Passagens sobre Caminhos

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Frases sobre caminhos, poemas sobre caminhos e outras passagens sobre caminhos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Mancebos! De Mil Louros Triunfantes

Mancebos! De mil louros triunfantes
Adornai o Moisés da mocidade,
O Anjo que nos guia da verdade
Pelos doces caminhos sempre ovantes.

Coroai de grinaldas verdejantes
Quem rompeu para a P√°tria nova idade,
Guiando pelas leis s√£s da amizade
Os moços do progresso sempre amantes.

Vê, Brasil, este filho que o teu nome
Sobre o mapa dos povos ilustrados
Descreve qual o forte de Vend√īme.

Conhece que os Andradas e os Machados,
Que inda vivem nas asas do renome
Não morrem nestes céus abençoados;

Quem √© que pode parar os caminhos? E os rios cantando e correndo? E as folhas ao vento? E os ninhos? E a poesia? A poesia como um seio nascendo…

N√£o Sou Digno de um Anjo T√£o Doce como Tu

Bom dia, anjo querido, beijo-te muito. Pensei em ti durante todo o caminho. Acabo de chegar. Sinto-me cansado e instalei-me para te escrever. Acabam de trazer-me ch√°, e √°gua para me lavar, mas no intervalo escrevo-te umas linhas. (…) Na sala de espera da esta√ß√£o andei de l√° para c√° a pensar em ti e dizia comigo: mas porque deixei eu a minha Anuska?
Recordava tudo, at√© ao mais √≠nfimo escaninho da tua alma e do teu cora√ß√£o. Desde que cas√°mos que descobri n√£o ser digno de um anjo t√£o doce, t√£o belo, t√£o puro como tu – e que cr√™ em mim. Como pude eu deixar-te? Para onde vou? Porqu√™? Deus confiou-te a mim para que nenhuma das riquezas da tua alma se perdesse – pelo contr√°rio, para que tudo se desenvolva e flores√ßa rica e esplendorosamente. Deus entregou-te a mim para que, por ti, eu resgate os meus enormes pecados, ao apresentar-te a Ele amadurecida, conservada, salva de tudo o que √© baixo e ofende o esp√≠rito. E eu (…) eu o que fa√ßo √© perturbar-te com coisas t√£o est√ļpidas como a minha viagem a este lugar.

Medo da Própria Alma

Se Deus n√£o existe… O pior de tudo √© que eu digo e afirmo – Deus n√£o existe! – mas na realidade n√£o sei se Deus existe ou n√£o. N√£o h√° nada que o prove – ou que prove o contr√°rio. O pior de tudo √© que eu sinto uma sombra por tr√°s de mim e n√£o sei por que nome lhe hei-de chamar. O pior que podia acontecer no mundo foi algu√©m p√īr esta ideia a caminho.
Mas mesmo que Deus não exista, tenho medo de mim mesmo, tenho medo da minha alma, tenho medo de me encontrar sós a sós com a minha alma, que é nada, o fim e o princípio da vida e a razão do meu ser. Mesmo que Deus não exista e a consciência seja uma palavra, há ainda outra coisa indefinida e imensa diante de mim, ao pé de mim, perto de mim.

A Lei do Mais Forte

Durante muito tempo dissemos que a competi√ß√£o e a elimina√ß√£o dos mais fracos eram o motor da evolu√ß√£o natural. Sem querer, demos cr√©dito √† chamada lei do mais forte. Sancionamos o pecado da ira dos poderosos no exterm√≠nio dos chamados fracos. Sabemos hoje que a simbiose √© um dos mecanismos mais poderosos de evolu√ß√£o. Mas deix√°mos que isso ficasse no esquecimento. E continuamos ainda hoje vasculhando exemplos isolados de simbiose quando a Vida √© toda ela um processo de simbiose global. Sabemos hoje que a capacidade de criar diversidade foi o mais importante segredo da nossa √©poca como esp√©cie que se adaptou e sobreviveu. No entanto, vamo-nos contentando com o estatuto que a n√≥s mesmos conferimos: o sermos a esp√©cie ¬ęsabedora¬Ľ.

Alimentámo-nos de receios e essa será mais uma manifestação da gula. Temos medo de errar. Esse medo leva à proibição de experimentar outros caminhos, sufocados pelo cientificamente correcto, pelo estatisticamente provado, pelo laboratorialmente certificado. Deveríamos ser nós, biólogos, a mostrar que o erro é um dos principais motores da evolução. A mutação é um erro criativo que funciona, um erro que fabrica a diversidade.
Os avanços no domínio do conhecimento fazem-se através de caminhos paradoxais. A nossa ciência,

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O Amor Social

√Č necess√°rio voltar a sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo, que vale a pena sermos bons e honestos. Vivemos j√° muito tempo na degrada√ß√£o moral, baldando-nos √† √©tica, √† bondade, √† f√©, √† honestidade; chegou o momento de reconhecer que esta alegre superficialidade de pouco nos serviu. Uma tal destrui√ß√£o de todo o fundamento da vida social acaba por nos colocar uns contra os outros, na defesa dos pr√≥prios interesses, provoca o despertar de novas formas de viol√™ncia e crueldade e impede o desenvolvimento de uma verdadeira cultura do cuidado do meio ambiente.

