Passagens sobre Relação

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Frases sobre rela√ß√£o, poemas sobre rela√ß√£o e outras passagens sobre rela√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Saber Desfrutar Todos os Tempos

Nós mostramo-nos ingratos em relação ao que nos foi dado por esperarmos sempre no futuro, como se o futuro (na hipótese de lá chegarmos) não se transformasse rapidamente em passado. Quem goza apenas do presente não sabe dar o correcto valor aos benefícios da existência; quer o futuro quer o passado nos podem proporcionar satisfação, o primeiro pela expectativa, o segundo pela recordação; só que enquanto um é incerto e pode não se realizar, o outro nunca pode deixar de ter acontecido.

Nada √© Imposs√≠vel nas Rela√ß√Ķes Humanas

Observando o decorrer do tempo, nada, afinal, se considera imposs√≠vel no que concerne √†s rela√ß√Ķes humanas: nenhuma transforma√ß√£o, nenhum retrocesso, nenhuma contradi√ß√£o em si mesma. O que mant√©m tudo junto, o estado humano normal, que em tudo se pode encontrar, √© de longe aquilo que √© mais forte.

Os Homens não Sabem o que é o Amor

De forma geral, os homens não sabem o que é amor, é um sentimento que lhes é totalmente estranho. Conhecem o desejo, o desejo sexual em estado bruto e a competição entre machos; e depois, muito mais tarde, já casados, chegam, chegavam antigamente, a sentir um certo reconhecimento pela companheira quando ela lhes tinha dado filhos, tinha mantido bem a casa e era boa cozinheira e boa amante Рentão chegavam a ter prazer por dormirem na mesma cama. Não era talvez o que as mulheres desejavam, talvez houvesse aí um mal-entendido, mas era um sentimento que podia ser muito forte Рe mesmo quando eles sentiam uma excitação, aliás cada vez mais fraca, por esta ou aquela mulher, já não conseguiam literalmente viver sem a mulher e, se acontecia ela morrer, eles desatavam a beber e acabavam rapidamente, em geral uns meses bastavam. Os filhos, esses, representavam a transmissão de uma condição, de regras e de um património. Era evidentemente o que acontecia nas classes feudais, mas igualmente com os comerciantes, camponeses, artesãos, de forma geral com todos os grupos da sociedade. Hoje, nada disso existe.
As pessoas são assalariadas, locatárias, não têm nada para deixar aos filhos.

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Psican√°lise e Arte

As cria√ß√Ķes, obras de arte, s√£o imagin√°rias satisfa√ß√Ķes de desejos inconscientes, do mesmo modo que os sonhos, e, tanto como eles, s√£o, no fundo, compromissos, dado que se v√™em for√ßadas a evitar um conflito aberto com as for√ßas de repress√£o. Todavia, diferem dos conte√ļdos narcisistas, associais, dos sonhos, na medida em que s√£o destinadas a despertar o inteesse noutras pessoas e s√£o capazes de evocar e satisfazer os mesmos desejos que nelas se encontram inconscientes. √Ä parte isto, fazem uso do prazer perceptivo da beleza formal, aquilo a que chamei um pr√©mio-est√≠mulo. Aquilo que a psican√°lise foi capaz de fazer consistiu em captar as rela√ß√Ķes entre as impress√Ķes da vida do artista, as suas experi√™ncias causais e as suas obras e, a partir delas, reconstruir a sua constitui√ß√£o e os impulsos que se movem dentro dele. N√£o se deve julgar que o salaz que procura uma obra de arte se anule pelo conhecimento obtido pela an√°lise. A este respeito √© poss√≠vel que o profano espere acaso demasiado da an√°lise, mas deve advertir-se que ela n√£o esclarece os dois problemas que s√£o, provavelmente, os mais interessantes para ele: n√£o esclarece quanto √† natureza dos dotes do artista, nem pode explicar os meios de que o artista se serve para trabalhar a t√©cnica art√≠stica.

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Em rela√ß√£o a todos os atos de iniciativa e de cria√ß√£o, existe uma verdade fundamental cujo desconhecimento mata in√ļmeras ideias e planos espl√™ndidos: √© que no momento em que nos comprometemos definitivamente a Provid√™ncia move-se tamb√©m.

