Cita√ß√Ķes de Almada Negreiros

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Almada Negreiros para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

A Taça de Chá

O luar desmaiava mais ainda uma m√°scara caida nas esteiras bordadas. E os bamb√ļs ao vento e os crysanthemos nos jardins e as gar√ßas no tanque, gemiam com elle a advinharem-lhe o fim. Em r√≥da tomb√°vam-se adormecidos os idolos coloridos e os drag√Ķes alados. E a gueisha, procelana transparente como a casca de um ovo da Ibis, enrodilhou-se num labyrinto que nem os drag√Ķes dos deuses em dias de lagrymas. E os seus olhos rasgados, perolas de Nankim a desmaiar-se em agua, confundiam-se scintillantes no luzidio das procelanas.

Elle, num gesto ultimo, fechou-lhe os labios co’as pontas dos dedos, e disse a finar-se:–Chorar n√£o √© remedio; s√≥ te pe√ßo que n√£o me atrai√ßoes emquanto o meu corpo f√īr quente. Deitou a cabe√ßa nas esteiras e ficou. E Ella, num grito de gar√ßa, ergueu alto os bra√ßos a pedir o Ceu para Elle, e a saltitar foi pelos jard√≠ns a sacudir as m√£os, que todos os que passavam olharam para Ella.

Pela manh√£ vinham os visinhos em bicos dos p√©s espreitar por entre os bamb√ļs, e todos viram acocorada a gueisha abanando o morto com um leque de marfim.

A estampa do pires é igual.

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Primavera

O sol vae esmolando os campos com b√īdos de oiro.

A pastorinha aquecida vae de corrida a mendigar a sombra do chor√£o corcunda, poeta romantico que tem paix√£o p’la fonte.

Espreita os campos, e os campos despovoados d√£o-lhe licen√ßa para ficar n√ļa. Que leves arrepios ao refrescar-se nas aguas! Depois foi de vez, meteu-se no tanque e foi espojar-se na relva, a seccar-se ao sol. Mas o vento que vinha de l√° das Azenhas-do-Mar, trazia peccados
comsigo. Sentiu desejos de dar um beijo no filho do Senhor Morgado. E lembrou-se logo do beijo da horta no dia da feira. Fechou os olhos a cegar-se do mau pensamento, mas foi lembrar-se do
proprio Senhor Morgado √° meia noite ao entrar na adega. Abanou a fronte para lhe fugir o peccado, mas foi dar comsigo na sachristia a deixar o Senhor Prior beijar-lhe a m√£o, e depois a testa… porque Deus √© bom e perd√īa tudo… e depois as faces e depois a bocca e depois… fugiu… N√£o devia ter fugido… E agora o moleiro, l√° no arraial, bailando com ella e sem querer, coitado, foi ter ao moinho ainda a bailar com ella. E lembra-se ainda –

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Canção da Saudade

Se eu fosse cego amava toda a gente.

Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor. Eu amo a minha irmã gemea que nasceu sem vida, e amo-a a fantazia-la viva na minha edade.

Tu, meu amor, que nome é o teu? Dize onde vives, dize onde móras, dize se vives ou se já nasceste.

Eu amo aquella mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas em mares longissimos.

Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas.

Eu amo aquellas mulheres formosas que indiferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas.

Eu amo os cemiterios – as l√°gens s√£o espessas vidra√ßas transparentes, e eu vejo deitadas em leitos flor√≠dos virgens n√ļas, mulheres bellas rindo-se para mim.

Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres s√£o como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos. Eu amo a lua do lado que eu nunca vi.

Se eu fosse cego amava toda a gente.

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Cultura e Civilização

Uma mesa cheia de feij√Ķes.
O gesto de os juntar num mont√£o √ļnico. E o gesto de os separar, um por um, do dito mont√£o.
O primeiro gesto é bem mais simples e pede menos tempo que o segundo.
Se em vez da mesa fosse um territ√≥rio, em lugar de feij√Ķes estariam pessoas. Juntar todas as pessoas num mont√£o √ļnico √© trabalho menos complicado do que o de personalizar cada uma delas.
O primeiro gesto, o de reunir, aunar, tornar uno, todas as pessoas de um mesmo território é o processo da CIVILIZAÇÃO.
O segundo gesto, o de personalizar cada ser que pertence a uma civilização é o processo da CULTURA.
√Č mais dif√≠cil a passagem da civiliza√ß√£o para a cultura do que a forma√ß√£o de civiliza√ß√£o.
A civilização é um fenómeno colectivo.
A cultura é um fenómeno individual.
Não há cultura sem civilização, nem civilização que perdure sem cultura.

