Textos sobre Presente

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Textos de presente escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Controlar a Ansiedade

Quando receamos algum mal, o pr√≥prio facto de o recearmos atormenta-nos enquanto o aguardamos: teme-se vir a sofrer alguma coisa e sofre-se com o medo que se sente! Tal como nas doen√ßas f√≠sicas h√° certos sintomas que pressagiam a mol√©stia – incapacidade de movimento, lassid√£o completa mesmo quando se n√£o faz nenhum esfor√ßo, sonol√™ncia, calafrios por todo o corpo -, tamb√©m um esp√≠rito d√©bil se sente abalado, mesmo antes de qualquer mal se abater sobre ele: como que adivinha o mal futuro, e deixa-se vencer antes do tempo. H√° coisa mais insensata do que nos angustiarmos com o futuro em vez de deixarmos chegar a hora da afli√ß√£o, e atrairmos sobre n√≥s todo um c√ļmulo de tormentos? Quando n√£o √© poss√≠vel livrarmo-nos por completo da ang√ļstia, pelo menos adiemo-la tanto quanto pudermos. Queres ver como √© verdade que ningu√©m deve atormentar-se com o futuro?
Imagina um homem a quem tenha sido dito que depois dos cinquenta anos ser√° submetido a graves supl√≠cios: ele permanece imperturb√°vel enquanto n√£o passa a metade desse espa√ßo de tempo, altura em que come√ßa a aproximar-se da ang√ļstia prometida para a segunda metade da sua vida. Por um processo semelhante sucede tamb√©m que certos esp√≠ritos doentes sempre em busca de motivos para sofrer se deixam tomar de tristeza por factos j√° remotos e esquecidos.

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A Necessidade de Conversar

Nos jornais, em conversas, no escrit√≥rio, a impetuosidade da linguagem leva por vezes uma pessoa a perder-se, da√≠ a esperan√ßa, que salta da fraqueza tempor√°ria, de uma repentina e mais forte ilumina√ß√£o mesmo no momento seguinte, ou de uma forte confian√ßa em si pr√≥prio, ou mero desleixo, ou uma impress√£o forte e actual de que uma pessoa quer a todo o custo descarregar no futuro, portanto a opini√£o de que o verdadeiro entusiasmo no presente justifica toda e qualquer confus√£o futura, ou o deleite nas frases que se elevam no meio com um ou dois empurr√Ķes e que a pouco e pouco abrem completamente a boca mesmo que depois a deixem fechar com demasiada rapidez e tortuosidade, ou a leve possibilidade de um ju√≠zo claro e decisivo, ou o esfor√ßo para dar mais flu√™ncia ao discurso que realmente j√° acabou, ou o desejo de abandonar √† pressa o tema se assim tiver de ser, de rastos, ou o desespero que tenta encontrar uma sa√≠da para a sua pesada respira√ß√£o, ou o anseio por uma luz sem sombra ‚ÄĒ tudo isto pode levar uma pessoa a perder-se em frases como: ¬ęO livro que acabei agora mesmo √© o mais belo que jamais li¬Ľ ou ¬ę√© t√£o belo,

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A Vida Que Nos Escapa Entre os Dedos

Volta-se o rico para os prazeres da carne e a maior parte do mundo faz o mesmo. E n√£o sem acerto, porque todas as coisas agrad√°veis devem ser tidas como inocentes, e at√© que se provem culpadas todas as presun√ß√Ķes pendem a seu favor. A vida j√° √© bastante penosa para que ainda a agravemos com proibi√ß√Ķes e obst√°culos aos seus deleites; t√£o arisca se mostra a felicidade que todas as portas por onde ela queira entrar devem permanecer escancaradas. A carne enfraquece muito precocemente – e os olhos olham com melancolia para os prazeres de outrora. Muito r√°pidamente todas as alegrias perdem a vivacidade – e admiramo-nos de como pudessem ter-nos interessado tanto. O pr√≥prio amor torna-se grotesco logo que atinge os seus fins. Guardemos o ascetismo para a esta√ß√£o pr√≥pria – a velhice.
√Č este o grande drama do prazer; todas as coisas agrad√°veis acabam por amargar; todas as flores murcham quando as colhemos, e o amor morre tanto mais depressa quanto √© mais retribu√≠do. Por isso o passado parece-nos sempre melhor que o presente; esquecemos os espinhos das rosas colhidas; saltamos por cima dos insultos e inj√ļrias e demoramo-nos sobre as vit√≥rias. O presente parece muito mesquinho diante de um passado do qual s√≥ retemos na mem√≥ria o bom,

