Textos sobre Inteligência

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Textos de inteligência escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Máximo de Tédio no Máximo de Civilização

Na Terra tudo vive – e s√≥ o homem sente a dor e a desilus√£o da vida. E tanto mais as sente, quanto mais alarga e acumula a obra dessa intelig√™ncia que o torna homem, e que o separa da restante Natureza, impensante e inerte. √Č no m√°ximo de civiliza√ß√£o que ele experimenta o m√°ximo de t√©dio. A sapi√™ncia, portanto, est√° em recuar at√© esse honesto m√≠nimo de civiliza√ß√£o, que consiste em ter um tecto de colmo, uma leira de terra e o gr√£o para nela semear.

O Verdadeiro Homem

√Č evidente que a natureza se preocupa bem pouco com o que o homem tem ou n√£o no esp√≠rito. O verdadeiro homem √© o homem selvagem, que se relaciona com a natureza tal como ela √©. Assim que o homem agu√ßa a sua intelig√™ncia, desenvolve as suas ideias e a forma de as exprimir, ou adquire novas necessidades, a natureza op√Ķe-se aos seus des√≠gnios em toda a linha. S√≥ lhe resta violent√°-la, continuamente. Ela, pelo seu lado, tamb√©m n√£o fica quieta. Se ele suspende por momentos o trabalho que se impusera, ela torna-se de novo dominadora, invade-o, devora-o, destr√≥i ou desfigura a sua obra; dir-se-ia que acolhe com impaci√™ncia as obras-primas da imagina√ß√£o e da per√≠cia do homem.

Que importam √† ronda das esta√ß√Ķes, ao curso dos astros, dos rios e dos ventos, o Part√©non, S√£o Pedro de Roma e tantas outras maravilhas da arte? Um tremor de terra ou a lava de um vulc√£o reduzem-nos a nada; os p√°ssaros far√£o os seus ninhos nas suas ru√≠nas; os animais selvagens ir√£o buscar os ossos dos construtores aos seus t√ļmulos entreabertos.

A Asfixia do Artista pela Sociedade

Eu tenho medo das ¬ęteses¬Ľ quando se apoderam de um artista jovem, sobretudo nos come√ßos da sua carreira. E sabem o que eu temo? Muito simplesmente que n√£o consiga os objectos da tese. Pensar√° um simp√°tico cr√≠tico, a quem li h√° pouco e cujo nome agora n√£o vou citar, que toda a obra art√≠stica isenta de tese pr√©via, realizada exclusivamente com um objectivo art√≠stico, e at√© de assunto inteiramente secund√°rio e n√£o correspondendo a nada de ¬ętendencioso¬Ľ possa resultar nuns proveitos para o seu objectivo ainda que √† primeira vista d√™ a impress√£o de satisfazer apenas ¬ęuma ociosa curiosidade¬Ľ? Porventura as nossas pessoas cultas ainda n√£o se deram conta do que pode passar-se no cora√ß√£o e na intelig√™ncia dos nossos escritores e artistas jovens? Que confus√£o de ideias e de sentimentos preconcebidos!

Sob a press√£o da sociedade, o jovem poeta sufoca na alma o seu natural anelo de espraiar-se em formas singulares; receia que condenem a sua ¬ęociosa curiosidade¬Ľ; reprime essas formas que lhe brotam do fundo da alma; nega-lhes vida e aten√ß√£o e arranca de dentro, entre espamos, o tema que √† sociedade agrada, que √© grato √† opini√£o liberal e social. Mas que erro t√£o horrivelmente c√Ęndido e ing√©nuo,

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Parar de Pensar

O maior obstáculo à experimentação da realidade da ligação do leitor é a sua identificação com a mente, que faz com que o pensamento se torne compulsivo. Não ser capaz de parar de pensar é um padecimento terrível, porém não nos apercebemos deste facto porque quase toda a gente sofre dessa mesma maleita, sendo por isso considerado normal. Este ruído mental incessante impede o leitor de encontrar esse reino de calma interior que é inseparável do Ser. Gera ainda um eu falso engendrado pela mente que lança uma sombra de medo e sofrimento.

