Cita√ß√Ķes sobre Instrumento

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Frases sobre instrumento, poemas sobre instrumento e outras cita√ß√Ķes sobre instrumento para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os Vestidos Elisa Revolvia

Os vestidos Elisa revolvia
que lh’Eneias deixara por mem√≥ria:
doces despojos da passada glória,
doces, quando seu Fado o consentia.

Entr’eles a fermosa espada via
que instrumento foi da triste história;
e, como quem de si tinha a vitória,
falando só com ela, assi dezia:

-Fermosa e nova espada, se ficaste
só para executares os enganos
de quem te quis deixar, em minha vida,

Sabe que tu comigo t’enganaste;
que, para me tirar de tantos danos,
sobeja me a tristeza da partida.

O Mal só nos Afecta na Medida em que o Deixarmos

Os homens (diz uma antiga máxima grega) são atormentados pelas ideias que têm das coisas, e não pelas próprias coisas. Haveria um grande ponto ganho para o alívio da nossa miserável condição humana se pudéssemos estabelecer essa asserção como totalmente verdadeira. Pois, se os males só entraram em nós pelo nosso julgamento, parece que está em nosso poder desprezá-los ou transformá-los em bem. Se as coisas se entregam à nossa mercê, por que não dispomos delas ou não as moldarmos para vantagem nossa? Se o que denominamos mal e tormento não é nem mal nem tormento por si mesmo, mas somente porque a nossa imaginação lhe dá essa qualidade, está em nós mudá-la. E, tendo essa escolha, se nada nos força, somos extraordinariamente loucos de bandear para o partido que nos é o mais penoso e dar às doenças, à indigência e ao desvalor um gosto acre e mau, se lhes podemos dar um gosto bom e se, a fortuna fornecendo simplesmente a matéria, cabe a nós dar-lhe a forma.
Porém vejamos se é possível sustentar que aquilo que denominamos por mal não o é em si mesmo, ou pelo menos que, seja ele qual for, depende de nós dar-lhe outro sabor e outro aspecto,

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Eu n√£o Sou de Ferro

Nize, eu n√£o sou de ferro, e atenuado,
Ainda que o fora, o uso me teria;
Porque enfim do trabalho na porfia
Se consome o metal mais obstinado.

Instrumento não há tão reforçado,
Que resista do tempo à bataria:
Gasta o martelo a safra, e a terra fria
Pouco a pouco consome o curvo arado.

Tudo assim é: o amor o mais ardente,
No contínuo incêndio se evapora;
E o mesmo me acontece ultimamente.

Outro procura pois; e te melhora
De amante, ou mais afouto, ou mais valente;
Que eu j√° n√£o posso mais; fica-te embora.

O Intelecto Como Auxiliar da Felicidade

A filosofia tem de admitir que n√£o √© nela, mas sim na vida, que o homem deve encontrar as suas maiores satisfa√ß√Ķes; n√£o na biblioteca ou na cela mon√°stica, mas na satisfa√ß√£o dos seus instintos mais antigos. A felicidade √© inconsciente; s√≥ nos bafeja quando somos naturais; se nos detemos a analis√°-la, desaparece, porque n√£o √© natural determo-nos a analisar uma coisa. Se o intelecto contribui para a felicidade n√£o o faz como fonte prim√°ria, mas sim como meio de coordena√ß√£o, como instrumento harmonizador dos desejos. Neste sentido o intelecto pode ser um precioso auxiliar; e de contr√°rio de nada valeria realizarmos todos os nossos fins, porque os desejos cancelar-se-iam uns aos outros, dando como resultado uma triste futilidade.

A Mocidade Prop√Ķe, a Maturidade Disp√Ķe

√Č fun√ß√£o da mocidade ser profundamente sens√≠vel √†s novas ideias como instrumentos r√°pidos para dominar o meio; e √© fun√ß√£o da idade madura opor-se tenazmente a essas ideias ; isso faz com que as inova√ß√Ķes fiquem em experi√™ncia por algum tempo antes que a sociedade as ponha em pr√°tica. A maturidade atenua as ideias novas, redu-las de modo a caberem dentro da possibilidade ou a que s√≥ se realizem em parte. A mocidade prop√Ķe, a maturidade disp√Ķe, a velhice op√Ķe-se. A mocidade domina nos per√≠odos revolucion√°rios; a maturidade, nos per√≠odos de reconstru√ß√£o; a velhice, nos per√≠odos de estagna√ß√£o. ¬ęD√°-se com os homens¬Ľ, diz Nietzsche, ¬ęo mesmo que com as carvoarias na floresta. S√≥ depois que a mocidade se carboniza √© que se torna utiliz√°vel. Enquanto est√° a arder ser√° muito interessante, mas inc√≥moda e in√ļtil.¬Ľ