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A Inutilidade da Crítica

Que a obra de boa qualidade sempre se destaca √© uma afirma√ß√£o sem valor, se aplicada a uma obra de qualidade realmente boa e se por “destaca” quer-se fazer refer√™ncia √† aceita√ß√£o na sua pr√≥pria √©poca. Que a obra de boa qualidade sempre se destaca, no curso de sua futuridade, √© verdadeiro; que a obra de boa qualidade, mas de segunda ordem sempre se destaca na sua pr√≥pria √©poca, √© tamb√©m verdadeiro.
Pois como há-de um crítico julgar? Quais as qualidades que formam, não o incidental, mas o crítico competente? Um conhecimento da arte e da literatura do passado, um gosto refinado por esse conhecimento, e um espírito judicioso e imparcial. Qualquer coisa menos do que isto é fatal ao verdadeiro jogo das faculdades críticas. Qualquer coisa mais do que isto é já espírito criativo e, portanto, individualidade; e individualidade significa egocentrismo e certa impermeabilidade ao trabalho alheio.
Qu√£o competente √©, por√©m, o cr√≠tico competente? Suponhamos que uma obra de arte profundamente original surja diante dos seus olhos. Como a julga ele? Comparando-a com as obras de arte do passado. Se for original, por√©m afastar-se-√° em alguma coisa ‚ÄĒ e quanto mais original mais se afastar√° ‚ÄĒ das obras de arte do passado.

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A Opini√£o Pura e Elevada

A opini√£o que se emite ou a regra que se estabelece n√£o tem que se importar com as circunst√Ęncias em que se encontram os homens nem com as possibilidades de acolhimento ou recusa que o mundo lhe oferece; o que √© hoje gr√£o seco levanta-se amanh√£ sobre as ondas do campo como a espiga mais alta e mais cheia; o culto da verdade n√£o se compadece com a adora√ß√£o dos deuses que presidem aos dias nem com a v√£ agita√ß√£o que √© de regra no formigueiro humano; cada um tomar√° o que se diz como quiser; a sua atitude, por√©m, s√≥ interessar√° enquanto fen√≥meno base para uma nova legalidade.
N√£o h√° aqui nem indiferen√ßa, nem ego√≠smo; √© mais larga a alma que a par do amor dos homens actuais sente vibrar o amor dos homens do futuro, mais forte o esp√≠rito que se orienta para o eterno; a justi√ßa sempre o ter√° a seu lado armado de todas as armas, n√£o porque sinta para ela um impulso moment√Ęneo mas porque a defende em qualquer tempo; e sempre se h√°-de recusar, sejam quais forem as raz√Ķes, a passar em claro uma injusti√ßa ou a servir-se de qualquer meio, apenas porque tal proceder se aparenta vantajoso aos seus interesses ou aos interesses dos seus amigos.

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Futuro Condicionado pelo Passado

O presente estaria cheio de todos os futuros, se j√° o passado n√£o projetasse sobre ele uma hist√≥ria. Mas, infelizmente, um √ļnico passado prop√Ķe um √ļnico futuro – projeta-o diante de n√≥s como um ponto infinito sobre o espa√ßo.

Para Além do Hoje

Cada vez mais se vive o momento. Fugimos do passado e temos medo do futuro, o que implica que somos forçados a viver um presente demasiado pequeno.

