Passagens sobre Instrumento

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Frases sobre instrumento, poemas sobre instrumento e outras passagens sobre instrumento para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Raz√£o

A raz√£o √© a suprema uni√£o da consci√™ncia e da consci√™ncia de si, ou seja, do conhecimento de um objecto e do conhecimento de si. √Č a certeza de que as suas determina√ß√Ķes n√£o s√£o menos objectais, n√£o s√£o menos determina√ß√Ķes da ess√™ncia das coisas do que s√£o os nossos pr√≥prios pensamentos. √Č, num √ļnico e mesmo pensamento, ao mesmo tempo e ao mesmo t√≠tulo, certeza de si, isto √©, subjectividade, e ser, isto √©, objectividade.
(…) A raz√£o √© t√£o poderosa quanto ardilosa. O seu ardil consiste em geral nessa actividade mediadora que, deixando os objectos agirem uns sobre os outros conforme √† sua pr√≥pria natureza, sem se imiscuir directamente na sua ac√ß√£o rec√≠proca, consegue, contudo, atingir unicamente o objectivo a que se prop√Ķe.
(…) A Raz√£o governa o mundo e, consequentemente, governa e governou a hist√≥ria universal. Em rela√ß√£o a essa raz√£o universal e substancial, todo o resto √© subordinado e serve-lhe de instrumento e de meio. Ademais, essa Raz√£o √© imanente na realidade hist√≥rica, realiza-se nela e por ela. √Č a uni√£o do Universal existente em si e por si e do individual e do subjecitvo que constitui a √ļnica verdade.

A Vida Pessoal e a Vida Social

Na vida de cada homem h√° dois aspectos: a vida pessoal, tanto mais livre quanto mais restritos s√£o os seus interesses, e a vida geral, social, em que o homem obedece inevit√°velmente a leis prescritas.
O homem vive constantemente para si pr√≥prio, mas serve de instrumento inconsciente aos fins hist√≥ricos da humanidade. O acto realizado √© impar√°vel e, concordando, no tempo, com milh√Ķes de actos realizados por outros homens, adquire a sua import√Ęncia hist√≥rica. Tanto mais elevado √© o homem na escala social quanto mais ligado se encontra aos homens superiores, quanto mais poder tem sobre os outros, mais evidentes s√£o a predestina√ß√£o e a fatalidade de cada uma das suas ac√ß√Ķes.

Por que precisar√≠amos de amigos, se nunca tiv√©ssemos necessidade deles? Seriam as criaturas mais in√ļteis do mundo (…) e se assemelhariam a esses instrumentos agrad√°veis que permanecem nos estojos, guardando consigo as suas harmonias.

Vibra o Passado em Tudo o que Palpita

Vibra o passado em tudo o que palpita
qual dança em coração de bailarino
ao regressar j√° mudo o violino
e h√° nuvens sobre o bosque em que transita

À paz dos seres a morte em seu contínuo
crescer em ramos de coral incita
a bem da noite negra e infinita
ser um raro instrumento é seu destino:

O ceptro dos eleitos que n√£o cansam
o corpo que este tempo j√° n√£o quebra
é como a cruz que os astros quando avançam

sobre o sul traçam por medida e regra
Os deuses têm-no em suas mãos cativo
risível é quem eles mandam vivo.

Tradução de Vasco Graça Moura

Somos Traídos pela Nossa Própria Percepção e Experiência

Vemos muito bem que as coisas não se alojam em nós com a sua forma e essência, e não penetram em nós pela sua própria força e autoridade; porque, se assim fosse, recebê-las-íamos do mesmo modo: o vinho seria o mesmo na boca do doente e na boca do homem são. Quem tem os dedos gretados, ou que os tem entorpecidos, encontraria na lança ou na espada que maneja uma rigidez semelhante à que o outro encontra. Os objetos externos rendem-se então à nossa mercê; alojam-se em nós como nos apraz. Ora, se da nossa parte recebêssemos alguma coisa sem alteração, se as faculdades humanas fossem bastante capazes e firmes para apreender a verdade pelos nossos próprios meios, esses meios sendo comuns a todos os homens, essa verdade se transmitiria de mão em mão de um para outro. E pelo menos se encontraria uma coisa no mundo, entre tantas que há, que seria acreditada pelos homens por um consenso universal. Mas o facto de não se ver proposição alguma que não seja debatida e controversa entre nós, ou que não o possa ser, mostra bem que o nosso julgamento natural não apreende muito claramente aquilo que apreende; pois o meu julgamento não pode fazer com que isso seja aceite pelo julgamento do meu companheiro,

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C

Musas, canoras musas, este canto
Vós me inspirastes, vós meu tenro alento
Erguestes brandamente àquele assento
Que tanto, ó musas, prezo, adoro tanto.

L√°grimas tristes s√£o, m√°goas, e pranto,
Tudo o que entoa o m√ļsico instrumento;
Mas se o favor me dais, ao mundo atento
Em assunto maior farei espanto.

Se em campos n√£o pisados algum dia
Entra a ninfa, o pastor, a ovelha, o touro,
Efeitos s√£o da vossa melodia;

Que muito, ó musas, pois, que em fausto agouro
Cresçam do pátrio rio à margem fria
A imarcescível hera, o verde louro!

O olhar psicológico me impacientava e me impacienta, é um instrumento, é um instrumento que só transpassa.

O intelecto n√£o √© uma coisa s√©ria, nunca foi. √Č um instrumento para a gente brincar e s√≥.

