Cita√ß√Ķes sobre Cr√≠tica

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Frases sobre cr√≠tica, poemas sobre cr√≠tica e outras cita√ß√Ķes sobre cr√≠tica para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Nunca reaja emocionalmente às críticas. Analise a si mesmo para determinar se elas são justificadas. Se forem, corrija-se. Caso contrário, continue vivendo normalmente.

Agradeço todas as dificuldades que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar. As facilidades nos impedem de caminhar. Mesmo as críticas nos auxiliam muito

A decis√£o, uma vez declarada, nunca √© apreciada. Quem se declara exp√Ķe-se √† cr√≠tica e, saindo-se mal, ser√° infeliz duas vezes.

As obras de arte devem falar ¬ępor si mesmas¬Ľ, explicar-se ¬ępor si mesmas¬Ľ, sem terem necessidade de p√īr ao lado um cicerone. Acompanhar um livro de versos de cr√≠tica ¬ęj√° feita¬Ľ √© querer impor um guia √† emo√ß√£o do leitor. O leitor detesta isso.

O Meu Primeiro Poema

T√™m-me perguntado muitas vezes quando escrevi o primeiro poema, quando nasceu a minha poesia. Tentarei record√°-lo. Muito para tr√°s, na minha inf√Ęncia, mal sabendo ainda escrever, senti uma vez uma intensa como√ß√£o e rabisquei umas quantas palavras semi-rimadas, mas estranhas para mim, diferentes da linguagem quotidiana. Passei-as a limpo num papel, dominado por uma ansiedade profunda, um sentimento at√© ent√£o desconhecido, misto de ang√ļstia e de tristeza. Era um poema dedicado √† minha m√£e, ou seja, √†quela que conheci como tal, a ang√©lica madrasta cuja sombra suave me protegeu toda a inf√Ęncia. Completamente incapaz de julgar a minha primeira produ√ß√£o, levei-a aos meus pais. Eles estavam na sala de jantar, afundados numa daquelas conversas em voz baixa que dividem mais que um rio o mundo das crian√ßas e o dos adultos. Estendi-lhes o papel com as linhas, tremente ainda da primeira visita da inspira√ß√£o. O meu pai, distraidamente, tomou-o nas m√£os, leu-o distraidamente, devolveu-mo distraidamente, dizendo-me:
‚ÄĒ Donde o copiaste?

E continuou a falar em voz baixa com a minha mãe dos seus importantes e remotos assuntos. Julgo recordar que nasceu assim o meu primeiro poema e que assim tive a primeira amostra distraída de crítica literária.

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A Cr√≠tica, tanto na mais elevada quanto na mais baixa de sua express√Ķes, n√£o passa de uma forma de autobiografia.

Eu tenho a paix√£o de ser ¬ęleccionado¬Ľ: e basta darem-me a entender o bom caminho para eu me atirar a ele. Mas a cr√≠tica, ou o que em Portugal se chama a cr√≠tica, conserva sobre mim um sil√™ncio desdenhoso.

Todo o crítico é exatamente como uma mulher na idade crítica: rancoroso e reprimido.

Arte e Sensibilidade

1) Toda a arte se baseia na sensibilidade, e essencialmente na sensibilidade.
2) A sensibilidade é pessoal e intransmissível.
3) Para se transmitir a outrem o que sentimos, e é isso que na arte buscamos fazer, temos que decompor a sensação, rejeitando nela o que é puramente pessoal, aproveitando nela o que, sem deixar de ser individual, é todavia susceptível de generalidade, portanto, compreensível, não direi já pela inteligência, mas ao menos pela sensibilidade dos outros.
4) Este trabalho intelectual tem dois tempos: a) a intelectualiza√ß√£o directa e instintiva da sensibilidade, pela qual ela se converte em transmiss√≠vel (√© isto que vulgarmente se chama “inspira√ß√£o”, quer dizer, o encontrar por instinto as frases e os ritmos que reduzam a sensa√ß√£o √† frase intelectual (prim. vers√£o: tirem da sensa√ß√£o o que n√£o pode ser sens√≠vel aos outros e ao mesmo tempo, para compensar, refor√ßam o que lhes pode ser sens√≠vel); b) a reflex√£o cr√≠tica sobre essa intelectualiza√ß√£o, que sujeita o produto art√≠stico elaborado pela “inspira√ß√£o” a um processo inteiramente objectivo ‚ÄĒ constru√ß√£o, ou ordem l√≥gica, ou simplesmente conceito de escola ou corrente.
5) Não há arte intelectual, a não ser, é claro, a arte de raciocinar. Simplesmente,

