Textos sobre Tempo

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Textos de tempo escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Crueldade e Sofrimento

A crueldade √© constitutiva do universo, √© o pre√ßo a pagar pela grande solidariedade da biosfera, √© inelimin√°vel da vida humana. Nascemos na crueldade do mundo e da vida, a que acrescent√°mos a crueldade do ser humano e a crueldade da sociedade humana. Os rec√©m-nascidos nascem com gritos de dor. Os animais dotados de sistemas nervosos sofrem, talvez os vegetais tamb√©m, mas foram os humanos que adquiriram as maiores aptid√Ķes para o sofrimento ao adquirirem as maiores aptid√Ķes para a frui√ß√£o. A crueldade do mundo √© sentida mais vivamente e mais violentamente pelas criaturas de carne, alma e esp√≠rito, que podem sofrer ao mesmo tempo com o sofrimento carnal, com o sofrimento da alma e com o sofrimento do esp√≠rito, e que, pelo esp√≠rito, podem conceber a crueldade do mundo e horrorizar-se com ela.
A crueldade entre homens, indiv√≠duos, grupos, etnias, religi√Ķes, ra√ßas √© aterradora. O ser humano cont√©m em si um ru√≠do de monstros que liberta em todas as ocasi√Ķes favor√°veis. O √≥dio desencadeia-se por um pequeno nada, por um esquecimento, pela sorte de outrem, por um favor que se julga perdido. O √≥dio abstracto por uma ideia ou uma religi√£o transforma-se em √≥dio concreto por um indiv√≠duo ou um grupo;

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Estou Sofrendo de Amor Feliz

Estou sofrendo de amor feliz. S√≥ aparentemente √© que isso √© contradit√≥rio. Quando se sente amor, tem-se uma funda ansiedade. √Č como se eu risse e chorasse ao mesmo tempo. Sem falar no medo que essa felicidade n√£o dure. Preciso ser livre ‚ÄĒ n√£o aguento a escravid√£o do amor grande, o amor n√£o me prende tanto. N√£o posso me submeter √† press√£o do mais forte.
Onde est√° minha corrente de energia? meu sentido de descoberta, embora esta assuma forma obscura? Eu sempre espero alguma coisa nova de mim, eu sou um frisson de espera ‚ÄĒ algo est√° sempre vindo de mim ou de fora de mim.

A Disputa das Ideias

Temos cada vez mais tipos de ordem e cada vez menos ordem. (…) Depois de todos os esfor√ßos do passado, entr√°mos num per√≠odo de retrocesso. V√™ bem como as coisas se passam hoje: quando um homem importante lan√ßa uma nova ideia no mundo, ela √© imediatamente apanhada por um mecanismo de divis√£o, constitu√≠do por simpatia e repulsa. Primeiro v√™m os admiradores e arrancam grandes bocados, os que lhes conv√™m, a essa ideia, e despeda√ßam o mestre como as raposas a presa; a seguir, os advers√°rios destroem as partes fracas, e em pouco tempo o que resta de um grande feito mais n√£o √© do que uma reserva de aforismos de que amigos e inimigos se servem a seu bel-prazer. O resultado √© uma ambiguidade generalizada. N√£o h√° Sim a que se n√£o junte um N√£o. Podes fazer o que quiseres, que encontras sempre vinte das mais belas ideias a favor e, se quiseres, vinte que s√£o contra. Quase somos levados a acreditar que √© como no amor e no √≥dio, ou na fome, em que os gostos t√™m de ser diferentes, para que cada um fique com o seu bocado.

Vivemos Presos ao Nosso Passado e ao Nosso Futuro

A nós ligam-nos o nosso passado e o nosso futuro. Passamos quase todo o nosso tempo livre e também quanto do nosso tempo de trabalho a deixá-los subir e descer na balança. O que o futuro excede em dimensão, substitui o passado em peso, e no fim não se distinguem os dois, a meninice torna-se clara mais tarde, tal como é o futuro, e o fim do futuro já é de facto vivido em todos os nossos suspiros e assim se torna passado. Assim quase se fecha este círculo em cujo rebordo andamos. Bem, este círculo pertence-nos de facto, mas só nos pertence enquanto nos mantivermos nele; se nos afastarmos para o lado uma vez que seja, por distracção, por esquecimento, por susto, por espanto, por cansaço, eis que já o perdemos no espaço; até agora tínhamos tido o nariz metido na corrente do tempo, agora retrocedemos, ex-nadadores, caminhantes actuais, e estamos perdidos. Estamos do lado de fora da lei, ninguém sabe disso, mas todos nos tratam de acordo com isso.