Os tempos de descanso devem ser ocasião de trabalho interior. Mas, vai sendo cada vez mais raro encontrar gente com memória, assim com também é raro encontrar pessoas com discernimento suficiente para se comprometerem em projetos a longo prazo.

Navega-se √† vista… sem riscos, sem sucessos nem fracassos… sem sentido. Vamos dando as respostas m√≠nimas ao mundo e aos outros, em vez de sermos protagonistas dos nossos sonhos e her√≥is apesar das nossas derrotas.
O passado e o futuro não são mentira. São partes da verdade. Sou o que fui e o que serei. Uma identidade que vive no tempo, uma coerência que se constrói através diferentes espaços e tempos, amando o que há de eterno em cada momento. Elevando o espírito acima da realidade concreta do mundo.

Uma exist√™ncia aut√™ntica ‚Äď uma vida com valor ‚Äď constr√≥i-se com uma estrutura s√≥lida, equilibrada e aberta a horizontes mais long√≠nquos em termos temporais. Um presente maior, com mais passado e mais futuro. Sermos quem somos, de olhos abertos.

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A Culpa é uma Doença

A culpa √© uma doen√ßa que te arrasta e se alastra aos outros. De um momento para o outro, tu pr√≥prio, por habitua√ß√£o, culpasse por tudo e por nada, por situa√ß√Ķes em que podias ter feito melhor e por outras em que nada havia a fazer. Muitos de n√≥s residem no condom√≠nio da culpa. √Č essa a sua zona de conforto, pois foi a ela que se acostumaram e n√£o conhecem nada para l√° dos limites dessa emo√ß√£o. Depois √© a altura de eles ensinarem aos outros que somos todos culpados √† vez, passam o testemunho do pecado aos conhecidos, familiares, amigos e filhos e, pronto, c√° andamos todos num ciclo penoso de gera√ß√£o em gera√ß√£o.
Há solução? Claro! Há sempre solução para tudo.
√Č preponderante viver com a convic√ß√£o de que apenas somos culpados de alguma coisa se agirmos com inten√ß√£o de magoar, caso contr√°rio somos apenas respons√°veis. N√£o, n√£o √© a mesma coisa. A culpa sufoca-nos, a responsabilidade empurra-nos para a a√ß√£o e promove a mudan√ßa.
De que forma, ent√£o, posso eu parar este ciclo vicioso?
РNão permitindo que te considerem culpado seja do que for e se insistirem em fazê-lo expulsa essas pessoas da tua vida.

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Conta Comigo Sempre

Conta comigo sempre. Desde a s√≠laba inicial at√© √† √ļltima gota de sangue. Venho do sil√™ncio incerto do poema e sou, umas vezes constela√ß√£o e outras vezes √°rvore, tantas vezes equil√≠brio, outras tantas tempestade. A nossa mem√≥ria √© um mist√©rio, recordo-me de uma m√ļsica maravilhosa que nunca ouvi, na qual consigo distinguir com clareza as flautas, os violinos, o obo√©.
O sonho √©, e ser√° sempre e apenas, dos vivos, dos que mastigam o p√£o amadurecido da d√ļvida e a carne deslumbrada das pupilas. Estou entre vazios e plenitudes, encho as m√£os com uma fragilidade que √© um p√°ssaro s√°bio e distra√≠do que se aninha no cora√ß√£o e se alimenta de amor, esse amor acima do desejo, bem acima do sofrimento.
Conta comigo sempre. Piso as mesmas pedras que tu pisas, ergo-me da face da mesma moeda em que te reconheço, contigo quero festejar dias antigos e os dias que hão-de vir, contigo repartirei também a minha fome mas, e sobretudo, repartirei até o que é indivisível. Tu sabes onde estou.
Sabes como me chamo. Estarei presente quando já mais ninguém estiver contigo, quando chegar a hora decisiva e não encontrares mais esperança, quando a tua antiga coragem vacilar.