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A Miss√£o da Assembleia da Rep√ļblica

Se ontem se podia afirmar que a miss√£o hist√≥rica da Assembleia Constituinte consistia em dar viabilidade √† democracia em Portugal, hoje podemos dizer que sobre a Assembleia da Rep√ļblica recai o essencial da tarefa de a concretizar na pr√°tica do Estado que a recente Constitui√ß√£o reformulou. (…) A Assembleia da Rep√ļblica tem de vir a ser a consci√™ncia pol√≠tica vis√≠vel deste Povo, tornando-se num espelho fiel das suas necessidades e anseios, das suas dificuldades e esperan√ßas e, ao mesmo tempo, no centro impulsionador da ac√ß√£o colectiva. (…) A Assembleia da Rep√ļblica tem de ser o espa√ßo da cr√≠tica justa e l√ļcida ao Governo e √† administra√ß√£o p√ļblica e da den√ļncia oportuna das situa√ß√Ķes que intoleravelmente oprimem, exploram e alienam a pessoa humana, lembrando tamb√©m a cada momento o que, sendo exequ√≠vel, ainda n√£o foi feito no dom√≠nio da a√ß√£o do Estado e dos poderes locais.

A cr√≠tica? Bem v√™: nas circunst√Ęncias em que me encontro, a cr√≠tica n√£o me poderia ajudar. Ela de resto nunca ajuda um autor. Tende afazer de mediadora entre uma linguagem e um entendimento. Ajudar√° o leitor.

A Poesia

… Quantas obras de arte… J√° n√£o cabem no mundo… Temos de as pendurar fora dos quartos… Quantos livros… Quantos livrecos… Quem ser√° capaz de os ler?… Se fossem comest√≠veis… Se numa panela de grande calado os fiz√©ssemos em salada, os pic√°ssemos, os alinh√°ssemos… J√° n√£o se pode mais… Estamos at√© ao pesco√ßo… O mundo afoga-se na mar√©… Reverdy dizia-me: ¬ęAvisei o correio para que n√£o me trouxesse mais livros… N√£o poderia abri-los. N√£o tenho espa√ßo. Trepam pelas paredes, temi uma cat√°strofe, ruiriam em cima da minha cabe√ßa¬Ľ… Todos conhecem Eliot… Antes de ser pintor, de dirigir teatros, de escrever luminosas cr√≠ticas, lia os meus versos… Sentia-me lisonjeado… Ningu√©m os compreendia melhor… At√© que um dia come√ßou a ler-me os seus e eu, egoisticamente, corri a protestar: ¬ęN√£o mos leia, n√£o mos leia¬Ľ… Fechei-me no quarto de banho, mas Eliot, atrav√©s da porta, lia-mos… Fiquei muito triste… O poeta Frazer, da Esc√≥cia, estava presente… Increpou-me: ¬ęPorque tratas assim Eliot?¬Ľ… Respondi: ¬ęN√£o quero perder o meu leitor. Cultivei-o. Conhece at√© as rugas da minha poesia… Tem tanto talento… Pode fazer quadros… Pode escrever ensaios… Mas eu quero manter este leitor, conserv√°-lo, reg√°-lo como planta ex√≥tica… Compreendes-me, Frazer?¬Ľ… Porque a verdade, se isto continua,

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O Universal Op√Ķe-se a Qualquer √Čpoca

