Textos sobre Fraqueza

95 resultados
Textos de fraqueza escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Saber Lidar com as Inj√ļrias

Se o pr√≥prio Epicuro, que tanto cedeu ao corpo, se insurgiu contra as inj√ļrias, porque h√£o-de nos parecer estas coisas incr√≠veis ou sobre-humanas? Epicuro disse que, para o s√°bio, as inj√ļrias s√£o toler√°veis; n√≥s dizemos que, para o s√°bio, n√£o h√° inj√ļrias. E n√£o digas que isto √© estar em desacordo com a natureza: n√£o negamos que seja desagrad√°vel ser fustigado, agredido ou ficar privado de um membro, mas negamos que estas coisas sejam inj√ļrias; n√£o contestamos o car√°cter doloroso, mas sim o nome de ¬ęinj√ļria¬Ľ, o qual n√£o podemos aceitar sem faltar √† virtude. Veremos qual das duas doutrinas √© mais verdadeira; mas, de qualquer forma, ambas desprezam a inj√ļria.
Queres saber qual a diferen√ßa entre elas? √Č a mesma que existe entre dois gladiadores intr√©pidos: um que comprime a ferida e mant√©m-se em posi√ß√£o, o outro, virando-se para o p√ļblico clamoroso, faz sinal de que nada se passou e pede para que n√£o se pare o combate. N√£o julgues que aquilo em que discordamos √© importante: no que diz respeito ao ponto principal, que √© aquele que nos interessa, as duas doutrinas encorajam a desprezar as inj√ļrias e o que eu chamaria sombras das inj√ļrias e suspei√ß√Ķes,

Continue lendo…

Forças Constantes e Imutáveis Através da História

O uso da hist√≥ria n√£o traz surpresas. Ele (o historiador) j√° viu tudo. Sabe que for√ßas constantes e imut√°veis ir√£o resistir √† verdade e ao prop√≥sito superior. Qual a fraqueza, divis√£o, excesso que ir√° prejudicar a causa superior. A espl√™ndida plausibilidade do erro, o inebriante poder de atrac√ß√£o do pecado. E por for√ßa de que adapta√ß√£o a motiva√ß√Ķes inferiores as boas causas s√£o bem sucedidas […] A hist√≥ria n√£o √© uma teia tecida por m√£os inocentes. Entre todas as causas que degradam e desmoralizam os homens, o poder √© o mais constante e activo.

N√£o h√° Felicidade Solit√°ria

√Č a fraqueza do homem que o torna soci√°vel; s√£o as nossas mi¬≠s√©rias comuns que levam os nossos cora√ß√Ķes a interessar-se pela humanidade: n√£o lhe dever√≠amos nada, se n√£o f√īssemos homens. Todos os afectos s√£o ind√≠cios de insufici√™ncia: se cada um de n√≥s n√£o tivesse necessidade dos outros, nunca pensaria em unir-se a eles. Assim, da nossa pr√≥pria enfermidade, nasce a nossa fr√°gil fe¬≠licidade. Um ser verdadeiramente feliz √© um ser solit√°rio; s√≥ Deus goza de uma felicidade absoluta; mas qual de n√≥s faz uma ideia do que isso seja? Se algum ser imperfeito se pudesse bastar a si mes¬≠mo, de que desfrutaria ele, na nossa opini√£o? Estaria s√≥, seria mi¬≠ser√°vel. N√£o posso acreditar que aquele que n√£o precisa de nada possa amar alguma coisa: n√£o acredito que aquele que n√£o ama na¬≠da se possa sentir feliz.