Concebemos apenas √Ātomos em Compara√ß√£o com a Realidade das Coisas

A primeira coisa que se oferece ao homem ao contemplar-se a si pr√≥prio, √© o seu corpo, isto √©, certa parcela de mat√©ria que lhe √© peculiar. Mas, para compreender o que ela representa e a fix√°-la dentro dos seus justos limites, precisa de a comparar a tudo o que se encontra acima ou abaixo dela. Que n√£o se atenha, pois, a olhar para os objetos que o cercam, simplesmente, mas a contemplar a natureza inteira na sua alta e plena majestosidade. Considere esta brilhante luz colocada acima dele como uma l√Ęmpada eterna para iluminar o universo, e que a Terra lhe apare√ßa como um ponto na √≥rbita ampla deste astro e maravilhe-se de ver que essa amplitude n√£o passa de um ponto insignificante na rota dos outros astros que se espalham pelo firmamento. E se nossa vista a√≠ se det√©m, que a nossa imagina√ß√£o n√£o pare; mais rapidamente se cansar√° ela de conceber, que a natureza de revelar . Todo esse mundo vis√≠vel √© apenas um tra√ßo percept√≠vel na amplid√£o da natureza, que nem sequer nos √© dado a conhecer de um modo vago. Por mais que ampliemos as nossas concep√ß√Ķes e as projectemos al√©m de espa√ßos imagin√°veis, concebemos t√£o somente √°tomos em compara√ß√£o com a realidade das coisas.

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Para a alma, a religi√£o constitui um consenso normal exactamente compar√°vel ao da sa√ļde em rela√ß√£o ao corpo.

Retrato de Mónica

M√≥nica √© uma pessoa t√£o extraordin√°ria que consegue simultaneamente: ser boa m√£e de fam√≠lia, ser chiqu√≠ssima, ser dirigente da ¬ęLiga Internacional das Mulheres In√ļteis¬Ľ, ajudar o marido nos neg√≥cios, fazer gin√°stica todas as manh√£s, ser pontual, ter imensos amigos, dar muitos jantares, ir a muitos jantares, n√£o fumar, n√£o envelhecer, gostar de toda a gente, gostar dela, dizer bem de toda a gente, toda a gente dizer bem dela, coleccionar colheres do s√©c. XVII, jogar golfe, deitar-se tarde, levantar-se cedo, comer iogurte, fazer ioga, gostar de pintura abstracta, ser s√≥cia de todas as sociedades musicais, estar sempre divertida, ser um belo exemplo de virtudes, ter muito sucesso e ser muito s√©ria.
Tenho conhecido na vida muitas pessoas parecidas com a Mónica. Mas são só a sua caricatura. Esquecem-se sempre ou do ioga ou da pintura abstracta.
Por trás de tudo isto há um trabalho severo e sem tréguas e uma disciplina rigorosa e constante. Pode-se dizer que Mónica trabalha de sol a sol.
De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que possui, Mónica teve que renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade.

A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível.

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A Vulgaridade Intelectual

Hoje, (…) o homem m√©dio tem as ¬ęideias¬Ľ mais taxativas sobre quanto acontece e deve acontecer no universo. Por isso perdeu o uso da audi√ß√£o. Para qu√™ ouvir, se j√° tem dentro de si o que necessita? J√° n√£o √© √©poca de ouvir, mas, pelo contr√°rio, de julgar, de sentenciar, de decidir. N√£o h√° quest√£o de vida p√ļblica em que n√£o intervenha, cego e surdo como √©, impondo as suas ¬ęopini√Ķes¬Ľ.
Mas n√£o √© isto uma vantagem? N√£o representa um progresso enorme que as massas tenham ¬ęideias¬Ľ, quer dizer, que sejam cultas? De maneira alguma. As ¬ęideias¬Ľ deste homem m√©dio n√£o s√£o autenticamente ideias, nem a sua posse √© cultura. A ideia √© um xeque-mate √† verdade. Quem queira ter ideias necessita antes de dispor-se a querer a verdade, e aceitar as regras do jogo que ela imponha. N√£o vale falar de ideias ou opini√Ķes onde n√£o se admite uma inst√Ęncia que as regula, uma s√©rie de normas √†s quais na discuss√£o cabe apelar. Estas normas s√£o os princ√≠pios da cultura. N√£o me importa quais s√£o. O que digo √© que n√£o h√° cultura onde n√£o h√° normas. A que os nossos pr√≥ximos possam recorrer.
Não há cultura onde não há princípios de legalidade civil a que apelar.

