Textos de Albert Einstein

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Textos de Albert Einstein. Conheça este e outros autores famosos em Poetris.

Mensagem a Alunos e Professores

A arte mais importante do professor é a de despertar a alegria pelo trabalho e pelo conhecimento.
¬ęQueridos estudantes!
Regozijo-me por vos ver hoje diante de mim, alegre juventude de um país abençoado.
Lembrai-vos de que as coisas maravilhosas que ireis aprender nas vossas escolas s√£o a obra de muitas gera√ß√Ķes, levada a cabo por todos os pa√≠ses do mundo, √† custa de muito entusiasmo, muito esfor√ßo e muita dor. Tudo √© depositado nas vossas m√£os, como uma heran√ßa, para que a aceitem, honrem, desenvolvam e a transmitam fielmente um dia aos vossos filhos. Assim n√≥s, embora mortais, somos imortais nas obras duradouras que criamos em comum.
Se tiverem esta ideia sempre em mente, encontrar√£o algum sentido na vida e no trabalho e poder√£o formar uma opini√£o justa em rela√ß√£o aos outros povos e aos outros tempos.¬Ľ

O Problema da Especialização

O dom√≠nio dos factos explic√°veis pela ci√™ncia alargou enormemente, e o conhecimento te√≥rico em todos os campos da ci√™ncia tem sido aprofundado, para al√©m do que podia esperar-se. A capacidade de compreens√£o humana, por√©m, √© e ser√° sempre muito limitada. Assim n√£o podia deixar de acontecer que a actividade do investigador individual tivesse que restringir-se a um sector, cada vez mais limitado, do conhecimento cient√≠fico geral. Mas o mais grave √© que esta especializa√ß√£o faz que a compreens√£o geral da ci√™ncia como um todo ‚ÄĒ sem a qual o verdadeiro investigador cristaliza for√ßosamente ‚ÄĒ tenha de marcar passo com a evolu√ß√£o, o que se torna cada vez mais dif√≠cil. Cria-se, assim, uma situa√ß√£o id√™ntica √†quela que, na B√≠blia, √© simbolicamente representada pela Hist√≥ria da torre de Babel. Todo o investigador honesto tem a dolorosa consci√™ncia dessa limita√ß√£o involunt√°ria a um c√≠rculo de compreens√£o cada vez mais apertado, que amea√ßa roubar as grandes perspectivas ao investigador e o reduz a simples obreiro.

A Luta para a Supress√£o Radical das Guerras

A minha participa√ß√£o na produ√ß√£o da bomba at√≥mica consistiu numa √ļnica ac√ß√£o: assinei uma carta dirigida ao presidente Roosevelt, na qual se sublinhava a necessidade de levar a cabo experi√™ncias em grande escala, para investiga√ß√£o das possibilidades de produ√ß√£o duma bomba at√≥mica.
Tive bem consciência do grande perigo que significava para a Humanidade o êxito desse empreendimento. Mas a probabilidade de que os Alemães trabalhassem no mesmo problema e fossem bem sucedidos, obrigou-me a dar este passo. Não tinha outra solução, embora tivesse sido sempre um pacifista convicto. Foi, portanto, uma reacção de legítima defesa.
Enquanto, por√©m, as na√ß√Ķes n√£o estiverem resolvidas a trabalhar em comum para suprimir a guerra, a resolverem os seus conflitos por decis√£o pac√≠fica e a protegerem os seus interesses de maneira legal, v√™em-se obrigadas a preparar-se para a guerra. V√™em-se, mais, obrigadas a preparar todos os meios, mesmo os mais detest√°veis, para n√£o se deixarem ficar para tr√°s, na corrida geral aos armamentos. Este caminho conduz fatalmente √† guerra que, nas condi√ß√Ķes actuais, significa destrui√ß√£o geral.
Nestas condi√ß√Ķes, a luta contra os meios n√£o tem probabilidades de √™xito. S√≥ ainda pode valer a supress√£o radical das guerras e do perigo de guerra.

