Cita√ß√Ķes sobre Cadeia

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Toda a vida quotidiana, toda a vida material, um dia deve ser inteiramente gr√°tis. (…) O que ainda o menino imperador tem que fazer √© abrir as cadeias, soltar todos os presos, e ter a certeza de que da√≠ por diante, sendo o menino livre e sendo a vida gratuita, nunca mais se poder√° contar, e ter medo, dessa figura terr√≠vel que n√£o conseguem arredar, que √© a figura do crime.

O amor √© certamente uma das formas favoritas da Natureza para destruir os velhos preconceitos e perspetivas a que nos acomod√°mos. O amor desarruma as nossas cren√ßas perfeitamente organizadas acerca do isolamento e da independ√™ncia, o que pode desencadear perce√ß√Ķes poderosas e uma cadeia de acontecimentos que destr√≥i barreiras, medos e padr√Ķes de pensamento obsoletos.

Lisboa perto e longe

Lisboa chora dentro de Lisboa
Lisboa tem pal√°cios sentinelas.
E fecham-se janelas quando voa
nas praças de Lisboa Рbranca e rota
a blusa de seu povo – essa gaivota.

Lisboa tem casernas catedrais
museus cadeias donos muito velhos
palavras de joelhos tribunais.
Parada sobre o cais olhando as √°guas
Lisboa é triste assim cheia de mágoas.

Lisboa tem o sol crucificado
nas armas que em Lisboa est√£o voltadas
contra as m√£os desarmadas – povo armado
de vento revoltado violas astros
Рmeu povo que ninguém verá de rastos.

Lisboa tem o Tejo tem veleiros
e dentro das pris√Ķes tem velas rios
dentro das m√£os navios prisioneiros
ai olhos marinheiros – mar aberto
– com Lisboa t√£o longe em Lisboa t√£o perto.

Lisba é uma palavra dolorosa
Lisboa s√£o seis letras proibidas
seis gaivotas feridas rosa a rosa
Lisboa a desditosa desfolhada
palavra por palavra espada a espada.

Lisboa tem um cravo em cada m√£o
tem camisas que abril desabotoa
mas em maio Lisboa é uma canção
onde h√° versos que s√£o cravos vermelhos
Lisboa que ninguem ver√° de joelhos.

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O √ļnico modo de exprimir uma emo√ß√£o de forma art√≠stica √© encontrando um ‘correlativo objectivo’; por outras palavras, uma s√©rie de objectos, uma situa√ß√£o, uma cadeia de acontecimentos que representem a f√≥rmula daquela emo√ß√£o particular.

Vinho Negro

O vinho negro do imortal pecado
Envenenou nossas humanas veias
Como fascina√ß√Ķes de atras sereias
E um inferno sinistro e perfumado.

O sangue canta, o sol maravilhado
Do nosso corpo, em ondas fartas, cheias.
como que quer rasgar essas cadeias
Em que a carne o retém acorrentado.

E o sangue chama o vinho negro e quente
Do pecado letal, impenitente,
O vinho negro do pecado inquieto.

E tudo nesse vinho mais se apura,
Ganha outra graça, forma e formosura,
Grave beleza d’esplendor secreto.

XLII

Morfeu doces cadeias estendia,
Com que os cansados membros me enlaçava;
E quanto mal o coração passava,
Em sonhos me debuxa a fantasia.

Lise presente vi, Lise, que um dia
Todo o meu pensamento arrebatava,
Lise, que na minha alma impressa estava,
Bem apesar da sua tirania.

Corro a prendê-la em amorosos laços
Buscando a sombra, que apertar intento;
Nada vejo (ai de mim!) perco os meus passos.

Ent√£o mais acredito o fingimento:
Que ao ver, que Lise foge de meus braços,
A crê pelo costume o pensamento.

Onde est√£o vinte pessoas reunidas em preg√£o ao insulto do infort√ļnio, a√≠ sem d√ļvida est√£o acobertados vinte crimes. Do elo da libertinagem ao elo da ladroeira preencham a cadeia com os fuzis que faltam.

