Passagens sobre Flores

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Frases sobre flores, poemas sobre flores e outras passagens sobre flores para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Abnegação

Chovam lírios e rosas no teu colo!
Chovam hinos de glória na tua alma!
Hinos de glória e adoração e calma,
Meu amor, minha pomba e meu consolo!

Dê-te estrelas o céu, flores o solo,
Cantos e aroma o ar e sombra a palmar.
E quando surge a lua e o mar se acalma,
Sonhos sem fim seu preguiçoso rolo!

E nem sequer te lembres de que eu choro…
Esquece at√©, esquece, que te adoro…
E ao passares por mim, sem que me olhes,

Possam das minhas lágrimas cruéis
Nascer sob os teus pés flores fiéis,
Que pises distraída ou rindo esfolhes!

Tudo na terra j√° aconteceu antes,
nada é novo,
mas ai dos amantes
que n√£o conseguirem descobrir uma nova flor
em cada beijo futuro.

Beijo

Beijo na face
Pede-se e d√°-se:
D√°?
Que custa um beijo?
N√£o tenha pejo:
V√°!

Um beijo é culpa,
Que se desculpa:
D√°?
A borboleta
Beija a violeta:
V√°!

Um beijo é graça,
Que a mais n√£o passa:
D√°?
Teme que a tente?
√Č inocente…
V√°!

Guardo segredo,
N√£o tenha medo…
Vê?
Dê-me um beijinho,
Dê de mansinho,
Dê!

*

Como ele é doce!
Como ele trouxe,
Flor,
Paz a meu seio!
Saciar-me veio,
Amor!

Saciar-me? louco…
Um é tão pouco,
Flor!
Deixa, concede
Que eu mate a sede,
Amor!

Talvez te leve
O vento em breve,
Flor!
A vida foge,
A vida é hoje,
Amor!

Guardo segredo,
N√£o tenhas medo
Pois!
Um mais na face,
E a mais n√£o passe!
Dois…

*

Oh! dois? piedade!
Coisas t√£o boas…
Vês?
Quantas pessoas
Tem a Trindade?
Três!

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Amor Pacífico e Fecundo

N√£o quero amor
que n√£o saiba dominar-se,
desse, como vinho espumante,
que parte o copo e se entorna,
perdido num instante.

D√°-me esse amor fresco e puro
como a tua chuva,
que abençoa a terra sequiosa,
e enche as talhas do lar.
Amor que penetre até ao centro da vida,
e dali se estenda como seiva invisível,
até aos ramos da árvore da existência,
e faça nascer
as flores e os frutos.
D√°-me esse amor
que conserva tranquilo o coração,
na plenitude da paz!

Tradu√ß√£o de Manuel Sim√Ķes

Estão Todas as Verdades à Espera em Todas as Coisas

Est√£o todas as verdades
à espera em todas as coisas:
não apressam o próprio nascimento
nem a ele se op√Ķem,
não carecem do fórceps do obstetra,
e para mim a menos significante
é grande como todas.
(Que pode haver de maior ou menor
que um toque?)

Serm√Ķes e l√≥gicas jamais convencem
o peso da noite cala bem mais
fundo em minha alma.

(Só o que se prova
a qualquer homem ou mulher,
é que é;
só o que ninguém pode negar,
é que é.)

Um minuto e uma gota de mim
tranquilizam o meu cérebro:
eu acredito que torr√Ķes de barro
podem vir a ser l√Ęmpadas e amantes,
que um manual de manuais é a carne
de um homem ou mulher,
e que num √°pice ou numa flor
est√° o sentimento de um pelo outro,
e h√£o-de ramificar-se ao infinito
a começar daí
até que essa lição venha a ser de todos,
e um e todos nos possam deleitar
e nós a eles.

Pobres das flores nos canteiros dos jardins regulares.
Parecem ter medo da pol√≠cia…

A liberdade é um vinho de excelência. Não faz sentido que não o compartilhes. A sedução de ambos ajuda-nos a viver, é o perfume da pele, a pele do vento, o segredo com que a flor atrai a abelha. As árvores amam-se, e até mesmo as pedras partilham o amor entre si. O verde perde-se de amor pelo azul.

Meu Mal

A meu irm√£o

Eu tenho lido em mim, sei-me de cor,
Eu sei o nome ao meu estranho mal:
Eu sei que fui a renda dum vitral,
Que fui cipreste, caravela, dor!

Fui tudo que no mundo h√° de maior:
Fui cisne, e lírio, e águia, e catedral!
E fui, talvez, um verso de Nerval,
Ou, um c√≠nico riso de Chamfort…

Fui a her√°ldica flor de agrestes cardos,
Deram as minhas m√£os aroma aos nardos…
Deu cor ao eloendro a minha boca…

Ah! de Boabdil fui l√°grima na Espanha!
E foi de l√° que eu trouxe esta √Ęnsia estranha,
Mágoa não sei de quê! Saudade louca!