A Disposição da Razão

N√£o s√£o apenas as febres, as beberagens e os grandes infort√ļnios que abatem o nosso julgamento; as menores coisas do mundo o transtornam. E n√£o se deve duvidar, ainda que n√£o o sent√≠ssemos, que, se a febre cont√≠nua pode arrasar a nossa alma, a ter√ß√£ tamb√©m lhe cause alguma altera√ß√£o de acordo com o seu ritmo e propor√ß√£o. Se a apoplexia entorpece e extingue totalmente a vis√£o da nossa intelig√™ncia, n√£o se deve duvidar que a coriza a ofusque; e consequentemente mal podemos encontrar uma √ļnica hora da vida em que o nosso julgamento esteja na sua devida disposi√ß√£o, estando o nosso corpo sujeito a tantas muta√ß√Ķes cont√≠nuas e guarnecido de tantos tipos de recursos que (acredito nos m√©dicos) √© muito dif√≠cil que n√£o haja sempre algum deles andando torto.
De resto, essa doença não se revela tão facilmente se não for totalmente extrema e irremediável, pois a razão segue sempre em frente, mesmo torta, mesmo manca, mesmo desancada, tanto com a mentira como com a verdade. Assim, é difícil descobrir-lhe o erro e o desarranjo. Chamo sempre de razão essa aparência de raciocínio que cada qual forja em si Рessa razão por cuja condição pode haver cem raciocínios contrários em torno de um mesmo assunto,

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O homem olímpico não ignora o seu contrário, não foge à sua dor: utiliza-a como a um instrumento de perfeição.

LVI

Tu, ninfa, quando eu menos penetrado
Das violências de Amor vivia isento,
Propondo-te ent√£o bela a meu tormento,
Foste doce ocasi√£o de meu cuidado.

Roubaste o meu sossego, um doce agrado,
Um gesto lindo, um brando acolhimento
Foram somente o √ļnico instrumento,
Com que deixaste o triunfo assegurado.

J√° n√£o espero ter felicidade,
Salvo se for aquela, que confio,
Por amar-te, apesar dessa impiedade.

Em prêmio dos suspiros, que te envio,
Ou modera o rigor da crueldade,
Ou torna-me outra vez meu alvedrio.

A Preguiça como Obstáculo à Liberdade

A pregui√ßa e a cobardia s√£o as causas por que os homens em t√£o grande parte, ap√≥s a natureza os ter h√° muito libertado do controlo alheio, continuem, no entanto, de boa vontade menores durante toda a vida; e tamb√©m por que a outros se torna t√£o f√°cil assumirem-se como seus tutores. √Č t√£o c√≥modo ser menor.
Se eu tiver um livro que tem entendimento por mim, um director espiritual que tem em minha vez consciência moral, um médico que por mim decide da dieta, etc., então não preciso de eu próprio me esforçar. Não me é forçoso pensar, quando posso simplesmente pagar; outros empreenderão por mim essa tarefa aborrecida. Porque a imensa maioria dos homens (inclusive todo o belo sexo) considera a passagem à maioridade difícil e também muito perigosa é que os tutores de boa vontade tomaram a seu cargo a superintendência deles. Depois de, primeiro, terem embrutecido os seus animais domésticos e evitado cuidadosamente que estas criaturas pacíficas ousassem dar um passo para fora da carroça em que as encerraram, mostram-lhes em seguida o perigo que as ameaça, se tentarem andar sozinhas. Ora, este perigo não é assim tão grande, pois aprenderiam por fim muito bem a andar.