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Os Tiranos de Génio

Sei perfeitamente que, para se alcançar qualquer finalidade organizadora, é necessário haver quem pense, coordene e, no total, assuma a responsabilidade. Porém, os conduzidos não devem ser constrangidos, mas antes poderem eleger o seu chefe. Um sistema autocrático de coacção degenera, a meu ver, dentro de pouco tempo, pois a violência atrai aqueles que são moralmente inferiores e, em regra, no meu entender, aos tiranos de génio sucedem-se geralmente patifes.

A Inteligência e o Carácter das Massas

O nosso tempo √© rico em mentes inventivas, cujas inven√ß√Ķes podem facilitar consideravelmente as nossas vidas. Estamos a atravessar os mares com pot√™ncia e a utilizar a pot√™ncia tamb√©m para libertar a humanidade de todo o trabalho muscular cansativo. Aprendemos a voar e somos capazes de enviar mensagens e not√≠cias sem qualquer dificuldade para todo o mundo atrav√©s de ondas el√©ctricas.
Contudo, a produção e a distribuição de bens estão completamente desorganizadas, de tal forma que toda a gente vive com medo de ser completamente eliminada do ciclo económico, sofrendo deste modo do querer tudo. Para além disso, as pessoas que vivem em países diferentes matam-se umas às outras com intervalos de tempo irregulares, de tal modo que, também por esta razão, todo aquele que pensa no futuro vive no medo e no terror. Isto deve-se ao facto de a inteligência e o carácter das massas serem incomparavelmente menores do que a inteligência e o carácter dos poucos que produzem algo de verdadeiramente válido para a comunidade.
Tenho confian√ßa em que a posteridade ler√° estas afirma√ß√Ķes com um sentimento de orgulho e superioridade justificada.

O Bem e o Mal

Em princípio, é justo que se mostre maior afecto por aqueles que mais contribuíram para o enobrecimento dos homens e da vida humana. Se porém indagarmos quais são esses homens vemo-nos perante dificuldades. Nos chefes políticos, e até mesmo nos chefes religiosos, é por vezes bastante duvidoso sabermos se o que fizeram serviu mais para o bem do que para o mal.
Creio pois, muito s√©riamente, que a melhor maneira de servir os homens √© ocup√°-los numa tarefa nobre, mediante a qual eles se enobrecem indirectamente. Isto aplica-se em primeiro lugar aos artistas not√°veis, em segundo lugar aos investigadores. √Č certo que os resultados da investiga√ß√£o n√£o enobrecem nem enriquecem o homem; o que o enobrece s√£o os esfor√ßos que faz pela compreens√£o, o trabalho intelectual produtivo e receptivo.
Seria decerto descabido querer-se ajuizar do valor do Talmude pelos seus resultados intelectuais.

A Necessidade do Desarmamento

A realiza√ß√£o do plano de desarmamento tem sido prejudicada principalmente por ningu√©m se dar verdadeiramente conta da enorme dificuldade do problema em geral. A maior parte dos objectivos s√≥ s√£o atingidos a passos lentos. Basta pensar na substitui√ß√£o da Monarquia absoluta pela Democracia! √Č um objectivo que conv√©m atingir depressa.
Com efeito, enquanto n√£o for exclu√≠da a possibilidade de guerra, as na√ß√Ķes n√£o prescindir√£o de se prepararem militarmente o melhor poss√≠vel, para poderem enfrentar vitoriosamente a pr√≥xima guerra. Nem t√£o-pouco se prescindir√° de educar a juventude nas tradi√ß√Ķes guerreiras, de alimentar a comezinha vaidade nacional aliada √† glorifica√ß√£o do esp√≠rito guerreiro, enquanto for preciso contar com a possibilidade de vir a fazer uso desse esp√≠rito dos cidad√£os na resolu√ß√£o dos conflitos pelas armas. Armar-se significa precisamente afirmar e preparar a guerra e n√£o a paz! Portanto, n√£o interessa proceder ao desarmamento gradual mas radicalmente, de uma s√≥ vez, ou nunca.
A realiza√ß√£o de t√£o profunda modifica√ß√£o na vida dos povos tem como condi√ß√£o um enorme esfor√ßo moral e o abandono de tradi√ß√Ķes profundamente enraizadas. Quem n√£o estiver preparado para, em caso de conflito, fazer depender o destino da sua p√°tria incondicionalmente das decis√Ķes dum tribunal internacional de arbitragem,