Sociedade do Desperdício

Uma tenta√ß√£o imediata do nosso tempo √© o desperd√≠cio. N√£o √© s√≥ resultado duma inven√ß√£o constante da oferta que leva ao apetite do consumo, como √©, sobretudo, uma forma de aristocracia t√©cnica. O tecnocrata, novo aristocrata da intelig√™ncia artificial, dos n√ļmeros e dos computadores, prop√Ķe uma sociedade de dissipa√ß√£o. Prop√Ķe-na na medida em que favorece os m√©todos de maior rendimento e a rapina dos recursos naturais. As hormonas que fazem crescer uma vitela em tr√™s meses, as √°rvores que d√£o fruto tr√™s vezes por ano, tudo obriga a natureza a render mais. Para qu√™? Para que os alimentos se amontoem nas lixeiras e os desperd√≠cios de cozinha ou de vestu√°rio sirvam afinal para descrever o bluff da produtividade.

O Nobre Patriotismo dos Patriotas

H√° em primeiro lugar o nobre patriotismo dos patriotas: esses amam a p√°tria, n√£o dedicando-lhe estrofes, mas com a serenidade grave e profunda dos cora√ß√Ķes fortes. Respeitam a tradi√ß√£o, mas o seu esfor√ßo vai todo para a na√ß√£o viva, a que em torno deles trabalha, produz, pensa e sofre: e, deixando para tr√°s as gl√≥rias que ganh√°mos nas Molucas, ocupam-se da p√°tria contempor√Ęnea, cujo cora√ß√£o bate ao mesmo tempo que o seu, procurando perceber-lhe as aspira√ß√Ķes, dirigir-lhe as for√ßas, torn√°-la mais livre, mais forte, mais culta, mais s√°bia, mais pr√≥spera, e por todas estas nobres qualidades elev√°-la entre as na√ß√Ķes. Nada do que pertence √† p√°tria lhes √© estranho: admiram decerto Afonso Henriques, mas n√£o ficam para todo o sempre petrificados nessa admira√ß√£o: v√£o por entre o povo, educando-o e melhorando-o, procurando-lhe mais trabalho e organizando-lhe mais instru√ß√£o, promovendo sem descanso os dois bens supremos – ci√™ncia e justi√ßa.
P√Ķem a p√°tria acima do interesse, da ambi√ß√£o, da glor√≠ola; e se t√™m por vezes um fanatismo estreito, a sua mesma paix√£o diviniza-os. Tudo o que √© seu o d√£o √† p√°tria: sacrificam-lhe vida, trabalho, sa√ļde, for√ßa, o melhor de si mesmo. D√£o-lhe sobretudo o que as na√ß√Ķes necessitam mais,

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A Imensa Imoralidade da Existência

Viver era como correr em c√≠rculo num grande labirinto, esse g√©nero de labirinto para crian√ßas que se v√™ em certos parques de jogos modernos; em cima de uma pedra no meio do labirinto h√° uma pedra brilhante; os m√≠udos chegam com as faces coradas, cheios de uma f√© inabal√°vel na honestidade do labirinto e come√ßam a correr com a certeza de alcan√ßarem dentro de pouco tempo o seu alvo. Corremos, corremos, e a vida passa, mas continuaremos a correr na convic√ß√£o de que o mundo acabar√° por se mostrar generoso para quem correr sem des√£nimo, e quando por fim descobrimos que o labirinto s√≥ aparentemente tende para o ponto central, √© tarde demais – de facto, o construtor do labirinto esmerou-se a desenhar v√°rias pistas diferentes, das quais s√≥ uma conduz √† p√©rola, de modo que √© o acaso cego e n√£o a justi√ßa l√ļcida o que determina a sorte dos que correm.
Descobrimos que gast√°mos todas as nossas for√ßas a realizar um trabalho perfeitamente in√ļtil, mas √© muito tarde j√° para recuarmos. Por isso n√£o √© de espantar que os mais l√ļcidos saiam da pista e suprimam algumas voltas in√ļteis para atingirem o centro cortando caminho. Se dissermos que se trata de uma ac√ß√£o imoral e maldosa,

