Passagens sobre Dia

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Frases sobre dia, poemas sobre dia e outras passagens sobre dia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Um dia visitaremos a Lua e os planetas com a mesma facilidade com que hoje se vai de Liverpool a Nova York.

Por Quê ?

Foi tudo uma surpresa, tudo de repente,
talvez nenhum de nós saiba explicar porque,
Рvocê deixou de ser o que era antigamente
e o que era antigamente eu j√° n√£o sou, se v√™…

Eu era um seu amigo. E pra mim, você
por muito tempo foi a amiga e a confidente,
Рdeixei-a ler, assim como um cigano lê
nas m√£os, toda a minha alma indiferentemente…

Por muito tempo, os dois, felizes, nos julgamos,
ate que certo dia… (e eu n√£o lhe disse nada
nem voc√™ disse nada) n√≥s nos afastamos…

Hoje voc√™ me evita… Hoje evito a voc√™…
E seguimos ent√£o, cada um por sua estrada
sem que nenhum de n√≥s saiba explicar porque…

A uma Mulher

Pra vós são estes versos, pla consoladora
Graça dos olhos onde chora e ri um sonho
Doce, pla vossa alma pura e sempre boa,
Versos do fundo desta aflição opressora.

Porque, ai! o pesadelo hediondo que me assombra
Não dá tréguas e, louco, furioso, ciumento,
Multiplica-se como um cortejo de lobos
E enforca-se com o meu destino que ensanguenta!

Ah! sofro horrivelmente, ao ponto de o gemido
Desse primeiro homem expulso do Paraíso
Não passar de uma écloga à vista do meu!

E os cuidados que vós podeis ter são apenas
Andorinhas voando à tarde pelo céu
‚ÄĒ Querida ‚ÄĒ num belo dia de um Setembro ameno.

Tradução de Fernando Pinto do Amaral

Maus Tratos

Por v√°rias vezes nos chegaram aos ouvidos as not√≠cias de maus tratos. Resolvemo-nos, um dia, a tirar o caso a limpo e a fazer observar por m√©dicos de confian√ßa aqueles que se queixavam desses maus tratos. Devo dizer-lhe que se chegou √† conclus√£o de que os presos mentiam, para tirar efeitos pol√≠ticos, na maioria dos casos, mas quero dizer-lhe, tamb√©m, realmente, que algumas vezes falavam verdade. √Č claro que eram tomadas sempre, em casos desses, imediatas provid√™ncias, e foi essa a raz√£o de se terem dado algumas altera√ß√Ķes nos quadros da Pol√≠cia. Atribuir a responsabilidade, portanto, ao Governo desses maus tratos √© prova de ignor√Ęncia ou de m√°-f√©.
(…) No entanto, chegou-se √† conclus√£o de que os presos maltratados eram sempre, ou quase sempre, tem√≠veis bombistas que se recusavam a confessar, apesar de todas as habilidades da Pol√≠cia, onde tinham escondidas as suas armas criminosas e mortais. S√≥ depois de empregar esses meios violentos √© que eles se decidiam a dizer a verdade. E eu pergunto a mim pr√≥prio, continuando a reprimir tais abusos, se a vida de algumas crian√ßas e de algumas pessoas indefesas n√£o vale bem, n√£o justifica largamente, meia d√ļzia de safan√Ķes a tempo nessas criaturas sinistras…

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As M√£es?

Fossem estes dias uma fonte que
brotasse.
Manchas de azul, um rasto de neve em pleno céu,
colmeias,
mel, uma exaltação de asas.

Mas é assim:
metais que revestem a pele e as armaduras,
bronze, ferro, formas que perduram, malhas, ameaçados
tecidos que nos moldam ‚ÄĒ
quem borda ainda,
quem se atreve √† min√ļcia das rendas?

As m√£es?
elas vinham cedo, eram como um rumor de levadas,
atravessando as terras.
Eram as mesmas m√£os trabalhando sedas, afagos e
uma conspiração de cores e agulhas frias,
mães de silêncio bordando a treva e o sono, a longa
noite dos filhos.

Herdei uma beleza amarga,
o temor das sombras, dos rel√Ęmpagos que embatiam
na inf√Ęncia,
no dorso das colinas,
no coração mais triste.

Um estrondo de muralhas, diques, batalhas que
deflagram,
uma ciência aterradora:
não quero outra véspera de espadas, a coroação do
sangue,
patíbulos onde a cabeça se expande,
rolando como a poeira e os astros,
repercutindo como um sino no choro das m√£es.

N√£o quero um bordado de horas antigas,

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Esta inseguran√ßa √© irritante. Um homem pode ser amado por cem mulheres bonitas e no dia em que uma feia lhe vira a cara desaba-se-lhe a confian√ßa. Acha que as outras cem √© que estavam enganadas e que s√≥ esta percebeu finalmente que ele n√£o prestava para absolutamente nada. A uma mulher, em contrapartida, basta ser amada uma √ļnica vez para achar que os cem homens que a rejeitam s√£o simplesmente parvos que n√£o sabem o que perdem.

