Passagens de Immanuel Kant

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O Amor Sugado

O amor, enquanto afei√ß√£o humana, √© o amor que deseja o bem, possui uma disposi√ß√£o amig√°vel, promove a felicidade dos demais e alegra-se com ela. Mas √© patente que aqueles que possuem uma inclina√ß√£o meramente sexual n√£o amam a pessoa por nenhum dos motivos ligados √† verdadeira afei√ß√£o e n√£o se preocupam com a sua felicidade, mas podem at√© mesmo lev√°-la √† maior infelicidade simplesmente visando satisfazer a sua pr√≥pria inclina√ß√£o e apetite. O amor sexual faz da pessoa amada um objecto do apetite; t√£o logo foi possu√≠da e o apetite saciado, ela √© descartada ¬ętal como um lim√£o sugado¬Ľ.

Não somos ricos por causa das coisas que possuímos, mas pelo que podemos fazer sem possuí-las.

Todo o conhecimento humano come√ßou com intui√ß√Ķes, passou da√≠ aos conceitos e terminou com ideias.

Os Germes da Natureza

Numa floresta, as árvores, justamente pelo facto de que uma tenta arrebatar da outra o ar e o sol, esforçam-se à porfia por se ultrapassarem umas às outras e, portanto, crescem belas e erectas. Porém, pelo contrário, as que lançam em liberdade os seus ramos segundo a sua vontade, afastadas de outras árvores, crescem mirradas, contorcidas e curvadas. Toda a cultura, toda a arte, que ornamentam a humanidade, assim como a ordem social mais bela, são frutos da falta de sociabilidade, que é forçada por si mesma a disciplinar-se e a desabrochar com isso por completo, impondo-se tal artifício, os germes da natureza.

√Č por isso que se mandam as crian√ßas √† escola: n√£o tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois n√£o pensem mesmo que t√™m de p√īr em pr√°tica as suas ideias.

A simples consciência, mas empiricamente determinada, da minha própria existência prova a existência dos objetos no espaço fora de mim.

A democracia constitui necessariamente um despotismo, porquanto estabelece um poder executivo contrário à vontade geral. Sendo possível que todos decidam contra um cuja opinião possa diferir, a vontade de todos não é por tanto a de todos, o qual é contraditório e oposto à liberdade.

A Insoci√°vel Sociabilidade dos Homens

O meio que a natureza utiliza para levar a bom termo o desenvolvimento de todas as suas disposi√ß√Ķes √© o seu antagonismo no interior da sociedade, na medida em que este √©, no entanto, no final de contas, a causa de uma organiza√ß√£o regular dessa sociedade. Entendo aqui por antagonismo a insoci√°vel sociabilidade dos homens, ou seja, a sua inclina√ß√£o para entrar em sociedade, inclina√ß√£o que √© contudo acompanhada de uma repulsa geral a entrar em sociedade, que amea√ßa constantemente desagreg√°-la.