Perdoar e Esquecer

Perdoar e esquecer equivale a jogar pela janela experi√™ncias adquiridas com muito custo. Se uma pessoa com quem temos liga√ß√£o ou conv√≠vio nos faz algo de desagrad√°vel ou irritante, temos apenas de nos perguntar se ela nos √© ou n√£o valiosa o suficiente para aceitarmos que repita segunda vez e com frequ√™ncia semelhante tratamento, e at√© de maneira mais grave. Em caso afirmativo, n√£o h√° muito a dizer, porque falar ajuda pouco. Temos, portanto, de deixar passar essa ofensa, com ou sem reprimenda; todavia, devemos saber que agindo assim estaremos a expor-nos √† sua repeti√ß√£o. Em caso negativo, temos de romper de modo imediato e definitivo com o valioso amigo ou, se for um servente, dispens√°-lo. Pois, quando a situa√ß√£o se repetir, ser√° inevit√°vel que ele fa√ßa exactamente a mesma coisa, ou algo inteiramente an√°logo, apesar de, nesse momento, nos assegurar o contr√°rio de modo profundo e sincero. Pode-se esquecer tudo, tudo, menos a si mesmo, menos o pr√≥prio ser, pois o car√°cter √© absolutamente incorrig√≠vel e todas as ac√ß√Ķes humanas brotam de um princ√≠pio √≠ntimo, em virtude do qual, o homem, em circunst√Ęncias iguais, tem sempre de fazer o mesmo, e n√£o o que √© diferente. (…) Por conseguinte,

Continue lendo…

Bem Supremo e Raz√£o

Quando a experi√™ncia me ensinou que os acontecimentos ordin√°rios da vida s√£o f√ļteis e v√£os e me apercebi de que tudo que era para mim causa ou objecto de receio n√£o tem em si mesmo nada de bom ou de mau, a n√£o ser na medida da como√ß√£o que excita na alma, resolvi, finalmente, indagar se existia um bem verdadeiro e suscept√≠vel de se comunicar, qualquer coisa enfim cuja descoberta e posse me trouxessem para sempre um j√ļbilo continuo e soberano.
(…) O que nos ocupa mais frequentemente na vida e que os homens, como pode concluir-se dos seus actos, consideram ser o bem supremo pode reduzir-se a três coisas: riqueza, fama, prazer dos sentidos.
Ora cada um deles distrai o espírito de tal modo que mal pode pensar noutro bem. (…)
РPelo prazer sensual se detém a alma como se repousasse num bem verdadeiro, o que a impede em absoluto de pensar noutra coisa; após o prazer vem a extrema tristeza, que, se não suspende o pensamento, perturba e embota. A busca da fama e da riqueza não absorve menos o espírito, sobretudo quando a riqueza é desejada por si mesma, conferindo-lhe, então, a categoria de bem supremo.

Continue lendo…

Lutar Contra as Adversidades

Depois dos bons momentos… v√™m sempre os piores. O encontro com o mais belo da exist√™ncia n√£o anula a nossa fragilidade. Mais uma vez, ca√≠mos. Mais uma vez, experimentamos a derrota, sentimos que n√£o somos t√£o importantes quanto julg√°vamos, nem, t√£o-pouco, nada de extraordin√°rio. Estamos, mais uma vez, no ch√£o. Encolhidos. Como no ventre da nossa m√£e.

A fraqueza acumulada √© uma adversidade brutal. N√£o √© apenas necess√°rio lutar contra o que temos por diante, temos de combater tamb√©m as derrotas das lutas anteriores, todas as dores, cicatrizes e feridas abertas… todas as perdas.

O que faz à vontade o sofrimento recorrente? Aumenta a tentação de ceder ao mal. Como se fosse natural habituarmo-nos mais aos vícios do que às virtudes.

A cada passo o caminho se torna mais longo…

Sofremos o que n√£o merecemos. Mas a tristeza s√≥ √© absurda quando n√£o se sabe por que se luta… enquanto n√£o se consegue ver sentido algum na dor…

Há homens e mulheres que, longe dos olhares alheios, lutam contra adversidades enormes, que alguns imaginam impossíveis. Lutam, sofrem e erguem-se, apesar de tudo.

A sua vontade de viver e sorrir é maior do que a de desistir e chorar.

