Textos de Immanuel Kant

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Textos de Immanuel Kant. Conheça este e outros autores famosos em Poetris.

A Liberdade só Existe com Lei e Poder

Liberdade e lei (pela qual a liberdade √© limitada) s√£o os dois eixos em torno dos quais gira a legisla√ß√£o civil. Mas, a fim de que a lei seja eficaz, em vez de ser uma simples recomenda√ß√£o, deve ser acrescentado um meio-termo, o poder, que, ligado aos princ√≠pios da liberdade, garanta o sucesso dos da lei. √Č poss√≠vel conceber apenas quatro formas de combina√ß√£o desse √ļnico elemento com os dois primeiros:
A. Lei e liberdade sem poder (Anarquia).
B. Lei e poder sem liberdade (Despotismo).
C. Poder sem liberdade nem lei (Barb√°rie).
D. Poder com liberdade e lei (Rep√ļblica).

A Caridade como Dever

Ser caritativo quando se pode s√™-lo √© um dever, e h√° al√©m disso muitas almas de disposi√ß√£o t√£o compassiva que, mesmo sem nenhum outro motivo de vaidade ou interesse, acham √≠ntimo prazer em espalhar alegria √† sua volta e se podem alegrar com o contentamento dos outros, enquanto este √© obra sua. Eu afirmo por√©m que neste caso uma tal ac√ß√£o, por conforme ao dever, por am√°vel que ela seja, n√£o tem contudo nenhum verdadeiro valor moral, mas vai emparelhar com outras inclina√ß√Ķes, por exemplo o amor das honras que, quando por feliz acaso topa aquilo que efectivamente √© de interesse geral e conforme ao dever, √© consequentemente honroso e merece louvor e est√≠mulo, mas n√£o estima; pois √† sua m√°xima falta o conte√ļdo moral que manda que tais ac√ß√Ķes se pratiquem, n√£o por inclina√ß√£o, mas por dever.
Admitindo pois que o √Ęnimo desse filantropo estivesse velado pelo desgosto pessoal que apaga toda a compaix√£o pela sorte alheia, e que ele continuasse a ter a possibilidade de fazer bem aos desgra√ßados, mas que a desgra√ßa alheia o n√£o tocava porque estava bastante ocupado com a sua pr√≥pria; se agora, que nenhuma inclina√ß√£o o estimula j√°, ele se arrancasse a esta mortal insensibilidade e praticasse a ac√ß√£o sem qualquer inclina√ß√£o,

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A Preguiça como Obstáculo à Liberdade

A pregui√ßa e a cobardia s√£o as causas por que os homens em t√£o grande parte, ap√≥s a natureza os ter h√° muito libertado do controlo alheio, continuem, no entanto, de boa vontade menores durante toda a vida; e tamb√©m por que a outros se torna t√£o f√°cil assumirem-se como seus tutores. √Č t√£o c√≥modo ser menor.
Se eu tiver um livro que tem entendimento por mim, um director espiritual que tem em minha vez consciência moral, um médico que por mim decide da dieta, etc., então não preciso de eu próprio me esforçar. Não me é forçoso pensar, quando posso simplesmente pagar; outros empreenderão por mim essa tarefa aborrecida. Porque a imensa maioria dos homens (inclusive todo o belo sexo) considera a passagem à maioridade difícil e também muito perigosa é que os tutores de boa vontade tomaram a seu cargo a superintendência deles. Depois de, primeiro, terem embrutecido os seus animais domésticos e evitado cuidadosamente que estas criaturas pacíficas ousassem dar um passo para fora da carroça em que as encerraram, mostram-lhes em seguida o perigo que as ameaça, se tentarem andar sozinhas. Ora, este perigo não é assim tão grande, pois aprenderiam por fim muito bem a andar.