Trevas

De dia n√£o se via nada, mas p’la tardinha j√° se apercebia gente que vinha de punhaes na m√£o, devagar, silenciosamente, nascendo dos pinheiros e morrendo nelles. E os punhaes n√£o brilhavam: eram luzes distantes, eram guias de len√ßoes de linho escorridos de hombros franzinos. E a briza que vinha dava gestos de azas vencidas aos len√ßoes de linho, azas brancas de gar√ßas ca√≠das por faunos ca√ßadores. E o vento segredava por entre os pinheiros os m√™dos que nasciam.

E vinha vindo a Noite por entre os pinheiros, e vinha descal√ßa com p√©s de surdina por m√īr do barulho, de bra√ßos estendidos p’ra n√£o topar com os troncos; e vinha vindo a noite c√©guinha como a lanterna que lhe pendia da cinta. E vinha a sonhar. As sombras ao v√™-la esconderam os punhaes nos peitos vazios.

A lua √© uma laranja d’oiro num prato azul do Egypto com perolas desirmanadas. E as silhuetas negras dos pinheiros embaloi√ßados na briza eram um bailado de estatuas de sonho em vitraes azues. M√£os ladras de sombra lev√°ram a laranja, e o prato enlutou-se.

Por entre os pinheiros esgalgados, por entre os pinheiros entristecidos, havia gemidos da briza dos tumulos,

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Sèvres Partido

A amazona negra era bella como o sol e triste como o luar, e ninguem acredita mas era pastora de galgas. Figura negra muito esguia, cypreste procurando vaga na margem do caminho.

Nas manhãs de Outomno, frias como os degraus do tanque, era Ella quem largava às galgas a lebre cinzenta, e a que a filásse já sabia com quem dormia a sésta. E as galgas já nem dormiam bem noutra almofada.

Sobre a relva, na sombra arrendilhada das folhas amarellecidas dos pl√°tanos onde os repuxos do tanque cuspiam lagryrnas de vidro, a Amazona negra sonhava o seu Principe encantado e a galga do dia dormia quieta, estendido o focinho no ventre d’Ella.

Uma manhã mais turva as galgas todas voltaram tristes, de focinhos pendidos Рe nenhuma para dormir a sésta!

Uma flauta triste vinha de viagem pelo caminho; chorava de seguida imensas can√ß√Ķes de choros e tinha acompanhamentos fun√©reos de guisalh√°das surdas.

Callou-se a flauta, um cypreste distante gemia baixinho as d√īres da tatuagem que lhe iam abrindo no peito. O pastor lembrava ali o nome do seu Bem. Pendia-lhe da cinta uma lebre cinzenta e a funda torcida.

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Ruinas

Pandeiros r√ītos e c√īxas t√°√ßas de crystal aos p√©s da muralha.

Heras como Romeus, Julietas as ameias. E o vento toca, em bandolins distantes, surdinas finas de princezas mortas.

Poeiras adormecidas, netas fidalgas de minuetes de m√£os esguias e de cabelleiras embranquecidas.

Aquellas ameias cingiram uma noite peccados sem fim; e ainda guardam os segredos dos mudos beijos de muitas noites. E a lua velhinha todas as noites r√©za a chorar: Era uma vez em tempo antigo um castello de nobres naquelle lugar… E a lua, a contar, p√°ra um instante – tem m√™do do frio dos subterraneos.

Ouvem-se na sala que já nem existe, compassos de danças e rizinhos de sêdas.

Aquellas ruinas s√£o o tumulo sagrado de um beijo adormecido – cartas lacradas com ligas azues de fechos de oiro e armas reais e lizes.

Pobres velhinhas da c√īr do luar, sem ter√ßo nem nada, e sempre a rezar…

Noites de insonia com as galés no mar e a alma nas galés.

Archeiros amorda√ßados na noite em que o c√īche era de volta ao palacio pela tapada d’El-rei. Grande ca√ßada na floresta–galgos brancos e Amazonas negras.

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Ciumes

Pierrot dorme sobre a relva junto ao lago. Os cisnes junto d’elle passam s√™de, n√£o n’o acordem ao beber.

Uma andorinha trav√™ssa, linda como todas, av√īa brincando rente √° relva e beija ao passar o nariz de Pierrot. Elle accorda e a andorinha, fugindo a muito, olha de medo atraz, n√£o venha o Pierrot de zangado persegui-la pelos campos. E a andorinha perdia-se nos montes, mas, porque elle se queda, de n√īvo volta em zig-zags trav√™ssos e chilreios de tro√ßa. E chilreia de tro√ßa, muito alto, por cima d’elle. Pierrot j√° se adormecia, e a andorinha em descida que faz calafrios pousou-lhe no peito duas ginjas bicadas, e fugiu de n√īvo.

