Textos sobre Glória

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Textos de glória escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

O Nobre Patriotismo dos Patriotas

H√° em primeiro lugar o nobre patriotismo dos patriotas: esses amam a p√°tria, n√£o dedicando-lhe estrofes, mas com a serenidade grave e profunda dos cora√ß√Ķes fortes. Respeitam a tradi√ß√£o, mas o seu esfor√ßo vai todo para a na√ß√£o viva, a que em torno deles trabalha, produz, pensa e sofre: e, deixando para tr√°s as gl√≥rias que ganh√°mos nas Molucas, ocupam-se da p√°tria contempor√Ęnea, cujo cora√ß√£o bate ao mesmo tempo que o seu, procurando perceber-lhe as aspira√ß√Ķes, dirigir-lhe as for√ßas, torn√°-la mais livre, mais forte, mais culta, mais s√°bia, mais pr√≥spera, e por todas estas nobres qualidades elev√°-la entre as na√ß√Ķes. Nada do que pertence √† p√°tria lhes √© estranho: admiram decerto Afonso Henriques, mas n√£o ficam para todo o sempre petrificados nessa admira√ß√£o: v√£o por entre o povo, educando-o e melhorando-o, procurando-lhe mais trabalho e organizando-lhe mais instru√ß√£o, promovendo sem descanso os dois bens supremos – ci√™ncia e justi√ßa.
P√Ķem a p√°tria acima do interesse, da ambi√ß√£o, da glor√≠ola; e se t√™m por vezes um fanatismo estreito, a sua mesma paix√£o diviniza-os. Tudo o que √© seu o d√£o √† p√°tria: sacrificam-lhe vida, trabalho, sa√ļde, for√ßa, o melhor de si mesmo. D√£o-lhe sobretudo o que as na√ß√Ķes necessitam mais,

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H√° que P√īr Pedra sobre Pedra

Nunca pensei em ser governo, nunca o quis mesmo, mas interessei-me sempre muito pelos neg√≥cios p√ļblicos, pelos neg√≥cios do Pa√≠s. E a√≠ tem um exemplo, anterior √† minha entrada no Governo, que lhe pode dar uma ideia do ritmo da minha ac√ß√£o, da tal marcha vagarosa de que me acusam…
(…) √Č que me fui habilitando, lentamente, sem precipita√ß√Ķes, quase sem dar por isso, liberto de qualquer ambi√ß√£o de ordem pessoal. E assim, quando a minha interven√ß√£o na m√°quina do Estado p√īde ser √ļtil, ela foi aproveitada, talvez, como n√£o seria se eu tivesse improvisado uma cultura. Pois com a marcha do Pa√≠s o mesmo acontece. H√° que p√īr pedra sobre pedra, mas desinteressadamente, sem pensar na gl√≥ria pr√≥pria e sem pensar at√©, excessivamente, na ab√≥bada, na finalidade. A √Ęnsia de chegar ao fim, de fazer muitas coisas ao mesmo tempo leva, √†s vezes, ao fim, mas ao fim de tudo…

A Glória como Mira

Nem todos os homens nasceram para os grandes talentos; e n√£o creio que se possa olhar isso como uma desgra√ßa, pois que √© necess√°rio conservar todas as condi√ß√Ķes, e as artes mais necess√°rias n√£o s√£o as mais engenhosas, nem as mais prestigiadas. Mas o que importa, creio, √© que reina em todos esses estados uma gl√≥ria adequada ao m√©rito que eles solicitam. √Č o amor dessa gl√≥ria que os aperfei√ßoa, que torna os homens de todas as condi√ß√Ķes mais virtuosos, e que faz florescer os imp√©rios, como a experi√™ncia de todos os seculos o demonstra.
Essa glória, inferior à dos talentos mais elevados, não é menos justamente fundamentada; porque aquilo que é bom em si mesmo não pode ser anulado por aquilo que é melhor; o que é estimável pode perder a nossa estima, mas não pode sofrer decesso no seu ser; isso é visível.
Se existe então algum erro a esse respeito entre os homens, é quando procuram uma glória superior aos seus talentos, uma glória, por conseguinte, que engana os seus desejos e os faz negligenciar aquilo que realmente lhes cabe por natureza; que mantém, no entanto, o seu espírito acima da sua condição e os salva talvez de numerosas fraquezas.

