Passagens sobre Riso

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Frases sobre riso, poemas sobre riso e outras passagens sobre riso para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Quem resolver apresentar-se no campo da verdade e do conhecimento como autoridade, soçobra perante o riso dos deuses.

Arrojos

Se a minha amada um longo olhar me desse
Dos seus olhos que ferem como espadas,
Eu domaria o mar que se enfurece
E escalaria as nuvens rendilhadas.

Se ela deixasse, ext√°tico e suspenso
Tomar-lhe as mãos mignonnes e aquecê-las,
Eu com um sopro enorme, um sopro imenso
Apagaria o lume das estrelas.

Se aquela que amo mais que a luz do dia,
Me aniquilasse os males taciturnos,
O brilho dos meus olhos venceria
O clar√£o dos rel√Ęmpagos noturnos.

Se ela quisesse amar, no azul do espaço,
Casando as suas penas com as minhas,
Eu desfaria o Sol como desfaço
As bolas de sab√£o das criancinhas.

Se a Laura dos meus loucos desvarios
Fosse menos soberba e menos fria,
Eu pararia o curso aos grandes rios
E a terra sob os pés abalaria.

Se aquela por quem j√° n√£o tenho risos
Me concedesse apenas dois abraços,
Eu subiria aos róseos paraísos
E a Lua afogaria nos meus braços.

Se ela ouvisse os meus cantos moribundos
E os lamentos das cítaras estranhas,

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Frutas De Maio

Maio chegou — alegre e transparente
Cheio de brilho e m√ļsica nos ares,
De cristalinos risos salutares,
Frio, porém, ó gota alvinitente.

Corre um fluido suave e odorescente
Das laranjeiras, como dos altares
O incenso — e, como a gaze azul dos mares,
Leve — h√° por tudo um beijo, docemente.

Isto bem cedo, de manh√£ — adiante
Pela tarde um sol calmo, agonizante,
P√Ķe no horizonte resplendentes franjas.

H√° carinhos, da luz em cada raio,
Filha — e eu que adoro este frescor de maio
Muito, mas muito — trago-te laranjas.

Extravio

Onde começo, onde acabo,
se o que est√° fora est√° dentro
como num círculo cuja
periferia é o centro?

Estou disperso nas coisas,
nas pessoas, nas gavetas:
de repente encontro ali
partes de mim: risos, vértebras.

Estou desfeito nas nuvens:
vejo do alto a cidade
e em cada esquina um menino,
que sou eu mesmo, a chamar-me.

Extraviei-me no tempo.
Onde estarão meus pedaços?
Muito se foi com os amigos
que j√° n√£o ouvem nem falam.

Estou disperso nos vivos,
em seu corpo, em seu olfato,
onde durmo feito aroma
ou voz que também não fala.

Ah, ser somente o presente:
esta manh√£, esta sala.

Ri sempre de maneira que alguém fique, sem saberes, a chorar dentro de ti. Porque se o riso permanece, o que encontra dentro de ti é o idiota que lá estava à sua espera.

Poema da malta das naus

Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.

Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo.
pelote de vagabundo,
rebotalho de gib√£o.

Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das prais
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.

Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me a gengivas,
apodreci de escorbuto.

Com a m√£o esquerda benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no ch√£o, bati-me,
outras mil me levantei.

Meu riso de dentes podres
ecoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.

Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.

Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.

O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
N√£o se nasce impunemente
nas praias de Portugal.

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Riso: uma convuls√£o interior, que produz uma distor√ß√£o da express√£o facial e que √© acompanhada por sons desarticulados. √Č contagioso e, embora intermitente, incur√°vel.

√Č saud√°vel rir das coisas mais sinistras da vida, inclusive da morte. O riso √© um t√īnico, um al√≠vio, uma pausa que permite atenuar a dor.

Soneto de Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das m√£os espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a √ļltima chama
E da paix√£o fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, n√£o mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, n√£o mais que de repente.

Rebelado

Ri tua face um riso acerbo e doente,
Que fere, ao mesmo tempo que contrista…
Riso de ateu e riso de budista
Gelado no Nirvana impenitente.

Flor de sangue, talvez, e flor dolente
De uma paix√£o espiritual de artista,
Flor de Pecado sentimentalista
Sangrando em riso desdenhosamente.

Da alma sombria de tranq√ľilo asceta
Bebeste, entanto, a morbidez secreta
Que a febre das ins√Ęnias adormece.