O Céu e a Terra

Aqueles que afirmam existir mais coisas no céu que na terra, têm razão e não têm, por serem ambos a mesma coisa, embora em planos inversos. Todas as almas sabem disto, quando estão no etéreo, à espera de reencarnar, mas depois esquecem-se, quando mergulham no limbo e se agarram ao corpo mirrado de uma coisa viva que há-de ser.
E, tenho para mim, que as beatas n√£o fazem por mal quando batem no peito e censuram o resto do mundo por n√£o ser igual a si. Buscam, talvez, um comportamento livre dos corpos que as aproxime do que elas foram um dia: uma coisa di√°fana e sem corpo, desprendidas da realidade da carne.

Quanto Mais Objectos de Interesse um Homem Tem, Mais Ocasi√Ķes Tem Tamb√©m de Ser Feliz

Toda a desilus√£o √© para mim uma doen√ßa que certas circunst√Ęncias podem tornar inevit√°vel, √© verdade, mas que, quando se produz, nem por isso deve deixar de ser tratada o mais r√°pidamente poss√≠vel, em vez de ser olhada como uma forma superior de sabedoria. Um homem, suponhamos, gosta de morangos e um outro n√£o gosta; em que √© que o √ļltimo √© superior ao primeiro? N√£o h√° nenhuma prova impessoal e abstracta de que os morangos sejam bons ou maus. Para quem gosta s√£o bons, para quem n√£o gosta s√£o maus. Mas o homem que gosta tem um prazer que o outro n√£o conhece; sobre este ponto, a sua vida √© mais agrad√°vel e est√° melhor adaptado ao mundo onde ambos t√™m de viver.

O que √© verdadeiro neste exemplo trivial √© igualmente verdade nas quest√Ķes mais importantes. O homem que gosta de assistir a desafios de futebol √© sob esse aspecto supeior ao homem que n√£o gosta. O que aprecia a leitura √© ainda mais superior do que aquele que n√£o a aprecia, pois as oportunidade de ler s√£o mais frequentes do que as de ver desafios de futebol. Quanto mais objectos de interesse um homem tem,

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Para Que Serve A Poesia?

De servir-se utensílio dia a dia
utilidade pr√°tica aplicada,
o nada sobre o nada anula o nada
por desvendar mistério na magia.

O sonho em fantasia iluminada
aqui se oferta em módica quantia
por camel√īs de palavras aladas
marreteiros de mansa mercancia.

De pagamento, apenas um sorriso
de nuvens, uma fatia de grama
de orvalho e o fugaz fulgor de astro arisco.
Serena sentença em sina servida,

seu valor se aquilata e se esparrama
na livre chama acesa de quem ama.

A Cultura Deve Ser Uma Descoberta Individual de Cada um de Nós

Não se deve intervir, não nos devemos meter nos problemas que cada um tem com a leitura. Não devemos sofrer por causa das crianças que não lêem, perder a paciência. Trata-se da descoberta do continente da leitura. Ninguém deve encorajar nem incitar outra pessoa a ir ver como ele é. Já existe excessiva informação no mundo acerca da cultura. Devemos partir sós para esse continente. Descobri-lo sozinhos. Operarmos sozinhos esse nascimento.
Por exemplo, em rela√ß√£o a Baudelaire, devemos ser os primeiros a descobrir o seu esplendor. E somos os primeiros. E, se n√£o formos os primeiros, nunca seremos leitores de Baudelaire. Todas as obras-primas do mundo deveriam ser encontradas pelas crian√ßas nos despejos p√ļblicos, e lidas √†s escondidas dos pais e dos mestres.
Por vezes, o facto de se ver algu√©m a ler um livro no metro, com grande aten√ß√£o, pode provocar a compra desse livro. Mas n√£o quanto aos romances populares. A√≠, ningu√©m se engana quanto √† natureza do livro. Os dois g√©neros nunca est√£o juntos nas mesmas m√£os. Os romances populares s√£o impressos em milh√Ķes de exemplares. Com a mesma grelha aplicada, em princ√≠pio, h√° uns cinquenta anos, os romances populares desempenham a sua fun√ß√£o de identifica√ß√£o sentimental ou er√≥tica.

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Os Ses Importantes da Vida

Hoje escrevo-te sobre os ses importantes da vida. Agarra-te bem a eles, e depois, quando te sentires assustada em algum momento, volta a agarrar-te a eles. Vais ver que nunca te vai faltar nada. Prometo.

Se amares com toda a segurança, desiste de amar, porque, ficas agora a saber, quando se ama com toda a segurança não se ama coisa nenhuma.
Se não tiveres medo de dizer que amas, como se sentisses que estavas a expor o mais imenso lado de ti, desiste de amar, porque, ficas agora a saber, é só o que nos faz ter medo que vale a pena ter medo perder.

Se não adormeceres todos os dias com uma inexplicável vontade de voltar a acordar só para estares nos braços da pessoa com quem adormeceste, desiste de amar, porque, ficas agora a saber, só o que nos faz adormecer felizes sem deixar de nos fazer ter vontade de acordar felizes é que é mesmo amor.

