Textos sobre Lados

333 resultados
Textos de lados escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Disputas Empobrecedoras

As disputas deviam ser regulamentadas e punidas como outros crimes verbais. Que defeitos n√£o suscitam e acumulam em n√≥s, reguladas e governadas como s√£o pela c√≥lera! Come√ßamos por ser inimigos das raz√Ķes e acabamos por o ser dos homens. S√≥ aprendemos a discutir para contraditar, e, √† for√ßa de se contraditar e ser-se contraditado, vem a acontecer que o fruto do discutir √© perder e aniquilar-se a verdade. Assim, Plat√£o, na Rep√ļblica, pro√≠be o seu exerc√≠cio aos esp√≠ritos ineptos e mal formados.
Porque nos havemos de p√īr a caminho, para descobrir a verdade, com quem n√£o tem passo nem andamento que sirvam? N√£o se prejudica o assunto quando o deixamos para procurar o meio de o tratarmos; n√£o falo dos meios escol√°sticos e artificiais, falo dos meios naturais, dum entendimento s√£o. Que suceder√° por fim? Cada um puxa para o seu lado; perdem de vista o essencial, p√Ķem-no de parte na confus√£o do acess√≥rio.
No fim de uma hora de tormenta j√° n√£o sabem o que procuram; um est√° em cima, outro em baixo, outro para o lado. Uns demoram-se com as palavras e com as compara√ß√Ķes; outros n√£o entendem o que se lhes objecta, tanto se entusiasmam: s√≥ pensam neles,

Continue lendo…

A Escolha Inteligente

Uma vida bem sucedida depende das escolhas que fizermos. Temos de saber o que √© ou n√£o importante para n√≥s. A escolha inteligente implica um sentido realista dos valores e um sentido realista das propor√ß√Ķes. Este processo de escolha – de aceita√ß√£o por um lado e de rejei√ß√£o pelo outro – come√ßa na inf√Ęncia e continua pela vida fora. N√£o podemos ter tudo o que ambicionamos. O homem de neg√≥cios que procura o sucesso financeiro tem muitas vezes de abandonar os seus interesses de ordem desportiva ou cultural. Os que preferem servir os interesses espirituais, culturais ou pol√≠ticos da sociedade – sacerdotes, escritores, artistas, militares, homens de estado e funcion√°rios p√ļblicos em geral – t√™m quase sempre de relegar para segundo plano o bem-estar financeiro.
Com uma vida limitada não podemos ser ou fazer tudo. Estamos constantemente a ter de escolher com que e com quem passar o nosso tempo. Cultivar amizades toma tempo. Às vezes temos de recusar encontros e desapontar muitas pessoas para termos tempo de alcançar os nossos fins. Todos os dias temos de escolher entre as coisas que estão à venda. Não podemos ter o mundo inteiro, tal como uma criança não pode comprar todos os rebuçados da doçaria se tiver apenas um tostão.

Continue lendo…

A Minha √ļnica Felicidade √©s Tu

At√© agora ainda nada te disse da nossa vida de fam√≠lia. Devo dizer-te algumas palavras para que saibas com que contar. Temos uma vida muito tranquila, vida que sempre desejei e a que estou realmente habituado. A m√ļsica ou o teatro v√™m por vezes interromper a monotonia desta vida quase mon√°stica. Quando vieres faremos mais ou menos a mesma vida interrompendo no entanto a monotonia pelo teatro, pequenos ser√Ķes musicais e mesmo dan√ßantes se isso te agradar. Sem isso passaremos os nossos ser√Ķes ao lado um do outro a conversar e a dar gra√ßas ao bom Deus pela nossa felicidade. Devo tamb√©m falar-te dos meus gostos e das minhas qualidades tanto quanto posso conhec√™-los. Sou um grande fumador, um ca√ßador bastante bom, apaixonado pela m√ļsica e dan√ßarino med√≠ocre. Quanto √†s qualidades e aos defeitos, j√° que todos os temos, tenho mais dificuldade em falar deles, j√° que ningu√©m √© bom juiz em causa pr√≥pria. Contudo todas as minhas qualidades se fundir√£o numa s√≥, a de te adorar e n√£o amar a mais ningu√©m no mundo, anjo da minha vida. Quando estivermos unidos, s√≥ viveremos juntos, onde um ir√°, o outro seguir√°, o que um quiser o outro tamb√©m h√°-de querer.