Mas no teu l√°bio convulsivo e mudo
Mesmo até riem, com desdéns de tudo,
As sílabas simbólicas da Prece!

Poema de Amor

Teu rosto, no meu rosto, descansado.
Meu corpo, no teu corpo, adormecido.
Bater de asas, t√£o longe, noutro tempo,
sem relógio nem espaço proibido.

Oh, que atónitos olhos nos contemplam,
nos sorriem, nos dizem: Sossegai!
Rom√Ęnticos amantes, viajantes eternos,
olham por nós na hora que se esvai!

Que m√ļsica de prados e de fontes!
Que riso de √°guas vem para nos levar?
Meu rosto, no teu rosto de horizontes,
Meu corpo, no teu corpo, a flutuar.

Never More – II

Ah! se eu pudesse nunca ver teu rosto!
E nem sequer o som de tua fala
Ouvir de manso à hora do Sol posto
Quando a Tristeza já do Céu resvala!

Talvez assim o f√ļnebre desgosto
Que eternamente a alma me avassala
Se transformasse n’um luar de Agosto,
Sonho perene que a Ventura embala.

Talvez o riso me voltasse à boca
E se extinguisse essa amargura louca
De tanta dor que a minha vida junca…

E, ent√£o, os dias de prazer voltassem
E nunca mais os olhos meus chorassem…
Ah! se eu pudesse nunca ver-te, nunca!

Também o que é Eterno

Também o que é eterno morre um dia.
Eu tusso e sinto a dor que a tosse traz;
O doutor quer por força a ecografia,
Mas eu n√£o estou pra tantas precis√Ķes.

Eu rio à morte com um riso largo:
Morrer é tão banal, tão tem que ser!
Disto ou daquilo, que me importa a mim?
Mas, ó horror, com fotos, não, nem documentos!

A tanta exactidão mata o mistério.
O pH, o √≠ndice quarenta…
N√£o quero as pulsa√ß√Ķes, os eritr√≥citos,
O temeroso alzaimer, ou o cancro,
Nem sequer o tão raro, do coração.

Ver o pulmão, o peito aberto, o coração,
A palpitar a cores no computador?
Eu morro, eu morro, n√£o se preocupem,
Mas sem saber, de gripe, ou duma coisa,
Ou doutra coisa.

O Coração РII

A solidão é perfeita como um rasgo entre
as nuvens, ao √ļltimo sonho. A solid√£o
que se cala em teu fundo e vai envelhecendo
na terra perdida do som descompassado.

Te guardas na intimidade dos arm√°rios,
onde a paz é negra e se desagrega a luz.
Nunca foste mais do que uma ficção, matriz
de riso e sombra, um poço verde, teorema

de ilus√Ķes, engrenagem de poentes roxos.
E, agora, frouxo, j√° nada designas ou
desenhas. √Čs, apenas, testemunha ef√©mera

e longínqua, trovão engolido de Deus,
fingidor ferido de doces cantos, mentira
prec√°ria nas cordas de uma harpa febril.

O Espírito Negativo dos Filósofos

Ficam reduzidos a uma √ļnica frase bem sucedida os nossos grandes fil√≥sofos, os nossos maiores poetas, dizia ele, √© essa a verdade, lembramo-nos muitas vezes apenas daquilo a que se chama uma tonalidade filos√≥fica e mais nada, dizia ele, pensei. Estudamos uma obra grandiosa, a obra de Kant por exemplo, e essa obra fica, com o correr do tempo, reduzida √† pequena cabe√ßa de prussiano oriental, que √© a de Kant, e a um universo inteiramente vago, feito de noite e de n√©voa, que vai dar √† mesma incapacidade de todos os outros, dizia ele, pensei, Pretendia ser um universo de grandiosidade, e dele n√£o restou mais do que um pormenor ris√≠vel, assim dizia ele, pensei, e assim acontece com tudo. Aquilo a que chamamos grandeza n√£o passa, afinal, de algo que apenas nos comove por provocar o riso e a compaix√£o. O pr√≥prio Shakespeare confrange-nos com o seu rid√≠culo se tivermos um momento de lucidez, dizia ele, pensei. J√° h√° muito que os deuses figuram nas nossas canecas de cerveja adornados apenas duma barba, dizia ele, pensei. S√≥ o imbecil √© que venera, dizia ele, pensei. O chamado homem de esp√≠rito consome-se a produzir uma obra que ele considera digna de marcar uma √©poca,

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