O exemplo de Santa Teresa de Lisieux convida-nos a p√īr em pr√°tica o pequeno caminho do amor, a n√£o perder a oportunidade de uma palavra gentil, de um sorriso, de qualquer pequeno gesto que semeie paz e amizade. Uma ecologia integral √© feita tamb√©m de simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a l√≥gica da viol√™ncia, da explora√ß√£o, do ego√≠smo. Pelo contr√°rio, o mundo do consumo exacerbado √©, simultaneamente, o mundo que maltrata a vida em todas as suas formas.

O amor, cheio de pequenos gestos de cuidado m√ļtuo, √© tamb√©m civil e pol√≠tico,

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Aos Pregadores de Moral

N√£o quero fazer moral, mas dou o seguinte conselho √†queles que a fazem: se quereis tirar √†s melhores coisas todo o prest√≠gio e todo o valor, continuai a falar delas como o fazeis. Fazei disso o centro da vossa moral, repeti de manh√£ √† noite a felicidade da virtude, a tranquilidade da alma, a equidade e a justi√ßa imanente; pelo caminho por onde ides, essas excelentes coisas acabar√£o por ganhar o cora√ß√£o do povo; a voz do povo estar√° do seu lado; mas, passando de m√£o em m√£o, perder√£o toda a sua duradoura; pior: o seu ouro transformar-se-√° em chumbo. Ah! Como sois peritos nessas contra-alquimias! Como sabeis desvalorizar as subst√Ęncias mais preciosas! Tentai, portanto, uma vez, a t√≠tulo de experi√™ncia, uma receita diferente, se n√£o quereis, como at√© agora, conseguir o contr√°rio daquilo que procurais: negai essas excelentes coisas, retirai-lhes o aplauso da multid√£o, entravai a sua circula√ß√£o, voltai a faz√™-las outra vez o objecto de secreto pudor da alma solit√°ria, dizei que a moral √© um fruto proibido! Talvez ganheis ent√£o para a vossa causa a √ļnica esp√©cie de homens que interessa, quero dizer, a ra√ßa dos her√≥is.

A Estranheza dá Crédito

O verdadeiro campo e assunto da impostura s√£o as coisas desconhecidas. Isso porque em primeiro lugar a pr√≥pria estranheza d√° cr√©dito; e depois, n√£o estando sujeitas √†s nossas reflex√Ķes habituais, elas tiram-nos os meios de as combater. Por causa disso, diz Plat√£o, √© muito mais f√°cil satisfazer ao falar da natureza dos deuses do que da natureza dos homens, porque a ignor√Ęncia dos ouvintes abre um belo e amplo caminho e toda a liberdade para o manejo de uma mat√©ria secreta.
Advém daí que nada é aceite tão firmemente como aquilo que menos se sabe, nem há pessoas tão seguras como as que nos contam fábulas, como alquimistas, prognotiscadores, astrólogos, quiromantes, médicos, toda a gente dessa espécie (Horácio). A eles eu acrescentaria de bom grado, se ousasse, um bando de pessoas, intérpretes e controladores habituais dos desígnios de Deus, que têm a pretensão de descobrir as causas de cada acontecimento e de ver nos segredos da vontade divina os incompreensíveis motivos das suas obras; e, embora a variedade e a disparidade contínua dos factos os lance de um canto para o outro e do ocidente para o oriente, não deixam entretanto de persistir no que é seu e com o mesmo lápis pintar o preto e o branco.

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Artista, Homem e Revolucion√°rio

Creio que n√£o √© preciso. Em todo o caso, fica aqui a declara√ß√£o. O que eu fui sempre, o que eu sou, e o que serei, √© um artista, um homem e um revolucion√°rio. Na medida em que sou artista, quero um mundo onde a beleza seja o v√©rtice da pir√Ęmide. Na medida em que sou homem, quero que nesse mundo os indiv√≠duos sejam livres e conscientes. E na medida em que sou revolucion√°rio, quero que a revolu√ß√£o traga √† tona as grandes massas, e que nunca acabe de percorrer o seu caminho perp√©tuo, sem estratifica√ß√Ķes e sem dogmas.

