Textos sobre Glória

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Textos de glória escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A Vantagem do Conhecimento Alargado

No que se refere ao esp√≠rito dotado de capacidades elevadas – o √ļnico que pode ousar a solu√ß√£o dos grandes e dif√≠ceis problemas concernentes ao universal e geral das coisas -, ele far√° bem em estender o m√°ximo poss√≠vel o seu horizonte, mas sempre com equanimidade, para todos os lados, sem se perder muito numa dessas regi√Ķes bem espec√≠ficas e conhecidas apenas por poucos. Ou seja, sem penetrar demasiado profundamente nas especialidades de alguma ci√™ncia isolada, muito menos envolver-se com a micrologia. Pois n√£o tem necessidade de se dedicar a objectos de dif√≠cil acesso para livrar-se da multid√£o de concorrentes; pelo contr√°rio, justamente aquilo que est√° ao alcance de todos √© o que fornecer√° a mat√©ria para combina√ß√Ķes novas, importantes e verdadeiras. Desse modo, o seu m√©rito poder√° ser apreciado por todos os que conhecem os dados, portanto, por uma boa parte do g√©nero humano. Nisso reside a imensa diferen√ßa entre a gl√≥ria que os poetas e os fil√≥sofos alcan√ßam e aquela acess√≠vel a f√≠sicos, qu√≠micos, anatomistas, mineralogistas, zo√≥logos, fil√≥logos, historiadores, etc.

Nós Queimaremos o Mundo, Querida

Diz a Madame de Stael que os primeiros amores n√£o s√£o os mais fortes porque nascem simplesmente da necessidade de amar. Assim √© comigo; mas, al√©m dessa, h√° uma raz√£o capital, e √© que tu n√£o te pareces nada com as mulheres vulgares que tenho conhecido. Esp√≠rito e cora√ß√£o como o teu s√£o prendas raras; alma t√£o boa e t√£o elevada, sensibilidade t√£o melindrosa, raz√£o t√£o recta n√£o s√£o bens que a natureza espalhasse √†s m√£os cheias (…). Tu pertences ao pequeno n√ļmero de mulheres que ainda sabem amar, sentir, e pensar. Como te n√£o amaria eu? Al√©m disso tens para mim um dote que real√ßa os mais: sofreste. √Č minha ambi√ß√£o dizer √† tua grande alma desanimada: ¬ęlevanta-te, cr√™ e ama: aqui est√° uma alma que te compreende e te ama tamb√©m¬Ľ.
A responsabilidade de fazer-te feliz é decerto melindrosa; mas eu aceito-a com alegria, e estou certo que saberei desempenhar este agradável encargo. Olha, querida; também eu tenho pressentimento acerca da minha felicidade; mas que é isto senão o justo receio de quem não foi ainda completamente feliz?
Obrigado pela flor que mandaste; dei-lhe dois beijos como se fosse a ti mesma, pois que apesar de seca e sem perfume,

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A Liberdade é a Possibilidade do Isolamento

A liberdade √© a possibilidade do isolamento. √Čs livre se podes afastar-te dos homens, sem que te obrigue a procur√°-los a necessidade do dinheiro, ou a necessidade greg√°ria, ou o amor, ou a gl√≥ria, ou a curiosidade, que no sil√™ncio e na solid√£o n√£o podem ter alimento. Se te √© imposs√≠vel viver s√≥, nasceste escravo. Podes ter todas as grandezas do esp√≠rito, todas da alma: √©s um escravo nobre, ou um servo inteligente: n√£o √©s livre.
E n√£o est√° contigo a trag√©dia, porque a trag√©dia de nasceres assim n√£o √© contigo, mas do Destino para si somente. Ai de ti, por√©m, se a opress√£o da vida, ela pr√≥pria, te for√ßa a seres escravo. Ai de ti, se, tendo nascido liberto, capaz de te bastares e de te separares, a pen√ļria te for√ßa a conviveres. Essa sim, √© a tua trag√©dia, e a que trazes contigo.
Nascer liberto é a maior grandeza do homem, o que faz o ermitão humilde superior aos reis, e aos deuses mesmo, que se bastam pela força, mas não pelo desprezo dela.