A identifica√ß√£o do leitor com a sua mente cria uma divis√≥ria opaca de conceitos, r√≥tulos, imagens, palavras, ju√≠zos e defini√ß√Ķes, que bloqueia todo o relacionamento verdadeiro. Interp√Ķe-se entre o pr√≥prio leitor, entre o leitor e o pr√≥ximo, entre o leitor e a sua natureza, entre o leitor e Deus. √Č esta divis√≥ria de pensamento que gera a ilus√£o de afastamento, a ilus√£o de que h√° o leitor e um ¬ęoutro¬Ľ completamente distinto. Nessa altura, o leitor esquece o facto essencial de que, sob o n√≠vel da apar√™ncia f√≠sica e das formas separadas, o leitor √© uno com tudo o que existe.

A mente é um instrumento maravilhoso se usado adequadamente.

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Felicidade, Glória, Imaginação, Inteligência e Inspiração

Numa vida profundamente atormentada seria possível muitas vezes encontrar-se felicidade para várias outras existências. Da felicidade que um homem malbarata, sem lhe suspeitar o valor, outros homens tirariam alegria para toda a vida, assim como as sobras da mesa do rico dariam para sustento de mais de um pobre.

A gl√≥ria √© um processo de apuramento que nunca p√°ra. √Ä medida que a humanidade envelhece e que as suas recorda√ß√Ķes se v√£o amontoando, tornam-se necess√°rias novas selec√ß√Ķes. S√©culos inteiros s√£o depurados nesses escrut√≠nios, sem que sobreviva um nome sequer. Um dia os imortais ir√£o unir-se aos an√≥nimos no esquecimento final.

√Č a imagina√ß√£o, tocha divina apensa ao esp√≠rito do homem, que lhe permite mover-se nas trevas da cria√ß√£o. Assim os peixes das profundezas oce√Ęnicas trazem um facho que os ilumina na noite eterna. Sem isto para que lhes serviriam os olhos? Sem imagina√ß√£o, que utilidade teria para o homem a intelig√™ncia?

O homem de letras tem falhas pronunciadas de intelig√™ncia, a ponto de parecer est√ļpido ao homem de neg√≥cios. N√£o deixa por√©m por isso de se considerar, onde quer que se encontre, o mais inteligente da roda. Nada √© mais absurdo do que essa superioridade,

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Pensamos de Mais e Sentimos de Menos

Queremos todos ajudar-nos uns aos outros. Os seres humanos são assim. Queremos viver a felicidade dos outros e não a sua infelicidade. Não queremos odiar nem desprezar ninguém. Neste mundo há lugar para toda a gente. E a boa terra é rica e pode prover às necessidades de todos.
O caminho da vida pode ser livre e belo, mas desvi√°mo-nos do caminho. A cupidez envenenou a alma humana, ergueu no mundo barreiras de √≥dio, fez-nos marchar a passo de ganso para a desgra√ßa e a carnificina. Descobrimos a velocidade, mas prendemo-nos demasiado a ela. A m√°quina que produz a abund√Ęncia empobreceu-nos. A nossa ci√™ncia tornou-nos c√≠nicos; a nossa intelig√™ncia, cru√©is e impiedosos. Pensamos de mais e sentimos de menos. Precisamos mais de humanidade que de m√°quinas. Se temos necessidade de intelig√™ncia, temos ainda mais necessidade de bondade e do√ßura. Sem estas qualidades, a vida ser√° violenta e tudo estar√° perdido.
O avi√£o e a r√°dio aproximaram-nos. A pr√≥pria natureza destes inventos √© um apelo √† fraternidade universal, √† uni√£o de todos. Neste momento, a minha voz alcan√ßa milh√Ķes de pessoas atrav√©s do mundo, milh√Ķes de homens sem esperan√ßa, de mulheres, de crian√ßas, v√≠timas dum sistema que leva os homens a torturar e a prender pessoas inocentes.

