Cita√ß√Ķes sobre Animais

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Frases sobre animais, poemas sobre animais e outras cita√ß√Ķes sobre animais para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Desejo do Homem é Contrário à Sua Unidade

Houve tempo em que o homem inventou o amor cort√™s para n√£o perder a intimidade das mulheres. Elas estavam a ser atra√≠das pela formid√°vel influ√™ncia da Igreja que as recebia permitindo-lhes uma personalidade est√°vel. As mulheres amam essa personalidade est√°vel que Freud soube preservar nas suas rela√ß√Ķes com Marta, a mulher de toda a sua vida. Ler a correspond√™ncia de Freud com Marta √© muito salutar neste mundo a abarrotar de esgotamentos nervosos e falsas ou reais confid√™ncias. Um dos seus clientes (Schonberg) causava-lhe grande preocupa√ß√£o. Um dia, a cunhada, vendo o doente cumprimentar uma senhora, disse: ¬ęO facto de ele ser outra vez bem educado com as mulheres √© tamb√©m um √≠ndice de melhoria¬Ľ. Freud n√£o deixa de referir isto, que corresponde a uma personalidade vener√°vel. As mulheres acham que √© sinal de normalidade serem tratadas com cortesia. O desejo n√£o lhes diz nada, comparado com uma palavra doce e conveniente. Isto n√£o √© uma s√≠ntese do comportamento dos homens e das mulheres. Mas sim uma certeza – o que n√£o pro√≠be toda a esp√©cie de averbamentos necess√°rios √† verdade.

Nietzsche, imoralista por definição, disse que não há nada mais contrário ao gosto do que o homem que deseja.

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Ultrapassar o Medo

As pessoas vivem com medo. Tu tens medo. Todos temos. Uns mais outros menos, uns de uma forma consciente outros de uma forma inconsciente, uns enfrentam-no outros morrem nas suas m√£os. O medo, e repito o que j√° escrevi no ‚ÄúArrisca-te a Viver‚ÄĚ, √© a √ļnica emo√ß√£o que n√£o gera a√ß√£o. Se entrares em p√Ęnico foges, se sentires raiva bates ou gritas, se tiveres medo encolhes-te. O medo algema-te, tolda-te as possibilidades e faz de ti seu prisioneiro.
Porque √© que achas que o mundo, o pa√≠s e a tua pr√≥pria vida se encontram no estado em que est√£o? Medo. Muito medo. E nesta mat√©ria, permite-me ser assertivo, se tens medo seja do que for de nada te adianta comprar um c√£o, sabes porqu√™? Porque vais educ√°-lo baseado no medo, logo, vais estragar mais uma vida. N√£o te chegava a tua? Pobre do animal, merecia melhor sorte. Ora bem, uma educa√ß√£o alicer√ßada no medo far√° com que ele viva no pr√≥prio medo e tu com medo que ele te desobede√ßa. √Č uma desgra√ßa. Ser√°s incapaz de am√°-lo, assim como √©s incapaz de amar seja quem for, muito menos a ti. E se me disseres que n√£o est√°s de acordo com o que acabei de escrever,

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A Dist√Ęncia Entre Gera√ß√Ķes

A solu√ß√£o de continuidade entre as gera√ß√Ķes depende da impossibilidade de transmitir a experi√™ncia, de fazer evitar aos outros os erros j√° cometidos por n√≥s. A verdadeira dist√Ęncia entre duas gera√ß√Ķes √© dada pelos elementos que t√™m em comum e que obrigam √† repeti√ß√£o c√≠clica das mesmas experi√™ncias, como nos comportamentos das esp√©cies animais transmitidos pela heran√ßa biol√≥gica; ao passo que os elementos da verdadeira diversidade existente entre n√≥s e eles s√£o, pelo contr√°rio, o resultado das modifica√ß√Ķes irrevers√≠veis que cada √©poca traz consigo, ou seja, dependem da heran√ßa hist√≥rica que n√≥s lhes transmitimos, a verdadeira heran√ßa de que somos respons√°veis, mesmo que por vezes o sejamos de forma inconsciente. Por isso n√£o temos nada a ensinar: sobre aquilo que mais se parece com a nossa experi√™ncia n√£o podemos influir; naquilo que traz o nosso cunho, n√£o sabemos reconhecer-nos.

