Textos sobre Reação

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Textos de reação escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A Origem do Medo

A condição psicológica do medo está divorciada de qualquer perigo concreto e real. Surge sob diversas formas: desconforto, preocupação, ansiedade, nervosismo, tensão, temor, fobia, etc. Este tipo de medo psicológico é sempre algo que poderá acontecer e não algo que esteja a acontecer no momento. O leitor está aqui e agora, enquanto a sua mente se encontra no futuro. Este facto gera um hiato de ansiedade. Além disso, se o leitor se identificar com a sua mente e tiver perdido o contacto com o poder e a simplicidade do Agora, esse hiato de ansiedade acompanhá-lo-á constantemente.

A pessoa pode sempre lidar com o momento presente, mas não o consegue fazer com algo que é apenas uma projeção mental Рnão é possível lidar com o futuro.
E enquanto o leitor se identifica com a sua mente, o ego comanda a sua vida. Devido à natureza ilusória que lhe é característica e apesar dos mecanismos de defesa elaborados, o ego torna-se muito vulnerável e inseguro, vendo-se a si próprio constantemente sob ameaça. Este facto, a propósito, é o que acontece, mesmo que por fora o ego pareça muito confiante. Agora lembre-se de que uma emoção é a reação do corpo à mente.

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A Desordem da Minha Natureza

(…) enfrentei pela primeira vez o meu ser natural enquanto decorriam os meus noventa anos. Descobri que a minha obsess√£o de que cada coisa estivesse no seu lugar, cada assunto no seu tempo, cada palavra no seu estilo, n√£o era o pr√©mio merecido de uma mente ordenada mas, pelo contr√°rio, um sistema completo de simula√ß√£o inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que n√£o sou disciplinado por virtude, mas como reac√ß√£o contra a minha neglig√™ncia; que pare√ßo generoso para encobrir a minha mesquinhez, que passo por prudente por ser pessimista, que sou conciliador para n√£o sucumbir √†s minhas c√≥leras reprimidas, que s√≥ sou pontual para que n√£o se saiba que pouco me importa o tempo alheio. Descobri, por fim, que o amor n√£o √© um estado de alma mas um signo do Zod√≠aco.

Civilização de Especialistas

A verdade √© que hoje vivemos numa civiliza√ß√£o de especialistas e que √© v√£o todo o empenho de que seja de outro modo. Sob pena de n√£o ser eficiente, o homem das artes, das ci√™ncias e das t√©cnicas tem de se especializar, para que domine aqueles segredos de bibliografia ou de pr√°tica, e para que obtenha os jeitos e a forte concentra√ß√£o de pensamento que se tornam necess√°rios para que se possa n√£o s√≥ manejar o que se herdou mas acrescentar patrim√≥nio para as gera√ß√Ķes futuras. E, se √© certo que por um lado o especialismo favorece aquela pregui√ßa de ser homem que tanto encontramos no mundo, permite ele, por outro lado, aproveitar em tarefas √ļteis indiv√≠duos que pouco brilhantes seriam no tratamento de conjuntos. O pre√ßo, por√©m, se tem naturalmente de pagar; paga-o o colectivo quando se queixa, e muito justamente, da falta de bons l√≠deres, de homens com uma larga vis√£o de conjunto, que saibam do trabalho de cada um o suficiente para o poderem dirigir e se tenham eles tornado especialistas na dif√≠cil arte de n√£o ter especialidade pr√≥pria sen√£o essa mesma do plano, da previs√£o e do animar na batalha as tropas que, na maior parte das vezes,

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A Luta para a Supress√£o Radical das Guerras