Continue lendo…

O Verdadeiro Homem

√Č evidente que a natureza se preocupa bem pouco com o que o homem tem ou n√£o no esp√≠rito. O verdadeiro homem √© o homem selvagem, que se relaciona com a natureza tal como ela √©. Assim que o homem agu√ßa a sua intelig√™ncia, desenvolve as suas ideias e a forma de as exprimir, ou adquire novas necessidades, a natureza op√Ķe-se aos seus des√≠gnios em toda a linha. S√≥ lhe resta violent√°-la, continuamente. Ela, pelo seu lado, tamb√©m n√£o fica quieta. Se ele suspende por momentos o trabalho que se impusera, ela torna-se de novo dominadora, invade-o, devora-o, destr√≥i ou desfigura a sua obra; dir-se-ia que acolhe com impaci√™ncia as obras-primas da imagina√ß√£o e da per√≠cia do homem.

Que importam √† ronda das esta√ß√Ķes, ao curso dos astros, dos rios e dos ventos, o Part√©non, S√£o Pedro de Roma e tantas outras maravilhas da arte? Um tremor de terra ou a lava de um vulc√£o reduzem-nos a nada; os p√°ssaros far√£o os seus ninhos nas suas ru√≠nas; os animais selvagens ir√£o buscar os ossos dos construtores aos seus t√ļmulos entreabertos.

O Homem de Car√°cter

Os homens de car√°cter s√£o a consci√™ncia da sociedade a que pertencem. A medida natural dessa for√ßa √© a resist√™ncia √†s circunst√Ęncias. Os homens impuros julgam a vida pela vers√£o reflectida nas opini√Ķes, nos acontecimentos e nas pessoas. N√£o s√£o capazes de prever a ac√ß√£o at√© que ela se concretize. Todavia, o elemento moral da ac√ß√£o preexistia no autor e a sua qualidade, boa ou m√°, era de f√°cil predi√ß√£o. Tudo na natureza √© bipolar, ou tem um p√≥lo positivo e um p√≥lo negativo. H√° um macho e uma f√™mea, um esp√≠rito e um facto, um norte e um sul. O esp√≠rito √© o positivo, o facto √© o negativo. A vontade √© o norte, a ac√ß√£o √© o p√≥lo sul. O car√°cter pode ser classificado como tendo o seu lugar natural no norte. Distribui as correntes magn√©ticas do sistema. Os esp√≠ritos fracos s√£o atra√≠dos para o p√≥lo sul, ou p√≥lo negativo. S√≥ v√™em na ac√ß√£o o lucro, ou o preju√≠zo que podem encerrar.

Não podem vislumbrar um princípio, a não ser que este se abrigue noutra pessoa. Não desejam ser amáveis mas amados. Os de carácter gostam de ouvir falar dos seus defeitos; aos outros aborrecem as faltas;

Continue lendo…

A Memória é o Maior Tormento do Homem

Considera o rebanho que passa ao teu lado pastando: ele não sabe o que é ontem e o que é hoje; ele saltita de lá para cá, come, descansa, digere, saltita de novo; e assim de manhã até a noite, dia após dia; ligado de maneira fugaz por isto, nem melancólico nem enfadado. Ver isto desgosta duramente o homem porque ele vangloria-se da sua humanidade frente ao animal, embora olhe invejoso para a sua felicidade Рpois o homem quer apenas isso, viver como animal, sem melancolia, sem dor; e o que quer entretanto em vão, porque não quer como o animal. O homem pergunta mesmo um dia ao animal: por que não falas sobre a tua felicidade e apenas me observas?
O animal quer tamb√©m responder e falar, isso deve-se ao facto de que sempre se esquece do que queria dizer, mas tamb√©m j√° esqueceu esta resposta e silencia: de tal modo que o homem se admira disso. Todavia, o homem tamb√©m se admira de si mesmo por n√£o poder aprender a esquecer e por sempre se ver novamente preso ao que passou: por mais longe e r√°pido que ele corra, a corrente corre junto. √Č um milagre: o instante em um √°timo est√° a√≠,

Continue lendo…

Resgatar o Prazer de Viver

√Č poss√≠vel resgatar o prazer de viver, √© poss√≠vel treinar a emo√ß√£o para ser jovem, desprendida, livre, feliz.

