Passagens sobre ExistĂȘncia

593 resultados
Frases sobre existĂȘncia, poemas sobre existĂȘncia e outras passagens sobre existĂȘncia para ler e compartilhar. Leia as melhores citaçÔes em Poetris.

Começar um novo ano, para um cristĂŁo, nĂŁo Ă© sĂł mudar o calendĂĄrio ou adquirir uma nova agenda. O Ano Novo convida a parar um instante, a perceber a prĂłpria existĂȘncia pessoal como um percurso de contĂ­nuo crescimento. SĂł se soubermos deter o frenesim e encontrar um breve espaço de reflexĂŁo, os votos nĂŁo serĂŁo palavras vĂŁs e os brindes nĂŁo serĂŁo gestos efĂ©meros sem significado.

‘IlusĂŁo, tu nĂŁo existe! Tu nĂŁo existe! Admite tua inexistĂȘncia e desaparece!’ – estas sĂŁo as palavras que devem ser dirigidas Ă  ilusĂŁo. ‘Homem, Imagem Verdadeira, eternamente perfeito, somente tu Ă©s existĂȘncia verdadeira’ – estas sĂŁo as palavras que devem ser dirigidas ao ‘Eu verdadeiro’.

Por tudo isso, procurarei expor, e nĂŁo impor, as respostas que encontrei sobre as reaçÔes do Autor da existĂȘncia. Elas atingem frontalmente as indagaçÔes de Voltaire.

Sua existĂȘncia foi tĂŁo completa e tĂŁo ligada Ă  verdade que provavelmente na hora de entregar-se e findar, teria pensado, se tivesse o hĂĄbito de pensar: eu nunca fui.

A doença grave pĂ”e sempre em crise a existĂȘncia humana e suscita interrogaçÔes que nos atingem profundamente. Nestas situaçÔes, a fĂ© em Deus Ă©, por um lado, posta Ă  prova, mas ao mesmo tempo revela toda a sua potencialidade positiva. NĂŁo porque a fĂ© faça desaparecer a doença, a dor ou as exigĂȘncias que dela derivam, mas porque dĂĄ uma chave com a qual poderemos compreender o mistĂ©rio do que estamos a viver.

O amor Ă© a mais sĂŁ e satisfatĂłria resposta para o problema da existĂȘncia humana.

Olinda

(Do alto do mosteiro, um frade a vĂȘ)

De limpeza e claridade
Ă© a paisagem defronte.
TĂŁo limpa que se dissolve
a linha do horizonte.

As paisagens muito claras
nĂŁo sĂŁo paisagens, sĂŁo lentes.
SĂŁo Ă­ris, sol, aguaverde
ou claridade somente.

Olinda Ă© sĂł para os olhos,
nĂŁo se apalpa, Ă© sĂł desejo.
Ninguém diz: é lå que eu moro.
Diz somente: Ă© lĂĄ que eu vejo.

Tem verdĂĄgua e nĂŁo se sabe,
a nĂŁo ser quando se sai.
NĂŁo porque antes se visse,
mas porque nĂŁo se vĂȘ mais.

As claras paisagens dormem
no olhar, quando em existĂȘncia.
DiluĂ­das, evaporadas,
sĂł se reĂșnem na ausĂȘncia.

Limpeza tal sĂł imagino
que possa haver nas vivendas
das aves, nas ĂĄreas altas,
muito além do além das lendas.

Os acidentes, na luz,
nĂŁo sĂŁo, existem por ela.
NĂŁo hĂĄ nem pontos ao menos,
nem hå mar, nem céu, nem velas.

Quando a luz Ă© muito intensa
Ă© quando mais frĂĄgil Ă©:
planĂ­cie, que de tĂŁo plana
parecesse em pé:

A Ingaia CiĂȘncia

A madureza, essa terrĂ­vel prenda
que alguém nos då, raptando-nos, com ela,
todo sabor gratuito de oferenda
sob a glacialidade de uma estela,

a madureza vĂȘ, posto que a venda
interrompa a surpresa da janela,
o cĂ­rculo vazio, onde se estenda,
e que o mundo converte noma cela.

A madureza sabe o preço exato
dos amores, dos Ăłcios, dos quebrantos,
e nada pode contra sua ciĂȘncia

e nem contra si mesma. O agudo olfato,
o agudo olhar, a mĂŁo, livre de encantos,
se destroem no sonho da existĂȘncia.

A nossa vida Ă© uma incerteza. Um cego que revoluteia no vazio em busca de um mundo melhor cuja existĂȘncia Ă© apenas uma suposição.

A felicidade Ă© a experiĂȘncia suprema do seu regresso a casa, do sentir-se tranquilo e em paz com a existĂȘncia, numa completa unidade e harmonia.

Aprendei tambĂ©m a ler os sinais do Pai na nossa vida. Ele fala sempre, tambĂ©m atravĂ©s dos factos do nosso tempo e da nossa existĂȘncia de todos os dias; cabe-nos a nĂłs escutĂĄ-Lo.

Como se passa da juventude Ă  maturidade? Quando começamos a aceitar os nosso prĂłprios limites. Tornamo-nos adultos quando nos relativizamos e tomamos consciĂȘncia «daquilo que nos falta». Como Ă© belo sermos homens e mulheres! Que preciosa Ă© a nossa existĂȘncia! No entanto, hĂĄ uma verdade que na histĂłria dos Ășltimos sĂ©culos o homem muitas vezes rejeitou, com trĂĄgicas consequĂȘncias: a verdade dos seus limites.

Um perene sentimento de insatisfação atravessa toda a parĂĄbola da existĂȘncia humana. O Homem julga poder ser feliz se resolver todas as suas necessidades fĂ­sicas, materiais, intelectuais, afetivas, relacionais e mesmo espirituais, mas quando alcança e obtĂ©m aquilo que deseja, repara em novas necessidades e sente fortemente a falta de alguma coisa que possa finalmente apaziguĂĄ-lo.

Nenhuma comunidade cristĂŁ pode andar em frente sem o suporte de uma oração perseverante! Assim como na vida de qualquer um de nĂłs Ă© sempre preciso voltar a começar, levantar-se de novo, reencontrar o sentido da prĂłpria existĂȘncia, assim tambĂ©m na grande famĂ­lia humana Ă© necessĂĄrio renovar o horizonte comum. O horizonte da esperança!

Mas Ă© possĂ­vel escrever os principais textos de nossa vida nos momentos mais difĂ­ceis de nossa existĂȘncia.

A todo instante e a toda hora vinha aquele — ‘porque, quando vocĂȘ se casar…’ — a menina foi se convencendo de que toda a existĂȘncia sĂł tendia para o casamento. A instrução, as satisfaçÔes Ă­ntimas, a alegria, tudo isso era inĂștil; a vida se resumia numa coisa: casar.

O amor Ă© a Ășnica resposta sĂŁ e satisfatĂłria para o problema da existĂȘncia humana.