Passagens sobre Lados

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Frases sobre lados, poemas sobre lados e outras passagens sobre lados para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Em nenhum outro pa√≠s os ricos demonstraram mais ostenta√ß√£o que no Brasil. Apesar disso, os brasileiros ricos s√£o pobres. S√£o pobres porque compram sofisticados autom√≥veis importados, com todos os exagerados equipamentos da modernidade, mas ficam horas engarrafados ao lado dos √īnibus de sub√ļrbio.

O amor talvez esteja ao nosso lado e quando percebemos, muita água rolou por baixo da nossa própria ponte de vida e nem deu tempo de salvá-lo do seu naufrágio.

O Fundamento da Cultura

O fundamento da cultura, assim como do car√°cter, √© por fim o sentimento moral. Essa √© a fonte do poder, que preserva a sua eterna jovialidade, e obt√©m a sua renda de cada novidade da ci√™ncia. A ci√™ncia corrige os velhos credos e p√Ķe de lado, com cada nova percep√ß√£o, os nossos catecismos infantis. Mas ela necessita de uma f√© comensur√°vel com as √≥rbitas mais largas e as leis universais que descobre. Mesmo assim, ela n√£o surpreende o sentimento moral, pois este √© mais antigo e aguardava expectante essas descobertas mais amplas.

N√£o o Sonho

Talvez sejas a breve
recordação de um sonho
de que alguém (talvez tu) acordou
(não o sonho, mas a recordação dele),
um sonho parado de que restam
apenas imagens desfeitas, pressentimentos.
Também eu não me lembro,
também eu estou preso nos meus sentidos
sem poder sair. Se pudesses ouvir,
aqui dentro, o barulho que fazem os meus sentidos,
animais acossados e perdidos
tacteando! Os meus sentidos expulsaram-me de mim,
desamarraram-me de mim e agora
só me lembro pelo lado de fora.

Simplicidade Extrema

P√Ķe de lado os estudos e n√£o conhecer√°s o sofrimento. P√Ķe de lado a erudi√ß√£o e afasta a sabedoria e o povo ser√° cem vezes mais beneficiado. P√Ķe de lado a benevol√™ncia e afasta a rectid√£o e o povo te pagar√° com dever filial e amor fraternal. P√Ķe de lado o artif√≠cio e afasta o lucro e n√£o haver√° mais bandoleiros e ladr√Ķes. Mant√©m-te na simplicidade, restringe o ego√≠smo e refreia os desejos.

Se é a tua vida tens de ser tu a querer o melhor para ela e muito passa pelas pessoas que estão ou podem estar ao teu lado. Qualquer tipo de relação que tenhas só faz sentido se ganhares alguma coisa com ela, mas alguma coisa boa e que se sinta, senão não é uma relação, é uma obrigação.

Deve-se estar atento às ideias novas que vêm dos outros. Nunca julgar que aquilo em que se acredita é efectivamente a verdade. Fujo da verdade como tudo, porque acho que quem tem a verdade num bolso tem sempre uma inquisição do outro lado pronta para atacar alguém; então livro-me de toda a espécie de poder Рisso sobretudo.

O Amor Exige a Verdade

A maioria das pessoas hoje em dia n√£o considera o amor como relacionado de alguma forma com a verdade. O amor √© visto como uma experi√™ncia associada com o mundo das emo√ß√Ķes fugazes, e n√£o com a verdade. Mas √© esta uma descri√ß√£o adequada do amor? O amor n√£o pode ser reduzido a uma emo√ß√£o ef√©mera. √Č verdade que estimula a nossa afectividade, mas, a fim de o abrir para o amado e, assim, abrir o caminho que conduz longe do egocentrismo e em dire√ß√£o √† outra pessoa, a fim de construir um relacionamento duradouro, o amor visa a uni√£o com o amado. Aqui come√ßamos a ver como o amor exige a verdade. S√≥ na medida em que o amor √© fundamentado na verdade pode ser suportado ao longo do tempo, pode transcender o momento passageiro e ser suficientemente s√≥lido para sustentar uma viagem compartilhada. Se o amor n√£o est√° vinculado √† verdade, √© uma presa emo√ß√Ķes inconstantes e n√£o pode resistir ao teste do tempo. Amor verdadeiro, por outro lado, unifica todos os elementos da nossa pessoa e torna-se uma nova luz que aponta o caminho para uma vida grande e realizada. Sem a verdade, o amor √© incapaz de estabelecer um v√≠nculo firme;

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Insónia

N√£o durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.

Espera-me uma insónia da largura dos astros,
E um bocejo in√ļtil do comprimento do mundo.

N√£o durmo; n√£o posso ler quando acordo de noite,
N√£o posso escrever quando acordo de noite,
N√£o posso pensar quando acordo de noite ‚ÄĒ
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!

