Cita√ß√Ķes de Ramalho Ortig√£o

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Ramalho Ortig√£o para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

O ¬ęt√™te-√†-t√™te¬Ľ da verdadeira amizade s√≥ existe entre um homem e uma mulher. A mulher √© o amigo natural do homem. Dois homens raramente se estimam verdadeiramente.

As literaturas s√£o os registos condensados do pensamento p√ļblico. Os grandes livros n√£o se produzem sen√£o quando as grandes ideias agitam o mundo, quando os povos praticam os grandes feitos, quando os poetas recebem da sociedade as grandes como√ß√Ķes.

Inoc√™ncia, na acep√ß√£o em que tomamos a palavra, quer dizer ignor√Ęncia do que √© impuro. Quem cora ao ouvir uma imprud√™ncia, claro √© que distingue, e quem distingue duas coisas conhece-as ambas.

Ningu√©m √© grande nem pequeno neste mundo pela vida que leva, pomposa ou obscura. A categoria em que temos de classificar a import√Ęncia dos homens deduz-se do valor dos actos que eles praticam, das ideias que difundem e dos sentimentos que comunicam aos seus semelhantes.

O papel do marido atraiçoado continuará a ser ridículo até o dia em que a sociedade reconhecer que a honra é uma propriedade como qualquer outra, e que, roubado esse património, o desprezo, como punição do delito, deve cair não no que sofre, mas sim no que perpetrou o roubo.

A Plenitude de Realização Humana está Fora da Sabedoria

O homem mais perfeitamente educado por um mestre foi Stuart Mill. Aos vinte anos de idade ele tinha aprendido com James Mill, seu pai, tudo quanto a ci√™ncia pode ensinar a um s√°bio e a um fil√≥sofo. E todavia Stuart Mill conta-nos na sua autobiografia que, ao perguntar um dia a si mesmo se seria feliz, uma vez realizadas nas institui√ß√Ķes e nas ideias todas as reformas que ele projectava criar, a sua consci√™ncia lhe respondera: n√£o. ¬ęSenti-me ent√£o desfalecer, – diz ele; todas as funda√ß√Ķes sobre que se tinha arquitectado a minha vida se desmoronaram de repente.¬Ľ Mais tarde ele sentiu a dor, sentiu depois o amor, o amor apaixonado, absorvente, enorme, dominando todo o seu ser, submetendo a for√ßa dissolvente da an√°lise; e foi s√≥ ent√£o que ele se sentiu homem, revivendo para a natureza, forte da grande for√ßa que a natureza lhe comunicava, equilibrado para sempre no seu destino, cingido ao cora√ß√£o palpitante de uma mulher que ele amou – ele o s√°bio, o fil√≥sofo, o reformador frio e implac√°vel – com o amor illimitado, entusi√°stico, cavalheiresco, que as velhas lendas l√≠ricas atribuem aos grandes amantes c√©lebres.

O amor veemente, o amor apaixonado, por mais perfeito que o queiram pintar, tem sempre intercadências de desalento e de tédio que assassinam a felicidade.

Temos visto do jogo muitas e mui variadas defini√ß√Ķes. A √ļnica por√©m que inteiramente nos satisfaz √© a seguinte: o jogo √© uma asneira.

A Base da Civilização

A lei do universo baseia-se sobre o concurso destes dois grandes agentes: a luta pela vida e a selec√ß√£o natural. A luta pela vida √© o estado permanente de todos os seres, para os quais a cria√ß√£o √© uma eterna batalha. A sorte do conflito decide-a a selec√ß√£o natural. Como? Fixando na esp√©cie, pela adapta√ß√£o ao meio, os seres mais fortes, e expulsando os seres inferiores. Por isso o professor Haeckel affirma: ¬ęA teoria de Darwin estabelece que nas sociedades humanas, como nas sociedades animais, nem os direitos, nem os deveres, nem os bens, nem os gostos dos membros associados podem ser iguais.¬Ľ Ora o que √© que estabelece o Direito? O Direito estabelece precisamente o contrario disso: a igualdade dos deveres rec√≠procos para a mais equitativa distribui√ß√£o dos bens.
O Direito portanto não só não é uma emanação da lei natural, mas é uma reacção contra essa lei. A natureza é o triunfo brutal decretado ao forte. A sociedade é a protecção consciente assegurada ao fraco. A criação funda a luta pela vida. A sociedade organiza o auxílio pela existência.
Uma civilização é tanto mais adiantada quanto mais ela submete ao seu domínio as fatalidades naturais. E é assim que o homem,

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Grandes Homens Forjam-se a si Próprios

Para conhecer a realidade do mundo, √ļnico fim s√©rio da ci√™ncia, √© preciso entrar no combate da vida como entravam na li√ßa os paladinos bastardos – sem pai e sem padrinho. Os pr√≠ncipes n√£o constituem excep√ß√£o a esta lei geral da forma√ß√£o dos homens. Da educa√ß√£o de gabinete, do bafo enervante dos mestres, dos camareiros e das aias, nunca sairam sen√£o doentes e pedantes.
Na sagração dos czares há uma cerimónia de alta significação simbólica: o imperador não se confirma enquanto por três vezes não haja descido do trono e penetrado sozinho na multidão; e isto quer dizer que na convivência do povo a autoridade e o valor dos monarcas recebe uma tão sagrada unção como a da santa crisma. Todos os reis fortes se fizeram e se educaram a si mesmos nos mais rudes e mais hostis contactos da natureza e da sociedade humana.
Veja vossa alteza Carlos Magno, que s√≥ aos quarenta anos √© que mandou chamar um mestre para aprender a ler. Veja Pedro o Grande, do qual a educa√ß√£o de c√Ęmara come√ßou por fazer um poltr√£o. Aos quinze anos n√£o se atrevia a atravessar um ribeiro. Reagiu enfim sobre si mesmo pela sua √ļnica for√ßa pessoal.

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Três simples qualidades bastam para tomar qualquer senhora perfeitamente delicada e distinta: a simplicidade, a bondade, a modéstia.

O amor √© um estado essencialmente transit√≥rio. √Č como uma enfermidade. Tem a sua fase de incuba√ß√£o, o seu per√≠odo agudo, a sua declina√ß√£o e a sua convalescen√ßa. √Č um facto reconhecido e ratificado por todos os fisiologistas das paix√Ķes.

O homem que s√≥ tem as qualidades pr√≥prias da sua idade e do seu estado √© o homem admir√°vel. O que re√ļne a essas grandes qualidades os pequenos defeitos que lhe s√£o cong√©neres √© o homem completo.