A minha participa√ß√£o na produ√ß√£o da bomba at√≥mica consistiu numa √ļnica ac√ß√£o: assinei uma carta dirigida ao presidente Roosevelt, na qual se sublinhava a necessidade de levar a cabo experi√™ncias em grande escala, para investiga√ß√£o das possibilidades de produ√ß√£o duma bomba at√≥mica.
Tive bem consciência do grande perigo que significava para a Humanidade o êxito desse empreendimento. Mas a probabilidade de que os Alemães trabalhassem no mesmo problema e fossem bem sucedidos, obrigou-me a dar este passo. Não tinha outra solução, embora tivesse sido sempre um pacifista convicto. Foi, portanto, uma reacção de legítima defesa.
Enquanto, por√©m, as na√ß√Ķes n√£o estiverem resolvidas a trabalhar em comum para suprimir a guerra, a resolverem os seus conflitos por decis√£o pac√≠fica e a protegerem os seus interesses de maneira legal, v√™em-se obrigadas a preparar-se para a guerra. V√™em-se, mais, obrigadas a preparar todos os meios, mesmo os mais detest√°veis, para n√£o se deixarem ficar para tr√°s, na corrida geral aos armamentos. Este caminho conduz fatalmente √† guerra que, nas condi√ß√Ķes actuais, significa destrui√ß√£o geral.
Nestas condi√ß√Ķes, a luta contra os meios n√£o tem probabilidades de √™xito. S√≥ ainda pode valer a supress√£o radical das guerras e do perigo de guerra.

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O Provincianismo Português (II)

Se fosse preciso usar de uma s√≥ palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria “provincianismo”. Como todas as defini√ß√Ķes simples esta, que √© muito simples, precisa, depois de feita, de uma explica√ß√£o complexa. Darei essa explica√ß√£o em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto √©, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer pa√≠s, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.
Por mentalidade de qualquer pa√≠s entende-se, sem d√ļvida, a mentalidade das tr√™s camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental ‚ÄĒ a camada baixa, a que √© uso chamar povo; a camada m√©dia, a que n√£o √© uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreens√£o, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás,

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Somos os Comandantes das Nossas Vidas

Se alguém te disser que aquilo que queres não interessa para nada, desinteressa-te dessa pessoa.

Somos os comandantes das nossas vidas.

Somos n√≥s, portanto, que escolhemos com quem queremos caminhar, e ai de algu√©m que acredite que pode entrar √† for√ßa na nossa vida sem a devida autoriza√ß√£o. Na minha n√£o entram, disso podes ter a certeza. E se todos pens√°ssemos assim, se todos ag√≠ssemos em conformidade com esta breve alus√£o ao nosso poder pessoal, viver√≠amos todos num aut√™ntico mar de rosas. Mas n√£o. Este princ√≠pio b√°sico √© o terror de muita gente. A maioria talvez. Malta que acredita que tem de aguentar o supl√≠cio de viver ou conviver com quem lhe quer mal ou lhe √© indiferente. √Č uma desgra√ßa. √Č o reinado do medo. Do medo de ficar sozinho, de nunca mais sentir nada por ningu√©m, de tudo o que possam dizer ou pensar se agirem como desejam, da rea√ß√£o do outro, de mago√°-lo, enfim, o medo de tudo. Ora bem, esta onda de passividade e permissividade gera a extin√ß√£o da confian√ßa, fomenta o canibalismo do amor-pr√≥prio e inverte todo e qualquer tipo de educa√ß√£o apropriada. Como √© que algum filho, por exemplo, pode desenvolver-se em amor se tudo o que v√™ em casa s√£o duas pessoas que mal se olham ou que se atacam,

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O Mais F√°cil de Resolver

De quanta imagina√ß√£o n√£o √© feita uma vida para se compensar o que se n√£o realizou! J√° todos o sabemos e nunca ningu√©m o sabe. Se fosse coisa de se saber, n√£o havia man√≠acos da droga, do fumo ou do √°lcool. Projecta-se milimetricamente uma reac√ß√£o a ter, uma ofensa a vingar, uma desconsidera√ß√£o a menosprezar, uma conquista a fazer. E sai sempre outra coisa: nem nos vingamos porque se interp√īs uma fraqueza, nem menosprez√°mos a desconsidera√ß√£o porque nos menosprezaram o nosso menosprezo, nem conquist√°mos nada porque amanh√£ √© que √©. Mas falhada a nossa reac√ß√£o, logo congeminamos de novo efectiv√°-la e com acr√©scimo de efeito. At√© que o tempo e a morte tudo decidam irremediavelmente por n√≥s. E acabamos por achar que decidiu bem, porque o mais f√°cil de resolver √© sempre o n√£o resolver.