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Vida Ilusória

Ao mesmo tempo que a realidade √© uma f√°bula, simula√ß√Ķes e enganos s√£o considerados como as verdades mais s√≥lidas. Se os homens se detivessem a observar apenas as realidades, e n√£o se permitissem ser enganados, a vida, comparada com as coisas que conhecemos, seria como um conto de fadas ou as hist√≥rias das Mil e Uma Noites.
Se respeit√°ssemos apenas o que √© inevit√°vel e tem direito a ser, a m√ļsica e a poesia ressoariam pelas ruas fora. Quando somos calmos e s√°bios, percebemos que s√≥ as coisas grandes e dignas t√™m exist√™ncia permanente e absoluta, que os pequenos medos e os pequenos prazeres n√£o passam de sombra da realidade, o que √© sempre estimulante e sublime. Por fecharem os olhos e dormirem, por consentirem ser enganados pelas apar√™ncias, os homens em toda a parte estabelecem e confinam as suas vidas di√°rias de rotina e h√°bito em cima de funda√ß√Ķes puramente ilus√≥rias.

A Face Oculta dos Progressos Técnicos

Os progressos técnicos, que toda a gente está confundindo cada vez mais com progresso humano, vão criar cada vez mais também um suplemento de ócio que, excelente em si próprio, porque nos aproxima exactamente daquele contemplar dos lírios e das aves que deve ser nosso ideal, vai criar, olhado à nossa escala, uma força de ataque e de triunfo; mais gente vai ter cada vez mais tempo para ouvir rádio e para ir ao cinema, para frequentar museus, para ler revistas ou para discutir política, e sem que preparo algum lhe possa ter sido dado para utilizar tais meios de cultura: a consequência vai ser a de que a qualidade do que for fornecido vai descer cada vez mais e a de que tudo o que não for compreendido será destruído; raros novos beneditinos salvarão da pilhagem geral a sempre reduzida antologia que em tais coisas é possível salvar-se.
O choque mais violento vai dar-se exactamente, como era natural, nos países em que existir uma liberdade maior; nos outros, as formas autoritárias de regime de certo modo poderão canalizar mais facilmente a Humanidade para a utilização desse ócio; sucederá, porém, o seguinte: nos países não-livres, porque nenhum há livre,

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Enfrentar-se a Si Próprio

√ďdio da introspec√ß√£o activa. Explica√ß√Ķes da nossa alma, tais como: ontem eu estava assim e assado, por esta ou por aquela raz√£o; hoje estou assim e assado, por qualquer outra raz√£o. N√£o √© verdade, nem por esta raz√£o nem por aquela raz√£o, e por isso tamb√©m nem assim nem assado.
Enfrentar-se a si pr√≥prio calmamente, sem precipita√ß√Ķes, viver como se tem de viver, n√£o andar √† ca√ßa do pr√≥prio rabo como o c√£o.
Adormeci nos arbustos. Um barulho acordou-me. Encontrei um livro nas minhas m√£os, que tinha estado a ler. Deitei-o fora e levantei-me de um salto. Passava pouco do meio-dia; em frente da colina em que eu estava estendia-se uma grande planura com aldeias e lagos e sebes todas iguais, altas, que pareciam feitas de junco. Pus as m√£os nas ancas, examinei tudo com o olhar, e ao mesmo tempo escutei o barulho.

Depois de Chorar

N√£o √© a tristeza que nos faz chorar, mas o amor que enfrenta os vazios. As ang√ļstias e desesperos s√£o express√Ķes de falta.

As lágrimas que de nós brotam e caem longe do olhar dos outros são as que mais força trazem em si, as que fazem concreto e objetivo o sentir mais íntimo.