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A Acção Mais Degradada

A ac√ß√£o mais degradada √© a daquele que n√£o age e passa procura√ß√£o a outrem para agir – a dos frequentadores dos espect√°culos de luta e a dos consumidores da literatura de viol√™ncia. Ser her√≥i e atrav√©s de outrem, ser corajoso em imagina√ß√£o, √© o limite extremo da ac√ß√£o gratuita, do orgulho ou da vaidade que n√£o ousa. Corre-se o risco sem se correr, experi¬≠menta-se como se se experimentasse, colhe-se o prazer do triunfo sem nada arriscar. E √© por isso que os fIlmes de guerra, do hero√≠smo policial, de espionagem, t√™m de acabar bem. Por¬≠que o que a√≠ se procura √© justamente o sabor do triunfo e n√Ęo apenas do risco. O gosto do risco procura-o o her√≥i real, o jogador que pode perder. Mas o espectador da sua luta, degra¬≠dado na sedu√ß√£o da ac√ß√£o, acentua a sua mediocridade no n√£o poder aceitar a derrota, no fingir que corre o risco mesmo em fic√ß√£o, mas com a certeza pr√©via de que o risco √© vencido. O que ele procura √© a pequena lisonja √† sua vaidade pequena, a figura√ß√£o da coragem para a sua cobardia, e s√≥ a vit√≥ria do her√≥i a quem passou procura√ß√£o o pode lisonjear.
E se o herói morre em grandeza,

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Os Erros do Nosso Tempo

√Č dif√≠cil havermo-nos com os erros do nosso tempo. Se os enfrentamos ficamos desacompanhados, e se nos deixamos apanhar por eles n√£o ganhamos com isso nem gl√≥ria nem alegria.
Para destruir servem todos os falsos argumentos. Para construir, não. O que não é verdade não é construtivo.

Desejar Aplausos

Desejar aplausos em arte √© mais uma necessidade do que uma vaidade. √Č sentir que se √© necess√°rio, que nos querem. N√£o h√° nada mais esterilizante do que estar o dia inteiro no consult√≥rio √† espera de doentes que nos passam √† porta e v√£o √† consulta do vizinho. Escrever para a posteridade n√£o consola nem estimula ningu√©m. A leg√≠tima ora√ß√£o de todo o artista, quer queiram, quer n√£o, tem de ser esta: dai-nos, Senhor, um pouco de gl√≥ria em vida.

Literatura Real e Literatura Aparente

Em todas as √©pocas, existem duas literaturas que caminham lado a lado e com muitas diferen√ßas entre si: uma real e outra apenas aparente. A primeira cresce at√© se tornar uma leitura permanente. Exercida por pessoas que vivem para a ci√™ncia ou para a poesia, ela segue o seu caminho com seriedade e tranquilidade, produzindo na Europa pouco menos de uma d√ļzia de obras por s√©culo, que, no entanto, permanecem. A outra, exercida por pessoas que vivem da ci√™ncia ou da poesia, anda a galope, com rumor e alarido por parte dos interessados, trazendo anualmente milhares de obras ao mercado. Ap√≥s poucos anos, por√©m, as pessoas perguntam: Onde est√£o essas obras? Onde est√° a sua gl√≥ria t√£o prematura e ruidosa? Por isso, pode-se tamb√©m chamar esta √ļltima de literatura que passa, e aquela, de literatura que fica.