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O Campo da Experiência Nunca nos Satisfaz

Sendo todos os princ√≠pios do nosso entendimento apenas aplic√°veis a objectos da experi√™ncia poss√≠vel, toma-se evidente que todo racioc√≠nio racional, que se aplica √†s coisas situadas fora das condi√ß√Ķes da experi√™ncia, ao inv√©s de alcan√ßar a verdade, apenas deve necessariamente chegar a uma apar√™ncia e a uma ilus√£o.
Mas o que caracteriza tal ilus√£o √© que ela √© inevit√°vel (‚Ķ) a tal ponto que, mesmo quando j√° nos apercebemos da sua falsidade, nos n√£o podemos libertar dela. (…) De facto, o campo da experi√™ncia nunca nos satisfaz. (…) A nossa raz√£o, para se satisfazer, deve, pois, necessariamente, tentar ultrapassar os limites da experi√™ncia e, por consequ√™ncia, persuadir-se infalivelmente de que por esse caminho alcan√ßar√° a extens√£o e a integralidade dos seus conhecimentos, coisa que ela n√£o pode encontrar no campo dos fen√≥menos. Mas esta persuas√£o √© uma ilus√£o completa: estando totalmente para al√©m dos limites da nossa experi√™ncia sens√≠vel todos os conceitos e princ√≠pios do entendimento, e n√£o podendo ent√£o ser aplicados a qualquer objecto, a raz√£o ilude-se a si mesma quando atribui um valor objectivo a m√°ximas completamente subjectivas, que, na realidade, apenas admite para sua pr√≥pria satisfa√ß√£o.
(…) Todos os nossos racioc√≠nios que pretendem sair do campo da experi√™ncia s√£o ilus√≥rios e infundamentados.

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Uma Pessoa

Uma pessoa √© esse sujeito cujas ac√ß√Ķes s√£o suscept√≠veis de imputa√ß√£o. A personalidade moral nada mais √© do que a liberdade de um ser razo√°vel sob as leis morais. Em compensa√ß√£o, a personalidade psicol√≥gica n√£o passa da faculdade de ser consciente da sua exist√™ncia como id√™ntica atrav√©s de diferentes estados. Segue-se que uma pessoa n√£o pode ser submetida a outras leis que n√£o √†quelas que ela pr√≥pria se confere (ou sozinha, ou pelo menos a si mesma ao mesmo tempo que com outros).

Casamento e Fus√£o Moral

Na vida conjugal, o casal s√≥ deve formar de certo modo uma √ļnica pessoa moral, animada e governada pelo gosto da mulher e pela intelig√™ncia do homem. Se as mulheres mostram mais liberdade e fineza no sentimento, em compensa√ß√£o os homens parecem mais ricos no discernimento que a experi√™ncia d√°. Acrescentemos que quanto mais um car√°cter √© sublime, mais ele tende a fazer todos os seus esfor√ßos para o contentamento do ser amado, e √© caracter√≠stico de uma bela alma responder a isso com complac√™ncia. Sob essa rela√ß√£o, toda a pretens√£o √† superioridade seria, portanto, inepta e reveladora de um gosto grosseiro ou de uma uni√£o mal sucedida. Tudo se perde quando se disputa o comando. Pois uma vez que a uni√£o repousa na inclina√ß√£o, ela √© meio rompida assim que o dever come√ßa a se fazer entender.
Um tom duro e impiedoso é um dos mais detestáveis nas mulheres, um dos mais vis e desprezíveis nos homens. O sábio comando da natureza quer, além disso, que toda essa delicadeza, toda essa ternura de sentimento só tenha plena força no começo, em seguida a vida em comum e os afazeres domésticos vêm enfraquecê-la, pouco a pouco, e transformá-la em amizade familiar.

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O Limite da Lógica

O crit√©rio simplesmente l√≥gico da verdade, isto √©, o acordo de um conhecimento com as leis gerais e formais do entendimento e da raz√£o, √©, decerto, a condition sine qua non e, portanto, a condi√ß√£o negativa de qualquer verdade; mas a l√≥gica n√£o pode ir mais al√©m; nenhuma pedra de toque lhe permite descobrir o erro que atinge n√£o a forma, mas o conte√ļdo.