Primeiro: Contemple o belo nos pequenos eventos da vida.
Tenha sempre atividades programadas fora da sua agenda pelo menos uma vez por semana. Valorize aquilo que o dinheiro não compra e que não dá prestígio.
Treine dez minutos por dia a contemplar a anatomia das flores, a gastar tempo a ver o brilho das estrelas, a experimentar o prazer de penetrar no mundo das pessoas.
Não viva em função de grandes eventos, aprenda a extrair o prazer dos pequenos estímulos da rotina diária.

Segundo: Irrigue o palco da mente com pensamentos agrad√°veis.
Treine trazer diariamente à sua memória aquilo que lhe traz esperança, serenidade e encanto pela vida. Pense em conquistar pessoas e em superar os seus obstáculos. Pense em ser íntimo do Autor da vida e conhecer os mistérios da existência.
Os seus maiores inimigos est√£o dentro de si. N√£o se deixe derrotar ou perturbar por pensamentos que lhe roubam a tranquilidade e o prazer de viver.
Treine ver o lado positivo de todas as coisas negativas. Os negativistas veem os raios,

Continue lendo…

Os Livros N√£o S√£o Coisas Mortas

Porque os livros n√£o s√£o de todo coisas mortas (…) preservando, como um frasco, a mais pura extrac√ß√£o do intelecto que os criou. Sei que s√£o t√£o vivos e vigorosamente produtivos como os fabulosos dentes de um drag√£o e sendo fomentados podem unir homens armados. Por outro lado, a n√£o ser que se use de toda a prud√™ncia, destruir um bom homem √© quase o mesmo que destruir um bom livro; quem destr√≥i um homem destr√≥i uma criatura razo√°vel; mas aquele que destr√≥i um bom livro destr√≥i a pr√≥pria raz√£o, destr√≥i a imagem de Deus. Muitos homens constituem um fardo para o mundo; mas um bom livro √© a encarna√ß√£o preciosa de um esp√≠rito superior, conservado e estimado com o objectivo de viver para al√©m da morte.

A Vantagem do Conhecimento Alargado

No que se refere ao esp√≠rito dotado de capacidades elevadas – o √ļnico que pode ousar a solu√ß√£o dos grandes e dif√≠ceis problemas concernentes ao universal e geral das coisas -, ele far√° bem em estender o m√°ximo poss√≠vel o seu horizonte, mas sempre com equanimidade, para todos os lados, sem se perder muito numa dessas regi√Ķes bem espec√≠ficas e conhecidas apenas por poucos. Ou seja, sem penetrar demasiado profundamente nas especialidades de alguma ci√™ncia isolada, muito menos envolver-se com a micrologia. Pois n√£o tem necessidade de se dedicar a objectos de dif√≠cil acesso para livrar-se da multid√£o de concorrentes; pelo contr√°rio, justamente aquilo que est√° ao alcance de todos √© o que fornecer√° a mat√©ria para combina√ß√Ķes novas, importantes e verdadeiras. Desse modo, o seu m√©rito poder√° ser apreciado por todos os que conhecem os dados, portanto, por uma boa parte do g√©nero humano. Nisso reside a imensa diferen√ßa entre a gl√≥ria que os poetas e os fil√≥sofos alcan√ßam e aquela acess√≠vel a f√≠sicos, qu√≠micos, anatomistas, mineralogistas, zo√≥logos, fil√≥logos, historiadores, etc.

O Amor Nunca Salva, mas alguém Tem uma Ideia Melhor?

Descobri, um pouco tarde, que afinal todos os meus livros s√£o hist√≥rias de amor. S√≥ que as daninhas estavam t√£o bem disfar√ßadas que eu pr√≥prio n√£o tinha reparado. √Äs vezes, amo entre duas pessoas, outras de amor entre uma pessoa e uma ideia. Idalina enamora-se por ¬ęuma dan√ßa sem m√ļsica¬Ľ. Sam Espinosa apaixona-se por uma mulher uns anitos mais velha (duzentos, coisa pouca), Greg quase √© salvo da perdi√ß√£o por uma s√≥sia de Angelina Jolie. O amor est√° no ar e tamb√©m, como diria um poeta, o amor est√° no mar. O amor n√£o salva, nunca salva, mas algu√©m tem uma ideia melhor?
Tão sensacional descoberta levou-me a cogitar no seguinte: e qual será a melhor forma de amar? Carente de modelos reais na vida humana, decidi procurá-los na natureza. Com a ajuda da televisão, claro, Canal Odisseia, National Geographic, Canal Panda, essas coisas. Pode-se lá chegar à natureza, nos dias que correm, senão pela televisão! Três rolos modelos logo me saltaram à vista: o Amor do Louva-a-deus; o Amor do Cisne; o Amor do Urso Polar.
Após alguma esmiuçação, concluí que qualquer um me parece bem, e tem as suas vantagens e desvantagens.
No romance do louva-a-deus,

