tivesse uma Maria João verdadeira que não fosse assim mágica. Que fosse prática e muito diferente. Que houvesse Рhá sempre Рuma pessoa escondida dentro dela. Mas não. Não há.
(…)
MJ РO Miguel é uma pessoa. Uma pessoa maravilhosa. Um tesouro.
(…)
MJ – Foi conhecer a pessoa mais generosa, perfeita, bondosa. A alma mais pura.
MEC РDevíamos dar mais entrevistas. Eu nunca ouço isto. Estou inchado. Se achavas isso antes, por que é que não disseste?
(…)
MEC – Sim. E fiquei como nunca fiquei antes. Fiquei assim toinggg. Parecia extremamente feliz. E eu: ¬ęAh!!¬Ľ E luminosa. Risonha. Como se fosse um pr√©mio. Sabe?, um pr√©mio. ¬ęAqui est√° a tua sorte.¬Ľ Senti uma aus√™ncia de d√ļvida. Eh p√°. S√≥ queria que fosse minha.
(…)
MEC – √Č a mulher mais bonita que alguma vez vi. Era linda de morrer e podia ser uma v√≠bora.

Continue lendo…