A Razão é Contrária à Felicidade

Quanto mais uma razão cultivada se consagra ao gozo da vida e da felicidade, tanto mais o homem se afasta do verdadeiro contentamento; e daí provém que em muitas pessoas, e nomeadamente nas mais experimentadas no uso da razão, se elas quiserem ter a sinceridade de o confessar, surja um certo grau de misologia, quer dizer de ódio à razão. E isto porque, uma vez feito o balanço de todas as vantagens que elas tiram, não digo já da invenção de todas as artes do luxo vulgar, mas ainda das ciências (que a elas lhes parecem no fim e ao cabo serem também um luxo do entendimento), descobrem contudo que mais se sobrecarregaram de fadigas do que ganharam em felicidade, e que por isso finalmente invejam mais do que desprezam os homens de condição inferior que estão mais próximos do puro instinto natural e não permitem à razão grande influência sobre o que fazem ou deixam de fazer. E até aqui temos de confessar que o juízo daqueles que diminuem e mesmo reduzem a menos de zero os louvores pomposos das vantagens que a razão nos teria trazido no tocante à felicidade e ao contentamento da vida, não é de forma alguma mal-humorado ou ingrato para com a vontade do governo do mundo,

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Raz√£o e Entendimento

Se dizemos do entendimento que ele é o poder de reconduzir os fenómenos à unidade através das regras, deve-se dizer da razão que ela é a faculdade de reconduzir à unidade as regras do entendimento através dos princípios. Portanto ela jamais se relaciona imediatamente nem com a experiência, nem com um objecto qualquer, mas com o entendimento, a fim de fornecer a priori e por conceitos aos variados conhecimentos dessa faculdade uma unidade que se pode chamar racional e que é inteiramente diferente da que o entendimento pode fornecer.
(…) √Č o destino comum da raz√£o humana na especula√ß√£o terminar o seu edif√≠cio assim que poss√≠vel e s√≥ depois examinar se tamb√©m os fundamentos foram bem colocados.

√Č Imposs√≠vel Criar um Ser Livre

√Č imposs√≠vel compreender a produ√ß√£o de um ser dotado de liberdade por uma opera√ß√£o f√≠sica. N√£o se pode nem mesmo compreender como √© poss√≠vel Deus criar seres livres; de facto, parece que todas as suas ac√ß√Ķes futuras deveriam ser predeterminadas por esse primeiro acto e compreendidas na cadeia da necessidade natural e, consequentemente, elas n√£o seriam livres.

Os Dois Infinitos

Duas coisas enchem a alma de admiração e de respeito sempre renovados e que aumentam à medida que o pensamento mais vezes se concentra nelas: acima de nós, o céu estrelado; no nosso íntimo, a lei moral. Não é necessário buscá-las e adivinhá-las como se estivessem ofuscadas por nuvens ou situadas em região inacessível, para além do meu horizonte; vejo-as ante mim e relaciono-as imediatamente com a consciência da minha existência. A primeira, a partir do lugar que ocupo no mundo exterior, estende a relação do meu ser com as coisas sensíveis a todo esse imenso espaço onde os mundos se sucedem aos mundos e os sistemas aos sistemas e a toda a duração ilimitada dos seus movimentos periódicos. A segunda parte do meu invisível eu, da minha personalidade e do meu posto num mundo que possui a verdadeira infinitude, mas no qual o entendimento mal pode penetrar e ao qual reconheço estar vinculado por uma relação não apenas contingente, mas universal e necessária (relação que também alargo a todos esses mundos visíveis).
Numa, a vis√£o de uma infinidade de mundos quase aniquila a minha import√Ęncia, na medida em que me considero uma criatura animal que, depois de ter (n√£o se sabe como) gozado a vida durante um breve lapso de tempo,

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Opinião, Fé e Ciência

A crença, ou o valor subjectivo do juízo, com relação à convicção (que tem ao mesmo tempo um valor objectivo), apresenta os três graus seguintes: a opinião, a fé e a ciência. A opinião é uma crença que tem consciência de ser insuficiente tanto subjectiva quanto objectivamente. Se a crença é apenas subjectivamente suficiente e se é ao mesmo tempo considerada objectivamente insuficiente, chama-se fé. Enfim, a crença suficiente tanto subjectiva quanto objectivamente chama-se ciência.