A Construção da Personalidade Criadora

A harmonia do comportamento social requer, todos o sabemos, tanto o isolamento como o convívio. Excessiva comunicação, debates exagerados de assuntos que requerem meditação e peso moral, avesso muitas vezes à cordialidade natural das afinidades electivas, não enriquecem o património de uma sociedade. Antes embotam e alteram o terreno imparcial da sabedoria.
A solidão favorece a intensidade do pensamento; por outro lado, torna de certo modo celerado o homem que lida com a força material, com a técnica, com os outros homens. O impulso é a força que actualiza estas duas atitudes. Os ricos de impulso que se prontificam a uma reacção agressiva ou escandalosa, esses são associais especialmente difíceis. Todo o revolucionário é associal, se o impulso for nele um desvio da vida instintiva, e não uma atitude de homem capaz de obedecer e mandar a si próprio.
¬ęA felicidade m√°xima do filho da terra h√°-de ser a personalidade¬Ľ – disse Goethe. Personalidade criadora, obtida √† custa do ajustamento das nossas pr√≥prias leis interiores, que n√£o ser√£o mais, no futuro, for√ßas repelidas ou encobertas, mas sim valiosas contribui√ß√Ķes para o tempo do homem. Quando tudo for analisado e conhecido, s√≥ o justo h√°-de prevalecer.

A Culpa é Sentirmo-nos Culpados

A culpa √© sentirmo-nos culpados, e n√£o um resultado dos crimes cometidos; o ser inocente √© alegre, feliz, e n√£o deixa, seja em que caso for, que os acontecimentos perturbem a sua calma e a sua paz. √Č por isso que considero que a justi√ßa erra quando executa os menos em vez dos mais culpados, quer dizer quando executa os criminosos e n√£o aqueles que sentem que t√™m no cora√ß√£o a culpa do mundo. Isso equivale a executar crian√ßas por ac√ß√Ķes que cometeram no escuro quando ignoravam tudo acerca do escuro e das reac√ß√Ķes que provoca no funcionamento dos corpos. Uma vez que s√£o culpados apenas os que se sentem culpados, seria necess√°rio suprimir a justi√ßa distribuitiva de castigos e substitu√≠-la por uma justi√ßa executora, porque ao fim de algum tempo aquele que a culpa mortifica j√° s√≥ aspira a morrer, a morrer pelas faltas do mundo como pelas suas pr√≥prias faltas, e pode sem a m√≠nima hesita√ß√£o, sim, sem a menor ang√ļstia de morte, uma vez que nada tem a esperar agora que tocou finalmente o fundo do mundo, pedir √† justi√ßa a sua pena de morte – e nunca outra cabe√ßa se curvar√° mais graciosamente do que a sua por baixo da guilhotina,

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Basta umas Palavrinhas

Sentir-se amada, inclu√≠da, admirada, reconhecida, lembrada, toca as ra√≠zes da emo√ß√£o tanto de uma intelectual como de um iletrado, tanto de uma rainha como de um s√ļbdito. Nem mesmo um psiquiatra ou um paciente mutilado por uma psicose e controlado por pensamentos perturbadores escapa a essas necessidades vitais.

Basta umas palavrinhas para nos emocionarmos ou nos magoarmos. Um simples olhar √© o suficiente para ficarmos encantados ou dececionados. Um beijo pode ter mais impacto do que um grande pr√©mio. Um abra√ßo pode ser mais lembrado do que um aumento de ordenado. ¬ęEu aposto em ti! N√£o desistas, conta comigo!¬Ľ, ¬ęPodes superar-te!¬Ľ, pequenas frases como estas ditas em tempos dif√≠ceis tornam-se inesquec√≠veis, mudam rotas, renovam √Ęnimos. As nossas rea√ß√Ķes podem ser mais penetrantes do que um proj√©til.

