Cita√ß√Ķes de Edmundo Bettencourt

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Edmundo Bettencourt para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

O Segredo e o Mistério

Mistérios a pouco e pouco vão morrendo
e extenuados de vigília os anjos
s√£o afinal a sussurrantes sibilinas vozes
que desvendam adivinham segredos
atr√°s de sentinelas
cuja ferocidade é uma ironia de ternura…
Na palidez da luz
cercando uma velha cabeça
a quem um sono de embri√£o j√° tolda os olhos
sorriem enigm√°ticos os sonhos.

Noite Vazia

Crescimento do silêncio a devorar as nuvens.
Voo incansável e monótono das aves brancas do cérebro.
Florida e ondulada suspens√£o da m√°goa.
As ferocidades s√£o ternuras desmaiando na estepe adivinhada.
O amor abre goelas bocejantes nos c√īncavos da aus√™ncia do espa√ßo.
E a morte espreitando a lentid√£o
irradia baçamente a sua despedida.

Noite vazia.

As aves brancas do cérebro
inutilmente abatem as suas asas!

Vigília

No panorama de frio
jazia cristalizado o voo dos gavi√Ķes.

Ao seu encontro ia fremente
o respirar da terra quente quase adormecida.

Fluía um riso irónico das dentaduras alvas da neblina
para bocas de ouvidos,
olhos de bocas.

Surgiu então coberto de silêncio
o homem que desde sempre morrera trucidado.

O seu sangue caía enquanto andava.
Das gotas pelo ch√£o se levantaram logo as √°rvores de fogo
dentro em pouco a floresta incendi√°ria
de todo o frio que o chamava.

E antes que soprasse a ventania
a borboleta colorida foi queimada.

Mas antes que o sol humidamente
repousasse num clar√£o de olhos fechados,
as cinzas de pir√Ęmides se espalhavam
indo ferir o enorme olho esbugalhado
que de aquém fitava um espaço maior!

Aparição

A mulher que por mim passou na rua, h√° pouco,
foi uma coisa di√°fana, gentil,
cedo, a pairar
na sombra dum jardim
com flores, em baixo, ajoelhadas,
ao senti-la na altura,
e mandando-lhe o aroma em l√°grimas, desfeito,
para mant√™-la em uma nuvem branca…

Mulher, coisa di√°fana, vaga e bela, sem desenho,
logo fluido animando o colo duma nuvem, nuvem,
num √°pice, trucidada pelo vento!

Poema de Amor

A noite é cheia de vales e baías.
E do meu peito aberto um rio largo de sangue…
√Āguas densas, de correntes lentas,
serpentes mortas a arrastarem-se.
√Āguas?
√Āguas negras, pastosas, alcatr√£o rolante.
Mas √°guas puras, verde-claras, atraindo
a margem donde os crocodilos fogem mastigando.
√Āguas em transpar√™ncias lucilantes, para cima,
e as estrelas do mar, um polvo e um mefistófeles
ficam no ar sobre ilhéus e lodosos calhaus
que se descobrem.
Plantas brancas e ext√°ticas…
L√°grimas… nuvens… e a cabe√ßa, o perfil,
os olhos, todo o corpo da mulher amada, a prostituta
antes de virgem, que é bela e feia, velha e nova,
e n√£o conhece os filhos!

O fogo envolve essa mulher amada
e é um guindaste erguendo-a e atirando-a,
enquanto dispersas pelo chão brilham mandíbulas
naturalmente √† espera…

Ar Livre

Enquanto os elefantes pela floresta galopavam
no fumo do seu peso,
perto, lá andava ela nua a cavalgar o antílope,
com uma asa direita outra caída.
E a amazona seguia…
e deixava a boca no sumo das laranjas.
Os olhos verdes no mar.
O corpo em a nuvem das alturas
– a guardadora
da sempre nova faísca incendiária!