A Necessidade da Metafísica

A raz√£o humana tem este destino singular, numa parte dos seus conhecimentos, de sucumbir ao peso de certas quest√Ķes que n√£o pode evitar. Com efeito, tais quest√Ķes imp√Ķem-se √† raz√£o devido √† sua mesma natureza, mas ela n√£o pode responder-lhes porque de todo ultrapassam a sua capacidade.
N√£o devemos contar que o esp√≠rito humano renuncie um dia por completo √†s indaga√ß√Ķes metaf√≠sicas: seria o mesmo que aguardar que, em vez de respirar sempre um ar viciado, suspend√™ssemos um belo dia a respira√ß√£o. Por conseguinte, haver√° sempre no mundo, ou, melhor, em todo homem, sobretudo se ele reflecte, uma metaf√≠sica, que, na aus√™ncia de uma norma comum, cada qual talhar√° a seu grado; ora o que at√© aqui se tem denominado metaf√≠sica n√£o pode satisfazer nenhum esp√≠rito reflectido, mas renunciar a ela por completo √© tamb√©m imposs√≠vel; √© necess√°rio, pois, empreender enfim uma cr√≠tica da raz√£o pura em si, ou, se alguma existe, perscrut√°-la e examin√°-la em conjunto; na verdade, n√£o h√° outro meio de satisfazer esta exig√™ncia imperiosa, que √© coisa muito diferente de um simples desejo de saber.

Do Juízo Estético

Toda a arte pressup√Ķe regras na base das quais uma produ√ß√£o, se deve considerar-se art√≠stica, √© representada, em primeiro lugar, como poss√≠vel; mas o conceito das belas-artes n√£o permite derivar o ju√≠zo sobre a beleza da produ√ß√£o de qualquer regra que tenha um conceito como princ√≠pio determinante, em virtude de p√īr como fundamento um conceito do modo por que tal √© poss√≠vel. Assim, a arte do belo n√£o pode inventar ela mesma a regra segundo a qual realizar√° a sua produ√ß√£o. Mas, como sem regra anterior um produto n√£o pode ser art√≠stico, √© necess√°rio que a natureza d√™ a regra de arte ao pr√≥prio sujeito (na concord√Ęncia das suas faculdades), isto √©, as belas-artes s√≥ podem ser o produto do g√©nio.
Da√≠ se conclui: 1¬ļ Que o g√©nio √© o talento de produzir aquilo de que se n√£o pode dar regra determinada, mas n√£o √© a aptid√£o para o que pode ser apreendido consoante uma qualquer regra; portanto, a sua primeira caracter√≠stica √© a originalidade. 2¬ļ Que as suas produ√ß√Ķes, visto que o absurdo tamb√©m pode ser original, devem simultaneamente ser modelos, isto √©, ser exemplares; por consequ√™ncia, n√£o sendo obras de imita√ß√£o, t√™m de ser propostas √† imita√ß√£o das outras,

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Moralidade e Felicidade

A felicidade √© o estado em que se encontra no mundo um ser racional para quem, em toda a sua exist√™ncia, tudo decorre conforme o seu desejo e a sua vontade; pressup√Ķe, por consequ√™ncia, o acordo da natureza com todo o conjunto dos fins deste ser, e simultaneamente com o fundamento essencial de determina√ß√£o da sua vontade. Ora a lei moral, como lei da liberdade, obriga por meio de fundamentos de determina√ß√£o, que devem ser inteiramente independentes da natureza e do acordo dela com a nossa faculdade de desejar (como motor). Por√©m, o ser agente racional que actua no mundo n√£o √© simultaneamente causa do mundo e da pr√≥pria natureza. Assim, pois, na lei moral n√£o h√° o menor fundamento para uma conex√£o necess√°ria entre a moralidade e a felicidade, com ela proporcionada, num ser que, fazendo parte do mundo, dele depende; este ser, precisamente por isso, n√£o pode ser voluntariamente a causa desta natureza nem, no que √† felicidade respeita, fazer com que, pelas suas pr√≥prias for√ßas, coincida perfeitamente com os seus pr√≥prios princ√≠pios pr√°ticos.
E, todavia, no problema prático que a razão pura nos prescreve, isto é, na prossecução do soberano bem, tal acordo é postulado como necessário: devemos procurar realizar o soberano bem,

