Passagens de Sigmund Freud

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A Vida e o Jogo

Quando a crian√ßa cresceu e abandonou os seus jogos, quando durante anos se esfor√ßou psiquicamente por agarrar as realidades da vida com a seriedade desejada, pode acontecer que um dia se encontre de novo numa disposi√ß√£o ps√≠quica que volta a apagar esta oposi√ß√£o entre o jogo e a realidade. O homem adulto lembra-se da grande seriedade com que se entregava aos jogos infantis e acaba por comparar as suas ocupa√ß√Ķes por assim dizer graves com esses jogos dos tempos da inf√Ęncia: liberta-se ent√£o da opress√£o demasiado pesada da vida e conquista a frui√ß√£o superior do humor.

Civilização Imposta por uma Minoria

√Č curioso como os homens, que t√£o mal sabem viver isolados, se sentem, no entanto, pesadamente oprimidos pelos sacrif√≠cios que a civiliza√ß√£o espera deles a fim de lhes possibilitar que vivam em comum.
(…) A civiliza√ß√£o √© coisa imposta a uma maioria recalcitrante por uma minoria que descobriu como apropriar-se dos meios de poder e coac√ß√£o.

Religi√£o seria assim a neurose obsessiva universal da humanidade, tal como a neurose obsessiva das crian√ßas, que decorre do Complexo de √Čdipo, na rela√ß√£o com o pai.

A Máscara do Esquecimento e do Equívoco

Sob a m√°scara do esquecimento e do equ√≠voco, invocando como justifica√ß√£o a aus√™ncia de m√°s inten√ß√Ķes, os homens expressam sentimentos e paix√Ķes cuja realidade seria bem melhor, tanto para eles pr√≥prios como para os outros, que confessassem a partir do momento em que n√£o est√£o √† altura de os dominar.

O primeiro humano que insultou o seu inimigo, em vez de atirar-lhe uma pedra, inaugurou a civilização.

Evitar o Sofrimento

Privamo-nos para mantermos a nossa integridade, poupamos a nossa sa√ļde, a nossa capacidade de gozar a vida, as nossas emo√ß√Ķes, guardamo-nos para alguma coisa sem sequer sabermos o que essa coisa √©. E este h√°bito de reprimirmos constantemente as nossas puls√Ķes naturais √© o que faz de n√≥s seres t√£o refinados. Porque √© que n√£o nos embriagamos? Porque a vergonha e os transtornos das dores de cabe√ßa fazem nascer um desprazer mais importante que o prazer da embriaguez. Porque √© que n√£o nos apaixonamos todos os meses de novo? Porque, por altura de cada separa√ß√£o, uma parte dos nossos cora√ß√Ķes fica desfeita. Assim, esfor√ßamo-nos mais por evitar o sofrimento do que na busca do prazer.

O homem enérgico e que é bem sucedido é o que consegue transformar em realidades as fantasias do desejo.

Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos

Não, nossa ciência não é uma ilusão. Ilusão seria imaginar que aquilo que a ciência não nos pode dar, podemos conseguir em outro lugar.

A nossa civiliza√ß√£o √© em grande parte respons√°vel pelas nossas desgra√ßas. Ser√≠amos muito mais felizes se a abandon√°ssemos e retorn√°ssemos √†s condi√ß√Ķes primitivas.

A ciência não é uma ilusão, mas seria uma ilusão acreditar que poderemos encontrar noutro lugar o que ela não nos pode dar.

Que contraste perturbador existe entre a inteligência radiante de uma criança e a frágil mentalidade de um adulto mediano.