Um País de Canalhas

Pensar Portugal. N√≥s somos um pa√≠s de ¬ęelites¬Ľ, de indiv√≠duos isolados que de repente se p√Ķem a ser gente. N√≥s somos um pa√≠s de ¬ęher√≥is¬Ľ √† Carlyle, de excep√ß√Ķes, de singularidades, que t√™m tomado √†s costas o fardo da nossa hist√≥ria. N√≥s n√£o temos sequer n√ļcleos de grandes homens. Temos s√≥, de longe em longe, um original que se levanta sobre a canalhada e toma √† sua conta os destinos do pa√≠s. A canalhada cobre-os de insultos e de esc√°rnio, como √© da sua condi√ß√£o de canalha. Mas depois de mortos, p√Ķe-os ao peito por jact√Ęncia ou simplesmente ignora que tenham existido. N√≥s n√£o somos um pa√≠s de voca√ß√Ķes comuns, de consci√™ncia comum. A que fomos tendo foi-nos dada por empr√©stimo dos grandes homens para a ocasi√£o. Os nossos populistas √© que dizem que n√£o. Mas foi. A independ√™ncia foi Afonso Henriques, mas sem patriotismo que ainda n√£o existia. Aljubarrota foi Nuno √Ālvares. Os descobrimentos foi o Infante, mas porque o neg√≥cio era bom. O Iluminismo foi Verney e alguns outros, para ser deles todos s√≥ Pombal. O liberalismo foi Mouzinho e a Fran√ßa. A reac√ß√£o foi Salazar. O comunismo √© o Cunhal. Quanto √† sarrabulhada √© que √© uma data deles.

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A Nossa Arte

A arte de desenvolver os pequenos motivos para nos decidirmos a realizar as grandes ac√ß√Ķes que nos s√£o necess√°rias. A arte de nunca nos deixarmos desencorajar pelas reac√ß√Ķes dos outros, recordando que o valor de um sentimento √© ju√≠zo nosso, pois seremos n√≥s a senti-lo e n√£o os que assistem. A arte de mentir a n√≥s pr√≥prios, sabendo que estamos a mentir. A arte de encarar as pessoas de frente, incluindo n√≥s pr√≥prios, como se fossem personagens de uma novela nossa. A arte de recordar sempre que, n√£o tendo n√≥s qualquer import√Ęncia e n√£o tendo tamb√©m os outros qualquer esp√©cie de import√Ęncia, n√≥s temos mais import√Ęncia que qualquer outro, simplesmente porque somos n√≥s.
A arte de considerar a mulher como um peda√ßo de p√£o: problema de ast√ļcia. A arte de mergulhar fulminante e profundamente na dor, para vir novamente √† tona gra√ßas a um golpe de rins. A arte de nos substituirmos a qualquer um, e de saber, portanto, que cada pessoa se interessa apenas por si pr√≥pria. A arte de atribuir qualquer dos nossos gestos a outrem, para verificarmos imediatamente se √© sensato.
A arte de viver sem a arte.
A arte de estar só.

A Sugestibilidade Humana

Os ideais da democracia e da liberdade chocam com o facto brutal da sugestibilidade humana. Um quinto de todos os eleitores pode ser hipnotizado quase num abrir e fechar de olhos, um s√©timo pode ser aliviado das suas dores mediante injec√ß√Ķes de √°gua, um quarto responder√° de modo pronto e entusi√°stico √† hipnop√©dia. A todas estas minorias demasiado dispostas a cooperar, devemos adicionar as maiorias de reac√ß√Ķes menos r√°pidas, cuja sugestibilidade mais moderada pode ser explorada por n√£o importa que manipulador ciente do seu of√≠cio, pronto a consagrar a isso o tempo e os esfor√ßos necess√°rios.
√Č a liberdade individual compat√≠vel com um alto grau de sugestibilidade individual?

A Base da Civilização

A lei do universo baseia-se sobre o concurso destes dois grandes agentes: a luta pela vida e a selec√ß√£o natural. A luta pela vida √© o estado permanente de todos os seres, para os quais a cria√ß√£o √© uma eterna batalha. A sorte do conflito decide-a a selec√ß√£o natural. Como? Fixando na esp√©cie, pela adapta√ß√£o ao meio, os seres mais fortes, e expulsando os seres inferiores. Por isso o professor Haeckel affirma: ¬ęA teoria de Darwin estabelece que nas sociedades humanas, como nas sociedades animais, nem os direitos, nem os deveres, nem os bens, nem os gostos dos membros associados podem ser iguais.¬Ľ Ora o que √© que estabelece o Direito? O Direito estabelece precisamente o contrario disso: a igualdade dos deveres rec√≠procos para a mais equitativa distribui√ß√£o dos bens.
O Direito portanto não só não é uma emanação da lei natural, mas é uma reacção contra essa lei. A natureza é o triunfo brutal decretado ao forte. A sociedade é a protecção consciente assegurada ao fraco. A criação funda a luta pela vida. A sociedade organiza o auxílio pela existência.
Uma civilização é tanto mais adiantada quanto mais ela submete ao seu domínio as fatalidades naturais. E é assim que o homem,