Que Todos os Dias Sejam Dias de Amor

Jo√£o Brand√£o pergunta, prop√Ķe e decreta:
Se h√° o Dia dos Namorados, por que n√£o haver o Dia dos Amorosos, o Dia dos Amadores, o Dia dos Amantes? Com todo o fogo desta √ļltima palavra, que circula entre o carnal e o sublime?
E o Dia dos Amantes Exemplares e o Dia dos Amantes Plat√īnicos, que tamb√©m s√£o exemplares √† sua maneira, e dizem at√© que mais?
Por que não instituir, ó psicólogos, ó sociólogos, ó lojistas e publicitários, o Dia do Amor?
O Dia de Fazê-lo, o Dia de Agradecer-lhe, o de Meditá-lo em tudo que encerra de mistério e grandeza, o Dia de Amá-lo? Pois o Amor se desperdiça ou é incompreendido até por aqueles que amam e não sabem, pobrezinhos, como é essencial amar o Amor.
E mais o Dia do Amor Tranq√ľilo, t√£o raro e vestido de linho alvo, o Dia do Amor Violento, o Dia do Amor Que N√£o Ousava Dizer o Seu Nome Mas Agora Ousa, na arrebenta√ß√£o geral do s√©culo?
Amor Complicado pede o seu Dia, n√£o para tornar-se pedestre, mas para requintar em sua complica√ß√£o cheia de v√īos fora do hor√°rio e da visibilidade. Amor √† Primeira Vista,

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Os Exemplos são Guias que nos Desencaminham com Frequência

Seja qual for a diferen√ßa que exista entre os bons e os maus exemplos, convenhamos que ambos d√£o mau resultado. Nem sequer sei se os crimes de Tib√©rio ou de Nero nos afastam mais dos v√≠cios do que os exemplos paradigm√°ticos dos grandes homens que supostamente nos encaminham para a virtude. Veja-se como a valentia de Alexandre produziu gabarolas! Veja-se at√© que ponto a gl√≥ria de C√©sar permitiu actos antip√°ticos! Repare-se como Roma e Esparta louvaram virtudes selvagens! Di√≥genes criou tantos fil√≥sofos importunos, C√≠cero citou tagarelas, Pomp√≥nio √Ātico citou pessoas med√≠ocres e pregui√ßosas, M√°rio e Sila, pessoas vingativas, Lucullus, pessoas voluptuosas, Alcib√≠ades e Ant√≥nio citaram debochados e Cap√£o citou pessoas teimosas! Todos estes famosos prot√≥tipos produziram um n√ļmero enorme de m√°s reprodu√ß√Ķes. As virtudes s√£o vizinhas dos v√≠cios. Os exemplos s√£o guias que nos desencaminham com frequ√™ncia e, como estamos t√£o cheios de mentiras, n√£o deixamos de us√°-las tanto para nos afastarmos do caminho da virtude como para segui-lo.

O Desejo de Criar

Diotima: Qual √©, S√≥crates, na sua opini√£o, a causa deste amor, deste desejo? Voc√™ j√° observou em que estranha crise se encontram todos os animais, os que voam e os que marcham, quando s√£o tomados pelo desejo de procriar? Como ficam doentes e possu√≠dos de desejo, primeiro no momento de se ligarem, depois, quando se torna necess√°rio alimentar os filhos? (… ) Tanto no caso dos humanos como no dos animais, a natureza mortal busca, na medida do poss√≠vel, perpetuar-se e imortalizar-se. Apenas desse modo, por meio da procria√ß√£o, a natureza mortal √© capaz da imortalidade, deixando sempre um jovem no lugar do velho. [… ] Pois saiba, S√≥crates, que o mesmo vale para a ambi√ß√£o dos homens. Voc√™ ficar√° assombrado com a sua misteriosa irracionalidade, a n√£o ser que compreenda o que eu disse, e reflicta sobre o que se passa com eles quando s√£o tomados pela ambi√ß√£o e pelo desejo de gl√≥ria eterna. √Č pela fama, mais ainda que pelos seus filhos, que eles se disp√Ķem a encarar todos os riscos, suportar fadigas, esbanjar fortunas e at√© mesmo sacrificar as suas vidas. [… ] Aqueles cujo instinto criador √© f√≠sico recorrem de prefer√™ncia √†s mulheres e revelam o seu amor dessa maneira,

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A Decadência do Coração nos Tempos Modernos