√Č prefer√≠vel simular o bem a simular o mal, pois quem imita o bem acaba aprendendo o bem, ao passo que aquele que imita o mal acaba enveredando pelo caminho do mal.

Os outros só nos podem dar conselhos ou indicar-nos o caminho a seguir, mas a formação definitiva do carácter está nas próprias mãos de cada indivíduo.

Os Dias Ricos

√Č bom ter um dia complicado se formos n√≥s a complic√°-lo, √† medida que vamos andando. S√£o os dias ricos. Nunca sabemos o que vamos fazer a seguir mas fazemos sempre qualquer coisa a seguir, para n√£o interromper a cadeia.

Em vez de jantarmos em casa ou jantarmos fora, entramos num restaurante onde costumamos jantar e comemos apenas um petisco, um aperitivo. Os anfitri√Ķes tamb√©m apreciam a mudan√ßa. √Č como ir cumpriment√°-los.

Metemos conversa com um casal que s√≥ nos parece japon√™s porque queremos que seja, para lhes perguntar como preparam a massa Shirataki, que tem zero calorias. Perguntamos de onde s√£o? Da Holanda, respondem. Os preconceitos, no sentido de pr√©-ju√≠zos ou pensamentos j√° feitos (na verdade, substitutos e obst√°culos do conhecimento), s√£o cada vez mais in√ļteis.

Os hábitos são diferentes. Para celebrá-los, nem é preciso esquecê-los ou trocá-los por alternativas, felizes ou desagradáveis. O melhor é interrompê-los e acrescentar-lhes desvios espontaneamente decididos que enaltecem, através da diversão, a felicidade subjacente.

Os dias ricos levam outro dia inteiro a contar. Só fazer a lista do que se fez cansa tão bem como nadar um quilómetro, devagarinho, num oceano vivo que nos consente.

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O Caminho da Salvação

A cegueira e a obstina√ß√£o dos homens lembra-me √†s vezes a cegueira e a obstina√ß√£o das varejeiras enfrenizadas contra as vidra√ßas. Bastava um momento de serenidade, dez-r√©is de bom senso, e em qualquer fresta estava a liberdade. Mas o dem√≥nio da mosca, quanto mais a impossibilidade se lhe p√Ķe diante, mais teima. O resultado √© cair morta no peitoril.
Não se pode fazer ideia da maravilha de criança que era a filha de um poeta de meia tigela que hoje me lia versos impossíveis, a empurrá-la enfastiado com a mão esquerda, quando ela graciosamente o interrompia. A canção enluarada, a quadra perfeita, o soneto verdadeiro que justificavam aquele homem estavam ali, a brilhar nos olhos da pequenita; e o desgraçado às turras à janela, a zumbir e a magoar-se, sem ver que tinha diante de si o verdadeiro caminho da salvação!

Ao Longo da Escrita deste Livro

No ano passado, em outubro, talvez a 27, sei que foi a uma ter√ßa-feira, a minha m√£e incentivou-me a dar um passeio. H√° muito que desistiu de me dissuadir dos livros, tanto l√™s que tresl√™s, mas mant√©m o h√°bito de, cuidadosa, depois de bater √† porta com pouca for√ßa, entrar no meu quarto e perguntar: n√£o te apetece dar um passeio? Na maioria das vezes, n√£o tenho disposi√ß√£o para lhe responder mas, nessa tarde, estava a meio de um cap√≠tulo altru√≠sta e decidi fazer-lhe a vontade. O volante do carro, as minhas m√£os a sentirem todas as pedras quase como se estivesse a desliz√°-las na estrada. Estacionei no campo, a pouca dist√Ęncia de um grupo de homens e mulheres, botas de borracha, que estavam a apanhar azeitona. Espalhavam uma gritaria animada que n√£o se alterou quando sa√≠ do carro e me aproximei, boa tarde. Uma vantagem do meu nome √© que dispenso alcunha. Olha o Livro, boa tarde. O sol estava a p√īr-se. Troquei gra√ßas, enquanto dois homens recolheram os pan√Ķes carregados debaixo da √ļltima oliveira e os levaram √†s costas.
N√£o esque√ßo o que vi a seguir. As mulheres dobraram os pan√Ķes vazios e dispuseram-nos na terra, em forma de corredor.

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Passou pela minha cabeça voltar, mas o vento balançou os meus cabelos e mostrou que o caminho é para frente, reto e sem curvas.

Amor significa que a cada novo dia renovemos de forma consciente, o nosso caminho, o nosso ser. A beleza maior de um casamento é que ele se faz de dias e noites em que sucessivamente se elege a mesma pessoa.

Há dois caminhos na vida: um é limitado e o outro imenso; um morre onde o outro começa; o primeiro é o da paciência e o outro é o da ambição.