De contente, ergueu-se sorrindo e de joelhos, braços erguidos, seus olhos foram tão longe, tão longe como a andorinha fugida nos montes.

De repente viu-se cego – os dedos finissimos da Colombina brincavam com elle. Desceu-lhe os dedos aos labios e trocou com beijos o ar√īma das palmas perfumadas. Depois dependurou-lhe de cada orelha uma ginja, √° laia de brincos com joias de carmim. Rolaram-se na relva e uniram as boccas, e j√° se esqueciam de que as tinham juntas…

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A Colectividade como Indivíduo Imortal

A colectividade, apesar de ser o conjunto de todos os seus indiv√≠duos, funciona exactamente como um indiv√≠duo a mais. Assim como se no mundo houvesse toda a gente que existe e mais uma pessoa: esta pessoa seria exactamente todos num s√≥. A colectividade √© tamb√©m um indiv√≠duo, um indiv√≠duo como qualquer outro, mas √© o indiv√≠duo colectivo, na verdade colectivo e indiv√≠duo. Com a vantagem sobre qualquer outro de n√£o estar sujeito, como n√≥s, √†s vacila√ß√Ķes de um organismo mortal. A colectividade √© o indiv√≠duo imortal. Feito da mesma massa humana que qualquer de n√≥s, os indiv√≠duos mortais.

Matéria e Espírito

N√≥s hoje estamos ao mesmo tempo na melhor √©poca da humanidade e na pior. T√£o depressa sentimos que tudo em n√≥s e em redor marcha un√≠ssono em frente, como subitamente um grande atrito emperra as nossas pr√≥prias articula√ß√Ķes. H√° ao mesmo tempo qualquer coisa que nos desacompanha e qualquer coisa que nos anima. H√° caminhos inteiros que terminam s√ļbito e n√£o h√° caminho inteiro e vital√≠cio. E n√≥s desejamos francamente acertar com a direc√ß√£o √ļnica e onde o √ļnico obst√°culo seja de verdade o mist√©rio do futuro.
Todo aquele que se lance mais animado pela palavra espírito, não creia que faz mais do que estar sujeito a uma determinante actual. A consciência material, como acontece hoje, dá entrada natural para o campo do espírito. Assim também o espírito tem existência vital segundo a qualidade de consciência da matéria. O espírito apartando da matéria não é deste mundo. Espírito e matéria confundem-se em vida.
Acontece, por√©m, que os fugitivos da mat√©ria transformam em si esse unilateralismo ao ingressar no esp√≠rito, e ficam outra vez de banda, inversamente agora, mas como antes. Ora o esp√≠rito n√£o tem mais dimens√Ķes do que a mat√©ria; s√£o outras, mas id√™nticas, que se justap√Ķem,

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Tu, que descobriste o cabo da Boa-Esperan√ßa; e o Caminho Mar√≠timo da √ćndia; e as duas Grandes Am√©ricas, e que levaste a chatice a estas Terras e que trouxeste de l√° mais chatos p’raqui e qu’inda por cima cantaste estes Feitos…

Amizade na Empatia Divergente

As pessoas que mais admiro são aquelas que melhor divergem da minha pessoa. Claro está, só se diverge de outrem dentro do que nos é comum. Porque há quem nada tenha de comum connosco, nem sequer a própria existência e a mesma humanidade. E não esqueçamos que o espaço e o tempo são aparências por nós fabricadas para dar passo ao espírito e não lenha para nos queimarmos. Ao mesmo tempo e no mesmo espaço podem juntar-se as pessoas mais alheias entre si e como não acontece na História em tempos e espaços diferentes. A universalidade humana é tão vária que pode um satisfazer inteiramente a sua e sem que lhe passe sequer pela cabeça a de outro que satisfaça também completamente a dele.
O tempo de cada qual √© o justo para si. N√£o √© dado a ningu√©m a ocasi√£o da pol√≠cia do tempo de outrem. De modo que √† porta da nossa intimidade havemos de p√īr a admira√ß√£o por aquele que vai entrar, tanto em quanto diverge como em quanto coincide connosco. Por outras palavras: n√£o vale mais o nosso mist√©rio do que o de outro qualquer. S√≥ o mist√©rio chega inteiro ao fim.

Eu não tenho culpa nenhuma de ser português, mas sinto a força para não ter, como vós outros, a cobardia de deixar apodrecer a pátria.

