Passagens de Luís António Cajazeira Ramos

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Fado de contas

Eu n√£o quero chegar em casa nunca,
a caminho, no abrigo do teu colo,
sonhando… no balan√ßo do autom√≥vel,
que nos leva a um destino inalcançável.

O tempo pára, o espaço cristaliza-se,
e o carro √© lar, e leito, e colo, e beijo…
No ocaso de teu beijo, eu me infinito
e esqueço da procura em que me perco.

De encontro aos vidros, saltam fachos v√°rios,
como se objetos de desejos vastos,
onde meus gestos não se satisfaçam.

Aproxima-se o instante em que me apeio,
vai a carruagem, dobra a esquina, e sigo
noctívago das horas Рa teus passos.

Porto inseguro

A liberdade bate à minha porta,
t√£o carente de mim, pedindo abrigo.
Quero ampar√°-la e penso que consigo
detê-la, mas seria tê-la morta.

Livre para pairar num céu sem peias,
na solid√£o de um v√īo sem destino,
por que perder, nos olhos de √°guia, o tino,
vindo a quem se agrilhoa sem cadeias?

Deusa das asas! Seu vagar escapa
a meus sentidos, seu desejo alcança
tudo que a mim se esconde atr√°s da capa.

V√° embora daqui! Siga seu rumo!
Sou prisioneiro, um órfão da esperança
e arrasto um v√īo cego em ch√£o sem prumo.