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A Pluralidade Humana

A pluridade humana, condi√ß√£o b√°sica da ac√ß√£o e do discurso, tem o duplo aspecto da igualdade e diferen√ßa. Se n√£o fossem iguais, os homens seriam incapazes de compreender-se entre si e aos seus antepassados, ou de fazer planos para o futuro e prever as necessidades das gera√ß√Ķes vindouras. Se n√£o fossem diferentes, se cada ser humano n√£o diferisse de todos os que existiram, existem ou vir√£o a existir, os homens n√£o precisariam do discurso ou da ac√ß√£o para se fazerem entender. Com simples sinais e sons poderiam comunicar as suas necessidades imediatas e id√™nticas.
Ser diferente n√£o equivale a ser outro – ou seja, n√£o equivale a possuir essa curiosa qualidade de ¬ęalteridade¬Ľ, comum a tudo o que existe e que, para a filosofia medieval, √© uma das quatro caracter√≠sticas b√°sicas e universais que transcendem todas as qualidades particulares. A alteridade √©, sem d√ļvida, um aspecto importante da pluralidade; √© a raz√£o pela qual todas as nossas defini√ß√Ķes s√£o distin√ß√Ķes e o motivo pelo qual n√£o podemos dizer o que uma coisa √© sem a distinguir de outra.
Na sua forma mais abstracta, a alteridade est√° apenas presente na mera multiplica√ß√£o de objectos inorg√Ęnicos, ao passo que toda a vida org√Ęnica j√° exibe varia√ß√Ķes e diferen√ßas,

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Horizontes de Eternidade

A morte não é um acontecimento da vida. A morte não pode ser vivida. Caso se compreenda por eternidade não uma duração temporal infinita, mas a intemporalidade, quem vive no presente é quem vive eternamente. A nossa vida é tanto mais sem fim quanto mais o nosso campo de visão não tem limites.

O Fim Justifica o Meio

Os meios virtuosos e bonacheir√Ķes n√£o levam a nada. √Č preciso utilizar alavancas mais en√©rgicas e mais s√°bios enredos. Antes de te tornares c√©lebre pela virtude e de atingires o teu objectivo, haver√° cem que ter√£o tempo de fazer piruetas por cima das tuas costas e de chegar ao fim da corrida antes de ti, de tal modo que deixar√° de haver lugar para as tuas ideias estreitas. √Č preciso saber abarcar com mais amplitude o horizonte do tempo presente.
Nunca ouviste falar, por exemplo, da gl√≥ria imensa que as vit√≥rias alcan√ßam? E, no entanto, as vit√≥rias n√£o surgem sozinhas. √Č preciso que o sangue corra, muito sangue, para serem geradas e depostas aos p√©s dos conquistadores. Sem os cad√°veres e os membros esparsos que v√™s na plan√≠cie onde se desenrolou sabiamente a carnificina, n√£o haver√° guerra, e sem guerra n√£o haver√° vit√≥ria. Est√£o a ver que, quando algu√©m se quer tornar c√©lebre, tem que mergulhar graciosamente em rios de sangue, alimentados com carne para canh√£o. O fim justifica o meio.

A Mente Universal

A mente universal manifesta-se na arte como intui√ß√£o e imagina√ß√£o; na religi√£o manifesta-se como sentimento e pensamento representativo; e na filosofia ocorre como liberdade pura de pensamento. Na hist√≥ria mundial a mente universal manifesta-se como actualidade da mente, na sua integridade de internalidade e de externalidade. A hist√≥ria do mundo √© um tribunal porque, na sua absoluta universalidade, o particular, isto √©, as formas de culto, sociedade e esp√≠ritos nacionais em todas as suas diferentes actualidades, est√° presente apenas como ideal, e aqui o movimento da mente √© a manifesta√ß√£o disto mesmo…
A história do mundo não é o veredicto da força, isto é, de um destino cego realizando-se a si mesmo numa inevitabilidade abstracta e não-racional. Pelo contrário, porque a mente é razão implícita e explicitamente, e porque a razão é explícita para si mesma, na mente, enquanto conhecimento, a história do mundo é o desenvolvimento necessário, decorrente da liberdade da mente, dos momentos da razão e, deste modo, da autoconsciência e da liberdade da mente.
A história da mente é a sua acção. A mente é apenas o que faz, e a sua acção faz dela o objecto da sua própria consciência. Através da história, a sua acção ganha consciência de si mesma como mente,

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O ímpio aceita um presente debaixo do manto para distorcer o direito

O ímpio aceita um presente debaixo do manto para distorcer o direito.