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Os que Morrem por Amor

Os que morrem por amor continuam a pertencer √† lenda. Os seus funerais arrastam uma multid√£o piedosa, tal como decerto aconteceu na cidade de Verona, h√° seiscentos anos. Ainda que nesse tempo os costumes fossem bastante f√°ceis, a pr√°tica er√≥tica da juventude era muito mais modesta. Reflectindo melhor, √© de crer que a pr√≥pria licen√ßa produzisse um tipo de pessoas orgulhosas da sua intimidade afectiva; o que, se n√£o √© virtude, algo se parece. Este orgulho da pr√≥pria intimidade conduz a uma atitude hostil em rela√ß√£o a tudo o que pode burocratizar os sentimentos. H√° um soci√≥logo inclinado a crer que existe muito de romantismo burocr√°tico no amor moderno. √Č poss√≠vel. E quando aparecem os contestat√°rios dessa esp√©cie de burocracia, como s√£o os Romeus e Julietas do Candal, a cidade fica-lhes agradecida. No campo dos afectos trata-se da luta obstinada que resulta do choque entre a vida privada e o regime governativo; entre um corpo animado de impulsos e uma autoridade explicada por leis. Atrav√©s de inqu√©ritos feitos nos meios juvenis para inquirir das transforma√ß√Ķes que se efectuam no √Ęmbito das rela√ß√Ķes afectivas, deparam-se declara√ß√Ķes bastante confusas. Elas pairam entre uma sinceridade elementar que descura a experi√™ncia e teorias perfeitamente viciadas nos lugares-comuns do s√©culo.

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O Amor é o Contraegoísmo

Cada vez mais pessoas est√£o preocupadas consigo mesmas. Cuidam de si de uma forma t√£o dedicada que se poderia supor que est√£o a construir algo de verdadeiramente belo e forte; mas n√£o… os resultados s√£o normalmente fracos e fr√°geis. Gente manipul√°vel que se deixa abater por uma simples brisa… cultivam o eu como a um deus, mas s√£o facilmente derrubados pela m√≠nima contrariedade.

Tendo a originalidade por moda n√£o ser√° paradoxal que a sociedade esteja a tornar-se cada vez mais uniforme? Como a multid√£o tende sempre a nivelar-se por baixo, estamos a tornar-nos cada vez piores.

Hoje parece n√£o haver tempo nem espa√ßo para um cuidado mais fundo com a nossa ess√™ncia ‚Äď s√£o poucos os que hoje t√™m amigos verdadeiros com quem aprendem, a quem se d√£o e de quem recebem valores essenciais.
Por medo da solid√£o quer-se conhecer gente, cada vez mais gente. Talvez o facto de se buscar uma quantidade de amizades mais do que a qualidade das mesmas explique por que, afinal, h√° cada vez mais solid√£o… sempre que prefiro partir em busca do novo, escolho abandonar aquele(s) com quem estava.

O sucesso das redes virtuais é hoje um sintoma,

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O Peso Bruto da Irritação

Se f√īssemos contabilizar as paix√Ķes desta vida, os √≥dios e os amores, os grandes sobressaltos, as como√ß√Ķes, os transtornos, os arrebatamentos e os arroubos, os momentos de terror e de esperan√ßa, os ataques de ansiedade e de ternura, a viol√™ncia dos desejos, os acessos de saudade e as eleva√ß√Ķes religiosas e se as som√°ssemos todas numa s√≥ sensa√ß√£o, n√£o seria nada comparada com o peso bruto da irrita√ß√£o. Passamos mais tempo e gastamos mais cora√ß√£o a sermos irritados do que em qualquer outro estado de esp√≠rito.
Apaixonamo-nos uma vez na vida, odiamos duas, sofremos tr√™s, mas somos irritados pelo menos vinte vezes por dia. Mais que o div√≥rcio, mais que o despedimento, mais que ser tra√≠do por um amigo, a irrita√ß√£o √© a principal causa de ¬ęstress¬Ľ ‚ÄĒ e logo de mortalidade ‚ÄĒ da nossa exist√™ncia.
√Č a torneira que pinga e o colega que funga, a crian√ßa que bate com o garfinho no rebordo do prato, a empregada que se esquece sempre de comprar maionnaise, a namorada que n√£o enche o tabuleiro de gelo, o namorado que se esquece de tapar a pasta dentr√≠fica, a nossa pr√≥pria incompet√™ncia ao tentar programar o v√≠deo, o homem que mete um conto de gasolina e pede para verificar a press√£o dos pneus,