Se não acordares todos os dias com uma vontade inexplicável de voltar a adormecer só para poderes adormecer em paz ao lado de quem amas, desiste de amar, porque, ficas agora a saber, só o que nos faz acordar felizes sem deixar de nos fazer ter vontade de adormecermos felizes é que é mesmo amor.

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Arrojos

Se a minha amada um longo olhar me desse
Dos seus olhos que ferem como espadas,
Eu domaria o mar que se enfurece
E escalaria as nuvens rendilhadas.

Se ela deixasse, ext√°tico e suspenso
Tomar-lhe as mãos mignonnes e aquecê-las,
Eu com um sopro enorme, um sopro imenso
Apagaria o lume das estrelas.

Se aquela que amo mais que a luz do dia,
Me aniquilasse os males taciturnos,
O brilho dos meus olhos venceria
O clar√£o dos rel√Ęmpagos noturnos.

Se ela quisesse amar, no azul do espaço,
Casando as suas penas com as minhas,
Eu desfaria o Sol como desfaço
As bolas de sab√£o das criancinhas.

Se a Laura dos meus loucos desvarios
Fosse menos soberba e menos fria,
Eu pararia o curso aos grandes rios
E a terra sob os pés abalaria.

Se aquela por quem j√° n√£o tenho risos
Me concedesse apenas dois abraços,
Eu subiria aos róseos paraísos
E a Lua afogaria nos meus braços.

Se ela ouvisse os meus cantos moribundos
E os lamentos das cítaras estranhas,

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Eu

Até agora eu não me conhecia.
Julgava que era Eu e eu n√£o era
Aquela que em meus versos descrevera
T√£o clara como a fonte e como o dia.

Mas que eu n√£o era Eu n√£o o sabia
E, mesmo que o soubesse, n√£o o dissera…
Olhos fitos em r√ļtila quimera
Andava atr√°s de mim…e n√£o me via!

Andava a procurar-me — pobre louca!
E achei o meu olhar no teu olhar,
E a minha boca sobre a tua boca!

E esta √Ęnsia de viver, que nada acalma,
√Č a chama da tua alma a esbrasear
As apagadas cinzas da minha alma!

De Que S√£o Feitos os Dias?

De que s√£o feitos os dias?
– De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.

Entre m√°goas sombrias,
moment√Ęneos lampejos:
vagas felicidades,
inactuais esperanças.

De loucuras, de crimes,
de pecados, de glórias
– do medo que encadeia
todas essas mudanças.

Dentro deles vivemos,
dentro deles choramos,
em duros desenlaces
e em sinistras alian√ßas…

Sacrilégio

Como a alma pura, que teu corpo encerra,
Podes, t√£o bela e sensual, conter?
Pura demais para viver na terra,
Bela demais para no céu viver.

Amo-te assim! – exulta, meu desejo!
√Č teu grande ideal que te aparece,
Oferecendo loucamente o beijo,
E castamente murmurando a prece!

Amo-te assim, à fronte conservando
A parra e o acanto, sob o alvor do véu,
E para a terra os olhos abaixando,
E levantando os braços para o céu.

Ainda quando, abraçados, nos enleva
O amor em que me abraso e em que te abrasas,
Vejo o teu resplandor arder na treva
E ouço a palpitação das tuas asas.

Em v√£o sorrindo, pl√°cidos, brilhantes,
Os céus se estendem pelo teu olhar,
E, dentro dele, os serafins errantes
Passam nos raios claros do luar:

Em v√£o! – descerras √ļmidos, e cheios
De promessas, os l√°bios sensuais,
E, à flor do peito, empinam-se-te os seios,
Ameaçadores como dois punhais.

Como é cheirosa a tua carne ardente!
Toco-a, e sinto-a ofegar, ansiosa e louca.

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Homem para Deus

Ele vai só ele não tem ninguém
onde morrer um pouco toda a morte que o espera
Se é ele o portador do grande coração
e sabe abrir o seio como a terra
temei n√£o partam dele as grandes nega√ß√Ķes
Que h√° de comum entre ele e quem na juventude foi
que m√£o estendem eles um ao outro
por sobre tanta morte que nos dias veio?
E no seu coração que todo o homem ri e sofre
√© l√° que as esta√ß√Ķes recolhem findo o fogo
onde aquecer as mãos durante a tentação
é lá que no seu tempo tudo nasce ou morre
N√£o leva mais de seu que esse pequeno orgulho
de saber que decerto qualquer coisa acabar√°
quando partir um dia para n√£o voltar
e que ent√£o finalmente uma atitude sua h√°-de implicar
embora diminuta uma qualquer consequência
O que deus ter√° visto nele para morrer por ele?
Oh que responsabilidade a sua
Que não dê como a árvore sobre a vida simples sombra
que faça mais do que crescer e ir perdendo vestes

Oh que difícil não é criar um homem para deus

Eles gostariam que eu desse outro concerto, mas n√£o tenho nenhum desejo de o fazer. Voc√™s n√£o podem imaginar a tortura que representam para mim os tr√™s dias antes de aparecer ao p√ļblico.