Passagens sobre Asas

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Frases sobre asas, poemas sobre asas e outras passagens sobre asas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Amor Infinito

Da mulher o que nos comove e enleva √© a parte impoluta que ela tem do c√©u; √© a magia que a fada exercita obedecendo a interno impulso, n√£o sabido dela, n√£o sabido de n√≥s. Ali h√° mensagem de outras regi√Ķes; aqui, no peito arquejante, nos olhos amarados de gozozas l√°grimas, h√° um espirar para o alto, um ir-se o cora√ß√£o avoando desde os olhos, desde o sorriso dela para soberanas e imorredouras alegrias. N√≥s √© que n√£o sabemos nem podemos ver sen√£o o pouquinho desse infinito que nos entre-luz nas gra√ßas do primeiro amor, do segundo amor, de quantos estremecimentos de s√ļbita embriaguez nos fazem crer que despimos o inv√≥lucro de barro e pairamos alados sobre a regi√£o das l√°grimas.

√Č Deus que n√£o quer ou somos n√≥s que n√£o podemos prorrogar a dura√ß√£o ao sonho? Se Deus, que mal faria √† sua divina grandeza que o pequenino guzano o adorasse sempre? Porque vai t√£o r√°pida aquela esta√ß√£o em que o homem √© bom porque ama, e √© caritativo e dadivoso porque tudo sobeja √† sua felicidade? Quando poderam aliar-se um amor puro com a impureza das inten√ß√Ķes? Quais olhos de homem afectivo e como santificado por seu amor recusaram chorar sobre desgra√ßas estranhas?

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A esperança tem asas. Faz a alma voar. Canta a melodia mesmo sem saber a letra. E nunca desiste. Nunca.

A uma Rosa

Como tens t√£o pouca vida?
Quem t√£o depressa te mata?
Flor do mais ilustre sangue,
Que deu de Vénus a planta?
Uma Aurora só que vives,
Flores te chamam Monarca:
Na mesma terra do império,
Que foi berço, tens a campa.
L√°stima da tarde chamam
A ti doce mimo da alva,
Gentil pérola nascida
Entre concha de esmeralda.
√Āguia nos voos florentes
Estendes ao Sol as asas,
Mas quando os raios lhe logras,
Fénix em raios te abrazas.

Em quanto em verde clausura
Te fecha o bot√£o as galas,
Para os logros, que desejas,
Te dão vida as esperanças.
Mas quando a p√ļrpura bela
Te serve j√° de mortalha,
Sentido o Sol chora raios,
Buscando a morte nas √°guas.
De fermosura t√£o rica
N√£o sei quem foi o pirata
T√£o atrevido, que rouba
A joia da madrugada.

Hino à Morte

Tenho às vezes sentido o chocar dos teus ossos
E o vento da tua asa os meus lábios roçar;
Mas da tua presença o rasto de destroços
Nunca de susto fez meu coração parar.

Nunca, espanto ou receio, ao meu √Ęnimo trouxe
Esse aspecto de horror com que tudo apavoras,
Nas tuas m√£os erguendo a inexor√°vel Fouce
E a ampulheta em que vais pulverizando as horas.

Sei que andas, como sombra, a seguir os meus
[passos,
Tão próxima de mim que te respiro o alento,
‚ÄĒ Prestes como uma noiva a estreitar-me em teus
[braços,
E a arrastar-me contigo ao teu leito sangrento…

Que importa? Do teu seio a noite que amedronta,
Para mim não é mais que o refluxo da Vida,
Noite da noite, donde esplêndida desponta
A aurora espiritual da Terra Prometida.

A Alma volta à Luz; sai desse hiato de sombra,
Como o insecto da larva. A Morte que me aterra,
Essa que tanta vez o meu √Ęnimo assombra,
Não és tu, com a paz do teu oásis te terra!

Quantas vezes,

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√ćcaro

A minha Dor, vesti-a de brocado,
Fi-la cantar um choro em melopeia,
Ergui-lhe um trono de oiro imaculado,
Ajoelhei de m√£os postas e adorei-a.

Por longo tempo, assim fiquei prostrado,
Moendo os joelhos sobre lodo e areia.
E as multid√Ķes desceram do povoado,
Que a minha dor cantava de sereia…

Depois, ruflaram alto asas de agoiro!
Um sil√™ncio gelou em derredor…
E eu levantei a face, a tremer todo:

Jesus! ruíra em cinza o trono de oiro!
E, misérrima e nua, a minha Dor
Ajoelhara a meu lado sobre o lodo.

No mistério do sem-fim equilibra-se um planeta. E no planeta um jardim e no jardim um canteiro no canteiro uma violeta e sobre ela o dia inteiro entre o planeta e o sem-fim a asa de uma borboleta.

Campesinas IV

Através das romãzeiras
E dos pomares floridos
Ouvem-se as vezes ruídos
E bater d’asas ligeiras.