O Belo é Necessário

Neste mundo o lindo √© necess√°rio. H√° mui poucas fun√ß√Ķes t√£o importantes como esta de ser encantadora. Que desespero na floresta se n√£o houvesse o colibri! Exalar alegrias, irradiar venturas, possuir no meio das coisas sombrias uma transmuda√ß√£o de luz, ser o dourado do destino, a harmonia, a gentileza, a gra√ßa, √© favorecer-te. A beleza basta ser bela para fazer bem. H√° criatura que tem consigo a magia de fascinar tudo quanto a rodeia; √†s vezes nem ela mesmo o sabe, e √© quando o prest√≠gio √© mais poderoso; a sua presen√ßa ilumina, o seu contato aquece; se ela passa, ficas contente; se p√°ra, √©s feliz; contempl√°-la √© viver; √© a aurora com figura humana; n√£o faz nada, nada que n√£o seja estar presente, e √© quanto basta para edenizar o lar dom√©stico; de todos os poros sai-lhe um para√≠so; √© um √™xtase que ela distribui aos outros, sem mais trabalho que o de respirar ao p√© deles. Ter um sorriso que – ningu√©m sabe a raz√£o – diminui o peso da cadeia enorme arrastada em comum por todos os viventes, que queres que te diga? √© divino.

N√£o Me Aflige Do Potro A Viva Quina;

N√£o me aflige do potro a viva quina;
Da férrea maça o golpe não me ofende;
Sobre as chamas a m√£o se n√£o estende;
N√£o sofro do agulhete a ponta fina.

Grilh√£o pesado os passos n√£o domina;
Cruel arrocho a testa me n√£o fende;
À força perna ou braço se não rende;
Longa cadeia o colo n√£o me inclina.

√Āgua e pomo faminto n√£o procuro;
Grossa pedra n√£o cansa a humanidade;
A p√°ssaro voraz eu n√£o aturo.

Estes males não sinto, é bem verdade;
Porém sinto outro mal inda mais duro:
Da consorte e dos filhos a saudade!

O Desfecho

Prometeu sacudiu os braços manietados
E s√ļplice pediu a eterna compaix√£o,
Ao ver o desfilar dos séculos que vão
Pausadamente, como um dobre de finados.

Mais dez, mais cem, mais mil e mais um bili√£o,
Uns cingidos de luz, outros ensang√ľentados…
S√ļbito, sacudindo as asas de tuf√£o,
Fita-lhe a √°gua em cima os olhos espantados.

Pela primeira vez a víscera do herói,
Que a imensa ave do céu perpetuamente rói,
Deixou de renascer às raivas que a consomem.

Uma invisível mão as cadeias dilui;
Frio, inerte, ao abismo um corpo morto rui;
Acabara o suplício e acabara o homem.

Sem Medo nem Esperança

Li no nosso Hecat√£o que p√īr termo aos desejos √© proveitoso como rem√©dio aos nossos temores. Diz ele: ¬ędeixar√°s de ter medo quando deixares de ter esperan√ßa¬Ľ. Perguntar√°s tu como √© poss√≠vel conciliar duas coisas t√£o diversas. Mas √© assim mesmo, amigo Luc√≠lio: embora pare√ßam dissociadas, elas est√£o interligadas. Assim como uma mesma cadeia acorrenta o guarda e o prisioneiro, assim aquelas, embora parecendo dissemelhantes, caminham lado a lado: √† esperan√ßa segue-se sempre o medo. Nem √© de admirar que assim seja: ambos caracterizam um esp√≠rito hesitante, preocupado na expectativa do futuro.
A causa principal de ambos é que não nos ligamos ao momento presente antes dirigimos o nosso pensamento para um momento distante e assim é que a capacidade de prever, o melhor bem da condição humana, se vem a transformar num mal. As feras fogem aos perigos que vêem mas assim que fugiram recobram a segurança. Nós tanto nos torturamos com o futuro como com o passado. Muitos dos nossos bens acabam por ser nocivos: a memória reactualiza a tortura do medo, a previsão antecipa-a; apenas com o presente ninguém pode ser infeliz!

A Esquerda e a Direita

Os políticos que se dizem de esquerda, por ser o bom sítio de se ser político, estão sempre a afirmar que são de esquerda, não vá a gente esquecer-se ou julgar que mudaram de poiso. Mas dito isso, não é preciso ter de explicar de que sítio são os actos que a necessidade política os vai obrigando a praticar. Como os de direita, aliás, que é um lugar mais espinhoso. O que importa é dizerem onde instalaram a sua reputação, na ideia de que o nome é que dá a realidade às coisas. E se antes disso nos explicassem o que é isso de ser de esquerda ou de direita? Nós trabalhamos com papéis que não sabemos se têm cobertura, como no faz-de-conta infantil. Mas o que é curioso é que o comércio político funciona à mesma com os cheques sem cobertura. E ninguém tira a limpo esse abuso de confiança, para as cadeias existirem. Mas o homem é um ser fictício em todo o seu ser. E é precisa a morte para ele enfim ser verdadeiro.