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Retrato de Mónica

M√≥nica √© uma pessoa t√£o extraordin√°ria que consegue simultaneamente: ser boa m√£e de fam√≠lia, ser chiqu√≠ssima, ser dirigente da ¬ęLiga Internacional das Mulheres In√ļteis¬Ľ, ajudar o marido nos neg√≥cios, fazer gin√°stica todas as manh√£s, ser pontual, ter imensos amigos, dar muitos jantares, ir a muitos jantares, n√£o fumar, n√£o envelhecer, gostar de toda a gente, gostar dela, dizer bem de toda a gente, toda a gente dizer bem dela, coleccionar colheres do s√©c. XVII, jogar golfe, deitar-se tarde, levantar-se cedo, comer iogurte, fazer ioga, gostar de pintura abstracta, ser s√≥cia de todas as sociedades musicais, estar sempre divertida, ser um belo exemplo de virtudes, ter muito sucesso e ser muito s√©ria.
Tenho conhecido na vida muitas pessoas parecidas com a Mónica. Mas são só a sua caricatura. Esquecem-se sempre ou do ioga ou da pintura abstracta.
Por trás de tudo isto há um trabalho severo e sem tréguas e uma disciplina rigorosa e constante. Pode-se dizer que Mónica trabalha de sol a sol.
De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que possui, Mónica teve que renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade.

A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível.

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A Leitura √© a Mais Nobre das Distrac√ß√Ķes

Se o gosto pelos livros aumenta com a intelig√™ncia, os perigos, como vimos, diminuem com ela. Um esp√≠rito original sabe subordinar a leitura √† actividade pessoal. Ela √© para ele apenas a mais nobre das distra√ß√Ķes, sobretudo a mais enobrecedora, pois, s√≥ a leitura e o saber conferem ¬ęas boas maneiras¬Ľ do esp√≠rito. O poder da nossa sensibilidade e da nossa intelig√™ncia, s√≥ o podemos desenvolver dentro de n√≥s pr√≥prios, nas profundezas da nossa vida espiritual. Mas √© nesse contacto com os outros esp√≠ritos que a leitura √©, que se faz a educa√ß√£o das “maneiras” do esp√≠rito. Os letrados permanecem, apesar de tudo, como as pessoas not√°veis da intelig√™ncia, e ignorar um determinado livro, uma determinada particularidade da ci√™ncia liter√°ria, ser√° sempre, mesmo num homem de g√©nio, uma marca de grosseria intelectual. A distin√ß√£o e a nobreza consistem na ordem do pensamento tamb√©m, numa esp√©cie de franco-ma√ßonaria de costumes, e numa heran√ßa de tradi√ß√Ķes.

A Imperfeição dos Nossos Sentidos

Se os nossos sentidos fossem perfeitos, não precisávamos de inteligência; nem as ideias abstractas de nada nos serviriam. A imperfeição dos nossos sentidos faz com que não concordemos em absoluto sobre um objecto ou um facto do exterior. Nas ideias abstractas concordamos em absoluto.
Dois homens n√£o v√™em uma mesa da mesma maneira; mas ambos entendem a palavra ¬ęmesa¬Ľ da mesma maneira. S√≥ querendo visualizar uma coisa √© que divergir√£o; isso, por√©m, n√£o √© a ideia abstracta da mesa.

A Alegria Pura só Existe sem a Vaidade

A mais pura alegria é aquela que gozamos no tempo da inocência; estado venturoso, em que nada distinguimos pela razão, mas pelo instinto; e em que nada considera a razão, mas sim a natureza. Então circula veloz o nosso sangue, e os humores que num mundo novo, e resumido, apenas têm tomado os seus primeiros movimentos. Os humores são os que produzem as nossas alegrias; e com efeito não há alegria sem grande movimento; por isso vemos, que a tristeza nos abate, e a alegria nos move; o sossego ainda que indique contentamento, contudo mais é representação da morte que da vida; e a tranquilidade pode dar descanso, porém alegria não a dá sempre.