O Fim Justifica o Meio

Os meios virtuosos e bonacheir√Ķes n√£o levam a nada. √Č preciso utilizar alavancas mais en√©rgicas e mais s√°bios enredos. Antes de te tornares c√©lebre pela virtude e de atingires o teu objectivo, haver√° cem que ter√£o tempo de fazer piruetas por cima das tuas costas e de chegar ao fim da corrida antes de ti, de tal modo que deixar√° de haver lugar para as tuas ideias estreitas. √Č preciso saber abarcar com mais amplitude o horizonte do tempo presente.
Nunca ouviste falar, por exemplo, da gl√≥ria imensa que as vit√≥rias alcan√ßam? E, no entanto, as vit√≥rias n√£o surgem sozinhas. √Č preciso que o sangue corra, muito sangue, para serem geradas e depostas aos p√©s dos conquistadores. Sem os cad√°veres e os membros esparsos que v√™s na plan√≠cie onde se desenrolou sabiamente a carnificina, n√£o haver√° guerra, e sem guerra n√£o haver√° vit√≥ria. Est√£o a ver que, quando algu√©m se quer tornar c√©lebre, tem que mergulhar graciosamente em rios de sangue, alimentados com carne para canh√£o. O fim justifica o meio.

A gl√≥ria s√≥ coroar√° a const√Ęncia na pr√°tica do bem

A gl√≥ria s√≥ coroar√° a const√Ęncia na pr√°tica do bem.

O Amor Era a Festa do Inimit√°vel

O amor, outrora, era a festa do individual, do inimit√°vel, a gl√≥ria do que √© √ļnico, do que n√£o suporta qualquer repeti√ß√£o. Mas o umbigo n√£o s√≥ n√£o se revolta contra a repeti√ß√£o, √© um apelo √†s repeti√ß√Ķes! Vamos viver, no nosso mil√©nio, sob o signo do umbigo. Sob este signo, somos todos, tanto um como outro, soldados do sexo, com o mesmo olhar fixo n√£o sobre a mulher amada mas sobre o mesmo pequeno buraco no meio da barriga que representa o √ļnico sentido, o √ļnico fim, o √ļnico futuro de todo o desejo er√≥tico.

Não sejamos cobiçosos de glória vã

Não sejamos cobiçosos de glória vã, provocando-nos uns aos outros e invejando-nos uns aos outros.

A Quimera da Felicidade

(…) do alto de uma montanha, inclinei os olhos a uma das vertentes, e contemplei, durante um tempo largo, ao longe, atrav√©s de um nevoeiro, uma cousa √ļnica. Imagina tu, leitor, uma redu√ß√£o dos s√©culos, e um desfilar de todos eles, as ra√ßas todas, todas as paix√Ķes, o tumulto dos imp√©rios, a guerra dos apetites e dos √≥dios, a destrui√ß√£o rec√≠proca dos seres e das cousas. Tal era o espect√°culo, acerbo e curioso espect√°culo. A hist√≥ria do homem e da terra tinha assim uma intensidade que n√£o lhe podiam dar nem a imagina√ß√£o nem a ci√™ncia, porque a ci√™ncia √© mais lenta e a imagina√ß√£o mais vaga, enquanto que o que eu ali via era a condensa√ß√£o viva de todos os tempos. Para descrev√™-la seria preciso fixar o rel√Ęmpago. Os s√©culos desfilavam num turbilh√£o, e, n√£o obstante, porque os olhos do del√≠rio s√£o outros, eu via tudo o que passava diante de mim, – flagelos e del√≠cias, – desde essa cousa que se chama gl√≥ria at√© essa outra que se chama mis√©ria, e via o amor multiplicando a mis√©ria, e via a mis√©ria agravando a debilidade. A√≠ vinham a cobi√ßa que devora, a c√≥lera que inflama, a inveja que baba,

