Passagens sobre Vida

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Frases sobre vida, poemas sobre vida e outras passagens sobre vida para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

N√£o Deixes Que Metam o Nariz na Tua Vida

Quando falas ou simulas falar de ti pr√≥prio e amalgamas passado, presente, futuro, h√° sempre os que perguntam se o que contaste √© verdade ou n√£o. Nunca indagam se vai ser verdade. O que lhes interessa √© saber, com a curiosidade dos intriguistas, se o que se passou (ou parece ter-se passado) se passou mesmo contigo. √Č um erro de gente vulgar. Parasit√°rios ou n√£o, qualquer inven√ß√£o ou patranha, qualquer ¬ęmentir verdadeiro¬Ľ √© acepipe biogr√°fico, √© pretexto para te enfileirarem na nulidade biogr√°fica que √© a deles pr√≥prios e tecerem incansavelmente hist√≥rias a teu respeito.
Não te deixes seduzir pelo gosto da conversa. Essa pequena gente não merece a mais pequena atenção, nem tu precisas de espectadores para o salutar exercício diário de falar por falar.
(…) N√£o deixes que metam o nariz na tua vida. Caso contr√°rio, vais ficar cheio de gente, com a sua vida escassamente interessante. O tombo da vida vulgar j√° foi feito por escritores como Camilo. E tenho a impress√£o de que, no essencial, a vida vulgar continua a mesma.
Desunha-te a escrever (olha que já tens pouco tempo!), mas fá-lo com a discrição e a reserva de quem não se dá às primeiras.

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No seu ponto mais alto, a filosofia é uma criação perfeitamente similar à criação artística ou religiosa ou amorosa; quem não tem nervos de artista, força de imaginação e quem não tem ao seu dispor uma vida rica pode ser professor de Filosofia, mas duvido que chegue alguma vez aos planos em que vale realmente a pena ser filósofo.

A Raiz do Ser Nunca se Altera

Pode acontecer que em certos per√≠odos da vida uma pessoa seja asperamente flagelada por circunst√£ncias p√ļblicas ou privadas. Mas o destino, na sua cegueira, quando se abate sobre as paveias de trigo maduro, destr√≥i apenas a palha, enquanto os gr√£os nem d√£o por isso e saltam alegremente sobre a eira sem se preocuparem em saber se v√£o ser levados ao moinho ou lan√ßados √† terra na pr√≥xima sementeira.

A Serenidade

A serenidade n√£o √© feita nem de tro√ßa nem de narcisismo, √© conhecimento supremo e amor, afirma√ß√£o da realidade, aten√ß√£o desperta junto √† borda dos grandes fundos e de todos os abismos; √© uma virtude dos santos e dos cavaleiros, √© indestrut√≠vel e cresce com a idade e a aproxima√ß√£o da morte. √Č o segredo da beleza e a verdadeira subst√Ęncia de toda a arte.
O poeta que celebra, na dan√ßa dos seus versos, as magnific√™ncias e os terrores da vida, o m√ļsico que lhes d√° os tons de duma pura presen√ßa, trazem-nos a luz; aumentam a alegria e a clareza sobre a Terra, mesmo se primeiro nos fazem passar por l√°grimas e emo√ß√Ķes dolorosas. Talvez o poeta cujos versos nos encantam tenha sido um triste solit√°rio, e o m√ļsico um sonhador melanc√≥lico: isso n√£o impede que as suas obras participem da serenidade dos deuses e das estrelas. O que eles nos d√£o, n√£o s√£o mais as suas trevas, a sua dor ou o seu medo, √© uma gota de luz pura, de eterna serenidade. Mesmo quando povos inteiros, l√≠nguas inteiras, procuram explorar as profundezas c√≥smicas em mitos, cosmogonias, religi√Ķes, o √ļltimo e supremo termo que poder√£o atingir √© essa serenidade.

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A Primeira Palavra que em Toda a Minha Vida me Esgotou o Ser

Uma palavra. Disse-a. Amo-te – uma palavra breve. Quantos milh√Ķes de palavras eu disse durante a vida. E ouvi. E pensei. Tudo se desfez. Palavras sem inteira significa√ß√£o em si, o professor devia ter raz√£o. Palavras que remetiam umas para as outras e se encostavam umas √†s outras para se aguentarem na sua rede a√©rea de sons. Mas houve uma palavra – meu Deus. Uma palavra que eu disse e repercutiu em ti, palavra cheia, quente de sangue, palavra vinda das v√≠sceras, da minha vida inteira, do universo que nela se conglomerava, palavra total. Todas as outras palavras estavam a mais e dispensavam-se e eram uma articula√ß√£o rid√≠cula de sons e mobilizavam apenas a parte mec√Ęnica de mim, a parte fr√°gil e v√£. Palavra absoluta no entendimento profundo do meu olhar no teu, palavra infinita como o verbo divino. Recordo-a agora – onde est√°? Como se desfez? Ou n√£o desfez mas se alterou e resfriou e absorveu apenas a frac√ß√£o de mim onde estava a ternura triste, o conforto humilde, a compaix√£o. N√£o haver√° ent√£o uma palavra que perdure e me exprima todo para a vida inteira? E n√£o deixe de mim um recanto oculto que n√£o venha √† sua chamada e vibre nela desde os mais finos filamentos de si?