Nestes ruins tempos de material e nauseante industrialismo, a fase do cora√ß√£o √© curta, o amor vem tempor√£o, e como que apodrece antes de sazonado. De toda a parte, aos ouvidos do mancebo vem a soada do martelar da ind√ļstria. A sociedade, aparelhada em oficina, n√£o d√° por ele, se o n√£o v√™ a labutar e mourejar no veio da riqueza. T√≠tulos, gl√≥ria, homenagens, regalos, as fei√ß√Ķes todas da festejada m√°scara, com que por aqui nos andamos entrudando uns aos outros, s√≥ pode ser afivelada com broches de ouro. Dislates do amor empecem o ir direito ao fim. O cora√ß√£o √© v√≠scera que derranca o sangue, se com as muitas vertigens o vascoleja demais. Faz-se mister abafar-lhe as v√°lvulas e exercitar o c√©rebro, onde demora a bossa do c√°lculo, da empresa, da sord√≠cia gananciosa, e outras muitas bossas filiadas ao est√īmago, o qual √©, sem debate, a v√≠scera por excel√™ncia, o luzeiro perene entre as trevas que ofuscam as almas.

O que Une uma Mulher a um Homem

O que une uma mulher a um homem n√£o passa por nada do que aparentemente vale. Passa por onde? N√£o, n√£o: pode n√£o ser por a√≠, embora seja fundamentalmente por a√≠. Porque mesmo a√≠ outros poderiam cumprir melhor, com o acr√©scimo do resto. H√° uma falha (uma falta) essencial na mulher que s√≥ um certo homem pode preencher. E n√£o √© necessariamente essa. O mais misterioso no dom√≠nio das rela√ß√Ķes √© o que se situa nas rela√ß√Ķes amorosas. Ou seja no que h√° de mais √≠ntimo, essencial, primeiro do ser humano. Um labreg√≥rio qualquer, torto, bronco, cabe√ßudo, pode ser amado pela mulher mais divinal e inteligente e ilustrada e refinada de figura. Haver√°, pois, para o homem dois mundos que n√£o comunicam entre si e que se separam na porta do quarto. Poucos s√£o os que a atravessam em gl√≥ria ‚ÄĒ idos da rua ou para a rua.

O Nobre Patriotismo dos Patriotas

H√° em primeiro lugar o nobre patriotismo dos patriotas: esses amam a p√°tria, n√£o dedicando-lhe estrofes, mas com a serenidade grave e profunda dos cora√ß√Ķes fortes. Respeitam a tradi√ß√£o, mas o seu esfor√ßo vai todo para a na√ß√£o viva, a que em torno deles trabalha, produz, pensa e sofre: e, deixando para tr√°s as gl√≥rias que ganh√°mos nas Molucas, ocupam-se da p√°tria contempor√Ęnea, cujo cora√ß√£o bate ao mesmo tempo que o seu, procurando perceber-lhe as aspira√ß√Ķes, dirigir-lhe as for√ßas, torn√°-la mais livre, mais forte, mais culta, mais s√°bia, mais pr√≥spera, e por todas estas nobres qualidades elev√°-la entre as na√ß√Ķes. Nada do que pertence √† p√°tria lhes √© estranho: admiram decerto Afonso Henriques, mas n√£o ficam para todo o sempre petrificados nessa admira√ß√£o: v√£o por entre o povo, educando-o e melhorando-o, procurando-lhe mais trabalho e organizando-lhe mais instru√ß√£o, promovendo sem descanso os dois bens supremos – ci√™ncia e justi√ßa.
P√Ķem a p√°tria acima do interesse, da ambi√ß√£o, da glor√≠ola; e se t√™m por vezes um fanatismo estreito, a sua mesma paix√£o diviniza-os. Tudo o que √© seu o d√£o √† p√°tria: sacrificam-lhe vida, trabalho, sa√ļde, for√ßa, o melhor de si mesmo. D√£o-lhe sobretudo o que as na√ß√Ķes necessitam mais,

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H√° que P√īr Pedra sobre Pedra

Nunca pensei em ser governo, nunca o quis mesmo, mas interessei-me sempre muito pelos neg√≥cios p√ļblicos, pelos neg√≥cios do Pa√≠s. E a√≠ tem um exemplo, anterior √† minha entrada no Governo, que lhe pode dar uma ideia do ritmo da minha ac√ß√£o, da tal marcha vagarosa de que me acusam…
(…) √Č que me fui habilitando, lentamente, sem precipita√ß√Ķes, quase sem dar por isso, liberto de qualquer ambi√ß√£o de ordem pessoal. E assim, quando a minha interven√ß√£o na m√°quina do Estado p√īde ser √ļtil, ela foi aproveitada, talvez, como n√£o seria se eu tivesse improvisado uma cultura. Pois com a marcha do Pa√≠s o mesmo acontece. H√° que p√īr pedra sobre pedra, mas desinteressadamente, sem pensar na gl√≥ria pr√≥pria e sem pensar at√©, excessivamente, na ab√≥bada, na finalidade. A √Ęnsia de chegar ao fim, de fazer muitas coisas ao mesmo tempo leva, √†s vezes, ao fim, mas ao fim de tudo…