Continue lendo…

A Lamenta√ß√£o √© Completamente In√ļtil

N√£o h√° d√ļvida de que √© in√ļtil e prejudicial lamentarmo-nos perante o mundo. Resta saber se n√£o √© igualmente in√ļtil e prejudicial lamentarmo-nos perante n√≥s pr√≥prios. Evidentemente. De facto, ningu√©m se lamentar√° perante si pr√≥prio, a fim de se incitar √† piedade, o que nada significaria, dado que a piedade √©, por defini√ß√£o, o voluptuso encontro de dois esp√≠ritos. Para qu√™, ent√£o? N√£o para obter favores, porque o √ļnico favor que um esp√≠rito pode fazer a si pr√≥prio √© conceder-se indulg√™ncia, e toda a gente percebe quanto √© prejudicial que a vontade seja indulgente para com a sua pr√≥pria e lament√°vel fraqueza.
Resta a hipótese de o fazermos para extrair verdades do nosso coração amolecido pela ternura. Mas a experiência ensina que as verdades surgem apenas em virtude de uma pacata e severa busca, que surpreende a consciência numa atitude inesperada e a vê, como de um filme que parasse de repente, estupefacta, mas não emocionada.
Basta, portanto.

A Necessidade de Conversar

Nos jornais, em conversas, no escrit√≥rio, a impetuosidade da linguagem leva por vezes uma pessoa a perder-se, da√≠ a esperan√ßa, que salta da fraqueza tempor√°ria, de uma repentina e mais forte ilumina√ß√£o mesmo no momento seguinte, ou de uma forte confian√ßa em si pr√≥prio, ou mero desleixo, ou uma impress√£o forte e actual de que uma pessoa quer a todo o custo descarregar no futuro, portanto a opini√£o de que o verdadeiro entusiasmo no presente justifica toda e qualquer confus√£o futura, ou o deleite nas frases que se elevam no meio com um ou dois empurr√Ķes e que a pouco e pouco abrem completamente a boca mesmo que depois a deixem fechar com demasiada rapidez e tortuosidade, ou a leve possibilidade de um ju√≠zo claro e decisivo, ou o esfor√ßo para dar mais flu√™ncia ao discurso que realmente j√° acabou, ou o desejo de abandonar √† pressa o tema se assim tiver de ser, de rastos, ou o desespero que tenta encontrar uma sa√≠da para a sua pesada respira√ß√£o, ou o anseio por uma luz sem sombra ‚ÄĒ tudo isto pode levar uma pessoa a perder-se em frases como: ¬ęO livro que acabei agora mesmo √© o mais belo que jamais li¬Ľ ou ¬ę√© t√£o belo,

Continue lendo…

A Glória como Mira

Nem todos os homens nasceram para os grandes talentos; e n√£o creio que se possa olhar isso como uma desgra√ßa, pois que √© necess√°rio conservar todas as condi√ß√Ķes, e as artes mais necess√°rias n√£o s√£o as mais engenhosas, nem as mais prestigiadas. Mas o que importa, creio, √© que reina em todos esses estados uma gl√≥ria adequada ao m√©rito que eles solicitam. √Č o amor dessa gl√≥ria que os aperfei√ßoa, que torna os homens de todas as condi√ß√Ķes mais virtuosos, e que faz florescer os imp√©rios, como a experi√™ncia de todos os seculos o demonstra.
Essa glória, inferior à dos talentos mais elevados, não é menos justamente fundamentada; porque aquilo que é bom em si mesmo não pode ser anulado por aquilo que é melhor; o que é estimável pode perder a nossa estima, mas não pode sofrer decesso no seu ser; isso é visível.
Se existe então algum erro a esse respeito entre os homens, é quando procuram uma glória superior aos seus talentos, uma glória, por conseguinte, que engana os seus desejos e os faz negligenciar aquilo que realmente lhes cabe por natureza; que mantém, no entanto, o seu espírito acima da sua condição e os salva talvez de numerosas fraquezas.

