Cita√ß√Ķes de Maurice Merleau-Ponty

11 resultados
Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Maurice Merleau-Ponty para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

Os Caminhos Insond√°veis do Progresso da Humanidade

O progresso n√£o √© necess√°rio por uma necessidade metaf√≠sica: pode-se dizer apenas que muito provavelmente a experi√™ncia acabar√° por eliminar as falsas solu√ß√Ķes e por se livrar dos impasses. Mas a que pre√ßo, por quantos meandros? N√£o se pode nem mesmo excluir, em princ√≠pio, que a humanidade, como uma frase que n√£o se consegue concluir, fracasse no meio do caminho.
Decerto o conjunto dos seres conhecidos pelo nome de homens e definidos pelas caracter√≠sticas f√≠sicas que se conhecem tem tamb√©m em comum uma luz natural, uma abertura ao ser que torna as aquisi√ß√Ķes da cultura comunic√°veis a todos eles e somente a eles. Mas esse lampejo que encontramos em todo o olhar dito humano √© visto tanto nas formas mais cru√©is do sadismo quanto na pintura italiana. √Č justamente ele que faz com que tudo seja poss√≠vel da parte do homem, e at√© o fim.

As Vozes do Silêncio

As est√°tuas de Ol√≠mpia, que tanto contribuem para nos ligar √† Gr√©cia, alimentam contudo tamb√©m, no estado em que chegaram at√© n√≥s – esbranqui√ßadas, quebradas, isoladas da obra integral -, um mito fraudulento da Gr√©cia, n√£o sabem resisitir ao tempo como um manuscrito, mesmo incompleto, rasgado, quase ileg√≠vel. O texto de Her√°clito lan√ßa-nos clar√Ķes como nenhuma est√°tua em peda√ßos pode fazer, porque o significado √© nele deposto de maneira diferente, √© concentrado de forma diferente do que est√° concentrado nelas, e porque nada iguala a ductilidade da palavra. Enfim, a linguagem diz, e as vozes da pintura s√£o as vozes do sil√™ncio.

A Palavra não é o Signo do Pensamento

A palavra n√£o √© o ¬ęsigno¬Ľ do pensamento, se compreendermos como tal um fen√≥meno que anuncia outro, como o fumo anuncia o fogo. A palavra e o pensamento s√≥ admitiriam essa rela√ß√£o exterior se uma e outro fossem dados tematicamente; na realidade est√£o envolvidos uma no outro, o sentido est√° preso na palavra, e a palavra √© a exist√™ncia exterior do sentido.

O Eterno é a Própria Vida

Segundo a express√£o de Lavelle, a morte d√° ¬ęa todos os acontecimentos que a precederam esta marca do absoluto que nunca possuiriam se n√£o viessem a interromper-se¬Ľ. O absoluto habita em cada uma das nossas empresas, na medida em que cada uma se realiza de uma vez para sempre e n√£o ser√° nunca recome√ßada. Entra na nossa vida atrav√©s da sua pr√≥pria temporalidade. Assim o eterno torna-se fluido e reflui do fim ao cora√ß√£o da vida. A morte j√° n√£o √© a verdade da vida, a vida j√° n√£o √© a espera do momento em que a nossa ess√™ncia ser√° alterada. O que h√° sempre de incoactivo, de incompleto e de constrangedor no presente n√£o √© j√° um sinal de menor realidade.
Mas ent√£o a verdade de um ser j√° n√£o √© aquilo em que se tornou no fim ou a sua ess√™ncia, mas o seu devir activo ou a sua exist√™ncia. E se, como Lavelle dizia em tempos, nos julgamos mais perto dos mortos que am√°mos do que dos vivos, √© porque j√° nos n√£o p√Ķem em d√ļvida e daqui para o futuro podemos sonh√°-los a nosso gosto. Esta piedade √© quase √≠mpia. A √ļnica recorda√ß√£o que lhes diz respeito √© a que se refere ao uso que faziam de si pr√≥prios e do seu mundo,

Continue lendo…

Historiador Objectivo

A resolu√ß√£o de ignorar o sentido que os pr√≥prios homens forneceram √† sua ac√ß√£o e de reservar ao encadeamento dos factos toda a efic√°cia hist√≥rica – em suma, a idolatria da objectividade – encerra, segundo uma observa√ß√£o profunda de Trotsky, o ju√≠zo mais audacioso quando se trata de uma revolu√ß√£o, j√° que ela imp√Ķe √† priori ao homem de ac√ß√£o, que acredita numa l√≥gica da hist√≥ria e numa verdade do que faz, as categorias de historiador ¬ęobjecitvo¬Ľ, que nisso n√£o acredita.