Passagens sobre Animais

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Frases sobre animais, poemas sobre animais e outras passagens sobre animais para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Virá o dia em que a matança de um animal será considerada crime tanto quanto o assassinato de um homem.

A selecção natural nem sempre é boa e depende de muitos caprichos de animais tontos.

O amor dos animais contém muito da desaprovação pelos seres humanos e é próprio dum melindroso estado de revolta que não encontrou a sua linguagem.

O Teu Amor, Bem Sei

o teu amor, bem sei, é uma palavra musical,
espalha-se por todos n√≥s com a mesma ignor√Ęncia,
o mesmo ar alheio com que fazes girar, suponho, os epiciclos;
ergues os ombros e dizes, hoje, amanh√£, nunca mais,
surpreende o vigor, a plenitude
das coxas masculinas, habituadas ao cansaço,
separamo-nos, à procura de sinais mais fixos,
e o circuito das chamas recomeça.

é um país subtil, o olho franco das mulheres,
h√° nos passeios garrafas com leite apenas cinzento,
os teus pais disseram: o melhor de tudo é ser engenheiro,
morrer de casaco, com todas as pir√Ęmides acesas,
viajar de navio de buenos aires a montevideu.
esta é a viagem que não faremos nunca, soltos
na minuciosa tarde dos l√°bios,
√°gil pobreza.

permanentemente floresce o horizonte em colinas,
os animais olham por dentro, cheios de vazio,
como um ladrão de pouca perícia a luz
desfaz devagarmente os corpos.
ele exclama: quando me libertar√°s da tosca voz dormida,
para que seja
alto e altivo o coração da coisas? até quando aguardarei,
no harmonioso beliche, que a tua vis√£o cesse?

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Haverá um tempo em que os seres humanos se contentarão com uma alimentação vegetariana e julgarão a matança de um animal inocente da mesma forma como hoje se julga o assassino de um homem.

A Vida Real de um Pensamento

A vida real de um pensamento dura apenas at√© ele chegar ao limite das palavras: nesse ponto, ele lapidifica-se, morre, portanto, mas continua indestrut√≠vel, tal como os animais e as plantas f√≥sseis dos tempos pr√©-hist√≥ricos. Essa realidade moment√Ęnea da sua vida tamb√©m pode ser comparada ao cristal, no instante da cristaliza√ß√£o.
Pois, assim que o nosso pensamento encontra as palavras, ele j√° n√£o √© interno, nem est√° realmente no √Ęmago da sua ess√™ncia. Quando come√ßa a existir para os outros, ele deixa de viver em n√≥s, como o filho que se desliga da m√£e ao iniciar a pr√≥pria exist√™ncia. Mas diz tamb√©m o poeta:

N√£o me confundais com contradi√ß√Ķes!

Tão logo se fala, já se começa a errar.

Um homem que come carne por instinto é tão vegetariano quanto um homem que come vegetais por princípio. Afinal de contas a carne é transubstanciação do capim que o animal comeu.

A minha mãe acreditava, e eu penso o mesmo, que matar animais com o objectivo de comer a sua carne é uma das mais deploráveis e vergonhosas fraquezas do estado humano; que é uma daquelas pragas lançadas sobre o homem ou pela sua queda, ou pela teimosia da sua própria perversidade.

Diz que o grande erro de Noé foi que ele botou na Arca apenas dois animais de cada espécie, mas quando chegou a vez dos burros deixou entrar todos.

Afinal nessa busca de prazer está resumida a vida animal. A vida humana é mais complexa: resume-se na busca do prazer, no seu temor, e sobretudo na insatisfação dos intervalos.

O Homem РUm Ser Egoísta

O motor principal e fundamental no homem, bem como nos animais, √© o ego√≠smo, ou seja, o impulso √† exist√™ncia e ao bem-estar. […] Na verdade, tanto nos animais quanto nos seres humanos, o ego√≠smo chega a ser id√™ntico, pois em ambos une-se perfeitamente ao seu √Ęmago e √† sua ess√™ncia.
Desse modo, todas as ac√ß√Ķes dos homens e dos animais surgem, em regra, do ego√≠smo, e a ele tamb√©m se atribui sempre a tentativa de explicar uma determinada ac√ß√£o. Nas suas ac√ß√Ķes baseia-se tamb√©m, em geral, o c√°lculo de todos os meios pelos quais procura-se dirigir os seres humanos a um objectivo. Por natureza, o ego√≠smo √© ilimitado: o homem quer conservar a sua exist√™ncia utilizando qualquer meio ao seu alcance, quer ficar totalmente livre das dores que tamb√©m incluem a falta e a priva√ß√£o, quer a maior quantidade poss√≠vel de bem-estar e todo o prazer de que for capaz, e chega at√© mesmo a tentar desenvolver em si mesmo, quando poss√≠vel, novas capacidades de deleite. Tudo o que se op√Ķe ao √≠mpeto do seu ego√≠smo provoca o seu mau humor, a sua ira e o seu √≥dio: ele tentar√° aniquil√°-lo como a um inimigo. Quer possivelmente desfrutar de tudo e possuir tudo;