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Uma Civilização de Elevado Nível

√Č preciso termos presente que uma civiliza√ß√£o de elevado n√≠vel √© como uma planta delicada, cuja vida depende de condi√ß√Ķes complexas e que por vezes s√≥ consegue desenvolver-se em determinados s√≠tios. Para se desenvolver √© preciso, em primeiro lugar, um certo bem-estar que permita a determinada frac√ß√£o da popula√ß√£o dum pa√≠s trabalhar em coisas que n√£o sejam imediatamente necess√°rias √† manuten√ß√£o da vida quotidiana. √Č necess√°rio tamb√©m existir uma tradi√ß√£o moral de respeito pelos benef√≠cios e produtos da civiliza√ß√£o, em virtude da qual as camadas de popula√ß√£o que trabalham para satisfazer as necessidades imediatas da vida da comunidade, assegurem condi√ß√Ķes de vida ao sector que se consagra a actividades ligadas ao progresso da civiliza√ß√£o.

O Que é a Religião ?

De in√≠cio, portanto, em vez de perguntar o que √© religi√£o, eu preferiria indagar o que caracteriza as aspira√ß√Ķes de uma pessoa que me d√° a impress√£o de ser religiosa: uma pessoa religiosamente esclarecida parece-me ser aquela que, tanto quanto lhe foi poss√≠vel, libertou-se dos grilh√Ķes, dos seus desejos ego√≠stas e est√° preocupada com pensamentos, sentimentos e aspira√ß√Ķes a que se apega em raz√£o do seu valor suprapessoal. Parece-me que o que importa √© a for√ßa desse conte√ļdo suprapessoal, e a profundidade da convic√ß√£o na superioridade do seu significado, quer se fa√ßa ou n√£o alguma tentativa de unir esse conte√ļdo com um Ser divino, pois, de outro modo, n√£o poder√≠amos considerar Buda e Espinoza como personalidades religiosas. Assim, uma pessoa religiosa √© devota no sentido de n√£o ter nenhuma d√ļvida quanto ao valor e emin√™ncia dos objectivos e metas suprapessoais que n√£o exigem nem admitem fundamenta√ß√£o racional. Eles existem, t√£o necess√°ria e corriqueiramente quanto ela pr√≥pria.

Nesse sentido, a religi√£o √© o antiqu√≠ssimo esfor√ßo da humanidade para atingir uma clara e completa consci√™ncia desses valores e metas e refor√ßar e ampliar incessantemente o seu efeito. Quando concebemos a religi√£o e a ci√™ncia segundo estas defini√ß√Ķes, um conflito entre elas parece imposs√≠vel.

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A Import√Ęncia da Boa Vontade

No decurso da minha longa vida recebi dos meus companheiros um reconhecimento muito maior do que aquele que mere√ßo e confesso que o meu sentido de humildade sempre se sobrep√īs ao meu prazer. Mas nunca, em ocasi√Ķes anteriores, a dor se sobrep√īs tanto ao prazer como agora. Todos n√≥s, que estamos preocupados com a paz e o triunfo da raz√£o e da justi√ßa, devemos estar hoje claramente conscientes do peso que uma pequen√≠ssima justifica√ß√£o e uma boa vontade honesta podem exercer sobre os acontecimentos na vida pol√≠tica. Mas, independentemente disso, e independentemente do nosso destino, podemos estar certos de que sem os esfor√ßos incans√°veis daqueles que est√£o preocupados com o bem-estar da humanidade como um todo a maioria da esp√©cie humana estaria muito pior do que se encontra realmente agora.