Ode Marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manh√£ de Ver√£o,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atr√°s de si a orla v√£ do seu fumo.
Vem entrando, e a manh√£ entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de tr√°s dos navios que est√£o no porto.
H√° uma vaga brisa.
Mas a minh’alma est√° com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele est√° com a Dist√Ęncia, com a Manh√£,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,

Os paquetes que entram de manh√£ na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.

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Paix√£o Secreta

Acordei com os primeiros p√°ssaros,
j√° minha l√Ęmpada morria.
Fui até à janela aberta e sentei-me,
com uma grinalda fresca
nos cabelos desatados…
Ele vinha pelo caminho
na névoa cor de rosa da manhã.
Trazia ao pescoço
uma cadeia de pérolas
e o sol batia-lhe na fronte.
Parou à minha porta
e disse-me ansioso:
‚ÄĒ Onde est√° ela?
Tive vergonha de lhe dizer:
‚ÄĒ Sou eu, belo caminhante,
sou eu.

Anoitecia
e ainda n√£o tinham acendido as luzes.
Eu atava o cabelo, desconsolada.
Ele chegava no seu carro
todo vermelho, aceso pelo sol poente.
Trazia o fato cheio de poeira.
Fervia a espuma
na boca anelante dos seus cavalos…
Desceu à minha porta
e disse-me com voz cansada:
‚ÄĒ Onde est√° ela?
Tive vergonha de lhe dizer:
‚ÄĒ Sou eu, fatigado caminhante,
sou eu.

Noite de Abril.
A l√Ęmpada arde neste meu quarto
que a brisa do Sul
enche suavemente.
O papagaio palrador
dorme na sua gaiola.
O meu vestido é azul
como o pescoço dum pavão,

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A Doutrina Perfeita

Muitas vezes as pessoas dirigem-se a mim, dizendo: ¬ęvoc√™, que √© independente¬Ľ. N√£o sou assim; continuamente devo ceder a pequenas f√≥rmulas sofisticadas que corrompem, que d√£o um sentido inverso √† nossa orienta√ß√£o, que fazem com que a transpar√™ncia do cora√ß√£o se turve. Continuamente a nossa inseguran√ßa, o ego√≠smo, o esp√≠rito legalista, a mesquinhez, a vaidade, toda a esp√©cie de circunst√Ęncias que tomam o partido da vida como desfrute √† sensa√ß√£o se sobrep√Ķem √† luz interior. S√≥ a f√© √© independente. S√≥ ela est√° para al√©m do bem e do mal.

Estar para al√©m do bem e do mal aplica-se a Cristo. ¬ęPerdoa ao teu inimigo, oferece a outra face¬Ľ – disse Ele. N√£o √© um conselho para humilhados, n√£o √© um preceito para m√°rtires. Nisso aparece Cristo mal interpretado, a ponto de o cristianismo ter sido considerado uma religi√£o de escravos. Mas esquecemos que Cristo, como Homem, teve a experi√™ncia-limite, uma vis√£o do inconsciente absoluto, o que quer dizer que a sua consci√™ncia foi saturada, para al√©m do bem e do mal. Esse homem que perdoa ao seu inimigo n√£o o faz por contrariedade do seu instinto, por repara√ß√£o dos seus pecados; mas porque n√£o pode proceder de outra maneira.

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Na Luz

De soluço em soluço a alma gravita,
De soluço em soluço a alma estremece,
Anseia, sonha, se recorda, esquece
E no centro da Luz dorme contrita.

Dorme na paz sacramental, bendita,
Onde tudo mais puro resplandece,
Onde a Imortalidade refloresce
Em tudo, e tudo em c√Ęnticos palpita.

Sereia celestial entre as sereias,
Ela só quer despedaçar cadeias,
De soluço em soluço, a alma nervosa.

Ela só quer despedaçar algemas
E respirar nas amplid√Ķes supremas,
Respirar, respirar na Luz radiosa.