Mas como pode deixar de ser pura a alegria dos primeiros anos, se ainda então a vaidade não domina em nós? Então só sentimos o bem, e o mal, que resulta da dor, ou do prazer; depois também sentimos o mal, e o bem da opinião, isto é, da vaidade; por isso muitas cousas nos alegram, que tomadas em si mesmas, não têm mais bem, que aquele com que a vaidade as considera; e outras também nos entristecem, que tomadas só por si, não têm outro mal,

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Uma Revolução Mental e Moral nos Portugueses

As ideias que, no modo de ver do Governo, devem constituir as bases do futuro estatuto constitucional n√£o s√£o s√≥ para ser aceites pela nossa intelig√™ncia, mas para ser sentidas, vividas, executadas. Passadas para uma Constitui√ß√£o, n√£o vamos julgar ter encontrado o rem√©dio de todos os males pol√≠ticos. Mortas, enterradas em textos de lei, podem ser inofensivas ‚ÄĒ o que √© j√° uma vantagem, porque outras o n√£o s√£o ‚ÄĒ mas n√£o ser√£o eficazes. As leis, verdadeiramente, fazem-nas os homens que as executam, e acabam por ser na pr√°tica, por debaixo do v√©u da sua pureza abstracta, o espelho dos nossos defeitos de entendimento e dos nossos desvios de vontade.
√Č este o motivo por que, sempre que olho para o futuro, para a consolida√ß√£o e prosseguimento do que se h√° feito em favor da ordem, da disciplina, da economia e do progresso do Pa√≠s, eu vejo nitidamente n√£o se estar construindo nada de s√≥lido fora de uma revolu√ß√£o mental e moral nos portugueses de hoje, e de uma cuidadosa prepara√ß√£o das gera√ß√Ķes de amanh√£. Eu pergunto se na alma dos que dizem acompanhar-nos h√° o amor da P√°tria at√© ao sacrif√≠cio, o desejo de bem servir, a vontade de obedecer ‚ÄĒ √ļnica escola para aprender a mandar ‚ÄĒ,

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A Verdade é Amor

A verdade √© amor ‚ÄĒ escrevi um dia. Porque toda a rela√ß√£o com o mundo se funda na sensibilidade, como se aprendeu na inf√Ęncia e n√£o mais se p√īde esquecer. √Č esse equil√≠brio interno que diz ao pintor que tal azul ou vermelho est√£o certos na composi√ß√£o de um quadro. √Č o mesmo equil√≠brio indiz√≠vel que ao fil√≥sofo imp√Ķe a verdade para a sua filosofia. Porque a filosofia √© um excesso da arte. Ela acrescenta em raz√Ķes ou explica√ß√Ķes o que lhe imp√īs esse equil√≠brio, resolvido noutros num poema, num quadro ou noutra forma de se ser artista. Assim o que exprime o nosso equil√≠brio interior, gerado no impens√°vel ou impensado de n√≥s, √© um sentimento est√©tico, um modo de sermos em sensibilidade, antes de o sermos em. raz√£o ou mesmo em intelig√™ncia. Porque s√≥ se entende o que se entende connosco, ou seja, como no amor, quando se est√° ¬ęfeito um para o outro¬Ľ. S√≥ entra em harmonia connosco o que o nosso equil√≠brio consente. E s√≥ o consente, se o amar. Porque mesmo a verdade dos outros ‚ÄĒ a pol√≠tica, por exemplo ‚ÄĒ se temos improvavelmente de a reconhecer, reconhecemo-la talvez no √≥dio, que √© a outra face do amor e se organiza ainda na sensibilidade.