N√£o te Queixes

N√£o te queixes. Recolhe em ti a amargura, n√£o a disperses, n√£o a esbanjes com os outros. Ela √© tua, nasceu de ti, da tua mis√©ria, pertence-te como os ossos e as v√≠sceras. Concentra-te nela, absorve-a, faz dela a tua grandeza. Porque s√≥ se √© grande pelo sofrimento, n√£o pela futilidade do prazer. As pedras n√£o sofrem, Cristo esteve ¬ętriste at√© √† morte¬Ľ. Tem desprezo pelos homens felizes, porque dos homens felizes ¬ęn√£o reza a hist√≥ria¬Ľ. S√≥ a dor pode medir o teu tamanho de excep√ß√£o, s√≥ ela pode medir o que tu vales. O sofrimento med√≠ocre n√£o d√° mais do que a com√©dia, mas a grandeza da trag√©dia s√≥ pode atribuir-se aos grandes. N√£o te aconselho a que v√°s ao encontro da amargura, mas se ela vier ter contigo, acolhe-a com serenidade. N√£o sucumbas aos seus golpes, aguenta-os at√© onde puderes. E se √©s homem de verdade, tu a aguentar√°s.
Também as grandes alegrias são do destino dos grandes, porque elas são irmãs dos grandes sofrimentos. Só os pequenos e mesquinhos se alegram e sofrem com o que é mesquinho e pequeno. Aquilo que é pequeno é imperceptível a quem o não é. Que juízo fazem de ti,

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P√°lida, √Ä Luz Da L√Ęmpada Sombria

P√°lida, √† luz da l√Ęmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar! na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! o seio palpitando…
Negros olhos as p√°lpebras abrindo…
Formas nuas no leito resvalando…

N√£o te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!

Noivado

Vês, querida, o horizonte ardendo em chamas?
Além desses outeiros
Vai descambando o sol, e à terra envia
Os raios derradeiros;
A tarde, como noiva que enrubesce,
Traz no rosto um véu mole e transparente;
No fundo azul a estrela do poente
Já tímida aparece.

Como um bafo suavíssimo da noite,
Vem sussurrando o vento
As árvores agita e imprime às folhas
O beijo sonolento.
A flor ajeita o c√°lix: cedo espera
O orvalho, e entanto exala o doce aroma;
Do leito do oriente a noite assoma
Como uma sombra austera.

Vem tu, agora, ó filha de meus sonhos,
Vem, minha flor querida;
Vem contemplar o céu, página santa
Que amor a ler convida;
Da tua solid√£o rompe as cadeias;
Desce do teu sombrio e mudo asilo;
Encontrar√°s aqui o amor tranq√ľilo…
Que esperas? que receias?

Olha o templo de Deus, pomposo e grande;
L√° do horizonte oposto
A lua, como l√Ęmpada, j√° surge
A alumiar teu rosto;
Os círios vão arder no altar sagrado,
Estrelinhas do céu que um anjo acende;

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Plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!

Aleluia! Aleluia!

Dentre um cortejo de harpas e ala√ļdes
√ď Arcanjo sereno, Arcanjo n√≠veo,
Baixas-te √† terra, ao mundanal conv√≠vio…
Pois que a terra te ajude, e tu me ajudes.

Que tu me alentes nas batalhas rudes,
Que me tragas a flor de um doce alívio
Aos báratros, às brenhas, ao declívio
Deste caminho de √Ęnsias e ata√ļdes…

J√° que desceste das regi√Ķes celestes,
Nesse clarão flamívomo das vestes,
Através dos troféus da Eternidade

Traz-me a Luz, traz-me a Paz, traz-me a Esperança
Para a minh’alma que de ang√ļstias cansa,
Errando pelos claustros da Saudade!

Endechas a B√°rbara escrava

Aquela cativa
Que me tem cativo,
Porque nela vivo
J√° n√£o quer que viva.
Eu nunca vi rosa
Em suaves molhos,
Que pera meus olhos
Fosse mais fermosa.

Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas n√£o de matar.

U~a graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo v√£o
Perde opini√£o
Que os louros s√£o belos.

Pretid√£o de Amor,
T√£o doce a figura,
Que a neve lhe jura
Que trocara a cor.
Leda mansid√£o,
Que o siso acompanha;
Bem parece estranha,
Mas b√°rbara n√£o.

Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela, enfim, descansa
Toda a minha pena.
Esta é a cativa
Que me tem cativo;
E. pois nela vivo,
√Č for√ßa que viva.