A Glória como Mira

Nem todos os homens nasceram para os grandes talentos; e n√£o creio que se possa olhar isso como uma desgra√ßa, pois que √© necess√°rio conservar todas as condi√ß√Ķes, e as artes mais necess√°rias n√£o s√£o as mais engenhosas, nem as mais prestigiadas. Mas o que importa, creio, √© que reina em todos esses estados uma gl√≥ria adequada ao m√©rito que eles solicitam. √Č o amor dessa gl√≥ria que os aperfei√ßoa, que torna os homens de todas as condi√ß√Ķes mais virtuosos, e que faz florescer os imp√©rios, como a experi√™ncia de todos os seculos o demonstra.
Essa glória, inferior à dos talentos mais elevados, não é menos justamente fundamentada; porque aquilo que é bom em si mesmo não pode ser anulado por aquilo que é melhor; o que é estimável pode perder a nossa estima, mas não pode sofrer decesso no seu ser; isso é visível.
Se existe então algum erro a esse respeito entre os homens, é quando procuram uma glória superior aos seus talentos, uma glória, por conseguinte, que engana os seus desejos e os faz negligenciar aquilo que realmente lhes cabe por natureza; que mantém, no entanto, o seu espírito acima da sua condição e os salva talvez de numerosas fraquezas.

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A Acção Mais Degradada

A ac√ß√£o mais degradada √© a daquele que n√£o age e passa procura√ß√£o a outrem para agir – a dos frequentadores dos espect√°culos de luta e a dos consumidores da literatura de viol√™ncia. Ser her√≥i e atrav√©s de outrem, ser corajoso em imagina√ß√£o, √© o limite extremo da ac√ß√£o gratuita, do orgulho ou da vaidade que n√£o ousa. Corre-se o risco sem se correr, experi¬≠menta-se como se se experimentasse, colhe-se o prazer do triunfo sem nada arriscar. E √© por isso que os fIlmes de guerra, do hero√≠smo policial, de espionagem, t√™m de acabar bem. Por¬≠que o que a√≠ se procura √© justamente o sabor do triunfo e n√Ęo apenas do risco. O gosto do risco procura-o o her√≥i real, o jogador que pode perder. Mas o espectador da sua luta, degra¬≠dado na sedu√ß√£o da ac√ß√£o, acentua a sua mediocridade no n√£o poder aceitar a derrota, no fingir que corre o risco mesmo em fic√ß√£o, mas com a certeza pr√©via de que o risco √© vencido. O que ele procura √© a pequena lisonja √† sua vaidade pequena, a figura√ß√£o da coragem para a sua cobardia, e s√≥ a vit√≥ria do her√≥i a quem passou procura√ß√£o o pode lisonjear.
E se o herói morre em grandeza,

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Os Erros do Nosso Tempo

√Č dif√≠cil havermo-nos com os erros do nosso tempo. Se os enfrentamos ficamos desacompanhados, e se nos deixamos apanhar por eles n√£o ganhamos com isso nem gl√≥ria nem alegria.
Para destruir servem todos os falsos argumentos. Para construir, não. O que não é verdade não é construtivo.

Desejar Aplausos

Desejar aplausos em arte √© mais uma necessidade do que uma vaidade. √Č sentir que se √© necess√°rio, que nos querem. N√£o h√° nada mais esterilizante do que estar o dia inteiro no consult√≥rio √† espera de doentes que nos passam √† porta e v√£o √† consulta do vizinho. Escrever para a posteridade n√£o consola nem estimula ningu√©m. A leg√≠tima ora√ß√£o de todo o artista, quer queiram, quer n√£o, tem de ser esta: dai-nos, Senhor, um pouco de gl√≥ria em vida.