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Nada Pior que a Frivolidade

A frivolidade, meu amigo, aniquila os homens que a ela se apegam; talvez n√£o haja v√≠cio que n√£o se deva preferir a ela, pois ainda √© melhor ser vicioso do que n√£o ser nada. O nada est√° abaixo do tudo, o nada √© o maior dos v√≠cios; e que n√£o me diga que √© ser alguma coisa o ser fr√≠volo: √© n√£o ser nem para a virtude, nem para a gl√≥ria, nem para a raz√£o, nem para os prazeres apaixonados. Direis talvez: gosto mais de um homem nulo para qualquer vitude do que daquele que s√≥ existe para o v√≠cio. Eu vos responderei: aquele que √© nulo para a virtude n√£o est√° por isso livre dos v√≠cios; ele pratica o mal por leviandade e por fraqueza; ele √© o instrumento dos maus que t√™m mais g√©nio. Ele √© menos perigoso do que um homem seriamente empenhado no mal, isso √© poss√≠vel; mas ser√° necess√°rio ser grato ao gavi√£o por ele s√≥ destruir os insectos e por ele n√£o destruir os rebanhos e os campos como os le√Ķes e as √°guias? Um homem corajoso e dotado de sabedoria n√£o teme um homem mau; mas n√£o pode impedir-se de desprezar um homem fr√≠volo.

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A vida √© como um instrumento de m√ļsica; tem de se elev√°-la e libert√°-la para a tornar agrad√°vel.

O Cerimonial das M√£os

M√£e, onde foi que deixaste a outra metade,
a que anunciava o sol na turvação das noites,
a que iluminava a sombra no cerimonial das m√£os?
Em que c√īncavo de rochas buscava abrigo
essa outra metade que eu via projectada
para fora de mim como um sonho evadindo-se
do c√≠rculo de medos em que a f√ļria se jogava?
Eu era gémeo de todos os assombros
e os meus segredos era com essa outra metade
que os partilhava à revelia das bocas
que em surdina me traçavam o destino.
Quanto de mim se perdia nessa metade
que me furtava o riso e me deixava a culpa,
que me feria o ventre e me fustigava a pele?
Quanto de mim me flagelava
sem que eu lhe conhecesse morada ou nome?
Mãe, eu pedia uma trégua ao vento
e um punhal à chuva e com ambos queria
separar de mim a metade incandescente
que à beira dos meus gestos
ganhava altura de nuvem e fulgor de estrela.
M√£e, eu vejo-me outro nesta cama
que guarda os instrumentos liquefeitos da insónia
e sei que n√£o sou eu quem l√° est√°,

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Fazer os Sonhos Levantarem Voo

Alguns sonhos são belos, outros poéticos; uns realizáveis, outros difíceis de serem concretizados; uns envolvem uma pessoa, outros, a sociedade; uns possuem rotas claras, outros, curvas imprevisíveis; uns são rapidamente produzidos, outros precisam de anos de maturação.

H√° muitos tipos de sonhos. Sonho de se apaixonar por algu√©m, de gerar filhos ou conquistar amigos. Sonho de tirar um curso, ter uma empresa, ter sucesso financeiro para si e para ajudar os outros. Sonho de ter sa√ļde f√≠sica e ps√≠quica, de ter paz interior e de viver intensamente cada momento da vida.
Sonho de ser um cientista, um m√©dico, um educador, um empres√°rio, um empreendedor, um profissional que fa√ßa a diferen√ßa. Sonho de viajar pelo mundo, de pintar quadros, escrever um livro, ser √ļtil ao pr√≥ximo. Sonho de aprender a tocar um instrumento, praticar desportos, bater recordes.

Muitos enterram os seus sonhos nos escombros dos seus problemas. Alguns soldados nunca mais foram motivados para a vida depois de verem os seus colegas morrerem em combate.
Alguns oradores nunca mais recuperaram a sua seguran√ßa depois de terem um ataque de p√Ęnico em p√ļblico. Alguns desportistas n√£o conseguiram repetir a sua performance depois de fazerem uma cirurgia correctiva ou serem apanhados no controlo antidoping.

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Palavras Gastas pelo Mau Uso

Diz-me se essa palavra a√≠ n√£o est√° singularmente vestida e poder√°s ver todas as minhas nuas antes das coisas que medito as terem coberto com uma libr√©. √Č uma vergonha que a maior parte das nossas palavras sejam instrumentos de que se fez, outrora, mau uso e que, muitas vezes, conservem o cheiro da imund√≠cie em que as emporcalharam os anteriores propriet√°rios. Quero trabalhar com palavras novas ou ent√£o – tenho necessidade para isso de menor ar do que uma ave exala nos seus cantos – nunca mais falar, a n√£o ser de mim para mim, por toda a eternidade.