Passagens sobre Sempre

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Frases sobre sempre, poemas sobre sempre e outras passagens sobre sempre para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

H√° que P√īr Pedra sobre Pedra

Nunca pensei em ser governo, nunca o quis mesmo, mas interessei-me sempre muito pelos neg√≥cios p√ļblicos, pelos neg√≥cios do Pa√≠s. E a√≠ tem um exemplo, anterior √† minha entrada no Governo, que lhe pode dar uma ideia do ritmo da minha ac√ß√£o, da tal marcha vagarosa de que me acusam…
(…) √Č que me fui habilitando, lentamente, sem precipita√ß√Ķes, quase sem dar por isso, liberto de qualquer ambi√ß√£o de ordem pessoal. E assim, quando a minha interven√ß√£o na m√°quina do Estado p√īde ser √ļtil, ela foi aproveitada, talvez, como n√£o seria se eu tivesse improvisado uma cultura. Pois com a marcha do Pa√≠s o mesmo acontece. H√° que p√īr pedra sobre pedra, mas desinteressadamente, sem pensar na gl√≥ria pr√≥pria e sem pensar at√©, excessivamente, na ab√≥bada, na finalidade. A √Ęnsia de chegar ao fim, de fazer muitas coisas ao mesmo tempo leva, √†s vezes, ao fim, mas ao fim de tudo…

Par Constante

Dia dois… uma festa… Era o m√™s de janeiro…
Festa da minha vida… A noite azul, brilhante…
Chegaste… E eu fui teu par… fui o teu par primeiro…
Dan√ßamos… (como √© bom lembrar aquele instante!)

Tu, t√£o linda, nem sei… Eu, feliz, petulante,
um pouco petulante, sim… mas cavalheiro…
Dan√ßamos toda a noite… E fui teu par constante…
Nem s√≥ teu par constante… Eu fui teu par primeiro…

Quantas cousas te disse… E assim juntos, os dois,
com os meus olhos nos teus – afinal, quem diria
o mundo que ainda havia de surgir depois?

Quem diria ao nos ver, talvez, aquele instante,
que o nosso par feliz, constante aquele dia,
seria a vida inteira e sempre um par constante!

Os jovens sempre tiveram um problema: como é que é possível rebelarem-se e enquadrarem-se ao mesmo tempo? Agora parece que o resolveram: desafiando os pais e copiando-se uns aos outros.

Atravess√°mos e Vencemos Tudo

Olho para o passado com embriagu√™s, mas n√£o √© com menos deslumbramento que encaro o nosso futuro. Eis-nos, agora, um do outro para todo o sempre, sem ansiedades, sem inquieta√ß√Ķes, sem ang√ļstias. Atravess√°mos e vencemos tudo o que era mau e que poderia ser fatal. Estamos na plena posse dos nossos dois destinos fundidos num s√≥. O nosso amor n√£o ter√° a frescura dos primeiros tempos, mas √© um amor posto √† prova, um amor que conhece a sua for√ßa, e que mesmo para al√©m do t√ļmulo, espera ser infinito. O amor, quando nasce, s√≥ v√™ a vida, o amor que dura v√™ a eternidade.

Ah! N√£o me diga que concorda comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impress√£o de que estou errado.

LXXIX

Entre este √°lamo, o Lise, e essa corrente,
Que agora est√£o meus olhos contemplando,
Parece, que hoje o céu me vem pintando
A m√°goa triste, que meu peito sente.

Firmeza a nenhum deles se consente
Ao doce respirar do vento brando;
O tronco a cada instante meneando,
A fonte nunca firme, ou permanente.

Na líquida porção, na vegetante
Cópia daquelas ramas se figura
Outro rosto, outra imagem semelhante:

Quem n√£o sabe, que a tua formosura
Sempre móvel está, sempre inconstante,
Nunca fixa se viu, nunca segura?

Para andar no favor e na memória dos potentados, é preciso ter sempre fumegando o turíbulo da cortesã lisonja. Desagradam as verdades. Para os vãos e para os soberbos já a ausência do louvor é vitupério.

Nem sempre consigo perdoar. N√£o espere me perder para sentir minha falta. N√£o me deixe ir, posso n√£o mais voltar.