Por vezes, o cora√ß√£o cai nas armadilhas das tristezas antigas… outras, sentimos os espinhos das novas adversidades cravarem-se-nos na carne. H√° sempre tristezas, h√° sempre sofrimento, haver√° sempre dor enquanto houver amor.
As lágrimas não choradas não deixam de ser amargas, mas essas, ao contrário das que nascem, corroem o interior de quem com elas não chega a regar a terra que lhe segura os pés.

A vida faz-se também com as nossas lágrimas e vence-se, muitas vezes, de olhos carregados de mar. O esforço que nos é exigido chega quase a ser impossível sem lágrimas. Chorar não é sinal de derrota, antes sim de um amor que busca a paz merecida.

O sentido da vida cabe dentro de uma gota de √°gua salgada‚Ķ a verdadeira paix√£o √© a dor m√°xima do amor mais profundo. Aquele que faz germinar em n√≥s o melhor…

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Felicidade e Prazer

Devemos estudar os meios de alcan√ßar a felicidade, pois, quando a temos, possu√≠mos tudo e, quando n√£o a temos, fazemos tudo por alcan√ß√°-la. Respeita, portanto, e aplica os princ√≠pios que continuadamente te inculquei, convencendo-te de que eles s√£o os elementos necess√°rios para bem viver. Pensa primeiro que o deus √© um ser imortal e feliz, como o indica a no√ß√£o comum de divindade, e n√£o lhe atribuas jamais car√°cter algum oposto √† sua imortalidade e √† sua beatitude. Habitua-te, em segundo lugar, a pensar que a morte nada √©, pois o bem e o mal s√≥ existem na sensa√ß√£o. De onde se segue que um conhecimento exacto do facto de a morte nada ser nos permite fruir esta vida mortal, poupando-nos o acr√©scimo de uma ideia de dura√ß√£o eterna e a pena da imortalidade. Porque n√£o teme a vida quem compreende que n√£o h√° nada de tem√≠vel no facto de se n√£o viver mais. √Č, portanto, tolo quem declara ter medo da morte, n√£o porque seja tem√≠vel quando chega, mas porque √© tem√≠vel esperar por ela.
√Č tolice afligirmo-nos com a espera da morte, visto ser ela uma coisa que n√£o faz mal, uma vez chegada. Por conseguinte, o mais pavoroso de todos os males,

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Caminho Recompensador

Aquele que se tenha erguido acima do cesto das esmolas e n√£o se tenha contentado em viver ociosamente das sobras de opini√Ķes suplicadas, que p√īs a funcionar os seus pr√≥prios pensamentos para encontrar e seguir a verdade, n√£o deixar√° de sentir a satisfa√ß√£o do ca√ßador; cada momento da sua busca recompensar√° os seus dissabores com algum prazer; e ter√° raz√Ķes para pensar que o seu tempo n√£o foi mal gasto, mesmo quando n√£o se puder gabar de nenhuma aquisi√ß√£o especial.

A Vida Pessoal e a Vida Social

Na vida de cada homem h√° dois aspectos: a vida pessoal, tanto mais livre quanto mais restritos s√£o os seus interesses, e a vida geral, social, em que o homem obedece inevit√°velmente a leis prescritas.
O homem vive constantemente para si pr√≥prio, mas serve de instrumento inconsciente aos fins hist√≥ricos da humanidade. O acto realizado √© impar√°vel e, concordando, no tempo, com milh√Ķes de actos realizados por outros homens, adquire a sua import√Ęncia hist√≥rica. Tanto mais elevado √© o homem na escala social quanto mais ligado se encontra aos homens superiores, quanto mais poder tem sobre os outros, mais evidentes s√£o a predestina√ß√£o e a fatalidade de cada uma das suas ac√ß√Ķes.

A Razão da Minha Esperança

Meu bom amigo,

Sei que tens sofrido bastante.

Não posso esquecer que um dia me ensinaste: que leal é quem não abandona; que devemos procurar ser pessoas dignas de confiança, mais do que tentar encontrar alguém assim; e, que a vontade de amar já é, em si mesma, amor.