N√£o durmo, jazo, cad√°ver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
‚ÄĒ Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me n√£o sucederam
‚ÄĒ Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que n√£o s√£o nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.

Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasi√£o qualquer em que eu pudesse sentir.

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Considera√ß√Ķes Sobre a Amizade

√Č a insufici√™ncia do nosso ser que faz nascer a amizade, e √© a insufici√™ncia da pr√≥pria amizade que a faz perecer. Est√°-se sozinho, sente-se a pr√≥pria mis√©ria, sente-se necessidade de apoio, procura-se quem lhe favore√ßa os gostos, um companheiro nos prazeres e nos pesares; quer-se um homem de quem se possa possuir o cora√ß√£o e o pensamento. Ent√£o a amizade parece ser o que de mais doce h√° no mundo; tem-se o que se desejou, logo se muda de ideia. Quando se v√™ de longe algum bem, ele fixa de in√≠cio os nossos desejos, e quando se chega a ele, sente-se o seu nada. A nossa alma, de que ele prendia a vista na dist√Ęncia, n√£o pode repousar-se nele quando v√™ mais adiante: assim a amizade, que de longe limitava todas as nossas pretens√Ķes, cessa de limit√°-las de perto; n√£o preenche o vazio que prometera preencher; deixa-nos necessidades que nos distraem e nos levam a outros bens.
Ent√£o a gente torna-se negligente, dif√≠cil, exige-se logo como um tributo as complac√™ncias que de in√≠cio eram recebidas como um dom. √Č do car√°cter dos homens apropriar-se a pouco e pouco at√© das gra√ßas de que beneficiam; uma longa posse acostuma-os naturalmente a olhar as coisas que possuem como sendo deles;

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Escrevias pela Noite Fora

Escrevias pela noite fora. Olhava-te, olhava
o que ia ficando nas pausas entre cada
sorriso. Por ti mudei a raz√£o das coisas,
faz de conta que n√£o sei as coisas que n√£o queres
que saiba, acabei por te pensar com crianças
à volta. Agora há prédios onde havia
laranjeiras e rom√£s no ch√£o e as palavras
nem o sabem dizer, apenas apontam a rua
que foi comum, o quarto estreito. Um livro
é suficiente neste passeio. Quando não escreves
estás a ler e ao lado das árvores o silêncio
é maior. Decerto te digo o que penso
baixando a cabeça e tu respondes sempre
com a cabeça inclinada e o fumo suspenso
no ar. As verdades nunca se disseram. Queria
prender-te, tornar a perder-te, achar-te
assim por acaso no meu dia livre a meio
da semana. Mantêm-se as causas iguais
das pequenas alegrias, longe da alegria, a rotina
dos sorrisos vem de nenhum vício. Este abandono
custa. Porque estou contigo e me deixas
a tua imagem passa pelas noites sem sono,
est√° aqui a cadeira em que te sentaste
a escrever lendo.

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L√°grima de preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma l√°grima
para a analisar.

Recolhi a l√°grima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os √°cidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
√Āgua (quase tudo)
e cloreto de sódio.

Quem Dir√° aos Amantes

Quem dir√° aos amantes
o caminho
pelo qual os corpos v√£o
ao termo do que souberam?
E depois foi noção,
espaço, letra,
e n√£o quiseram o retorno?
Quem os aguardar√° do outro lado
onde o riso,
a aveia, s√£o o pre√Ęmbulo
da carícia no seio?

Quem dir√° aos
amantes que o amor h√°-de despir
o acontecido
e passar√° pela m√£o
como passou o frio
de flor em flor?

Ser Amigo

O cora√ß√£o de um amigo √© uma coisa que sempre quer. Ser amigo √© estar ao lado de quem n√£o tem raz√£o, contra qualquer inimigo que tenha, e apare√ßa, dizendo com toda a justi√ßa que o amigo n√£o a tem. N√£o √© suspender a raz√£o – √© us√°-la friamente, aplic√°-la, estar sempre consciente dela. E, contudo, n√£o diz√™-la, n√£o mostr√°-la, ficar sempre acima dela. Ser amigo √© ter raz√£o e n√£o querer saber dela. Ser amigo √© pensar duas vezes quando a √ļltima vez pertence ao que repensa o cora√ß√£o.