Humanismo e Liberalismo

O termo humanismo √© infelizmente uma palavra que serve para designar as correntes filos√≥ficas, n√£o somente em dois sentidos, mas em tr√™s, quatro, cinco ou seis. Toda a gente √© humanista na hora que passa, at√© mesmo certos marxistas que se descobrem racionalistas cl√°ssicos, s√£o humanistas num enfadonho sentido, derivado das ideias liberais do √ļltimo s√©culo, o dum liberalismo refractado atrav√©s de toda a crise actual. Se os marxistas podem pretender ser humanistas, as diferentes religi√Ķes, os crist√£os, os hindus, e muitos outros afirmam-se tamb√©m antes de mais humanistas, como por sua vez o existencialista, e de um modo geral, todas as filosofias. Actualmente muitas correntes pol√≠ticas se reivindicam igualmente um humanismo. Tudo isso converge para uma esp√©cie de tentativa de restabelecimento duma filosofia que, apesar da sua pretens√£o, recusa no fundo comprometer-se, e recusa comprometer-se, n√£o somente no ponto de vista pol√≠tico e social, mas tamb√©m num sentido filos√≥fico profundo.

Se o cristianismo se pretende antes de tudo humanista, √© porque ele n√£o pode comprometer-se, quer dizer participar na luta das for√ßas progressivas, porque se mant√©m em posi√ß√Ķes reaccion√°rias frente a esta revolu√ß√£o. Quando os pseudomarxistas ou os liberais se reclamam da pessoa antes do mais, √© porque eles recuam diante das exig√™ncias da situa√ß√£o presente no mundo.

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A Nossa Maior Crueldade é o Tempo

A nossa maior crueldade √© o tempo. Como um fabricante de armadilhas desajeitado que acaba sempre prisioneiro das engrenagens que produz, tamb√©m n√≥s inventamos o tempo e nunca temos tempo. Os nossos rel√≥gios nunca dormem. Quantas vezes o tempo √© a nossa desculpa para desinvestir da vida, para perpetuar o desencontro que mantemos com ela? Como n√£o temos diante de n√≥s os s√©culos, renunciamos √† aud√°cia de viver plenamente o breve instante. A imagem de crono, devorando aquilo que gera, obsidia-nos. O tempo consome-nos sem nos encaminhar verdadeiramente para a consuma√ß√£o da promessa. Nesse sentido, o consumo desenfreado n√£o √© outra coisa que uma bolsa de compensa√ß√Ķes. As coisas que se adquirem s√£o naquele momento, obviamente, mais do que coisas: s√£o promessas que nos acenam, s√£o protestos impotentes por uma exist√™ncia que n√£o nos satisfaz, s√£o fic√ß√Ķes do nosso teatro interno, s√£o uma corrida contra o tempo. A verdade √© que precisamos reconciliar-nos com o tempo. N√£o nos basta um conceito de tempo linear, ininterrupto, mecanizado, puramente hist√≥rico. O continuum homog√©neo do tempo que a teoria do progresso desenha n√£o conhece a rutura trazida pela novidade surpreendente. E a reden√ß√£o √© essa novidade. Precisamos identificar uma dupla significa√ß√£o no instante presente.

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Só Há Duas maneiras de se Ter Razão

Quando o p√ļblico soube que os estudantes de Lisboa, nos intervalos de dizer obscenidades √†s senhoras que passam, estavam empenhados em moralizar toda a gente, teve uma exclama√ß√£o de impaci√™ncia. Sim ‚ÄĒ exactamente a exclama√ß√£o que acaba de escapar ao leitor…

Ser novo √© n√£o ser velho. Ser velho √© ter opini√Ķes. Ser novo √© n√£o querer saber de opini√Ķes para nada. Ser novo √© deixar os outros ir em paz para o Diabo com as opini√Ķes que t√™m, boas ou m√°s ‚ÄĒ boas ou m√°s, que a gente nunca sabe com quais √© que vai para o Diabo.

