Cita√ß√Ķes de Manoel de Oliveira

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Manoel de Oliveira para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

Eu não me prendo aos objetos. Prendo-me mais às pessoas. Quando viajo levo só o computador, não tenho nenhum fetiche.

A boa-f√© √© muito perigosa, √© uma abertura a todo o tipo de vigarices. Por boa-f√©, a gente confia, e o fin√≥rio aproveita-se sempre dessa circunst√Ęncia.

Os rituais s√£o muito importantes. Sem eles, a vida seria indecifr√°vel. O cinema n√£o filma sen√£o isso, um conjunto de signos, de conven√ß√Ķes. A vida √© um enigma, n√£o √© leg√≠vel. S√£o os rituais que nos permitem l√™-la.

A vida não mudou absolutamente nada, é exactamente aquilo que era antes. O que evoluiu, que tem evoluído, e muito, é o progresso. O progresso é que evoluiu extraordinariamente.

Eu n√£o sou representante do cinema portugu√™s. O cinema portugu√™s √© um conjunto de realizadores, e da soma deles ‚Äď dos bons, claro ‚Äď √© que se retirar√° um efeito como o da literatura ou da pintura.

A santidade está ligada ao sentido verdadeiro de liberdade, é o desprendimento total das coisas terrenas. Agora, se está preso pelo dinheiro, por uma paixão, pelo desejo de uma mulher, por isto, por aquilo, anda sempre agarrado a esta porcaria que é o campo terreno.

Estou a fazer filmes há uns bons anos e muito do que levo para o cinema nasce de uma reflexão generosa, de aprendiz, que faço da literatura. Tudo nesta vida que levamos tem uma duração estabelecida, um momento para acabar, incluindo os valores monetários, menos as histórias que contamos. As histórias que os livros nos contam duram para sempre e o mesmo espero das histórias trazidas pelo cinema.

[Problemas da sociedade contempor√Ęnea] A televis√£o, que mostra sobretudo pornografia, ou viol√™ncia, tiros, “mata e esfola”. As mulheres trabalham e n√£o est√£o ao lado dos filhos que ficam, sozinhos, a ver televis√£o. Hoje em dia h√° uma perda enorme de valores.

N√£o, n√£o olho para o que fiz. Olho para o que vou fazer. Esta √© a minha ocupa√ß√£o. Quando me perguntam sempre “qual √© o filme que gosta mais”, respondo: √© o que vou fazer agora.

Quem tem um sentimento pol√≠tico profundo √© que toma posi√ß√Ķes. Mas o meu sentimento profundo √© humanista, n√£o pol√≠tico.

Toda a arte √© um reflexo da vida. Se n√≥s n√£o sabemos a finalidade da vida, como √© que vamos saber a finalidade da arte? √Č um segredo que nos √© vedado.

Desconfio sempre da imagina√ß√£o. (…) Todos os meus filmes s√£o hist√≥rias de agonia, da agonia no seu sentido primeiro, no sentido grego, “a luta”.

Às vezes acusam-me de que meus os filmes são muito falados. Ora, falados são os filmes americanos, e falam sem dizer nada. Ao menos os meus filmes dizem alguma coisa porque eu escolho textos ricos, bons, profundos, mais difíceis naturalmente. Mas a imagem é formidável.

Como sopa, de legumes. Porque um cientista, que fez um exame √† nutri√ß√£o dos americanos que deixaram de comer sopa √†s refei√ß√Ķes, declarou que se eles retomassem a sopa diminuiriam o cancro em mais do que 50 por cento. Tamb√©m gosto de sopa de peixe…

Hoje, depois de muitas d√©cadas, j√° percebo que a minha voca√ß√£o nesta vida √© dirigir filmes. E os meus filmes falam sobre valores que v√£o al√©m do dinheiro. O meu filme busca saber se existe alma. O tempo… o tempo eu sei que existe. E talvez eu filme como filmo para contemplar o tempo.

Fui simpatizante com as ideias comunistas. Mas isso era se elas se realizassem. Mas o que aconteceu foi o contr√°rio.

Estou Habituado a que Recebam Mal os Meus Filmes

Estou habituado a que recebam mal os meus filmes e isso n√£o me altera, nem altera nada do que penso sobre o cinema. Eu reprovo o pr√©mio da competi√ß√£o. Os √ďscares, por exemplo, at√© porque s√£o dados a filmes de sucesso. Gosto mais dos pr√©mios que s√£o dados ao filme como coisa art√≠stica. Esse pr√©mio de competi√ß√£o est√° bem no futebol, que um mete mais golos que o outro. Mas j√° dizia o Rembrandt quando apresentou o seu quadro “A ronda da noite” √† sociedade ‚Äď fizeram muita tro√ßa, ele veio desconsolad√≠ssimo ‚Äď: “O militar conhece a sua gl√≥ria na vit√≥ria, o comerciante reconhece a sua gl√≥ria nos lucros do com√©rcio, mas o pintor, o artista, onde √© que ele a vai reconhecer?”. N√£o h√° nada que determine exactamente. A arte √© especial. H√° uma s√≥ lei: o tempo. O tempo √© o grande juiz, √© o grande juiz de tudo.