Passagens de Cícero

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Qualquer um pode ser completamente feliz, se depender apenas de si e tiver em si mesmo tudo o que chamar de seu.

Dos amores humanos, o menos egoísta, o mais puro e desinteressado é o amor da amizade.

Embora seja curta a vida que nos é dada pela natureza, é eterna a memória de uma vida bem empregada.

Censura Amiga

A amizade penetra nos menores detalhes da nossa vida, o que torna frequentes as ocasi√Ķes de ofensas e melindres: o s√°bio deve evit√°-las, destru√≠-las ou suport√°-las quando necess√°rio for. A √ļnica ocasi√£o em que n√£o devemos deixar de ofender um amigo, √© quando se trata de lhe dizer a verdade e de lhe provar assim a nossa fidelidade. Porque n√£o devemos deixar de sobreavisar os nossos amigos, ainda quando se trate de os repreender. E n√≥s mesmos devemos levar isto em boa vontade, quando tais repreens√Ķes s√£o ditadas pelo bem querer.
Todavia, sou for√ßado a confess√°-lo, como disse o nosso Ter√™ncio no seu Adriana: ¬ęA benevol√™ncia gera a amizade; a verdade, o √≥dio¬Ľ. Sem d√ļvida a verdade √© molesta se produz o √≥dio, este veneno da amizade. Mas a magnanimidade √©-o ainda mais, porque para a indulg√™ncia culp√°vel, pelas faltas de um amigo, ela deixa-o precipitar-se nas suas ru√≠nas. Mas a falta mais grave √© a que despreza a verdade e se deixa conduzir ao mal pela adula√ß√£o. Este ponto reclama toda a nossa vigil√Ęncia e aten√ß√£o. Afastemos o √°cido das nossas advert√™ncias, a inj√ļria dos nossos reproches; que a nossa complac√™ncia (sirvo-me volunt√°rio da express√£o de Ter√™ncio) seja farta de urbanidade;

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Ninguém é assim tão velho para não acredite que poderá viver por mais um ano.

Não sei, se, com excepção da sabedoria, os deuses imortais autorgaram ao homem algo melhor que a amizade.

A Busca da Glória

Com que pensamento nas suas mentes supor√≠amos que esta tropa de homens ilustres perdeu a vida pelo bem p√ļblico? Seria para que o seu nome ficasse restrito aos limites estreitos de sua vida? Ningu√©m jamais se teria exposto √† morte pelo seu pa√≠s sem uma boa esperan√ßa de alcan√ßar a imortalidade. Tem√≠stocles poderia ter levado uma vida tranquila (…) e eu poderia ter feito o mesmo. Mas acontece que, de algum modo, foi implantado na mente dos homens um pressentimento profundamente arraigado sobre as eras futuras, e tal sentimento torna-se mais forte e mais patente nos homens dotados de g√©nio e esp√≠rito mais elevado. Retire-se tal sentimento, e quem seria louco de passar a vida em constante perigo e labuta? At√© aqui falei de estadistas, mas e os poetas? N√£o possuem eles algum desejo de fama ap√≥s a morte? (…) Mas porqu√™ parar nos poetas? Os artistas anseiam tornar-se famosos ap√≥s a morte.

Para conservar a liberdade, a morte, que √© o √ļltimo dos males, n√£o deve recear-se.

Ninguém é assim tão velho que não acredite que poderá viver por mais um ano.

Saber Terminar uma Amizade Indesej√°vel

Sucede, tamb√©m, como por calamidade, que algumas vezes √© necess√°rio romper uma amizade: porque passo agora das amizades dos s√°bios √†s liga√ß√Ķes vulgares. Muitas vezes quando os v√≠cios se revelam num homem, os seus amigos s√£o as suas v√≠timas como todos os outros: contudo √© sobre eles que recai a vergonha. √Č preciso, pois, desligar-se de tais amizades ‚ÄĒ, afrouxando o la√ßo pouco a pouco e, como ouvi dizer a Cat√£o, √© necess√°rio descoser antes que despeda√ßar, a menos que se n√£o haja produzido um esc√Ęndalo de tal modo intoler√°vel, que n√£o fosse nem justo nem honesto, nem mesmo poss√≠vel, deixar de romper imediatamente.

Mas se o car√°cter e os gostos vierem a mudar, o que acontece muitas vezes; se algum dissentimento pol√≠tico separar dois amigos (n√£o falo mais, repito-o, das amizades dos s√°bios, mas das afei√ß√Ķes vulgares), √© preciso tomar cuidado em, desfazendo a amizade, n√£o a substituir logo pelo √≥dio. Nada mais vergonhoso, com efeito, que estar em guerra com aquele que se amou por muito tempo.
(…) Apliquemo-nos, pois, antes de tudo, em afastar toda a causa de ruptura: se contudo, acontecer alguma, que a amizade pare√ßa antes extinta do que estrangulada. Temamos sobretudo que ela n√£o se transforme em √≥dio violento,

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