Continue lendo…

O Apogeu do Cobarde

Havia num partido um homem, que era demasiado medroso e cobarde para, alguma vez, contradizer os seus camaradas: empregavam-no para todos os servi√ßos, exigiam tudo dele, porque ele tinha mais medo da m√° opini√£o dos seus camaradas que da morte; era um lament√°vel esp√≠rito fraco. Eles reconheceram isso e fizeram dele, em virtude das circunst√Ęncias mencionadas, um her√≥i e, por fim, at√© um m√°rtir. Embora o cobarde, interiormente, dissesse sempre n√£o, com os l√°bios pronunciava sempre sim, mesmo j√° no cadafalso, ao morrer pelas ideias do seu partido: √© que, ao lado dele, estava um dos seus velhos camaradas, que o tiranizava tanto pela palavra e o olhar, que ele sofreu a morte realmente da maneira mais decente e, desde ent√£o, √© homenageado como m√°rtir e grande personalidade.

Nada é Suficiente para se Morrer

– Nunca pensou escrever um romance?
– Sou um autor de folhetos, acho que interrogativos, e sobretudo um muito interrogativo leitor de perguntas. Mais nada.
– Basta para uma vida ?
– Nem sei se basta para uma verdadeira morte. Nada √© suficiente para se morrer. Ou √© suficiente cruzar os olhos com os de uma leoa materna. Ou brandir esse pequeno objecto el√©ctrico, embora seja t√£o pequeno e a noite por todos os lados do quarto pare√ßa intermin√°vel. Conheci um homem, um psiquiatra descontente ‚ÄĒ s√£o raros, os psiquiatras descontentes, conhe√ßo-os muito contentes a ganhar para enlouquecer as pessoas, rende tanto como a pol√≠tica, trata-se de pol√≠tica, a sinistra pol√≠tica dos tratamentos ‚ÄĒ, vivia numa ilha, este, descontente, adorava falar de estrelas, constela√ß√Ķes, sabia tudo, mas era, digamos, estelarmente irredut√≠vel: estava contra a ordem celeste. Mandou substituir o tecto do quarto de dormir por uma ab√≥bada com um sistema electr√≥nico de corpos celestes, deslocados, todos, relativamente √† estrutura natural, aut√≥nomos entre si. Ali era a lua nas suas fases e as Ursas e o Cruzeiro do Sul e a estrela Arcturus: um sistema de teclas permitia acender aquilo que se desejasse. O que vigorava era um c√©u dele,

Continue lendo…

Um Bom Pai

Um bom pai não é aquele que nunca perde a paciência, mas é aquele que dialoga muito com os seus filhos, que tem prazer em entrar no mundo deles, que não os deixa do lado de fora da sua história. Ninguém tem filhos sabendo o que é ser pai. Ser pai exige um constante treino, em que os erros corrigem as rotas e as lágrimas acertam os caminhos. Educar filhos é uma tarefa complexa. Costumo brincar e dizer que os melhores filhos para serem educados são os dos outros e não os nossos. E fácil educar os filhos dos outros, pois não temos vínculos nem dificuldades com eles. Sem vínculo, o amor não cresce, mas onde há vínculos há sempre problemas e atritos. Não acredite em manuais mágicos de educação. Acredite na sua sensibilidade.

A melhor educa√ß√£o que os pais podem dar aos seus filhos √© dividir a sua hist√≥ria com eles. O melhor treino da emo√ß√£o √© falar das suas frustra√ß√Ķes, dos seus momentos de hesita√ß√£o, das suas conquistas, dos seus sonhos, dos seus erros. Nunca houve tantos div√≥rcios, mas o ser humano n√£o deixa de se unir. Porqu√™? Porque viver em fam√≠lia √© uma das experi√™ncias mais prazerosas da exist√™ncia.