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Preguiça Corporal e Preguiça Espiritual

Há um trabalho servil, que é do corpo e para o corpo, embora a mente ajude, e um trabalho régio, que é da alma e para a alma, e quase ninguém exige às mãos. Há, portanto, uma preguiça corporal e outra espiritual, uma ou outra senhora de todos.
A primeira √© dominada – n√£o destru√≠da – pela necessidade e pelo t√©dio; a outra, refor√ßada pela arrog√Ęncia, raramente √© vencida. Os homens s√£o indolentes que trabalham contra a vontade com os bra√ßos e a intelig√™ncia para fugir ao trabalho mais dif√≠cil da alma.
As actividade imoderadas de muitos n√£o passam de pretextos da ociosidade espiritual. Em vez de se afadigarem para conseguir a ren√ļncia dos bens materiais, sujeitam-se a um trabalho totalmente exterior que por vezes se converte, devido a in√©rcia ou embriaguez, em frenesim.
Mas reformar a natureza doente e transviada, abandonar a senda da concupiscência e alcançar a liberdade serena dos filhos da luz representa um trabalho incomparavelmente mais duro do que dirigir uma empresa, fábrica ou banco. A maioria, por cáclculo de indolência, prefere o trabalho servil, embora penoso, ao real, mais áspero e duro Рtorna-se escravo das coisas terrestres para evitar o esforço que o tornaria dono do espírito.

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Uma Nova Etapa na Vida a partir da Leitura de um Livro

Somos subeducados, atrasados e analfabetos; e neste particular confesso que n√£o fa√ßo grande distin√ß√£o entre a ignor√Ęncia do meu concidad√£o que n√£o sabe absolutamente ler nada, e a ignor√Ęncia do que apenas aprendeu a ler o que se destina a crian√ßas e intelig√™ncias med√≠ocres. Dever√≠amos estar √† altura dos grandes da Antiguidade, mas em parte por saber primacialmente qu√£o grandes eles foram. Somos uma ra√ßa de homens-passarinhos; nos nossos voos intelectuais mal nos al√ßamos um pouco acima das colunas do jornal.
Nem todos os livros s√£o t√£o ins√≠pidos como os seus leitores. √Č prov√°vel que haja palavras endere√ßadas exactamente √† nossa condi√ß√£o, as quais, se de facto pud√©ssemos ouvi-las e entend√™-las, seriam mais salutares √†s nossas vidas que a pr√≥pria manh√£ ou a Primavera, revelando-nos talvez uma face in√©dita das coisas.
Quantos homens não inauguraram uma nova etapa na vida a partir da leitura de um livro! Deve existir para nós o livro capaz de explicar os nossos mistérios e de revelar outros insuspeitados. As coisas que ora nos parecem inexprimíveis, podemos encontrá-las expressas algures.
As mesmas quest√Ķes que nos inquietam, intrigam e confundem, foram postas por sua vez a todos os homens s√°bios; nenhuma foi omitida,

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√Č o Que a Gente Leva Desta Vida…

A persist√™ncia instintiva da vida atrav√©s da apar√™ncia da intelig√™ncia √© para mim uma das contempla√ß√Ķes mais √≠ntimas e mais constantes. O disfarce irreal da consci√™ncia serve somente para me destacar aquela inconsci√™ncia que n√£o disfar√ßa.
Da nascença à morte, o homem vive servo da mesma exterioridade de si mesmo que têm os animais. Toda a vida não vive, mas vegeta em maior grau e com mais complexidade. Guia-se por normas que não sabe que existem, nem que por elas se guia, e as suas ideias, os seus sentimentos, os seus actos, são todos inconscientes Рnão porque neles falte a consciência, mas porque neles não há duas consciências.
Vislumbres de ter a ilus√£o – tanto, e n√£o mais, tem o maior dos homens.
Sigo, num pensamento de divaga√ß√£o, a hist√≥ria vulgar das vidas vulgares. Vejo como em tudo s√£o servos do temperamento subconsciente, das circunst√Ęncias externas alheias, dos impulsos de conv√≠vio e desconv√≠vio que nele, por ele e com ele se chocam como pouca coisa.
Quantas vezes os tenho ouvido dizer a mesma frase que simboliza todo o absurdo, todo o nada, toda a insci√™ncia falada das suas vidas. √Č aquela frase que usam de qualquer prazer material: ¬ę√© o que a gente leva desta vida¬Ľ…