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Aqui Louvo os Animais

S√ļbdito s√≥ de quem n√£o reina,
aqui louvo os animais.
H√°, entre mim e eles, uma funda
relação de videntes:
as paisagens que fendem
e a minha, sepulta,
perfazem um mesmo habitat.
Desde que os n√£o sondo,
fez-se luz em nosso convívio.
O ar inicial
que ensaiava, ic√°rico,
nas bolas de sab√£o,
mas n√£o atina com o v√°cuo
da cidade, vem-me
dos seus pulm√Ķes arborescentes.
Alheios à sua pele
na osmose dos textos,
ignoram que nas √°guas
por correr, desta p√°gina,
cruzam, saudando-se,
o ¬ęBeagle¬Ľ e a Arca de No√©.

A Racionalidade Irracional

Eu digo muitas vezes que o instinto serve melhor os animais do que a raz√£o a nossa esp√©cie. E o instinto serve melhor os animais porque √© conservador, defende a vida. Se um animal come outro, come-o porque tem de comer, porque tem de viver; mas quando assistimos a cenas de lutas terr√≠veis entre animais, o le√£o que persegue a gazela e que a morde e que a mata e que a devora, parece que o nosso cora√ß√£o sens√≠vel dir√° ¬ęque coisa t√£o cruel¬Ľ. N√£o: quem se comporta com crueldade √© o homem, n√£o √© o animal, aquilo n√£o √© crueldade; o animal n√£o tortura, √© o homem que tortura. Ent√£o o que eu critico √© o comportamento do ser humano, um ser dotado de raz√£o, raz√£o disciplinadora, organizadora, mantenedora da vida, que deveria s√™-lo e que n√£o o √©; o que eu critico √© a facilidade com que o ser humano se corrompe, com que se torna maligno.

Aquela ideia que temos da esperança nas crianças, nos meninos e nas meninas pequenas, a ideia de que são seres aparentemente maravilhosos, de olhares puros, relativamente a essa ideia eu digo: pois sim, é tudo muito bonito, são de facto muito simpáticos,

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Nascença Eterna

Nascença Eterna,
Nasce mais uma vez!
Refaz a humílima Caverna
Que nunca se desfez.

Dist√Ęncia Transcendente,
Chega-te, uma vez mais,
Tão perto que te aqueças, como a gente,
No bafo dos obscuros animais.

Os que te dizem n√£o,
Os épicos do absurdo,
Que afirmarão, na sua negação,
Sen√£o seu olho cego, ouvido surdo?

Infelizes supremos,
Com seu fracasso alcançam nomeada,
E contentes se atiram aos extremos
Do seu nada.

Na nossa ambiguidade,
Somos piores, nós, talvez,
E uns e outros só vemos a verdade
Que, Verdade de Sempre!, tu nos dês.

Se nada tem sentido sem a fé
No seu sentido, Sol que n√£o te apagas,
Rompe mais uma vez na noite, que não é
Sen√£o o dia de outras plagas.

Perpétua Luz, Contínua Oferta
A nossa escuridade interna,
Abre-te, Porta sempre aberta,
Mais uma vez, na humílima Caverna.

Da nascença à morte, o homem vive servo da mesma exterioridade de si mesmo que têm os animais.

A História da Humanidade é um Desastre Contínuo

A hist√≥ria da humanidade √© um desastre cont√≠nuo. Nunca houve nada que se parecesse com um momento de paz. Se ainda fosse s√≥ a guerra, em que as pessoas se enfrentam ou s√£o obrigadas a se enfrentar… Mas n√£o √© s√≥ isso. Esta raiva que no fundo h√° em mim, uma esp√©cie de raiva √†s vezes incontida, √© porque n√≥s n√£o merecemos a vida. N√£o se percebeu ainda que o instinto serve melhor aos animais do que a raz√£o serve ao homem. O animal, para se alimentar, tem que matar outro animal. Mas n√≥s n√£o, matamos por prazer, por gosto.

. Paulo (2008)’

O homem não sabe mais que os outros animais; sabe menos. Eles sabem o que precisam saber. Nós não.

Sinto que o progresso espiritual requer, em uma determinada etapa, que paremos de matar nossos companheiros, os animais, para a satisfação de nossos desejos corpóreos.