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O trabalho esforçado e a contemplação da natureza de Deus são os anjos que, conciliadores, fortificadores e, contudo, impiedosamente severos, me guiarão através do tumulto da vida.

Sem Causa a Inf√Ęncia Ri

Sem causa a Inf√Ęncia ri, sem causa chora:
Incauta se despenha a mocidade;
Sacode o jugo, e nela a liberdade,
A caça, o jogo, o amor, tudo a namora.

Das honras o var√£o se condecora;
Tudo é nele ilusão, tudo vaidade:
Junta Tesouros a avarenta idade;
Diz mal do nosso, e ao tempo andado adora.

Tormento é toda a vida, é toda enganos:
Quando uns afectos vence a novos corre,
E tarde reconhece os próprios danos:

Porque enfim se a prudência nos socorre,
Ditada na lição dos longos anos,
Quando se sabe, então é que se morre.

Canção à Ausente

Para te amar ensaiei os meus l√°bios…
Deixei de pronunciar palavras duras.
Para te amar ensaiei os meus l√°bios!

Para tocar-te ensaiei os meus dedos…
Banhei-os na água límpida das fontes.
Para tocar-te ensaiei os meus dedos!

Para te ouvir ensaiei meus ouvidos!
Pus-me a escutar as vozes do sil√™ncio…
Para te ouvir ensaiei meus ouvidos!

E a vida foi passando, foi passando…
E, à força de esperar a tua vinda,
De cada braço fiz mudo cipreste.

A vida foi passando, foi passando…
E nunca mais vieste!

As Oscila√ß√Ķes da Personalidade

Pretender que a nossa personalidade seja m√≥vel e suscept√≠vel de grandes mudan√ßas √©, por vezes, no√ß√£o um pouco contr√°ria √†s id√©ias tradicionais atinentes √† estabilidade do ‚Äúeu‚ÄĚ. A sua unidade foi durante muito tempo um dogma indiscut√≠vel. Factos numerosos vieram provar quanto esta ideia era fict√≠cia.
O nosso ‚Äúeu‚ÄĚ √© um total. Comp√Ķe-se da adi√ß√£o de inumer√°veis ‚Äúeu‚ÄĚ celulares. Cada c√©lula concorre para a unidade de um ex√©rcito. A homogeneidade dos milhares de indiv√≠duos que o comp√Ķem resulta somente de uma comunidade de ac√ß√£o que numerosas coisas podem destruir.
√Č in√ļtil objectar que a personalidade dos seres parece, em geral, bastante est√°vel. Se ela nunca varia, com efeito, √© porque o meio social permanece mais ou menos constante. Se subitamente esse meio se modifica, como em tempo de revolu√ß√£o, a personalidade de um mesmo indiv√≠duo poder√° transformar-se por completo. Foi assim que se viram, durante o Terror, bons burgueses reputados pela sua brandura tornarem-se fan√°ticos sanguin√°rios. Passada a tormenta e, por conseguinte, representando o antigo meio e o seu imp√©rio, eles readquiriram sua personalidade pacifica. Desenvolvi, h√° muito tempo, essa teoria e mostrei que a vida dos personagens da Revolu√ß√£o era incompreens√≠vel sem ela.
De que elementos se comp√Ķe o ‚Äúeu‚ÄĚ,

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Espaços em Branco

Ao fim da noite, no frio do t√°xi, pousas
a cabeça no meu ombro Рe assim entramos
duma vez e inteiramente na nossa vida.
L√° fora, pelo contr√°rio, tudo perde realidade;

h√° em toda a parte um sossego abstracto,
as ruas parecem pintadas – bet√£o entre
as árvores Рnuma tela baça. Vamos por lugares
que não reconheço, a minha geografia é vaga

e omissa como a dos velhos cartógrafos
que desenhavam um mundo cheio de espaços
em branco. √Č onde estamos agora, num
intervalo do mapa rente √† primeira manh√£ –

que ser√° a nossa e tamb√©m a √ļltima.

Vivo muito bem, concerteza. Se eu não tivesse atingido esta idade não apanhava esta quantidade de prémios que me começaram a dar agora, no final da vida.

Os pais que não arranjam tempo para os seus filhos, que se envolvem excessivamente com o trabalho vão desejar mais tarde poder comprar o tempo e voltar atrás. Mas o tempo passado não está mais à venda no grande mercado da vida, apenas o tempo presente.

O amor talvez esteja ao nosso lado e quando percebemos, muita água rolou por baixo da nossa própria ponte de vida e nem deu tempo de salvá-lo do seu naufrágio.

A história é tão leve quanto a vida do indivíduo, insustentavelmente leve, leve como uma pluma, como uma poeira que voa como uma coisa que vai desaparecer amanhã

Ah! Na minha idade sabe-se demais como a vida é pouco inocente; sabe-se demais o que se perde, demorando neste mundo; e só se tem confiança na mocidade.