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Erros da Inteligência e do Coração

Os erros e as d√ļvidas da intelig√™ncia desaparecem mais depressa, sem deixar rasto, que os erros do cora√ß√£o; desaparecem n√£o tanto em consequ√™ncia de discuss√Ķes e pol√©micas como gra√ßas √† l√≥gica inilud√≠vel dos acontecimentos da vida viva, que √†s vezes trazem consigo o verdadeiro escape e mostram o caminho adequado, sen√£o logo, na primeira altura, num prazo relativamente breve, em certas ocasi√Ķes, sem haver necessidade de se esperar pela gera√ß√£o seguinte. Com os erros do cora√ß√£o o mesmo n√£o sucede. O erro do cora√ß√£o √© de maior monta; significa que o esp√≠rito frequentemente, o esp√≠rito de toda a na√ß√£o, est√° doente, sofre de qualquer cont√°gio e n√£o poucas vezes essa enfermidade, esse contacto, implicam tal grau de cegueira, que toda a na√ß√£o se torna incur√°vel… por mais tentativas que se fa√ßam para a salvar. Pelo contr√°rio, essa cegueira desfigura os factos a seu talante, deforma-os segundo as delirantes vis√Ķes do esp√≠rito doente e at√© pode suceder que toda a na√ß√£o prefira ir para a ru√≠na conscientemente, quer dizer, conhecendo j√° a sua cegueira, a deixar-se curar… pois j√° n√£o quer que a curem.

Ser Feliz

Ser feliz √© reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreens√Ķes e per√≠odos de crise. Ser feliz n√£o √© uma fatalidade do destino, mas uma conquista de quem sabe viajar para dentro do seu pr√≥prio ser.

Ser feliz √© deixar de ser v√≠tima dos problemas e tornar-se autor da sua pr√≥pria hist√≥ria. √Č atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um o√°sis no rec√īndito da sua alma. √Č agradecer a Deus em cada manh√£ pelo milagre da vida.

Ser feliz √© n√£o ter medo dos pr√≥prios sentimentos. √Č saber falar de si mesmo. E ter a coragem de ouvir um ¬ęn√£o¬Ľ. √Č ter seguran√ßa para receber uma cr√≠tica, mesmo que injusta. √Č beijar os filhos, ter prazer com os pais e ter momentos po√©ticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem.

Ser feliz √© deixar viver a crian√ßa livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de n√≥s. √Č ter maturidade para dizer ¬ęeu errei¬Ľ. √Č ter ousadia para dizer ¬ęperdoa-me¬Ľ. √Č ter sensibilidade para expressar ¬ęeu preciso de ti¬Ľ. E ter capacidade de dizer ¬ęeu amo-te¬Ľ.

Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades que lhe permita ser feliz…

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O Futuro da Espécie Humana

N√£o sei se as popula√ß√Ķes est√£o a aumentar ou a diminuir. √Č claro que, com o aborto, com a p√≠lula, com as “camisas de V√©nus”, com a soma dessas coisas todas, a procria√ß√£o diminui, a velhice aumenta; a receita dos impostos diminui, porque h√° menos jovens no trabalho e h√° mais velhos a ser remunerados. √Č preciso que a popula√ß√£o aumente sempre e que n√£o se fa√ßa a desertifica√ß√£o da prov√≠ncia, como est√° a acontecer. Tiram escolas, hospitais e as pessoas desertificam essas cidades. Porque √© da prov√≠ncia, da cultura da terra, que n√≥s vivemos, e ela est√° desertificada.

[Mas eu referia-me mesmo à sobrevivência do planeta Terra. Acha que ele está em perigo?]

Está em perigo, claro. De tal modo que a gente pergunta: onde está a inteligência do homem? Há um progresso, é certo, mas esse progresso encaminha-se para a morte.