Eu n√£o tenho d√ļvidas de que √© parte do destino da ra√ßa humana, na sua evolu√ß√£o gradual, parar de comer animais, tal como as tribos selvagens deixaram de se comer umas √°s outras quando entraram em contato com os mais civilizados.

Animais Рeles são a medida da nossa paz com o mundo criado; eles são um dado de consolação porque não mudam para como quem tanto muda como nós, humanos.

Os Deuses Reclinados

… Por todos os lados as est√°tuas de Buda, de Lorde Buda… As severas, verticais, carcomidas est√°tuas, com um dourado de resplendor animal, com uma dissolu√ß√£o como se o ar as desgastasse… Crescem-lhes nas faces, nas pregas das t√ļnicas, nos cotovelos, nos umbigos, na boca e no sorriso pequenas m√°culas: fungos, porosidades, vest√≠gios excrement√≠cios da selva… Ou ent√£o as jacentes, as imensas jacentes, as est√°tuas de quarenta metros de pedra, de granito areento, p√°lidas, estendidas entre as sussurrantes frondes, inesperadas, surgindo de qualquer canto da selva, de qualquer plataforma circundante… Adormecidas ou n√£o adormecidas, est√£o ali h√° cem anos, mil anos, mil vezes mil anos… Mas s√£o suaves, com uma conhecida ambiguidade ultraterrena, aspirando a ficar e a ir-se embora… E aquele sorriso de suav√≠ssima pedra, aquela majestade imponder√°vel, mas feita de pedra dura, perp√©tua, para quem sorriem, para quem, sobre a terra sangrenta?… Passaram as camponesas que fugiam, os homens do inc√™ndio, os guerreiros mascarados, os falsos sacerdotes, os turistas devoradores…

E manteve-se no seu lugar a est√°tua, a imensa pedra com joelhos, com pregas na t√ļnica de pedra, com o olhar perdido e n√£o obstante existente, inteiramente inumana e de alguma forma tamb√©m humana, de alguma forma ou de alguma contradi√ß√£o estatu√°ria,

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O animal selvagem e cruel n√£o √© aquele que est√° atr√°s das grades. √Č o que est√° na frente delas.

Com uma Estrela na Voz

Que voz é esta? De onde vem?
Que fantasmas antigos desperta
quando tudo o mais parece
ferido pela imobilidade de um sono de pedra?

Corres agora atr√°s das vozes
acantonadas nas arcas de Dezembro
e o que buscas é uma centelha de riso,
o fugaz cristal de uma l√°grima,
o aconchego de uma carícia
capaz de vergar a noite ao peso
imaterial de um instante de ternura.

√Č s√≥ isso que buscas, nada mais.
E tudo o que buscas
é uma lança que trespassa a morte
tantas vezes anunciada
no mudo sofrimento dos animais.

E se, buscando, é a luz que encontras,
ergue-a ent√£o como um estandarte
na hora de todos os fingimentos
e continua buscando até descobrires
que a voz que persegues e quase te enlouquece
é a tua própria voz soletrando nos portais
os nomes piedosos e límpidos
de quem chega um dia no rasto de uma estrela.

A Ira é uma Loucura Breve

Alguns s√°bios afirmaram que a ira √© uma loucura breve; por n√£o se controlar a si mesma, perde a compostura, esquece as suas obriga√ß√Ķes, persegue os seus intentos de forma obstinada e ansiosa, recusa os conselhos da raz√£o, inquieta-se por causas v√£s, incapaz de discernir o que √© justo e verdadeiro, semelhante √†s ru√≠nas que se abatem sobre quem as derruba. Mas, para que percebas que est√£o loucos aqueles que est√£o possu√≠dos pela ira, observa o seu aspecto; na verdade, s√£o claros ind√≠cios de loucura a express√£o ardente e amea√ßadora, a fronte sombria, o semblante feroz, o passo apressado, as m√£os trementes, a mudan√ßa de cor, a respira√ß√£o forte e acelerada, ind√≠cios que est√£o tamb√©m presentes nos homens irados: os olhos incendiam-se e fulminam, a cara cobre-se totalmente de um rubor, por causa do sangue que a ela aflui do cora√ß√£o, os l√°bios tremem, os dentes comprimem-se, os cabelos arrepiam-se e eri√ßam-se, a respira√ß√£o √© ofegante e ruidosa, as articula√ß√Ķes retorcem-se e estalam, entre suspiros e gemidos, irrompem frases praticamente incompreens√≠veis, as m√£os entrechocam-se constantemente, os p√©s batem no ch√£o e todo o corpo se agita amea√ßador, a face fica inchada e deformada, horrenda e assutadora. Ficas sem saber se o que h√° de pior neste v√≠cio √© ele ser detest√°vel ou t√£o disforme.