Continue lendo…

A Audácia é Má no Conselho e boa na Execução

A aud√°cia √© filha da ignor√Ęncia e da rudeza, e muito inferior a todos os outros dons. Ela fascina, por√©m, atando-lhes os p√©s e as m√£os, aos que s√£o d√©beis de entendimento e falhos de coragem que formam a maioria; e prevalece at√© sobre os homens s√°bios nas horas da fraqueza. Por isso vemos que ela fez maravilhas nos Estados populares, menos do que nos governados por Senados ou por Pr√≠ncipes; e muito mais ao primeiro arranco das pessoas audaciosas, do que depois, porque a aud√°cia √© m√° cumpridora de promessas.
(…) Certamente aos homens de grande entendimento, os audacciosos d√£o um espect√°culo de muito gozo; e at√© mesmo para o vulgo, a aud√°cia n√£o deixa de ser rid√≠cula. Porque se o absurdo √© o fundamento do riso n√£o duvideis de que uma grande aud√°cia raramente existe sem absurdo.
(…) Deve ser bem considerado que a aud√°cia √© sempre cega, para n√£o ver os perigos e as inconveni√™ncias. Por isso ela √© m√° no conselho e boa na execu√ß√£o; para bem aproveitar e utilizar as pessoas audacciosas √© preciso que elas nunca estejam na chefia do comando, mas em segundo lugar, sob a direc√ß√£o de outros. Porque no conselho √© bom ver os perigos,

Continue lendo…

Os Fortes Aspiram a Separar-se e os Fracos a Unir-se

O crescimento da comunidade frutifica no indiv√≠duo um interesse novo que o aparta da sua pena pessoal, da sua avers√£o √† sua pr√≥pria pessoa. Todos os doentes aspiram instintivamente a organizar-se em rebanhos, o sacerdote asc√©tico adivinha este instinto e alenta-os onde quer que haja rebanhos, o instinto de fraqueza forma-os, a habilidade do sacerdote organiza-os. N√£o nos enganemos: os fortes aspiram a separar-se e os fracos a unir-se; se os primeiros se re√ļnem, √© para uma ac√ß√£o agressiva comum, que repugna muito √† consci√™ncia de cada qual; pelo contr√°rio, os √ļltimos unem-se pelo prazer que acham em unir-se; porque isto satisfaz o seu instinto, assim como irrita o instinto dos fortes. Toda a oligarquia envolve o desejo da tirania; treme continuamente por causa do esfor√ßo que cada um dos indiv√≠duos tem que fazer para dominar este desejo.

A Força Esmaga a Fraqueza

O desbarato mais absurdo n√£o √© o dos bens de consumo, mas o da humanidade: milh√Ķes e milh√Ķes de seres humanos nasceram para ser trucidados pela Hist√≥ria, milh√Ķes e milh√Ķes de pessoas que n√£o possu√≠am mais do que as suas simples vidas. De pouco ela lhes iria servir, mas nunca faltou quem de tais miu√ßalhas tivesse sabido aproveitar-se. A fraqueza alimenta a for√ßa para que a for√ßa esmague a fraqueza.

O Amor √©…

O amor √© o in√≠cio. O amor √© o meio. O amor √© o fim. O amor faz-te pensar, faz-te sofrer, faz-te agarrar o tempo, faz-te esquecer o tempo. O amor obriga-te a escolher, a separar, a rejeitar. O amor castiga-te. O amor compensa-te. O amor √© um pr√©mio e um castigo. O amor fere-te, o amor salva-te, o amor √© um farol e um naufr√°gio. O amor √© alegria. O amor √© tristeza. √Č ci√ļme, orgasmo, √™xtase. O n√≥s, o outro, a ci√™ncia da vida.
O amor é um pássaro. Uma armadilha. Uma fraqueza e uma força.
O amor √© uma inquieta√ß√£o, uma esperan√ßa, uma certeza, uma d√ļvida. O amor d√°-te asas, o amor derruba-te, o amor assusta-te, o amor promete-te, o amor vinga-te, o amor faz-te feliz.
O amor é um caos, o amor é uma ordem. O amor é um mágico. E um palhaço. E uma criança. O amor é um prisioneiro. E um guarda.
Uma sentença. O amor é um guerrilheiro. O amor comanda-te. O amor ordena-te. O amor rouba-te. O amor mata-te.
O amor lembra-te. O amor esquece-te. O amor respira-te. O amor sufoca-te. O amor é um sucesso. E um fracasso.