Os Empreendimentos Comuns

As comunidades costumam ter menor sentido de responsabilidade e menos escr√ļpulos de consci√™ncia que os indiv√≠duos. Quanto sofrimento n√£o causa este facto √† Humanidade, quantas guerras e opress√Ķes de toda a esp√©cie que enchem a terra de dor, gemidos e amargura!
E, no entanto, as obras verdadeiramente preciosas s√≥ podem nascer gra√ßas √† colabora√ß√£o impessoal de muitos indiv√≠duos. Por isso, nada h√° que maior alegria possa trazer a quem ama a Humanidade do que ver surgir, √† custa de grandes sacrif√≠cios, um empreendimento comum, cuja √ļnica finalidade consiste em favorecer a vida e a cultura.

O Que H√° de Mais Belo na Nossa Vida

O que h√° de mais belo na nossa vida √© o sentimento do mist√©rio. √Č este o sentimento fundamental que se det√©m junto ao ber√ßo da verdadeira arte e da ci√™ncia. Quem nunca o experimentou nem sabe j√° admirar-se ou espantar-se. Pode considerar-se como morto, sem luz, totalmente cego! A viv√™ncia do mist√©rio ‚ÄĒ embora com laivos de temor ‚ÄĒ criou tamb√©m a religi√£o. A consci√™ncia da exist√™ncia de tudo quanto para n√≥s √© impenetr√°vel, de tudo quanto √© manifesta√ß√£o da mais profunda raz√£o e da mais deslumbrante beleza e, que s√≥ √© acess√≠vel √† nossa raz√£o nas suas formas mais primitivas, essa consci√™ncia, esse sentimento, constituem a verdadeira religiosidade. Nesse sentido, e em mais nenhum, perten√ßo √† classe dos homens profundamente religiosos. N√£o posso conceber um Deus que recompense e castigue os objectos da sua cria√ß√£o, ou que tenha vontade pr√≥pria, de puro arb√≠trio no g√©nero da que n√≥s sentimos dentro de n√≥s. Nem t√£o-pouco consigo imaginar um indiv√≠duo que sobreviva √† sua morte corporal; as almas fracas que alimentem tais pensamentos fazem-no por medo ou por ego√≠smo rid√≠culo. A mim basta-me o mist√©rio da eternidade da vida, a consci√™ncia e o pressentimento da admir√°vel elabora√ß√£o do ser, assim como o humilde esfor√ßo para compreender uma part√≠cula,

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Religi√£o do Medo

Com o homem primitivo √© o medo acima de tudo que evoca no√ß√Ķes religiosas ‚ÄĒ medo da fome, das feras, da doen√ßa, da morte. Como neste estado de exist√™ncia o conhecimento das rela√ß√Ķes causais est√° usualmente pouco desenvolvido, a mente humana cria seres ilus√≥rios mais ou menos semelhantes a si pr√≥pria de cujos desejos e actos dependem esses acontecimentos assustadores. Por isso, tentamos obter o favor destes seres realizando ac√ß√Ķes e oferecendo sacrif√≠cios que, de acordo com as tradi√ß√Ķes passadas de gera√ß√£o em gera√ß√£o, os tornam favor√°veis ou bem dispostos em rela√ß√£o aos mortais. Neste sentido, estou a falar de uma religi√£o do medo. Isto, apesar de n√£o ter sido criado, √© em alto grau estabilizado pela cria√ß√£o de uma casta sacerdotal especial que se institui a si mesma como mediadora entre as pessoas e os seres que elas receiam e ergue uma hegemonia assente nisso. Em muitos casos, um l√≠der, um governante ou uma classe privilegiada, cuja posi√ß√£o assenta noutros factores, combinam as fun√ß√Ķes sacerdotais com a sua autoridade secular, de modo a garantirem mais firmemente a primeira, ou os governantes pol√≠ticos e a casta sacerdotal defendem a mesma causa para defenderem os pr√≥prios interesses.