O Gosto é a Causa da Aparência

O nosso engenho todo se esfor√ßa em p√īr as coisas numa perspectiva tal, que vistas de um certo modo, fiquem a parecer o que n√≥s queremos que elas sejam, e n√£o o que elas s√£o. A raz√£o √© como um instrumento lisonjeiro, por meio do qual vemos as coisas, grandes, ou pequenas, falsas, ou verdadeiras. O nosso pensamento n√£o se acomoda √†s coisas, acomoda-se ao nosso gosto. O amor, a vaidade, e o interesse s√£o os moldes em que as coisas se formam, e se configuram para se apresentarem a n√≥s; e com efeito nenhuma coisa se nos mostra como √©, contra a nossa vontade.

Ode Marcial

In√ļmero rio sem √°gua ‚ÄĒ s√≥ gente e coisa,
Pavorosamente sem √°gua!

Soam tambores longínquos no meu ouvido
E eu não sei se vejo o rio se ouço os tambores,
Como se n√£o pudesse ouvir e ver ao mesmo tempo
Helahoho! Helahoho!

A m√°quina de costura da pobre vi√ļva morta √† baioneta…
Ela cosia √† tarde indeterminadamente…
A mesa onde jogavam os velhos,

Tudo misturado, tudo misturtado com os corpos, com sangues,
Tudo um só rio, uma só onda, um só arrastado horror

Helahoho! Helahoho!

Desenterrei o comboio de lata da criança calcado no meio da estrada,
E chorei como todas as m√£es do mundo sobre o horror da vida.
Os meus p√©s pante√≠stas trope√ßaram na m√°quina de costura da vi√ļva que mataram √† baioneta
E esse pobre instrumento de paz meteu uma lança no meu coração

Sim, fui eu o culpado de tudo, fui eu o soldado todos eles
Que matou, violou, queimou e quebrou,
Fui eu e a minha vergonha e o meu remorso com uma sombra disforme
Passeiam por todo o mundo como Ashavero,

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O Conflito entre o Conhecimento e a Fé

Durante o √ļltimo s√©culo, e parte do s√©culo anterior, era largamente aceite a exist√™ncia de um conflito irreconcili√°vel entre o conhecimento e a f√©. Entre as mentes mais avan√ßadas prevaleceu a opini√£o de que estava na altura de a f√© ser substitu√≠da gradualmente pelo conhecimento; a f√© que n√£o assentasse no conhecimento era supersti√ß√£o e como tal deveria ser reprimida (…)
O ponto fraco desta concep√ß√£o √©, contudo, o de que aquelas convic√ß√Ķes que s√£o necess√°rias e determinantes para a nossa conduta e julgamentos n√£o se encontram unicamente ao longo deste s√≥lido percurso cient√≠fico. Porque o m√©todo cient√≠fico apenas pode ensinar-nos como os factos se relacionam, e s√£o condicionados, uns com os outros. A aspira√ß√£o a semelhante conhecimento objectivo pertence ao que de mais elevado o homem √© capaz, e ningu√©m suspeitar√° certamente de que desejo minimizar os resultados e os esfor√ßos her√≥icos do homem nesta esfera. Por√©m, √© igualmente claro que o conhecimento do que √© n√£o abre directamente a porta para o que deveria ser. Podemos ter o mais claro e mais completo conhecimento do que √© e, contudo, n√£o ser capazes de deduzir da√≠ qual deveria ser o objectivo das nossas aspira√ß√Ķes humanas. O conhecimento objectivo fornece-nos instrumentos poderosos para a realiza√ß√£o de determinados fins,

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O Apaixonado

Luas, marfins, instrumentos e rosas,
Tra√ßos de D√ļrer, lampi√Ķes austeros,
Nove algarismos e o cambiante zero,
Devo fingir que existem essas coisas.

Fingir que no passado aconteceram
Persépolis e Roma e que uma areia
Subtil mediu a sorte dessa ameia
Que os séculos de ferro desfizeram.

Devo fingir as armas e a pira
Da epopeia e os pesados mares
Que corroem da terra os v√£os pilares.

Devo fingir que h√° outros. √Č mentira.
Só tu existes. Minha desventura,
Minha ventura, inesgot√°vel, pura.

Tradução de Fernando Pinto do Amaral

A Armadilha da Identidade

A mais perigosa armadilha é aquela que possui a aparência de uma ferramenta de emancipação. Uma dessas ciladas é a ideia de que nós, seres humanos, possuímos uma identidade essencial: somos o que somos porque estamos geneticamente programados. Ser-se mulher, homem, branco, negro, velho ou criança, ser-se doente ou infeliz, tudo isso surge como condição inscrita no ADN. Essas categorias parecem provir apenas da Natureza. A nossa existência resultaria, assim, apenas de uma leitura de um código de bases e nucleótidos.

Esta biologização da identidade é uma capciosa armadilha. Simone de Beauvoir disse: a verdadeira natureza humana é não ter natureza nenhuma. Com isso ela combatia a ideia estereotipada da identidade. Aquilo que somos não é o simples cumprir de um destino programado nos cromossomas, mas a realização de um ser que se constrói em trocas com os outros e com a realidade envolvente.

A imensa felicidade que a escrita me deu foi a de poder viajar por entre categorias existenciais. Na realidade, de pouco vale a leitura se ela n√£o nos fizer transitar de vidas. De pouco vale escrever ou ler se n√£o nos deixarmos dissolver por outras identidades e n√£o reacordarmos em outros corpos,

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