Literatura Real e Literatura Aparente

Em todas as √©pocas, existem duas literaturas que caminham lado a lado e com muitas diferen√ßas entre si: uma real e outra apenas aparente. A primeira cresce at√© se tornar uma leitura permanente. Exercida por pessoas que vivem para a ci√™ncia ou para a poesia, ela segue o seu caminho com seriedade e tranquilidade, produzindo na Europa pouco menos de uma d√ļzia de obras por s√©culo, que, no entanto, permanecem. A outra, exercida por pessoas que vivem da ci√™ncia ou da poesia, anda a galope, com rumor e alarido por parte dos interessados, trazendo anualmente milhares de obras ao mercado. Ap√≥s poucos anos, por√©m, as pessoas perguntam: Onde est√£o essas obras? Onde est√° a sua gl√≥ria t√£o prematura e ruidosa? Por isso, pode-se tamb√©m chamar esta √ļltima de literatura que passa, e aquela, de literatura que fica.

O Fim Justifica o Meio

Os meios virtuosos e bonacheir√Ķes n√£o levam a nada. √Č preciso utilizar alavancas mais en√©rgicas e mais s√°bios enredos. Antes de te tornares c√©lebre pela virtude e de atingires o teu objectivo, haver√° cem que ter√£o tempo de fazer piruetas por cima das tuas costas e de chegar ao fim da corrida antes de ti, de tal modo que deixar√° de haver lugar para as tuas ideias estreitas. √Č preciso saber abarcar com mais amplitude o horizonte do tempo presente.
Nunca ouviste falar, por exemplo, da gl√≥ria imensa que as vit√≥rias alcan√ßam? E, no entanto, as vit√≥rias n√£o surgem sozinhas. √Č preciso que o sangue corra, muito sangue, para serem geradas e depostas aos p√©s dos conquistadores. Sem os cad√°veres e os membros esparsos que v√™s na plan√≠cie onde se desenrolou sabiamente a carnificina, n√£o haver√° guerra, e sem guerra n√£o haver√° vit√≥ria. Est√£o a ver que, quando algu√©m se quer tornar c√©lebre, tem que mergulhar graciosamente em rios de sangue, alimentados com carne para canh√£o. O fim justifica o meio.

A gl√≥ria s√≥ coroar√° a const√Ęncia na pr√°tica do bem

A gl√≥ria s√≥ coroar√° a const√Ęncia na pr√°tica do bem.

O Amor Era a Festa do Inimit√°vel

O amor, outrora, era a festa do individual, do inimit√°vel, a gl√≥ria do que √© √ļnico, do que n√£o suporta qualquer repeti√ß√£o. Mas o umbigo n√£o s√≥ n√£o se revolta contra a repeti√ß√£o, √© um apelo √†s repeti√ß√Ķes! Vamos viver, no nosso mil√©nio, sob o signo do umbigo. Sob este signo, somos todos, tanto um como outro, soldados do sexo, com o mesmo olhar fixo n√£o sobre a mulher amada mas sobre o mesmo pequeno buraco no meio da barriga que representa o √ļnico sentido, o √ļnico fim, o √ļnico futuro de todo o desejo er√≥tico.

Não sejamos cobiçosos de glória vã

Não sejamos cobiçosos de glória vã, provocando-nos uns aos outros e invejando-nos uns aos outros.

A Quimera da Felicidade

(…) do alto de uma montanha, inclinei os olhos a uma das vertentes, e contemplei, durante um tempo largo, ao longe, atrav√©s de um nevoeiro, uma cousa √ļnica. Imagina tu, leitor, uma redu√ß√£o dos s√©culos, e um desfilar de todos eles, as ra√ßas todas, todas as paix√Ķes, o tumulto dos imp√©rios, a guerra dos apetites e dos √≥dios, a destrui√ß√£o rec√≠proca dos seres e das cousas. Tal era o espect√°culo, acerbo e curioso espect√°culo. A hist√≥ria do homem e da terra tinha assim uma intensidade que n√£o lhe podiam dar nem a imagina√ß√£o nem a ci√™ncia, porque a ci√™ncia √© mais lenta e a imagina√ß√£o mais vaga, enquanto que o que eu ali via era a condensa√ß√£o viva de todos os tempos. Para descrev√™-la seria preciso fixar o rel√Ęmpago. Os s√©culos desfilavam num turbilh√£o, e, n√£o obstante, porque os olhos do del√≠rio s√£o outros, eu via tudo o que passava diante de mim, – flagelos e del√≠cias, – desde essa cousa que se chama gl√≥ria at√© essa outra que se chama mis√©ria, e via o amor multiplicando a mis√©ria, e via a mis√©ria agravando a debilidade. A√≠ vinham a cobi√ßa que devora, a c√≥lera que inflama, a inveja que baba,

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