Continue lendo…

S√£o as Pessoas como Tu

S√£o as pessoas como tu que fazem com que o nada queira dizer-nos algo, as coisas vulgares se tornem coisas importantes e as preocupa√ß√Ķes maiores sejam de facto mais pequenas. S√£o as pessoas como tu que d√£o outra dimens√£o aos dias, transformando a chuva em delirante orvalho e fazendo do inverno uma esta√ß√£o de rosas rubras.
As pessoas como tu possuem n√£o uma, mas todas as vidas. Pessoas que amam e se entregam porque amar √© tamb√©m partilhar as m√£os e o corpo. Pessoas que nos escutam e nos beijam e sabem transformar o cansa√ßo numa esperan√ßa aliciante, tocando-nos o rosto com dedos de √°gua pura, soltando-nos os cabelos com a leveza do p√°ssaro ou a firmeza da flecha. S√£o as pessoas como tu que nos respiram e nos fazem inspirar com elas o azul que h√° no dorso das manh√£s, e nos estendem os bra√ßos e nos apertam at√© sentirmos o cora√ß√£o transformar o peito numa m√ļsica infinita. S√£o as pessoas como tu que n√£o nos pedem nada mas t√™m sempre tudo para dar, e que fazem de n√≥s nem √≠caros nem prisioneiros, mas homens e mulheres com a estatura da vida, capazes da beleza e da justi√ßa,

Continue lendo…

A Necessidade de Ser Insultado

Com que frequência caminhei no quarto de um lado para o outro, com o desejo inconsciente que alguém me insultasse ou proferisse alguma palavra que eu pudesse interpretar como um insulto, para que eu desabafasse a minha raiva em alguém.
√Č uma experi√™ncia muito simples que acontece quase di√°riamente, e ainda para mais quando existe algum outro segredo, uma afli√ß√£o no cora√ß√£o, para o qual se deseja dar uma express√£o verbal mas que n√£o se consegue.

Deixemos a Humanidade à Sua Ordem Natural

N√£o aleijemos a pobre humanidade mais do que ela j√° est√° com tantas sacudidelas da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, de cima para baixo e de baixo para cima. Do individualismo para o colectivismo e do colectivismo para o individualismo. N√£o sejamos t√£o crian√ßas que queiramos levantar ao ar a esfera pretendendo agarr√°-la apenas pelo hemisf√©rio da direita ou apenas pelo da esquerda, ou apenas pelo hemisf√©rio superior, porque a √ļnica maneira de agarr√°-la bem t√£o-pouco √© p√īr-lhe as m√£os por baixo, nem ainda abra√ßando-a com os dois bra√ßos e os dedos metidos uns nos outros para n√£o deixar escapar as m√£os e com o pr√≥prio peito do lado de c√° a ajudar tamb√©m; a √ļnica maneira de equilibrar a esfera no ar √© deix√°-la estar no ar como a p√īs Deus Nosso Senhor, √°s voltas √† roda do sol, como a lua √† roda de n√≥s e assegurada contra todos os riscos dos disparates da humanidade.

A Lamechal√Ęndia

Acabo de perceber que estou a escrever mais uma obra lamechas, vivo na Lamechal√Ęndia desde que te conhe√ßo, e √© bom que d√≥i, t√£o bom que s√≥ escrevo s√≥ ela, a lamechice √© boa mas nunca sozinha, exige que aqui e ali surja o lado negro, a lua existe para valorizar o sol, e o contr√°rio tamb√©m √© verdadeiro, n√£o percebo patavina de astronomia mas de amor percebo, que √© o mesmo que dizer que percebo de ti, tento, v√°, √†s vezes consigo,
a Lamechal√Ęndia n√£o √© s√≥ lamechice, n√£o √© s√≥ cor de rosa, Deus me livre de ser assim, adormecia antes de viver, a Lamechal√Ęndia √© a capacidade de ser lamechas quando √© preciso ser lamechas, quando ser lamechas tem de ser, agora que estamos aqui deitados nesta cama tem de ser, abra√ßo-te a cada letra que escrevo, procuro com as minhas m√£os cada cent√≠metro da tua pele sempre que me lembro de que somos assim, ser lamechas √© conseguir n√£o pensar em como se vai amar, n√£o pensar no que se vai dizer, olhar o outro e dizer-lhe ‚Äúprocuro-te como se procurasse sobreviver‚ÄĚ, e isto n√£o tem nada de mal, a falta de um orgasmo provoca mais conflitos do que a falta de um p√£o,