Esperança

Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu fi-lo perfeitamente,
Para diante de tudo foi bom
bom de verdade
bem feito de sonho
podia segui-lo como realidade

Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu sei-o de cor.
Até reparo que tenho só esperança
nada mais do que esperança
pura esperança
esperança verdadeira
que engana
e promete
e só promete.
Esperança:
pobre m√£e louca
que quer p√īr o filho morto de p√©?

Esperança
√ļnico que eu tenho
n√£o me deixes sem nada
promete
engana
engano que seja
engana
n√£o me deixes sozinho
esperança.

O Valor da Ingenuidade

O maior perigo que corre o ingénuo: o de querer ser esperto. Tão ingénuo que cuida, coitado, de que alguma vez no mundo o conhecimento valeu mais do que a ingenuidade de cada um. A ingenuidade é o legítimo segredo de cada qual, é a sua verdadeira idade, é o seu próprio sentimento livre, é a alma do nosso corpo, é a própria luz de toda a nossa resistência moral.
Mas os ing√©nuos s√£o os primeiros que ignoram a for√ßa criadora da ingenuidade, e na √Ęnsia de crescer compram vantagens imediatas ao pre√ßo da sua pr√≥pria ingenuidade.
Raríssimos foram e são os ingénuos que se comprometeram um dia para consigo próprios a não competir neste mundo senão consigo mesmos. A grande maioria dos ingénuos desanima logo de entrada e prefere tricher no jogo de honra, do mérito e do valor. São eles as próprias vítimas de si mesmos, os suicidas dos seus legítimos poetas, os grotescos espanatalhos da sua própria esperteza saloia.
Bem haja o povo que encontrou para o seu idioma esta denunciante expressão da pessoa que é vítima de si mesma: a esperteza saloia. A esperteza saloia representa bem a lição que sofre aquele que não confiou afinal em si mesmo,

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Eu sou aquele que se espanta da própria personalidade e creio-me portanto, como português, com o direito de exigir uma pátria que me mereça. Isto quer dizer: eu sou português e quero portanto que Portugal seja a minha pátria.

A Sésta

Pierrot escondido por entre o amarello dos gyrassois espreita em cautela o somno d’ella dormindo na sombra da tangerineira. E ella n√£o dorme, espreita tambem de olhos descidos, mentindo o s√īno, as vestes brancas do Pierrot gatinhando silencios por entre o amarelo dos gyrassois. E porque Elle se vem chegando perto, Ella mente ainda mais o s√īno a mal-resonar.

Junto d’Ella, n√£o teve m√£o em si e foi descer-lhe um beijo mudo na negra meia aberta arejando o p√© pequenino. Depois os joelhos redondos e lizos, e j√° se debru√ßava por sobre os joelhos, a beijar-lhe o ventre descomposto, quando Ella acordou can√ßada de tanto s√īno fingir.

E Elle amea√ßa fugida, e Ella furta-lhe a fuga nos bra√ßos n√ļs estendidos.

E Ella, magoada dos remorsos de Pierrot, acaricia-lhe a fronte num grande perd√£o. E, feitas as pazes, ficou combinado que Ella dormisse outra vez.

Uma Direc√ß√£o, e N√£o Solu√ß√Ķes

A diferen√ßa entre solu√ß√£o e direc√ß√£o √© esta: a solu√ß√£o √© sempre um rem√©dio passageiro para disfar√ßar a desgra√ßa. Ao passo que a direc√ß√£o √© a pr√≥pria dignidade posta nas m√£os do desgra√ßado para que deixe de o ser, e a direc√ß√£o √ļnica √© a garantia perp√©tua dessa dignidade. E foi o que fez Goethe: Descobriu a direc√ß√£o √ļnica. Artista, na verdadeira acep√ß√£o da palavra; Artista √© aquele que precede a pr√≥pria ci√™ncia. Por isso Goethe afastou-se de quantas realidades irrealiz√°veis onde costumam habitar instaladas as gentes. E impass√≠vel, desde cima, assistiu ao desenrolar da trag√©dia. E viu o mundo inteiro por cima de todas as cabe√ßas, e viu a Europa toda e com cada um dos seus peda√ßos, e viu cada indiv√≠duo da Humanidade como um pequenino astro tonto que nem sabe sequer ir na par√°bola da sua pr√≥pria traject√≥ria, e viu que de todos os seres deste mundo o √ļnico que errava o seu fim era o Homem, o dono da Terra! E viu que era na Humanidade que estavam os √ļnicos seres deste mundo que n√£o cumpriam com o seu pr√≥prio destino, e finalmente viu! Viu com os seus pr√≥prios olhos o que ningu√©m tinha visto antes dele.

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