Nenhuma Morte Apagar√° os Beijos

Nenhuma morte apagar√° os beijos
e por dentro das casas onde nos am√°mos ou pelas ruas
[clandestinas da grande cidade livre
estar√£o para sempre vivos os sinais de um grande amor,
esses densos sinais do amor e da morte
com que se vive a vida.

Aí estarão de novo as nossas mãos.
E nenhuma dor será possível onde nos beijámos.
Eternamente apaixonados, meu amor. Eternamente livres.
Prolongaremos em todos os dedos os nossos gestos e,
profundamente, no peito dos amantes, a nossa alma líquida
[e atormentada

desvender√° em cada minuto o seu segredo
para que este amor se prolongue e noutras bocas
ardam violentos de paix√£o os nossos beijos
e os corpos se abracem mais e se confundam
mutuamente violando-se, violentando a noite
para que outro dia, afinal, seja possível.

Sabeis o que √© perder uma mulher que se ama… v√™-la perdida, e ouvir o brado √≠ntimo da consci√™ncia dizer-nos, que √© perdida… para sempre? √Č aquilo, que converte uma sociedade de homens em peleja de tigres! √Č uma cousa s√≥ imitada pelos vulc√Ķes no momento da irrup√ß√£o! √Č tormento, que nos mandou o inferno!

No amor, nem sempre são as faltas que nos perdem: é a maneira de proceder depois de as termos praticado.

Conta Comigo Sempre

Conta comigo sempre. Desde a s√≠laba inicial at√© √† √ļltima gota de sangue. Venho do sil√™ncio incerto do poema e sou, umas vezes constela√ß√£o e outras vezes √°rvore, tantas vezes equil√≠brio, outras tantas tempestade. A nossa mem√≥ria √© um mist√©rio, recordo-me de uma m√ļsica maravilhosa que nunca ouvi, na qual consigo distinguir com clareza as flautas, os violinos, o obo√©.
O sonho √©, e ser√° sempre e apenas, dos vivos, dos que mastigam o p√£o amadurecido da d√ļvida e a carne deslumbrada das pupilas. Estou entre vazios e plenitudes, encho as m√£os com uma fragilidade que √© um p√°ssaro s√°bio e distra√≠do que se aninha no cora√ß√£o e se alimenta de amor, esse amor acima do desejo, bem acima do sofrimento.
Conta comigo sempre. Piso as mesmas pedras que tu pisas, ergo-me da face da mesma moeda em que te reconheço, contigo quero festejar dias antigos e os dias que hão-de vir, contigo repartirei também a minha fome mas, e sobretudo, repartirei até o que é indivisível. Tu sabes onde estou.
Sabes como me chamo. Estarei presente quando já mais ninguém estiver contigo, quando chegar a hora decisiva e não encontrares mais esperança, quando a tua antiga coragem vacilar.

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Os Sábios Célebres

Todos vós, os sábios célebres, nunca fostes mais do que os servidores do povo e da superstição popular, e não os servidores da verdade. E é precisamente por isso que vos têm honrado.
E por isso também foi tolerada a vossa incredulidade, porque parecia uma brincadeira, um rodeio engenhoso que vos levava ao povo. Assim o amo dá maior liberdade aos seus escravos e regozija-se até com a sua presunção.
Mas aquele que o povo odeia, com o ódio do lobo pelos cães, é o espírito livre, inimigo das algemas, aquele que não adora, aquele que habita as florestas.
Persegui-lo at√© ao seu esconderijo, √© aquilo a que o povo, sempre chamou ter o ¬ęsentido de justi√ßa¬Ľ; e ainda por cima d√£o ca√ßa ao solit√°rio com os seus ferozes mastins.
‘Porque a verdade est√° onde o povo est√°! Ai daqueles que a procuram!’ – √© isto o que ecoa atrav√©s dos tempos.
Quer√≠eis assentar na raz√£o a piedade tradicional do vosso povo e √© a isso que chamais ¬ęa vontade de verdade¬Ľ, √≥ s√°bios c√©lebres!
E o vosso cora√ß√£o insiste em dizer para si pr√≥prio: ‘Eu vim do povo, foi tamb√©m do povo que me veio a voz de Deus.’

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