Continue lendo…

O Que Verdadeiramente Mata Portugal

O que verdadeiramente nos mata, o que torna esta conjuntura inquietadora, cheia de ang√ļstia, estrelada de luzes negras, quase lutuosa, √© a desconfian√ßa. O povo, simples e bom, n√£o confia nos homens que hoje t√£o espectaculosamente est√£o meneando a p√ļrpura de ministros; os ministros n√£o confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores n√£o confiam nos seus mandat√°rios, porque lhes bradam em v√£o: ¬ęSede honrados¬Ľ, e v√™em-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposi√ß√£o n√£o confiam uns nos outros e v√£o para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de amea√ßa. Esta desconfian√ßa perp√©tua leva √† confus√£o e √† indiferen√ßa. O estado de expectativa e de demora cansa os esp√≠ritos. N√£o se pressentem solu√ß√Ķes nem resultados definitivos: grandes torneios de palavras, discuss√Ķes aparatosas e sonoras; o pa√≠s, vendo os mesmos homens pisarem o solo pol√≠tico, os mesmos amea√ßos de fisco, a mesma gradativa decad√™ncia. A pol√≠tica, sem actos, sem factos, sem resultados, √© est√©ril e adormecedora.

Quando numa crise se protraem as discuss√Ķes, as an√°lises reflectidas, as lentas cogita√ß√Ķes, o povo n√£o tem garantias de melhoramento nem o pa√≠s esperan√ßas de salva√ß√£o.

Continue lendo…

A Democracia Política Conduz à Ineficiência e Fraqueza de Direcção

Os defeitos da democracia pol√≠tica como sistema de governo s√£o t√£o √≥bvios, e t√™m sido tantas vezes catalogados, que n√£o preciso mais do que resumi-los aqui. A democracia pol√≠tica foi criticada porque conduz √† inefici√™ncia e fraqueza de direc√ß√£o, porque permite aos homens menos desej√°veis obter o poder, porque fomenta a corrup√ß√£o. A inefici√™ncia e fraqueza da democracia pol√≠tica tornam-se mais aparentes nos momentos de crise, quando √© preciso tomar e cumprir decis√Ķes rapidamente. Averiguar e registar os desejos de muitos milh√Ķes de eleitores em poucas horas √© uma impossibilidade f√≠sica. Segue-se, portanto, que, numa crise, uma de duas coisas tem de acontecer: ou os governantes decidem apresentar o facto consumado da sua decis√£o aos eleitores – em cujo caso todo o princ√≠pio da democracia pol√≠tica ter√° sido tratado com o desprezo que em circunst√Ęncias cr√≠ticas ela merece; ou ent√£o o povo √© consultado e perde-se tempo, frequentemente, com consequ√™ncias fatais. Durante a guerra todos os beligerantes adoptaram o primeiro caminho. A democracia pol√≠tica foi em toda a parte temporariamente abolida. Um sistema de governo que necessita de ser abolido todas as vezes que surge um perigo, dificilmente se pode descrever como um sistema perfeito.

Vive Plenamente

Vê se consegues apanhar-te a lamentar-te, quer por palavras quer por pensamentos, por causa de determinada situação em que te encontres, do que as outras pessoas fazem ou dizem, do teu meio envolvente, da situação da tua vida, ou até mesmo por causa do tempo. Uma lamentação é sempre uma não aceitação daquilo que é. E traz invariavelmente consigo uma carga negativa inconsciente. Quando te lamentas, tu próprio te fazes de vítima. Quando elevas a voz, estás no teu poder. Por isso muda a situação tomando providências, levantando a voz se for necessário ou possível; deixa a situação ou aceita-a. Tudo o mais é loucura.