√Č admiss√≠vel que o g√©nio n√£o seja apreciado na sua √©poca porque a ela se op√Ķe; mas pode-se perguntar por que raz√£o √© apreciado nas √©pocas vindouras. O universal op√Ķe-se a qualquer √©poca, pois as caracter√≠sticas desta s√£o necessariamente particulares; porque ser√° ent√£o que o g√©nio, que se ocupa de valores universais e permanentes, √© mais favoravelmente recebido por uma √©poca do que por outra?
A raz√£o √© simples. Cada √©poca resulta da cr√≠tica da √©poca precedente e dos princ√≠pios subjacentes √† vida civilizacional da mesma. Enquanto que um s√≥ princ√≠pio est√° subjacente, ou parece estar subjacente, a cada √©poca, as cr√≠ticas desse princ√≠pio √ļnico s√£o variadas, tendo apenas em comum o facto de se ocuparem da mesma coisa. Ao opor-se √† sua √©poca, o homem de g√©nio critica-a implicitamente, integrando-se implicitamente numa ou noutra das correntes cr√≠ticas da √©poca seguinte.
Ele próprio pode produzir uma ou outra dessas correntes, como Wordsworth; pode não produzir nenhuma, como Blake, e contudo viver de acordo com uma atitude paralela à sua, surgida naquela época sem ser por um discipulado propriamente dito.
Quanto mais universal é o génio, mais facilmente será aceite pela época imediatamente a seguir, pois mais profunda será a crítica implícita da sua própria época.

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Sobre a Diferença dos Espíritos

Apesar de todas as qualidades do espírito se poderem encontrar num grande espírito, algumas há, no entanto, que lhe são próprias e específicas: as suas luzes não têm limites, actua sempre de igual modo e com a mesma actividade, distingue os objectos afastados como se estivessem presentes, compreende e imagina as coisas mais grandiosas, vê e conhece as mais pequenas; os seus pensamentos são elevados, extensos, justos e intelegíveis; nada escapa à sua perspicácia, que o leva sempre a descobrir a verdade, através das obscuridades que a escondem dos outros. Mas, todas estas grandes qualidades não impedem por vezes que o espírito pareça pequeno e fraco, quando o humor o domina.
Um belo esp√≠rito pensa sempre nobremente; produz com facilidade coisas claras, agrad√°veis e naturais; torna vis√≠veis os seus aspectos mais favor√°veis, e enfeita-os com os ornamentos que melhor lhes conv√™m; compreende o gosto dos outros e suprime dos seus pensamentos tudo o que √© in√ļtil ou lhe possa desagradar. Um esp√≠rito recto, f√°cil e insinuante sabe evitar e ultrapassar as dificuldades; adapta-se facilmente a tudo o que quer; sabe conhecer e acompanhar o espirito e o humor daqueles com quem priva e ao preocupar-se com os interesses dos amigos,

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A Armadilha da Realidade

Uma das primeiras armadilhas interiores √© aquilo que chamamos de ¬ęrealidade¬Ľ. Falo, √© claro, da ideia de realidade que actua como a grande fiscalizadora do nosso pensamento. O maior desafio √© sermos capazes de n√£o ficar aprisionados nesse recinto que uns chamam de ¬ęraz√£o¬Ľ, outros de ¬ębom-senso¬Ľ. A realidade √© uma constru√ß√£o social e √©, frequentemente, demasiado real para ser verdadeira. N√≥s n√£o temos sempre que a levar t√£o a s√©rio.
Quando Ho Chi Minh saiu da pris√£o e lhe perguntaram como conseguiu escrever versos t√£o cheios de ternura numa pris√£o t√£o desumana ele respondeu: ¬ęEu desvalorizei as paredes.¬Ľ Essa li√ß√£o se converteu num lema da minha conduta.
Ho Chi Minh ensinou a si pr√≥prio a ler para al√©m dos muros da pris√£o. Ensinar a ler √© sempre ensinar a transpor o imediato. √Č ensinar a escolher entre sentidos vis√≠veis e invis√≠veis. E ensinar a pensar no sentido original da palavra ¬ępensar¬Ľ que significava ¬ęcurar¬Ľ ou ¬ętratar¬Ľ um ferimento. Temos de repensar o mundo no sentido terap√™utico de o salvar de doen√ßas de que padece. Uma das prescri√ß√Ķes m√©dicas √© mantermos a habilidade da transcend√™ncia, recusando ficar pelo que √© imediatamente percept√≠vel. Isso implica a aplica√ß√£o de um medicamento chamado inquieta√ß√£o cr√≠tica.

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