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No Amor Somos Todos Meninos

No amor, somos todos meninos. Meninas, pequenos, pequeninos. Sentimo-nos coisas poucas perante a glória descarada de quem amamos. Quem ama não passa de um recém-nascido, que recém-nasce todos os dias.
Hoje não é diferente. Hoje é o dia, no ano de 2000, em que tive a sorte de me casar com a Maria João, cega, linda e enganada nesse momento como até agora, graças a um Deus que privilegia os que não merecem.
Os casamentos est√£o para os n√ļmeros e para a sorte como as rifas e as lotarias. Havendo amor, passa-se a semana a pensar que se vai ganhar e depois h√° um dia em que se perde – quando h√° discuss√Ķes – seguido de mais uma semana com uma nova esperan√ßa. O amor est√° l√° sempre, quer se ganhe ou se perca. O amor corresponde ao jogo em si. H√° jogos sucessivos com resultados diferentes, mas o jogo √© sempre o mesmo. Aos jogadores apenas se pede o imposs√≠vel, facilmente concedido: acreditar que podem ganhar. Estamos casados h√° 11 anos. Passaram num instante. Pareceram mais do que 11 dias, mas menos, muito menos do que 11 meses.
Dizem que os n√ļmeros n√£o querem dizer nada.

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A Arte de Representar

A base da representa√ß√£o √© a falsidade. A arte do ator consiste em servir-se do drama do autor para mostrar por meio dele a sua capacidade de interpreta√ß√£o. A pe√ßa √© como uma barra onde o actor mostra as suas habilidades gin√°sticas. √Č apenas limitado pelas condi√ß√Ķes necess√°rias de uma barra: pode fazer com ela apenas um n√ļmero limitado de coisas, mas pode fazer de mil formas individuais.
A representa√ß√£o, repito, tem todo o atractivo de uma falsifica√ß√£o. Todos adoramos um falsificador. √Č um sentimento muito humano e completamente instintivo. Todos adoramos a trapa√ßa e a imita√ß√£o. A representa√ß√£o une e intensifica, por meio do car√°cter material e vital das suas manifesta√ß√Ķes, todos os baixos instintos do instinto art√≠stico ‚ÄĒ o instinto do enigma, o instinto do trap√©zio (…). √Č popular e apreciado por estas raz√Ķes, ou antes, por esta raz√£o.
A sede de gl√≥ria do artista √© feita carne na sede de aplauso do actor. Todo o aparecimento em p√ļblico √© baixo. Todas as assembleias s√£o multid√Ķes, e se n√£o suadas de corpo, pelo menos suadas de emo√ß√Ķes.
Todos os esp√≠ritos grosseiros adoram falar. Ser falador √© j√° por si vulgar. A √ļnica coisa que torna a verbosidade interessante √© a profanidade e a obscenidade,

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A Esperança é o Bordão da Vida

A esperan√ßa √© o bord√£o da vida. H√° uma coisa do Padre Vieira, muito bonita, em que ele fala do Non. Terr√≠vel palavra √© o non, de qualquer lado por onde se pegue, √© sempre Non ‚Äď isto aparece no meu filme ‚ÄúNon ou a v√£ gl√≥ria de mandar‚ÄĚ, dito por esse grande actor, o Ruy de Carvalho. A √ļltima palavra do Vieira sobre Non √©: ‚ÄúO Non tira a esperan√ßa, que √© a √ļltima coisa que a natureza deixou ao homem‚ÄĚ. Sem esperan√ßa n√£o se pode viver.

[A esperança e o desejo são o que nos impele a fazer, prosseguir. Mas não é supremamente difícil mantê-los vivos?]

O desejo n√£o nos impele para existir. O desejo impele para a continuidade da esp√©cie. O que nos impele √† exist√™ncia √© o que diz o maia, ‚Äúcome para viveres‚ÄĚ, e isso √© a fome. A fome √© o que nos garante a subsist√™ncia. Se n√£o tiv√©ssemos fome, n√£o com√≠amos, n√£o comendo, n√£o sobreviv√≠amos. Se n√£o tiv√©ssemos o desejo, n√£o ter√≠amos a rela√ß√£o sexual e a rela√ß√£o sexual √© que garante a continuidade da esp√©cie. O desejo √© uma coisa, a fome √© outra. S√£o os dois para a continuidade: um para a continuidade do indiv√≠duo,

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Os Amigos Nunca S√£o para as Ocasi√Ķes

Os amigos nunca s√£o para as ocasi√Ķes. S√£o para sempre. A ideia utilit√°ria da amizade, como entreajuda, pronto-socorro m√ļtuo, troca de favores, dep√≥sito de confian√ßa, sociedade de desabafos, mete nojo. A amizade √© puro prazer. N√£o se pode contaminar com favores e ajudas, leia-se d√≠vidas. Pede-se, d√°-se, recebe-se, esquece-se e n√£o se fala mais nisso.