O amigo discordava dele. Dizia: Queres tu dizer que para se ser um bom amigo é preciso, às vezes, ser-se muito má pessoa? Sim, respondia ele, era isso que ele queria dizer. Porque ser amigo tem de ser uma coisa que custa. Às vezes é um trabalho, muitas horas, muitas dores; um trabalho que é o contrário do que seria natural, e do que apetece. Ser má pessoa para se ser um bom amigo (ou um bom português, ou um bom professor), é fazer fé que um outro fim faz valer o desconforto, faz valer o arrependimento, acaba por se abater sobre a vergonha. E sofrer bastante para que o outro nada sofra,

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A ideia complacente de que a vida n√£o fosse algo que transcorre como o rio revolto de Her√°clito, mas uma ocasi√£o √ļnica de dar a volta na grelha e continuar assando-se do outro lado por noventa anos a mais.

Disputas Empobrecedoras

As disputas deviam ser regulamentadas e punidas como outros crimes verbais. Que defeitos n√£o suscitam e acumulam em n√≥s, reguladas e governadas como s√£o pela c√≥lera! Come√ßamos por ser inimigos das raz√Ķes e acabamos por o ser dos homens. S√≥ aprendemos a discutir para contraditar, e, √† for√ßa de se contraditar e ser-se contraditado, vem a acontecer que o fruto do discutir √© perder e aniquilar-se a verdade. Assim, Plat√£o, na Rep√ļblica, pro√≠be o seu exerc√≠cio aos esp√≠ritos ineptos e mal formados.
Porque nos havemos de p√īr a caminho, para descobrir a verdade, com quem n√£o tem passo nem andamento que sirvam? N√£o se prejudica o assunto quando o deixamos para procurar o meio de o tratarmos; n√£o falo dos meios escol√°sticos e artificiais, falo dos meios naturais, dum entendimento s√£o. Que suceder√° por fim? Cada um puxa para o seu lado; perdem de vista o essencial, p√Ķem-no de parte na confus√£o do acess√≥rio.
No fim de uma hora de tormenta j√° n√£o sabem o que procuram; um est√° em cima, outro em baixo, outro para o lado. Uns demoram-se com as palavras e com as compara√ß√Ķes; outros n√£o entendem o que se lhes objecta, tanto se entusiasmam: s√≥ pensam neles,

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A Escolha Inteligente

Uma vida bem sucedida depende das escolhas que fizermos. Temos de saber o que √© ou n√£o importante para n√≥s. A escolha inteligente implica um sentido realista dos valores e um sentido realista das propor√ß√Ķes. Este processo de escolha – de aceita√ß√£o por um lado e de rejei√ß√£o pelo outro – come√ßa na inf√Ęncia e continua pela vida fora. N√£o podemos ter tudo o que ambicionamos. O homem de neg√≥cios que procura o sucesso financeiro tem muitas vezes de abandonar os seus interesses de ordem desportiva ou cultural. Os que preferem servir os interesses espirituais, culturais ou pol√≠ticos da sociedade – sacerdotes, escritores, artistas, militares, homens de estado e funcion√°rios p√ļblicos em geral – t√™m quase sempre de relegar para segundo plano o bem-estar financeiro.
Com uma vida limitada não podemos ser ou fazer tudo. Estamos constantemente a ter de escolher com que e com quem passar o nosso tempo. Cultivar amizades toma tempo. Às vezes temos de recusar encontros e desapontar muitas pessoas para termos tempo de alcançar os nossos fins. Todos os dias temos de escolher entre as coisas que estão à venda. Não podemos ter o mundo inteiro, tal como uma criança não pode comprar todos os rebuçados da doçaria se tiver apenas um tostão.

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A Minha √ļnica Felicidade √©s Tu

At√© agora ainda nada te disse da nossa vida de fam√≠lia. Devo dizer-te algumas palavras para que saibas com que contar. Temos uma vida muito tranquila, vida que sempre desejei e a que estou realmente habituado. A m√ļsica ou o teatro v√™m por vezes interromper a monotonia desta vida quase mon√°stica. Quando vieres faremos mais ou menos a mesma vida interrompendo no entanto a monotonia pelo teatro, pequenos ser√Ķes musicais e mesmo dan√ßantes se isso te agradar. Sem isso passaremos os nossos ser√Ķes ao lado um do outro a conversar e a dar gra√ßas ao bom Deus pela nossa felicidade. Devo tamb√©m falar-te dos meus gostos e das minhas qualidades tanto quanto posso conhec√™-los. Sou um grande fumador, um ca√ßador bastante bom, apaixonado pela m√ļsica e dan√ßarino med√≠ocre. Quanto √†s qualidades e aos defeitos, j√° que todos os temos, tenho mais dificuldade em falar deles, j√° que ningu√©m √© bom juiz em causa pr√≥pria. Contudo todas as minhas qualidades se fundir√£o numa s√≥, a de te adorar e n√£o amar a mais ningu√©m no mundo, anjo da minha vida. Quando estivermos unidos, s√≥ viveremos juntos, onde um ir√°, o outro seguir√°, o que um quiser o outro tamb√©m h√°-de querer.

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