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O Amor Sugado

O amor, enquanto afei√ß√£o humana, √© o amor que deseja o bem, possui uma disposi√ß√£o amig√°vel, promove a felicidade dos demais e alegra-se com ela. Mas √© patente que aqueles que possuem uma inclina√ß√£o meramente sexual n√£o amam a pessoa por nenhum dos motivos ligados √† verdadeira afei√ß√£o e n√£o se preocupam com a sua felicidade, mas podem at√© mesmo lev√°-la √† maior infelicidade simplesmente visando satisfazer a sua pr√≥pria inclina√ß√£o e apetite. O amor sexual faz da pessoa amada um objecto do apetite; t√£o logo foi possu√≠da e o apetite saciado, ela √© descartada ¬ętal como um lim√£o sugado¬Ľ.

Os Germes da Natureza

Numa floresta, as árvores, justamente pelo facto de que uma tenta arrebatar da outra o ar e o sol, esforçam-se à porfia por se ultrapassarem umas às outras e, portanto, crescem belas e erectas. Porém, pelo contrário, as que lançam em liberdade os seus ramos segundo a sua vontade, afastadas de outras árvores, crescem mirradas, contorcidas e curvadas. Toda a cultura, toda a arte, que ornamentam a humanidade, assim como a ordem social mais bela, são frutos da falta de sociabilidade, que é forçada por si mesma a disciplinar-se e a desabrochar com isso por completo, impondo-se tal artifício, os germes da natureza.

A Insoci√°vel Sociabilidade dos Homens

O meio que a natureza utiliza para levar a bom termo o desenvolvimento de todas as suas disposi√ß√Ķes √© o seu antagonismo no interior da sociedade, na medida em que este √©, no entanto, no final de contas, a causa de uma organiza√ß√£o regular dessa sociedade. Entendo aqui por antagonismo a insoci√°vel sociabilidade dos homens, ou seja, a sua inclina√ß√£o para entrar em sociedade, inclina√ß√£o que √© contudo acompanhada de uma repulsa geral a entrar em sociedade, que amea√ßa constantemente desagreg√°-la.

O Casamento é a Mais Rica Aventura Humana

Meu caro leitor!
Se não tens tempo nem oportunidade para consagrar uma dezena de anos da tua vida a uma viagem em volta do mundo para observar tudo o que um circunavegador pode aprender; se te falta, por não teres estudado por muito tempo as línguas estrangeiras, os dons e os meios de te iniciar nas mentalidades diversas dos povos que se revelam aos cientistas; se não pensas em descobrir um novo sistema astronómico que suprima o de Copérnico, bem como o de Ptolomeu Рentão, casa-te; e mesmo que tenhas tempo para viajar, dons para os estudos e a esperança de fazer descobertas, casa-te do mesmo modo. Tu não te arrependerás, ainda que isso te impeça de conheceres todo o Globo terrestre, de te exprimires em muitas línguas e de compreenderes o espaço celeste; pois o casamento é e continuará a ser a viagem da descoberta mais importante que o homem pode empreender; qualquer outro conhecimento da vida, comparado ao de um homem casado, é superficial, pois ele e só ele penetrou verdadeiramente na existência.

A Razão ao Serviço do Instinto

O homem √© um ser que tem necessidades na medida em que pertence ao mundo sens√≠vel, e, a esse respeito, a sua raz√£o tem certamente um encargo que n√£o pode declinar em rela√ß√£o √† sensibilidade, o de se ocupar dos interesses da √ļltima, o de constituir m√°ximas pr√°ticas, em vista da felicidade desta vida e tamb√©m, quando √© poss√≠vel, da felicidade de uma vida futura. Mas n√£o √©, no entanto, t√£o completamente animal para ser indiferente a tudo o que a raz√£o lhe diz por ela mesma e para empreg√°-la simplesmente como um instrumento pr√≥prio para satisfazer as suas necessidades como ser sens√≠vel. Pois o facto de ter a raz√£o n√£o lhe d√° absolutamente um valor superior √† simples animalidade, se ela s√≥ devesse servir-lhe para o que o instinto realiza nos animais.