A decad√™ncia da amizade entre n√≥s deve-se √† instrumentaliza√ß√£o que tem vindo a sofrer. Transformou-se numa esp√©cie de ma√ßonaria, uma central de cunhas, palavrinhas, cumplicidades e compadrios. √Č por isso que as amizades se fazem e desfazem como se fossem la√ßos pol√≠ticos ou comerciais. Se algu√©m ¬ęfalta¬Ľ ou ¬ęn√£o corresponde¬Ľ, se n√£o cumpre as obriga√ß√Ķes contratuais, √© logo condenado como ¬ęmau¬Ľ amigo e sumariamente proscrito. Est√° tudo doido. S√≥ uma mis√©ria destas obriga a dizer o √≥bvio: os amigos s√£o as pessoas de que n√≥s gostamos e com quem estamos de vez em quando. Podemos nem sequer darmo-nos muito, ou bem, com elas. Ou gostar mais delas do que elas de n√≥s. N√£o interessa. A amizade √© um gosto ego√≠sta, ou inevitabilidade, o caminho de um cora√ß√£o em roda-livre.

Os amigos t√™m de ser in√ļteis. Isto √©, bastarem s√≥ por existir e,

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Às vezes a glória traz a humilhação e há quem da humilhação levante a cabeça

Às vezes a glória traz a humilhação e há quem da humilhação levante a cabeça.

A Política ao Sabor dos Humores Pessoais e Colectivos

Bem quero, mas n√£o consigo alhear-me da com√©dia democr√°tica que substituiu a trag√©dia autocr√°tica no palco do pa√≠s. S√≥ n√≥s! D√° vontade de chorar, ver tanta irreflex√£o. N√£o aprendemos nenhuma li√ß√£o pol√≠tica, por mais eloquente que seja. Cinquenta anos a suspirar sem gl√≥ria pelo fim de um jugo humilhante, e quando temos a oportunidade de ser verdadeiramente livres escravizamo-nos √†s nossas obsess√Ķes. Ningu√©m aqui entende outra voz que n√£o seja a dos seus humores.

√Č humoralmente que elegemos, que legislamos, que governamos. E somos uma comunidade de solid√Ķes impulsivas a todos os n√≠veis da cidadania. Com oitocentos anos de Hist√≥ria, parecemos crian√ßas sociais. Jogamos √†s escondidas nos corredores das institui√ß√Ķes.

Criar Banalidades, até Chegar ao Génio

Um pouco de trabalho, repetido trezentas e sessenta e cinco vezes, dá trezentas e sessenta e cinco vezes um pouco de dinheiro, isto é, uma soma enorme. Ao mesmo tempo, a glória está feita.
Do mesmo modo, uma por√ß√£o de pequenos gozos comp√Ķem a felicidade. Criar uma banalidade, √© o g√©nio. Devo criar uma banalidade.

A Hipocrisia do Conselho

Nada é mais hipócrita do que pedir ou dar conselhos. Quem pede, parece ter um respeito venerando pelos sentimentos do amigo a quem os pede, mas, no fundo, quer é fazer aprovar os sentimentos próprios e, assim, tornar o outro responsável pela sua conduta. Por outro lado, o que presta os conselhos retribui a confiança que lhe é dada, com um zelo ardente e desinteressado, apesar de, quase sempre, querer, através dos conselhos que dá, satisfazer os seus interesses ou a sua glória.