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Todos Somos Escravos

N√£o h√° raz√£o, caro Luc√≠lio, para s√≥ buscares amigos no foro ou no senado: se olhares com aten√ß√£o encontr√°-los-√°s em tua casa. Muitas vezes um bom material permanece inutilizado por falta de quem o trabalhe. Tenta, pois, e v√™ o resultado. Tal como √© estupidez comprar um cavalo inspeccionando, n√£o o animal, mas sim a sela e o freio, assim √© o c√ļmulo da estupidez julgar um homem pela roupa ou pela condi√ß√£o social, que, de resto, √© t√£o exterior a n√≥s como a roupa. ¬ę√Č um escravo¬Ľ. Mas pode ter alma de homem livre. ¬ę√Č um escravo¬Ľ. Mas em que √© que isso o diminui? Aponta-me algu√©m que o n√£o seja: este √© escravo da sensualidade, aquele da avareza, aquele outro da ambi√ß√£o, todos s√£o escravos da esperan√ßa, todos o s√£o do medo.
Posso mostrar-te um antigo c√īnsul sujeito ao mando de uma velhota, um ricalha√ßo submetido a uma criadita, posso apontar-te jovens filhos de nobil√≠ssimas fam√≠lias que se fazem escravos de bailarinos: nenhuma servid√£o √© mais degradante do que a voluntariamente assumida. A√≠ tens a raz√£o por que n√£o deves deixar que os nossos tolos te impe√ßam de seres agrad√°vel para com os teus escravos, em vez de os tratares com altiva superioridade.

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Se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos façamos tudo para não viver inteiramente como animais.

A Religião como Ficção

– A f√© √© uma resposta instintiva a aspectos da exist√™ncia que n√£o podemos explicar de outro modo, seja o vazio moral que percebemos no universo, a certeza da morte, a pr√≥pria origem das coisas, o sentido da nossa vida ou a aus√™ncia dele. S√£o aspectos elementares e de extrema simplicidade, mas as nossas limita√ß√Ķes impedem-nos de responder de modo inequ√≠voco a essas perguntas e por isso geramos, como defesa, uma resposta emocional. √Č simples e pura biologia.
РEntão, a seu ver, todas as crenças ou ideais não passariam de uma ficção.
– Toda a interpreta√ß√£o ou observa√ß√£o da realidade o √© necessariamente. Neste caso, o problema reside no facto de o homem ser um animal moral abandonado num universo amoral e condenado a uma exist√™ncia finita e sem outro significado que n√£o seja perpetuar o ciclo natural da esp√©cie. √Č imposs√≠vel sobreviver num estado prolongado de realidade, pelo menos para o ser humano. Passamos uma boa parte das nossas vidas a sonhar, sobretudo quando estamos acordados. Como digo, pura biologia.

Por que é que o sofrimento dos animais me comove tanto? Porque fazem parte da mesma comunidade a que pertenço, da mesma forma que meus próprios semelhantes.

As Coisas Efémeras são as Mais Necessárias

Das coisas tang√≠veis, as menos dur√°veis s√£o as necess√°rias ao pr√≥prio processo da vida. O seu consumo mal sobrevive ao acto da sua produ√ß√£o; no dizer de Locke, todas essas ¬ęboas coisas¬Ľ que s√£o ¬ęrealmente √ļteis √† vida do homem¬Ľ, √† ¬ęnecessidade de subsistir¬Ľ, s√£o ¬ęgeralmente de curta dura√ß√£o, de tal modo que – se n√£o forem consumidas pelo uso – se deteriorar√£o e perecer√£o por si mesmas¬Ľ.
Após breve permanência neste mundo, retomam ao processo natural que as produziu, seja através de absorção no processo vital do animal humano, seja através da decomposição; e, sob a forma que lhes dá o homem, através da qual adquirem um lugar efémero no mundo das coisas feitas pelas mãos do homem, desaparecem mais rapidamente que qualquer outra parcela do mundo.

O homem é um animal que pode passar, quando lhe apraz, sem as coisas necessárias, mas a quem são absolutamente indispensáveis as coisas supérfluas.