A ociosa espada sonha com suas batalhas. Outro é meu sonho.
Passagens de Jorge Luis Borges
126 resultadosEm vão espero as desintegrações e os símbolos que precedem ao sonho
Sobre pedra não se edifica nada. Sobre areia, tudo. É nosso dever edificar como se areia fosse pedra.
Há aqueles que não podem imaginar o mundo sem pássaros; Há aqueles que não podem imaginar o mundo sem água; Ao que me refere, sou incapaz de imaginar um mundo sem livros.
Em Memória de Angélica
Quantas vidas possíveis já descansam
Nesta bem pobre e diminuta morte,
Quantas vidas possíveis que outra sorte
Daria ao esquecimento ou à lembrança!Quando eu morrer, morrerá um passado;
Com esta flor, morreu só um futuro
Nas águas que o ignoram, o mais puro
Porvir hoje pios astros arrasado.Eu, como ela, morro em infinitos
Destinos que já não me oferece o acaso;
Procura a minha sombra os gastos mitosDe uma pátria que sempre deu a face.
Um breve mármore diz a sua memória;
Sobre nós todos cresce, atroz, a história.
Penso que as Palavras essenciais que me expressam se encontram nessas folhas que nem sabem quem sou.
Não cultivei minha fama, que será efêmera.
Sob o alpendre o espelho copia somente a lua.
Chega-se a ser grande por aquilo que se lê e não por aquilo que se escreve.
A morte é uma vida vivida. A vida é uma morte que vem.
A natureza é esse belo mistério que nem a psicologia nem a retórica decifram.
O Cúmplice
Crucificam-me e eu tenho de ser a cruz e os pregos.
Estendem-me a taça e eu tenho de ser a cicuta.
Enganam-me e eu tenho de ser a mentira.
Incendeiam-me e eu tenho de ser o inferno.
Tenho de louvar e de agradecer cada instante do tempo.
O meu alimento é todas as coisas.
O peso exacto do universo, a humilhação, o júbilo.
Tenho de justificar o que me fere.
Não importa a minha felicidade ou infelicidade.
Sou o poeta.Tradução de Fernando Pinto do Amaral
Crer no amor é ter fé num deus falível
Somos todos semelhantes à imagem que os outros têm de nós.
Cometi o pior dos pecados que um homem pode cometer. Não fui feliz.
Não és os Outros
Não há-de te salvar o que deixaram
Escrito aqueles que o teu medo implora;
Não és os outros e encontras-te agora
No meio do labirinto que tramaramTeus passos. Não te salva a agonia
De Jesus ou de Sócrates ou o forte
Siddharta de ouro que aceitou a morte
Naquele jardim, ao declinar o dia.Também é pó cada palavra escrita
Por tua mão ou o verbo pronunciado
Pela boca. Não há pena no FadoE a noite de Deus é infinita.
Tua matéria é o tempo, o incessante
Tempo. E és cada solitário instante.Tradução de Fernando Pinto do Amaral
Todos os caminhos levam à morte. Perca-se
Todos é uma abstração e cada um é verdadeiro.
Enquanto dura o remorso, dura a culpa.
Sou um homem de letras, nada mais. Não estou certo de ter pensado nada de original em minha vida. Sou um fazedor de sonhos.