Os moços da vida das escolas intrometem-se com os escritores que não passam pela mesma razão porque se intrometem com as senhoras que passam. Se não sabem a razão antes de lha dizer, também a não saberiam depois. Se a pudessem saber, não se intrometeriam nem com as senhoras nem com os escritores.

Bolas para a gente ter que aturar isto! √ď meninos: estudem, divirtam-se e calem-se. Estudem ci√™ncias, se estudam ci√™ncias; estudem artes, se estudam artes; estudem letras, se estudam letras. Divirtam-se com mulheres, se gostam de mulheres; divirtam-se de outra maneira, se preferem outra.

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Ambição e Poder

Examinemo-nos no momento em que a ambi√ß√£o nos trabalha, em que lhe sofremos a febre; dissequemos em seguida os nossos ¬ęacessos¬Ľ. Verificaremos que estes s√£o precedidos de sintomas cuirosos, de um calor especial, que n√£o deixa nem de nos arrastar nem de nos alarmar. Intoxicados de porvir por abuso de esperan√ßa, sentimo-nos de s√ļbito respons√°veis pelo presente e pelo futuro, no n√ļcleo da dura√ß√£o, carregada esta dos nossos fr√©mitos, com a qual, agentes de uma anarquia universal, sonhamos explodir. Atentos aos acontecimentos que se passam no nosso c√©rebro e √†s vicissitudes do nosso sangue, virados para o que nos altera, espiamos-lhe e acarinhamos-lhe os sinais. Fonte de perturba√ß√Ķes, de transtornos √≠mpares, a loucura pol√≠tica, se afoga a intelig√™ncia, favorece em contrapartida os instintos e mergulha-os num caos salutar. A ideia do bem e sobretudo do mal que imaginamos ser capazes de cumprir regozijar-nos-√° e exaltar-nos-√°; e o feito das nossas enfermidades, o seu prod√≠gio, ser√° tal que elas nos instituir√£o senhores de todos e de tudo.
À nossa volta, observaremos uma alteração análoga naqueles que a mesma paixão corrói. Enquanto sofrerem o seu império, serão irreconhecíves, presas de uma embriaguez diferente de todas as outras. Tudo mudará neles, até o timbre da voz.

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Vive Plenamente

Vê se consegues apanhar-te a lamentar-te, quer por palavras quer por pensamentos, por causa de determinada situação em que te encontres, do que as outras pessoas fazem ou dizem, do teu meio envolvente, da situação da tua vida, ou até mesmo por causa do tempo. Uma lamentação é sempre uma não aceitação daquilo que é. E traz invariavelmente consigo uma carga negativa inconsciente. Quando te lamentas, tu próprio te fazes de vítima. Quando elevas a voz, estás no teu poder. Por isso muda a situação tomando providências, levantando a voz se for necessário ou possível; deixa a situação ou aceita-a. Tudo o mais é loucura.

De certa forma, a inconsci√™ncia ordin√°ria est√° sempre ligada √† recusa do Agora. O Agora, evidentemente, tamb√©m significa o aqui. Est√°s a resistir ao teu aqui e agora? H√° pessoas que s√≥ est√£o bem onde n√£o est√£o. O seu “aqui” nunca √© suficientemente bom. Atrav√©s da auto-observa√ß√£o, v√™ se √© esse o teu caso. Estejas onde estiveres, est√° l√° plenamente. Se achares que o teu aqui e agora √© intoler√°vel e te deixa infeliz, tens tr√™s op√ß√Ķes √† escolha: ou te retiras da situa√ß√£o, ou a mudas, ou a aceitas totalmente. Se quiseres tomar a responsabilidade pela tua vida,

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