Cita√ß√Ķes de Henri Bergson

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Henri Bergson para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

A ideia do futuro, prenhe de uma infinidade de possíveis, é pois mais fecunda do que o próprio futuro, e é por isso que há mais encanto na esperança do que na posse, no sonho do que na realidade.

Se somos livres todas as vezes que queremos entrar em nós mesmos, raramente nos acontece querermos entrar.

O nosso espírito tem uma irresistível tendência para considerar como mais clara a ideia que mais frequentemente lhe serve.

O espaço concreto foi extraído das coisas. Elas não estão nele, é ele que está nelas.

A coesão social deve-se, em grande parte, à necessidade de uma sociedade se defender de outras.

Inteligência e Intuição

O instinto √© simpatia. Se esta simpatia pudesse alargar o seu objecto e tamb√©m reflectir sobre si mesma, dar-nos-ia a chave das opera√ß√Ķes vitais – do mesmo modo que a intelig√™ncia, desenvolvida e reeducada, nos introduz na mat√©ria. Porque, n√£o √© de mais repeti-lo, a intelig√™ncia e o instinto est√£o orientados em dois sentidos opostos: aquela para a mat√©ria inerte, este para a vida. A intelig√™ncia, por meio da ci√™ncia, que √© obra sua, desvendar-nos-√° cada vez mais completamente o segredo das opera√ß√Ķes f√≠sicas; da vida apenas nos d√°, e n√£o pretende ali√°s dar-nos outra coisa, uma tradu√ß√£o em termos de in√©rcia. Gira em derredor, obtendo de fora o maior n√ļmero de vis√Ķes do objecto que chama at√© si, em vez de entrar nele. Mas √© ao interior mesmo da vida que nos conduzir√° a intui√ß√£o, quero dizer o instinto tornado desinteressado, consciente de si mesmo, capaz de reflectir sobre o seu objecto e de o alargar indefinidamente.
Que um esforço deste género não é impossível, é o que demonstra já a existência no homem de uma faculdade estética ao lado da percepção normal. O nosso olhar apercebe os traços do ser vivo, mas justapostos uns aos outros, e não organizados entre si.

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Conhecimento Interesseiro

Conhecer uma realidade √©, no sentido habitual do termo ¬ęconhecer¬Ľ: tomar conceitos j√° feitos, dose√°-los, combin√°-los at√© obter um equivalente pr√°tico do real. Mas n√£o se deve esquecer que o trabalho da intelig√™ncia est√° longe de ser um trabalho desinteressado. N√£o visamos em geral conhecer por conhecer, mas conhecer para tomar uma decis√£o, para tirar algum proveito; enfim, para satisfazer algum interesse.

Pensar consiste, ordinariamente, em ir dos conceitos às coisas, e não das coisas aos conceitos. (em Introdução à Metafísica)

A vida é um caminho de sombras e luzes. O importante é que se saiba vitalizar as sombras e aproveitar a luz.

Falhamos ao traduzir exactamente o que se sente na nossa alma: o pensamento continua a n√£o poder medir-se com a linguagem.

O Progresso Contínuo do Passado

N√£o existe […] mat√©ria mais resistente nem mais substancial (o tempo). Porque a nossa dura√ß√£o n√£o √© apenas um instante a seguir ao outro; se fosse, nunca haveria mais nada al√©m do presente – nenhum prolongamento do passado na actualidade, nenhuma evolu√ß√£o, nenhuma dura√ß√£o concreta. A dura√ß√£o √© o progresso cont√≠nuo do passado que morde o futuro e vai inchando √† medida que avan√ßa. E, como o passado cresce sem parar, n√£o h√° nenhum limite √† sua preserva√ß√£o. A mem√≥ria […] n√£o √© uma faculdade de arrumar recorda√ß√Ķes numa gaveta, ou de inscrev√™-las num registo […] Na realidade, o passado preserva-se a si mesmo, automaticamente. Provavelmente acompanha-nos na sua totalidade a cada instante […]