Novos Valores para a Sociedade

Se pensarmos na nossa vida e na nossa actua√ß√£o, em breve notaremos que quase todas as nossas aspira√ß√Ķes e ac√ß√Ķes est√£o ligadas √† exist√™ncia de outros homens. Reparamos que, em toda a nossa maneira de ser, somos semelhantes aos animais que vivem em comum. Comemos os alimentos produzidos por outros homens, usamos vestu√°rio que outros homens fabricaram e habitamos casas que outros constru√≠ram. A maior parte das coisas que sabemos e em que acreditamos foi-nos transmitida por outros homens, por meio duma linguagem que outros criaram. A nossa faculdade mental seria muito pobre e muito semelhante √† dos animais superiores se n√£o existisse a linguagem, de modo que teremos de concordar que, aquilo que nos distingue em primeiro lugar dos animais, o devemos √† nossa vida na comunidade humana. O homem isolado ‚ÄĒ entregue a si desde o nascimento ‚ÄĒ manter-se-ia, na sua maneira de pensar e de sentir, primitivo como um animal, dum modo que dificilmente podemos imaginar. O que cada um √© e significa, n√£o o √© t√£o-s√≤mente como ser isolado, mas como membro duma grande comunidade humana, que determina a sua exist√™ncia material e espiritual desde o nascimento √† morte.
Aquilo que um homem leva para a sua comunidade depende,

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Religião Cósmica

√Č muito dif√≠cil transmitir este sentimento a algu√©m completamente desprovido dele, especialmente porque n√£o lhe corresponde qualquer concep√ß√£o antropom√≥rfica de Deus.
Os g√©nios religiosos de todos os tempos distinguiram-se por possu√≠rem este tipo de sentimento religioso, que n√£o reconhece nenhum dogma nem nenhum deus concebido √† imagem do homem; por isso n√£o pode existir nenhuma igreja cujos ensinamentos centrais se baseiem nele. Logo, √© precisamente entre os her√©ticos de todos os tempos que encontramos homens cheios deste tipo de sentimento religioso e que foram olhados em muitos casos pelos seus contempor√Ęneos como ateus, por vezes tamb√©m como santos. A esta luz, homens como Dem√≥crito, Francisco de Assis e Spinoza s√£o muito parecidos entre si.
Como pode o sentimento religioso cósmico ser comunicado por uma pessoa a outra se não conduz a nenhuma noção definida de Deus e a nenhuma teologia? Na minha perspectiva, a função mais importante da arte e da ciência consiste em despertar e manter vivo este sentimento em todos os que sejam receptivos a ele.
Chegamos deste modo a uma concep√ß√£o da rela√ß√£o entre ci√™ncia e religi√£o muito diferente da habitual. Quando consideramos o assunto de um ponto de vista hist√≥rico, somos levados a olhar para a ci√™ncia e para a religi√£o como antagonistas irreconcili√°veis e por raz√Ķes bastante √≥bvias.

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O Aspecto Mais Grave da Segregação

Parece ser facto geral, que as minorias ‚ÄĒ em especial aquelas cujos indiv√≠duos t√™m caracter√≠sticas f√≠sicas diferentes ‚ÄĒ sejam tratadas pelas maiorias, entre as quais vivem, como classes humanas inferiores. O que este destino tem de tr√°gico n√£o reside apenas no preju√≠zo que naturalmente adv√©m para essas minorias sob o aspecto econ√≥mico e social, mas tamb√©m ao facto de os indiv√≠duos, vivendo nestas condi√ß√Ķes, se renderem geralmente ‚ÄĒ devido √† influ√™ncia sugestiva da maioria ‚ÄĒ√†quele preconceito sobre o seu valor, e acabarem considerando os seus semelhantes como inferiores. Esta segunda parte e a mais grave do mal, pode ser suprimida por uma mais estreita uni√£o e por uma educa√ß√£o deliberadamente esclarecida da minoria, para assim se conseguir a liberta√ß√£o espiritual da mesma.