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O casamento √© a rela√ß√£o entre homem e mulher na qual a independ√™ncia √© igual, a depend√™ncia √© m√ļtua e a obriga√ß√£o rec√≠proca.

√ą preciso confiar no povo portugu√™s. Eu confio no povo portugu√™s e no g√©nio do povo portugu√™s. E um povo que tem a hist√≥ria que tem Portugal e fez aquilo que fez, incluindo a revolu√ß√£o de sucesso que foi a revolu√ß√£o do 25 de Abril, que realizou todos os seus objectivos, um Pa√≠s que consegue ter a melhores rela√ß√Ķes com √Āfrica e com as antigas col√≥nias portuguesas como n√£o t√™m nem os franceses nem os ingleses.

Os Amantes n√£o Contam Nada de Novo uns aos Outros

A alma s√≥ acolhe o que lhe pertence; de certo modo, ela j√° sabe de antem√£o tudo aquilo por que vai passar. Os amantes n√£o contam nada de novo uns aos outros, e para eles tamb√©m n√£o existe reconhecimento. De facto, o amante n√£o reconhece no ser que ama nada a n√£o ser que √© transportado por ele, de modo indescrit√≠vel, para um estado de dinamismo interior. E reconhecer uma pessoa que n√£o ama significa para ele trazer o outro ao amor como uma parede cega sobre a qual cai a luz do Sol. E reconhecer uma coisa inerte n√£o significa identificar os seus atributos uns a seguir aos outros, mas sim que um v√©u cai ou uma fronteira se abre, e nenhum deles pertence ao mundo da percep√ß√£o. Tamb√©m o inanimado, desconhecido como √©, mas cheio de confian√ßa, entra no espa√ßo fraterno dos amantes. A natureza e o singular esp√≠rito dos amantes olham-se nos olhos, e s√£o as duas direc√ß√Ķes de um mesmo agir, um rio que corre em dois sentidos, um fogo que arde em dois extremos.
E então é impossível reconhecer uma pessoa ou uma coisa sem relação connosco próprios, pois o acto de tomar conhecimento toma das coisas qualquer coisa;

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A Liberdade Nunca é Real

Se examinarmos um indiv√≠duo isolado sem o relacionarmos com o que o rodeia, todos os seus actos nos parecem livres. Mas se virmos a m√≠nima rela√ß√£o entre esse homem e quanto o rodeia, as suas rela√ß√Ķes com o homem que lhe fala, com o livro que l√™, com o trabalho que est√° fazendo, inclusivamente com o ar que respira ou com a luz que banha os objectos √† sua roda, verificamos que cada uma dessas circunst√Ęncias exerce influ√™ncia sobre ele e guia, pelo menos, uma parte da sua actividade. E quantas mais influ√™ncias destas observamos mais diminui a ideia que fazemos da sua liberdade, aumentando a ideia que fazemos da necessidade a que est√° submetido.
(…) A grada√ß√£o da liberdade e da necessidade maiores ou menores depende do lapso de tempo maior ou menor desde a realiza√ß√£o do acto at√© √† aprecia√ß√£o desse mesmo acto. Se examino um acto que pratiquei h√° um minuto em condi√ß√Ķes quase as mesmas em que me encontro actualmente, esse acto parece-me absolutamente livre. Mas se aprecio um acto realizado h√° um m√™s, ao encontrar-me em circunst√Ęncias diferentes, a meu pesar, se n√£o tivesse realizado esse acto, n√£o existiriam muitas coisas in√ļteis, agrad√°veis e necess√°rias que derivam dele.

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Que Significado Tem a Felicidade?

