Passagens sobre Dia

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Frases sobre dia, poemas sobre dia e outras passagens sobre dia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Retorno In√ļtil

Voltaste – e nos teus olhos novamente havia
aquela √ļmida luz que eu reconhe√ßo bem…
quiseste reavivar talvez minha agonia
e falaste em perd√£o… e choraste tamb√©m…

“N√£o voltes! que ter√°s na volta o meu desd√©m!”
falei-te… Mas sorriste do que eu te dizia…
Confiaste em meu amor e voltaste!: Pois bem
J√° n√£o h√° mais amor: – h√° indiferen√ßa fria…

In√ļtil, tua volta. O meu Ser j√° n√£o sente,
Retorna ao teu amor, aquele grande amor
de que um dia falavas orgulhosamente…

Retorna! Porque em mim j√° nada encontrar√°s!
Depois da humilhação, depois de tanta dor,
J√° n√£o sou mais o mesmo… e nem te quero mais!

Vanda

Vanda! Vanda do amor, formosa Vanda,
Maku√Ęma gentil, de aspecto triste,
Deixe que o coração que tu poluíste
Um dia, se abra e revivesça e expanda.

Nesse teu l√°bio sem calor onde anda
A sombra v√£ de amores que sentiste
Outrora, acende risos que n√£o viste
Nunca e as tristezas para longe manda.

Esquece a dor, a l√ļbrica serpente
Que, embora esmaguem-lhe a cabeça ardente,
Agita sempre a cauda venenosa.

Deixa pousar na seara dos teus dias
A caravana irial das alegrias
Como as abelhas pousam numa rosa.

Esqueço-me das Horas Transviadas

PASSOS DA CRUZ

Esqueço-me das horas transviadas
o Outono mora m√°goas nos outeiros
E p√Ķe um roxo vago nos ribeiros…
H√≥stia de assombro a alma, e toda estradas…

Aconteceu-me esta paisagem, fadas
De sepulcros a org√≠aco… Trigueiros
Os céus da tua face, e os derradeiros
Tons do poente segredam nas arcadas…

No claustro seq√ľestrando a lucidez
Um espasmo apagado em √≥dio √† √Ęnsia
P√Ķe dias de ilhas vistas do conv√©s

No meu cansaço perdido entre os gelos
E a cor do outono é um funeral de apelos
Pela estrada da minha disson√Ęncia…

XIX

Sai a passeio, mal o dia nasce,
Bela, nas simples roupas vaporosas;
E mostra às rosas do jardim as rosas
Frescas e puras que possui na face.

Passa. E todo o jardim, por que ela passe,
Atavia-se. H√° falas misteriosas
Pelas moitas, saudando-a respeitosas…
√Č como se uma s√≠lfide passasse!

E a luz cerca-a, beijando-a. O vento é um choro
Curvam-se as flores tr√™mulas … O bando
Das aves todas vem saud√°-la em coro …

E ela vai, dando ao sol o rosto brendo.
Às aves dando o olhar, ao vento o louro
Cabelo, e √†s flores os sorrisos dando…

E todos os dias ficarei t√£o alegre que incomodarei os outros, o que pouco me importa, j√° que eu tantas vezes sou incomodada pela alegria superficial e digestiva dos outros.

Senhor, dai-nos sempre a tua companhia, e a companhia de homens e mulheres que t√™m d√ļvidas, agem, sonham, se entusiasmam e vivem como se cada dia fosse dedicado a tua gl√≥ria.

Que rela√ß√£o tenho com o meu anjo da guarda? Ou√ßo-o? Digo-lhe ¬ębom dia¬Ľ de manh√£? Pergunto-lhe: ¬ęGuardaste-me durante o sonho?¬Ľ Falo com ele? Pe√ßo-lhe conselho? Est√° a meu lado?

Qual de n√≥s √† noite, antes de acabar o dia, fica sozinho e, no sil√™ncio, pergunta a si mesmo: ¬ęO que aconteceu hoje no meu cora√ß√£o? O que aconteceu? Como atravessaram as pessoas o meu cora√ß√£o?¬Ľ

Ignorado Ficasse O Meu Destino

Ignorado ficasse o meu destino
Entre pálios (e a ponte sempre à vista),
E anel concluso a chispas de ametista
A frase falha do meu p√≥stumo hino…

Florescesse em meu glabro desatino
O himeneu das escadas da conquista
Cuja preguiça, arrecadada, dista
Almas do meu impulso cristalino…

Meus ócios ricos assim fossem, vilas
Pelo campo romano, e a toga traça
No meu soslaio an√īnimas (desgra√ßa

A vida) curvas sob m√£os intranq√ľilas…
E tudo sem Cleópatra teria
Findado perto de onde raia o dia…

O bom das segundas-feiras, do primeiro dia de cada m√™s, e do primeiro do Ano, √© que nos d√£o a ilus√£o que a vida se renova… Que seria de n√≥s se a folhinha marcasse hoje o dia 713.789 da era Crist√£?

A Uma Senhora Que Me Pediu Versos

Pensa em ti mesma, achar√°s
Melhor poesia,
Viveza, graça, alegria,
Doçura e paz.

Se j√° dei flores um dia,
Quando rapaz,
As que ora dou têm assaz
Melancolia.

Uma só das horas tuas
Valem um mês
Das alma j√° ressequidas.

Os sóis e as luas
Creio bem que Deus os fez
Para outras vidas.

A Despedida da Morte

Falo de mim porque bem sei que a vida
lava o meu rosto com o suor dos outros,
que também sou, pois sou tudo o que posto

ao meu redor se cala, e é pedra, ou, água,
cicia apenas ‚ÄĒ O teu tempo √© a trava
que te impede de ter a calma clara

do ch√£o de lajes que o sol recobre,
este esperar por tudo que n√£o corre,
nem pára e nem se apressa, e é só estado,

e nem sequer murmura: ‚ÄĒ O que te trazem
é o riso e o lamento, o ser amado
e o roçar cada dia a tua morte,

que n√£o rep√Ķe em ti o, sem passado,
ficar no teu escuro, pois herdaste
e legas um sussurro, um som de passos,

uma sombra, um olhar sobre a paisagem,
mem√≥ria, c√°lcio, h√ļmus, eis que o mundo
nada rejeita, sendo pobre e triste
no esplendor que nos d√°. A madrugada.

O mais radical revolucionário tornar-se-á um conservador no dia seguinte à revolução.

Sou amanhã, ou noutro dia futuro, o que estabeleço hoje. Sou hoje o que estabeleci ontem ou noutro dia anterior.

A arrog√Ęncia da esp√©cie humana coexiste com um sentimento contradit√≥rio de desprotec√ß√£o total. Nos dias de hoje, todas as na√ß√Ķes, mesmo as mais poderosas, estremecem nas m√£os de algo que nos escapa, um destino cego, um horizonte enevoado. De s√ļbito, o Homem redescobre a sua fragilidade, a sua infinita solid√£o.

Dies Irae

Apetece cantar, mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A m√£o do medo sobre a nossa hora.

Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.

Apetece morrer, mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.

Oh! maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas,
Que deixam ver a vida que n√£o temos
E as ang√ļstias paradas!