O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim.
Passagens de Auguste Comte
32 resultadosViver para outrem.
O tempo corresponde a regular o presente a partir do futuro deduzido do passado.
A Ideia da Natureza
A ideia da Natureza é a ideia de um poder e de uma arte divinos inexprimíveis, sem comparação ou medida com o poder e a indústria do homem, que imprime nas suas obras um carácter próprio de majestade e graça, que opera todavia sob o domínio de condições necessárias, que tende fatal e inexoravelmente a um fim que nos ultrapassa, de maneira contudo que essa cadeia de finalidade misteriosa, da qual não podemos demonstrar cientificamente nem a origem, nem o termo, aparece a nós como um fio condutor com a ajuda do qual a ordem é introduzida nos factos observados e que nos coloca no rastro dos factos a pesquisar. A ideia da natureza, esclarecida assim tanto quanto pode ser, não passa da concentração de todos os clarões que a observação e a razão nos fornecem sobre o conjunto dos fenómenos da vida, sobre o sistema dos seres vivos.
Seria tão irracional supor muitas religiões quanto muitas saúdes.
Todos os bons intelectos têm repetido, desde o tempo de Bacon, que não pode haver qualquer conhecimento real senão aquele baseado em fatos observáveis.
Toda a educação humana deve preparar todos para viverem pelo outro a fim de reviverem no outro.
A arte reconduz suavemente à realidade as contemplações demasiado abstractas do teórico, enquanto impele com nobreza o prático para as especulações desinteressadas.
Para a alma, a religião constitui um consenso normal exactamente comparável ao da saúde em relação ao corpo.
Nada é mais oposto às belas-artes do que a visão estreita, o movimento demasiado analítico e o abuso do raciocínio, próprios ao nosso regime científico, aliás tão funesto ao desenvolvimento moral, primeira fonte de toda a disposição estética.
A moral consiste em fazer prevalecer os instintos simpáticos sobre os impulsos egoístas.
Felizes dos que, relembrando a juventude, não se lembram de fatos vergonhosos.
Como a arte deve sobretudo desenvolver em nós o sentimento da perfeição, jamais tolera a mediocridade: o verdadeiro gosto sempre supõe um vivo desgosto.
Viver para os outros não é somente a lei do dever, mas também a da felicidade.
Viver pelo Outro
Melhor do que qualquer outro animal sociável, o homem tende cada vez mais a uma unidade realmente altruísta, menos fácil de realizar do que a unidade egoísta, embora muito superior em plenitude e em estabilidade.
(…) Toda a educação humana deve preparar todos para viverem pelo outro a fim de reviverem no outro.
(…) O ser deve-se subordinar a uma existência exterior a fim de nela encontrar a origem da sua própria estabilidade. Ora, essa condição só se pode realizar satisfatoriamente sob o domínio das inclinações que dispõem cada um a viver sobretudo pelo outro.
Viver às claras.
Cansamo-nos de agir e até de pensar, mas jamais nos cansamos de amar.
Nem sempre é possível ou conveniente suspender o juízo.
Nenhuma renovação mental pode realmente regenerar a sociedade a não ser quando a sistematização das ideias conduz à sistematização dos sentimentos, a única socialmente decisiva, e sem a qual jamais a filosofia substituiria a religião.
Saber para prever, a fim de poder.