A Falsa Sabedoria Política

√Č reduzido o n√ļmero daqueles que v√™em com os seus pr√≥prios olhos e sentem com o pr√≥prio cora√ß√£o. Mas da sua for√ßa depender√° que os homens tendam ou n√£o a cair no estado amorfo para onde parece caminhar hoje uma multid√£o cega.
Quem dera que os povos vissem a tempo, quanto terão de sacrificar da sua liberdade para escapar à luta de todos contra todos! A força da consciência e do espírito internacional demonstrou ser demasiado fraca. Apresenta-se agora superficialmente enfraquecida para consentir a formação de pactos com os mais perigosos inimigos da civilização. Existe, assim, uma espécie de compromisso, criminoso para a Humanidade, embora o considerem como sabedoria política.
Não podemos desesperar dos homens, pois nós próprios somos homens.

Vencer o Mundo da Vida Banal

De in√≠cio creio, como Schopenhauer, que um dos motivos mais fortes conduzindo √† arte e √† ci√™ncia √© o desejo de evas√£o da exist√™ncia terra a terra com a sua aspereza dolorosa e o seu desolado vazio, de liberta√ß√£o das peias dos pr√≥prios desejos eternamente vol√ļveis. √Č uma for√ßa impelindo os que a ela s√£o sens√≠veis a sair da exist√™ncia pessoal para o mundo da contempla√ß√£o e da compreens√£o objectiva; esse motivo √© semelhante √† atrac√ß√£o, que leva o habitante da cidade irresistivelmente a sair do seu ambiente barulhento e confuso e procurar a paisagem calma dos altos montes, onde o olhar se espraia pelo ar tranquilo e puro e acaricia as linhas calmas, que parecem ter sido criadas para a eternidade. A esse motivo negativo, por√©m, alia-se outro positivo. O homem procura formar para si, de qualquer modo adequado, uma imagem simples e clara do Mundo e vencer assim o mundo da vida banal tentando substitu√≠-lo, at√© certo grau, por essa mesma imagem. √Č o que faz o pintor, o poeta, o fil√≥sofo especulativo e o cientista da natureza, cada um √† sua maneira. √Č dessa imagem e da sua conforma√ß√£o que ele faz o centro da sua vida afectiva,

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Quem Quiser Acabar com a Guerra

Quem quiser, de facto, acabar com a guerra tem que intervir resolutamente para que o Estado a que pertence renuncie a uma parte da sua soberania a favor de institui√ß√Ķes internacionais; deve estar pronto a submeter o pr√≥prio Estado, em caso de qualquer conflito, √† arbitragem dum Tribunal internacional; tem de intervir com toda a decis√£o para que todos os Estados procedam ao desarmamento, conforme est√° previsto at√© mesmo no desgra√ßado tratado de Versalhes; nenhum progresso poder√° esperar-se se n√£o for suprimida a educa√ß√£o militar e patri√≥tica ‚ÄĒ no sentido agressivo ‚ÄĒ do povo.
Nenhum outro acontecimento dos √ļltimos anos foi mais vergonhoso para os Estados actualmente mais considerados, que o malogro das anteriores confer√™ncias de desarmamento; pois esse malogro n√£o assenta apenas nas intrigas de estadistas ambiciosos e sem escr√ļpulos, mas tamb√©m na indiferen√ßa e falta de energia dos homens de todos os pa√≠ses. Se isto n√£o se modificar, destruiremos o que os nossos antepassados criaram de verdadeiramente valioso.

O Dinheiro Atrai o Egoísmo

Estou firmemente convencido de que nem todas as riquezas do Mundo poderiam fazer progredir a Humanidade, mesmo que se encontrassem na m√£o de um homem t√£o dedicado quanto poss√≠vel √† causa do progresso. S√≥ o exemplo dos grandes e dos puros pode conduzir a concep√ß√Ķes e feitos nobres. O dinheiro atrai o ego√≠smo e arrasta consigo o desejo irresist√≠vel de dar-lhe mau uso.