De certa forma, a inconsci√™ncia ordin√°ria est√° sempre ligada √† recusa do Agora. O Agora, evidentemente, tamb√©m significa o aqui. Est√°s a resistir ao teu aqui e agora? H√° pessoas que s√≥ est√£o bem onde n√£o est√£o. O seu “aqui” nunca √© suficientemente bom. Atrav√©s da auto-observa√ß√£o, v√™ se √© esse o teu caso. Estejas onde estiveres, est√° l√° plenamente. Se achares que o teu aqui e agora √© intoler√°vel e te deixa infeliz, tens tr√™s op√ß√Ķes √† escolha: ou te retiras da situa√ß√£o, ou a mudas, ou a aceitas totalmente. Se quiseres tomar a responsabilidade pela tua vida,

Continue lendo…

A Cultura Portuguesa e o Provincianismo

A cultura portuguesa tem um amor fatal pelo provincianismo. O provincianismo √© a forma mais ¬ęengag√©e¬Ľ de existir socialmente e literariamente. Da√≠ a impossibilidade, ou melhor, o medo de se realizar sequer um realismo a s√©rio, porquanto este exige uma descida ao inferno e n√£o vejo por a√≠ quem se atreva al√©m do purgat√≥rio. Fica-se assim na meia tinta do naturalismo, retratando quadros convencionais de uma sociedade provinciana onde, al√©m da j√° muito conhecida injusti√ßa social (repar√°vel pela economia e n√£o pela literatura), nada se capta que possa sugerir a simples viol√™ncia de se estar no mundo. Provincianismo chama-se ainda √†quela nossa atitude que toma muito a s√©rio ou, ainda, solenemente, tudo o que faz, tornando invi√°vel uma literatura que desmonte eficazmente a engrenagem humana e social pela incomplacente investida de um humor cruel. Houve recentes tentativas queirozianas para denunciar as fraquezas do meio. Conseguiu-se fazer realismo desta vez? Tamb√©m n√£o, porque se fez realismo de empr√©stimo, de segunda m√£o, colhido no ¬ędiz-se diz-se¬Ľ das esquinas. Escreveu-se razoavelmente m√°-l√≠ngua, mas n√£o se agitaram as pessoas e as institui√ß√Ķes de forma a tornar vis√≠vel o lodo depositado no fundo. Isto quanto aos que fazem profiss√£o de f√© de realismo social ou burgu√™s.

Continue lendo…

Apreciação Imparcial

H√° poucos indiv√≠duos a quem √© dado contemplar uma obra de arte como espectadores tranquilos; mas √© dif√≠cil encontrar um que seja capaz ou tenha a vontade, ao mesmo tempo que deixa a obra penetr√°-lo, e escuta as suas impress√Ķes ou as palavras de outro, de permanecer simples observador. Sem se dar conta disso, torna-se cr√≠tico, procurando mostrar a sua for√ßa de ju√≠zo, exercer o seu humor e avaliar a sua pr√≥pria pessoa.
O ing√©nuo f√°-lo inicialmente, √© certo, sem a menor inten√ß√£o mal√©vola; mas mesmo nele, as propriedades naturais do indiv√≠duo n√£o tardam a imp√īr os seus direitos – vaidade e pedantice, desejo de ser superior aos seus pr√≥prios olhos e aos olhos dos outros – de tal modo que depressa estar√° mais decidido a desvelar as fraquezas de uma obra do que a aceitar os seus lados positivos.

A Fraqueza Fundamental do Homem

A fraqueza fundamental do homem n√£o √© nada que ele n√£o possa vencer, desde que n√£o possa aproveitar com a vit√≥ria. A juventude vence tudo, a impostura, a ast√ļcia mais dissimulada, mas n√£o h√° ningu√©m que possa deter no voo a vit√≥ria, torn√°-la viva, porque ent√£o a juventude deixou de existir. A velhice n√£o ousa tocar na vit√≥ria e a nova juventude atormentada pelo novo ataque que se desencadeia imediatamente, deseja a sua pr√≥pria vit√≥ria. √Č assim que o Diabo sem cessar vencido, nunca √© aniquilado.