Beijos No Ar

No silêncio da noite, alta e deserta,
inebriante, férvido sintoma,
uma fragr√Ęncia feminina assoma
e tentadoramente me desperta.

Entrou-me, em ondas, a janela aberta,
como se se quebrara uma redoma,
da qual fugira o delirante aroma,
que o mistério do amor assim me oferta.

De que dama-da-noite ou jasmineiro,
de que magnólia em flor, em fevereiro,
se exala esse c√°lido desejo?

Ela sonha comigo: esse perfume
vem da sua saudade, que presume,
embora em sonho, ter-me dado um beijo!

O Gosto pela Cultura

√Č mais dif√≠cil encontrar um gentleman que um g√©nio. A marca mais distintiva de um homem culto √© a possibilidade de aceitar um ponto de vista diferente do seu; p√īr-se no lugar de outra pessoa e ver a vida e os seus problemas dessa perspectiva diferente. Estar disposto a experimentar uma ideia nova; poder viver nos limites das diverg√™ncias intelectuais; examinar sem calor os problemas escaldantes do dia; ter simpatia imaginativa, largueza e flexibilidade de esp√≠rito, estabilidade e equil√≠brio de sentimentos, calma ponderada para decidir – √© ter cultura.
(…) A cultura vem da contempla√ß√£o da natureza; do estudo da Literatura, Arte e Arquitectura com letras grandes; e do conhecimento pessoal das realidades emocionais da exist√™ncia. √Č uma escala de valores, ou m√©ritos, diferente da usada nas esferas dominadas pela ci√™ncia e pelo com√©rcio. Vivemos numa cultura onde o sucesso √© medido pelos bens materiais. √Č importante alcan√ßar objectivos materiais, mas ainda √© mais importante ser-se cidad√£o amadurecido, bem equilibrado e culto.

A cultura (…) est√° em n√≥s e n√£o sepultada em estranhas galerias. Significa bondade de esp√≠rito e √© a base de um bom car√°cter. A plenitude da vida n√£o vem das coisas exteriores a n√≥s;

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Este Amor Que Vos Tenho, Limpo E Puro

Este amor que vos tenho, limpo e puro,
de pensamento vil nunca tocado,
em minha tenra idade começado,
tê-lo dentro nesta alma só procuro.

De haver nele mudança estou seguro,
sem temer nenhum caso ou duro Fado,
nem o supremo bem ou baixo estado,
nem o tempo presente nem futuro.

A bonina e a flor asinha passa;
tudo por terra o Inverno e Estio
deita, só para meu amor é sempre Maio.

Mas ver-vos para mim, Senhora, escassa,
e que essa ingratid√£o tudo me enjeita,
traz este meu amor sempre em desmaio.

Símiles

(Desterro)

Pedro traiu a fé do Apostolado.
Madalena chorou de arrependida;
E nessa m√°goa triste e indefinida
Havia ainda uns laivos de pecado.

Tudo que a Bíblia tinha decretado,
Tudo o que a lenda humilde e dolorida
De Jesus Cristo apregoou na vida,
Cumpriu-se à risca, foi executado.

O filho-Deus da c√Ęndida Maria,
Da flor de Jericó, na cruz sombria
Os seus dias am√°veis terminou.

Pedro traiu a fé dos companheiros.
Madalena chorou sob os olmeiros
Jesus Cristo sofreu e… perdoou.

Memento por um coração que ladra

O
c√£o
que
mais
ganir
é
francês,
eco
nost√°lgico
de
uma
Bretanha
em f√ļria,
uvas
sangrentas,
espelho
ratado
pelo
sítio
do umbigo.
Um
bicho
que
gane
merece
os
ardis
todos
e
sulf√ļricas
desgraças.
D√°-se
ao
animal
o
que
vier
do
medo
(rebuçado
com
buço
de
sapo)
e
as
m√°scaras
do
L√°cio
passam.
Ent√£o
ser
voada
flor
em chaga
ou
simples
c√£o
j√°
n√£o
atrapalha
nem
é trapaça.
Um
coração
que
ladra
tem
sempre
boa
raça.

Nihil Novum

Na penumbra do pórtico encantado
De bruges, noutras eras, j√° vivi;
Vi os templos do Egipto com Loti;
Lancei flores, na √ćndia, ao rio sagrado.

No horizonte de bruma opalizado,
Frente ao B√≥sforo errei, pensando em ti!…
O silêncio dos claustros conheci
Pelos poentes de n√°car e brocado…

Mordi as rosas brancas de Ispa√£
E o gosto a cinza em todas era igual!
Sempre a charneca b√°rbara e deserta,

Triste, a florir, numa ansiedade v√£!
Sempre da vida — o mesmo estranho mal,
E o cora√ß√£o — a mesma chaga aberta!