Permite-me que partilhe contigo, hoje, algumas ideias a respeito dos momentos dif√≠ceis…

S√£o muitas as provas que na vida servem para testar quem somos, a for√ßa que temos em n√≥s e o nosso valor. Algumas vezes uma pedra gigante vem cair mesmo diante de n√≥s… outras vezes s√£o s√©ries infind√°veis de pequenos obst√°culos no caminho… longas etapas que nos obrigam a seguir adiante sem descansar, em percursos onde quase nunca se v√™ o horizonte.
A agita√ß√£o permanente em que vivemos leva muitos a desistir de encontrar refer√™ncias mais adiante, mas √© preciso que nos afastemos do tempo para assim encontrarmos a posi√ß√£o mais segura, elevando-nos acima dos momentos passageiros para os compreender melhor. No meio da confus√£o √© preciso ver para al√©m do que se pode olhar… estabelecer os alicerces sobre o que √© s√≥lido, ainda que seja preciso escavar muito mais fundo do que o normal…

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O Prazer e o Trabalho

Em cada minuto somos esmagados pela ideia e a sensação do tempo. E apenas existem dois meios para escapar a tal pesadelo, para esquecê-lo: o prazer e o trabalho. O prazer gasta-nos. O trabalho fortifica-nos. Escolhamos.
Quanto mais nos servimos de um destes meios, mais o outro nos inspira repugn√Ęncia.

Controlar a Ansiedade

Quando receamos algum mal, o pr√≥prio facto de o recearmos atormenta-nos enquanto o aguardamos: teme-se vir a sofrer alguma coisa e sofre-se com o medo que se sente! Tal como nas doen√ßas f√≠sicas h√° certos sintomas que pressagiam a mol√©stia – incapacidade de movimento, lassid√£o completa mesmo quando se n√£o faz nenhum esfor√ßo, sonol√™ncia, calafrios por todo o corpo -, tamb√©m um esp√≠rito d√©bil se sente abalado, mesmo antes de qualquer mal se abater sobre ele: como que adivinha o mal futuro, e deixa-se vencer antes do tempo. H√° coisa mais insensata do que nos angustiarmos com o futuro em vez de deixarmos chegar a hora da afli√ß√£o, e atrairmos sobre n√≥s todo um c√ļmulo de tormentos? Quando n√£o √© poss√≠vel livrarmo-nos por completo da ang√ļstia, pelo menos adiemo-la tanto quanto pudermos. Queres ver como √© verdade que ningu√©m deve atormentar-se com o futuro?
Imagina um homem a quem tenha sido dito que depois dos cinquenta anos ser√° submetido a graves supl√≠cios: ele permanece imperturb√°vel enquanto n√£o passa a metade desse espa√ßo de tempo, altura em que come√ßa a aproximar-se da ang√ļstia prometida para a segunda metade da sua vida. Por um processo semelhante sucede tamb√©m que certos esp√≠ritos doentes sempre em busca de motivos para sofrer se deixam tomar de tristeza por factos j√° remotos e esquecidos.

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O Individuo Indestrutivel

Teoricamente, só há uma possibilidade perfeita de felicidade: acreditar no indestrutível em si sem a ele aspirar.
O indestrut√≠vel √© um; cada indiv√≠duo o √© ao mesmo tempo que √© comum a todos, da√≠ esse la√ßo indissol√ļvel entre os homens, que √© sem exemplo.

Feitos e Obras

Dos feitos, fica apenas a lembrança, que se torna cada vez mais fraca, deformada e indiferente e deve, aos poucos, apagar-se a não ser que a História a registe e a entregue à posteridade sob forma petrificada; ao passo que as obras elas próprias são imortais e podem, especialmente as escirtas, desafiar o tempo. De Alexandre o Grande vivem o nome e a lembrança; porém Platão e Aristóteles, Homero e Horácio ainda estão aqui eles próprios, a viver e a agir directamente.

A Arte Engrandece a Vida

Tamb√©m do ponto de vista pessoal a arte engrandece a vida. Propicia maior felicidade e mais r√°pido desgaste. Grava no semblante do seu servidor pistas de aventuras imagin√°rias e espirituais e provoca, com o tempo, mesmo mantendo uma vida exterior de calma enclausurada, em exacerbamento e um refinamento da sensibilidade, uma febre e exaust√£o de nervos como a vida plena de paix√Ķes e prazeres extravagantes dificilmente consegue apresentar.