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A Toler√Ęncia √© um Atributo dos Fortes

A emo√ß√£o √© um campo de energia em cont√≠nuo estado de transforma√ß√£o. Produzimos centenas de emo√ß√Ķes di√°rias. Elas organizam-se, desorganizam-se e reorganizam-se num processo cont√≠nuo e inevit√°vel. O ideal seria que o c√≠rculo de transforma√ß√£o da emo√ß√£o seguisse uma trajet√≥ria prazerosa, ou seja, que um sentimento de alegria se transformasse num sentimento de paz, que se transformasse numa rea√ß√£o de amor, que se transformasse numa experi√™ncia contemplativa. Mas, na realidade, o que ocorre na vida de cada ser humano √© que a alegria se converte em ansiedade, o prazer em irritabilidade, enfim, as emo√ß√Ķes alternam-se.

Não é possível para a natureza humana ter uma emoção continuamente prazerosa. Não existe, como muitos psicólogos pensam, equilíbrio emocional. A emoção passa por inevitáveis ciclos diários. No entanto, a emoção é mais saudável quanto mais estável ela for e quanto mais perdurarem os sentimentos que alimentam o prazer e a serenidade.

A toler√Ęncia √© um atributo dos fortes e n√£o dos fracos. A toler√Ęncia produz profunda estabilidade no campo da energia emocional. S√≥ se constr√≥i a toler√Ęncia quando se constr√≥i primeiro a capacidade de compreender as limita√ß√Ķes dos outros.

Quanto mais uma pessoa for intolerante, mais ser√° invadida pelos comportamentos dos outros,

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Os Méritos Invisíveis

H√° certos m√©ritos em n√≥s que nunca, como resultado de uma obra produzida, a n√≥s pr√≥prios saltam √† vista, nem mesmo na reac√ß√£o do mundo se tornam percept√≠veis; e, no entanto, s√£o esses os mais valiosos e o tomar consci√™ncias deles levaria o nosso sangue a correr mais leve: captar e devolver essas radia√ß√Ķes constitui a mais delicada tarefa da amizade.

Vontade de Mudança

Se achas que a situa√ß√£o da tua vida √© insatisfat√≥ria ou at√© mesmo intoler√°vel, s√≥ te rendendo primeiro conseguir√°s quebrar o padr√£o de resist√™ncia inconsciente que perpetua essa situa√ß√£o. Render-se √© perfeitamente compat√≠vel com tomar provid√™ncias, com iniciar uma mudan√ßa ou alcan√ßar metas. Mas no estado de rendi√ß√£o h√° uma energia totalmente diferente, uma qualidade diferente que corre no que fizeres. Ao renderes-te, ligas-te novamente com a energia da fonte do Ser e, se o que fizeres estiver infuso do Ser, tornar-se-√° numa celebra√ß√£o rejubilante da energia da vida, que te levar√° mais profundamente para dentro do Agora. Atrav√©s da n√£o-resist√™ncia, a qualidade da tua consci√™ncia e, por conseguinte, a qualidade de tudo o que fizeres ou criares, ser√° incomensuravelmente real√ßada. Os resultados tomar√£o ent√£o conta de si pr√≥prios e reflectir√£o essa qualidade. Poder√≠amos chamar-lhe “ac√ß√£o rendida”. N√£o √© o trabalho tal como o conhecemos desde h√° milhares de anos. √Ä medida que mais seres humanos forem despertando, a palavra trabalho desaparecer√° do nosso vocabul√°rio, e talvez se crie uma palavra nova em sua substitui√ß√£o.

√Č a qualidade da tua consci√™ncia desse momento que √© o factor determinante do tipo de futuro que vivenciar√°s, pelo que render-te √© a coisa mais importante que podes fazer para provocar uma mudan√ßa positiva.

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