Deve-se neste momento – relacionando-a com certas informa√ß√Ķes do dicion√°rio – formular ainda a pergunta: o que s√£o afinal os bens da vida humana? Quem nos diz que um determinado bem √© superior ou inferior? H√° lacunas desagrad√°veis nos dicion√°rios, at√© nos mais conhecidos. Pode-se demonstrar que h√° pessoas para quem DM 2,5 s√£o um bem muito superior a qualquer outra vida humana, com excep√ß√£o da deles, e h√° at√© outros que, por amor a um bocado de chouri√ßo de sangue, que conseguem ou n√£o apanhar, arriscam sem hesita√ß√£o os bens das mulheres e dos filhos, como, por exemplo: uma vida familiar alegre e a presen√ßa de um pai ao menos uma vez radiante. E que significado tem esse bem, que louvamos sob o nome de F.(Felicidade)? Que diabo, este est√° bem perto da F., se consegue juntar as tr√™s ou quatro beatas que chegam para ele fazer outro cigarro ou se pode beber o resto de Vermute de uma garrafa que se deitou fora, aquele precisa para ser feliz durante cerca de dez minutos – pelo menos segundo o costume ocidental de amor a ritmo acelerado-, mais precisamente: para estar r√†pidamente com a pessoa que naquele momento deseja, precisa de um avi√£o a jacto particular,

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Nunca confie em ninguém, especialmente em relação às pessoas que você admira. Serão essas que irão desfechar os piores golpes.

A Amizade Ideal

Nada √© mais agrad√°vel √† alma do que uma amizade terna e fiel. √Č bom encontrarmos cora√ß√Ķes atenciosos, aos quais podes confiar todos os teus segredos sem perigo, cujas consci√™ncias receias menos do que a tua, cujas palavras suavizam as tuas inquieta√ß√Ķes, cujos conselhos facilitam as tuas decis√Ķes, cuja alegria dissipa a tua tristeza, cuja simples apari√ß√£o te deixa radiante! Tanto quanto for poss√≠vel, devemos escolher aqueles que est√£o livres de afec√ß√Ķes: de facto, os v√≠cios rastejam, passam de pessoa para pessoa com a proximidade e qualquer contacto com eles pode ser prejudicial.
Tal como numa epidemia, devemos ter o cuidado de não nos aproximarmos das pessoas afectadas, porque correremos perigo só de respirarmos perto delas, também, em relação aos amigos, devemos ter o cuidado de escolher aqueles que estão menos corrompidos: a doença começa quando se misturam os homens saudáveis com os doentes. Não estou, com isto, a exigir-te que procures e sigas apenas o sábio: de facto, onde encontrarás um homem destes, que procuro há tanto tempo? Procura o menos mau, antes de procurares o óptimo.
(…) Evitemos, sobretudo, os temperamentos tristes, que se lamentam de tudo e n√£o deixam escapar uma √ļnica ocasi√£o de se queixarem.

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O Homem Que Confessa os Seus Pecados Nunca é o Mesmo Que os Cometeu

Monstro, robot, escravo, ser maldito – pouco importa o termo utilizado para transmitir a imagem da nossa condi√ß√£o desumanizada. Nunca a condi√ß√£o da humanidade no seu conjunto foi t√£o ign√≥bil como hoje. Estamos todos ligados uns aos outros por uma igniminiosa rela√ß√£o de senhor e servo; todos presos no mesmo c√≠rculo vicioso entre julgar e ser julgado; todos empenhados em destruir-nos mutuamente quando n√£o conseguimos impor a nossa vontade. Em vez de sentirmos respeito, toler√Ęncia, bondade e considera√ß√£o, para j√° n√£o falar em amor, uns pelos outros, olhamo-nos com medo, suspeita, √≥dio, inveja, rivalidade e malevol√™ncia. O nosso mundo assenta na falsidade. Seja qual for a direc√ß√£o em que nos aventuremos, a esfera de actividade humana em que nos embrenhemos, n√£o encontramos sen√£o enganos, fraudes, dissimula√ß√£o e hipocrisia.
Conhecer do facto de que, por muito alto que estejam colocados, os homens n√£o conseguem, n√£o ousam, pensar livremente, independentemente, quase desespero de me fazer ouvir. E se falo ainda, se me arrisco a exprimir os meus pontos de vista sobre certas quest√Ķes fundamentais, √© porque estou convencido de que, por muito negro que seja o panorama, uma mudan√ßa dr√°stica √©, n√£o s√≥ poss√≠vel, mas at√© inevit√°vel. Sinto que √© meu direito e meu dever de ser humano promover essa mudan√ßa.

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Para quem está do lado de fora Рe toda a gente neste mundo está do lado de fora em relação a todos os outros Рalgo parece sempre pior ou melhor do que é para aquele a que isso diz respeito, sendo esse algo boa ou má sorte, um envolvimento amoroso infeliz ou uma negação artística.