Continue lendo…

√Č Preciso Repensar a Nossa Vida

√Č preciso repensar a nossa vida. Repensar a cafeteira do caf√©, de que nos servimos de manh√£, e repensar uma grande parte do nosso lugar no universo. Talvez isso tenha a ver com a posi√ß√£o do escritor, que √© uma posi√ß√£o universal, no lugar de Deus, acima da condi√ß√£o humana, a nomear as coisas para que elas existam. Para que elas possam existir‚Ķ Isto tem a ver com o poeta, sobretudo, que √© um demiurgo. Ou tem esse lado. Numa forma simples, essa maneira de redimensionar o mundo passa por um aspecto muito profundo, que n√£o tem nada a ver com aquilo que existe √† flor da pele. Tem a ver com uma experi√™ncia radical do mundo.
Por exemplo, com aquela que eu faço de vez em quando, que é passar três dias como se fosse cego. Por mais atento que se seja, há sempre coisas que nos escapam e que só podemos conhecer de outra maneira, através dos outros sentidos, que estão menos treinados… Reconhecer a casa através de outros sentidos, como o tacto, por exemplo. Isso é outra dimensão, dá outra profundidade. E a casa é sempre o centro e o sentido do mundo. A partir daí,

Continue lendo…

Compreender e Unir

J√° s√£o em n√ļmero demasiado os que vieram ao mundo para combater e separar; o progresso e valor de cada seita e de cada grupo dependeram talvez desta atitude descriminadora e intransigente; aceitemos como o melhor que foi poss√≠vel tudo o que nos apresenta o passado; mas procuremos que seja outra a atitude que tomarmos; lancemos sobre a terra uma semente de renova√ß√£o e de √≠ntimo aperfei√ßoamento.
Reservemos para n√≥s a tarefa de compreender e unir; busquemos em cada homem e em cada povo e em cada cren√ßa n√£o o que nela existe de adverso, para que se levantem as barreiras, mas o que existe de comum e de abord√°vel, para que se lancem as estradas da paz; empreguemos toda a nossa energia em estabelecer um m√ļtuo entendimento; ponhamos de lado todo o instinto de particularismo e de luta, alarguemos a todos a nossa simpatia.
Reflitamos em que são diferentes os caminhos que toma cada um para seguir em busca da verdade, em que muitas vezes só um antagonismo de nomes esconde um acordo real. Surja à luz a íntima corrente tanta vez soterrada e nela nos banhemos. Aprendamos a chamar irmão ao nosso irmão e façamos apelo ao nosso maior esforço para que se não quebre a atitude fraternal,

Continue lendo…

Queres Amar, Ama-te

As pessoas devem relacionar-se porque se amam e n√£o porque se v√£o amar, devem trabalhar porque gostam daquilo que fazem e n√£o porque um dia podem come√ßar a gostar. Ent√£o, perguntas tu, o melhor √© sermos todos descomprometidos com tudo? Ao que eu te respondo: claro. O descompromisso √© a liberdade eterna, √© a possibilidade que tu te d√°s de alterar o curso da tua vida a qualquer momento, sem recurso a qualquer emo√ß√£o negativa. O √ļnico compromisso que deves ter √© contigo. O resto passa-te ao lado, n√£o controlas, n√£o tens como gerir, sequer. Ali√°s, qualquer relacionamento, seja com uma pessoa ou com uma profiss√£o, √© mais verdadeiro quando n√£o existe esse compromisso, √© mais intenso, mais real, mais ¬ęAgora¬Ľ, mais tudo. A possibilidade de a pessoa se dar a liberdade de apenas viver o que sente √© todo o caminho andado para a felicidade. Quem √© mais feliz, a pessoa que n√£o ama e ainda se encontra num casamento ou aquela que deixou de amar e saiu do casamento? Quem √© mais feliz, a pessoa que arriscou fazer o que a apaixona ou aquela que todos os dias passa oito horas enfiada seja onde for e a fazer o que n√£o gosta?

Continue lendo…