S√£o as aves forasteiras
Que dos seus ninhos queridos
Vêm dar ali os gemidos
Das ilus√Ķes passageiras.

Vêm sonhar leves quimeras,
Idílios de primaveras,
Contar os risos e os males.

Vêm chorar um seio de ave
Perdida pela suave
Carícia verde dos vales.

Cantata de Dido

J√° no roxo oriente branqueando,
As prenhes velas da troiana frota
Entre as vagas azuis do mar dourado
Sobre as asas dos ventos se escondiam.
A misérrima Dido,
Pelos paços reais vaga ululando,
C’os turvos olhos inda em v√£o procura
O fugitivo Eneias.
Só ermas ruas, só desertas praças
A recente Cartago lhe apresenta;
Com medonho fragor, na praia nua
Fremem de noite as solit√°rias ondas;
E nas douradas grimpas
Das c√ļpulas soberbas
Piam nocturnas, agoureiras aves.
Do marmóreo sepulcro
Atónita imagina
Que mil vezes ouviu as frias cinzas
De defunto Siqueu, com débeis vozes,
Suspirando, chamar: ‚Äď Elisa! Elisa!
D’Orco aos tremendos numens
Sacrifícios prepara;
Mas viu esmorecida
Em torno dos turícremos altares,
Negra escuma ferver nas ricas taças,
E o derramado vinho
Em pélagos de sangue converter-se.
Frenética, delira,
P√°lido o rosto lindo
A madeixa subtil desentrançada;
Já com trémulo pé entra sem tino
No ditoso aposento,
Onde do infido amante
Ouviu, enternecida,
Magoados suspiros, brandas queixas.
Ali as cruéis Parcas lhe mostraram
As ilíacas roupas que,

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A Flor Do Sonho

A Flor do Sonho, alvíssima, divina,
Miraculosamente abriu em mim,
Como se uma magnólia de cetim
Fosse florir num muro todo em ruína.

Pende em meu seio a haste branda e fina
E não posso entender como é que, enfim,
Essa t√£o rara flor abriu assim! …
Milagre… fantasia… ou, talvez, sina…

√ď flor que em mim nasceste sem abrolhos,
Que tem que sejam tristes os meus olhos
Se eles s√£o tristes pelo amor de ti?!…

Desde que em mim nasceste em noite calma,
Voou ao longe a asa da minh’alma
E nunca, nunca mais eu me entendi…

Ao Espelho

E de repente chegas aos
quarenta e tal anos

e palavras como colesterol
hipertens√£o astigmatismo

começam a invadir a tua
vida… Olhas para tr√°s e

o que vês? Uma pomba
com uma das asas ferida

condenada ao mais terrí-
vel pedestrianismo

A Um Moribundo

N√£o tenhas medo, n√£o! Tranquilamente,
Como adormece a noite pelo Outono,
Fecha os teus olhos, simples, docemente,
Como, √† tarde, uma pomba que tem sono…

A cabeça reclina levemente
E os braços deixa-os ir ao abandono,
Como tombam, arfando, ao sol poente,
As asas de uma pomba que tem sono…

O que h√° depois? Depois?… O azul dos c√©us?
Um outro mundo? O eterno nada? Deus?
Um abismo? Um castigo? Uma guarida?

Que importa? Que te importa, ó moribundo?
– Seja o que for, ser√° melhor que o mundo!
Tudo ser√° melhor do que esta vida!…

Andam pombas assustadas
No teu olhar, adejando,
Mal sentem os meus olhos,
Batem as asas, voando.

Tenho uma Grande Constipação

Tenho uma grande constipação,
E toda a gente sabe como as grandes constipa√ß√Ķes
Alteram todo o sistema do universo,
Zangam-nos contra a vida,
E fazem espirrar até à metafísica.
Tenho o dia perdido cheio de me assoar.
Dói-me a cabeça indistintamente.
Triste condição para um poeta menor!
Hoje sou verdadeiramente um poeta menor.
O que fui outrora foi um desejo; partiu-se.

Adeus para sempre, rainha das fadas!
As tuas asas eram de sol, e eu c√° vou andando.
N√£o estarei bem se n√£o me deitar na cama.
Nunca estive bem sen√£o deitando-me no universo.

Excusez un peu… Que grande constipa√ß√£o f√≠sica!
Preciso de verdade e da aspirina.

A Única Crítica é a Gargalhada

A √ļnica cr√≠tica √© a gargalhada! N√≥s bem o sabemos: a gargalhada nem √© um racioc√≠nio, nem um sentimento; n√£o cria nada, destr√≥i tudo, n√£o responde por coisa alguma. E no entanto √© o √ļnico coment√°rio do mundo pol√≠tico em Portugal. Um Governo decreta? gargalhada. Reprime? gargalhada. Cai? gargalhada. E sempre esta pol√≠tica, liberal ou opressiva, ter√° em redor dela, sobre ela, envolvendo-a como a palpita√ß√£o de asas de uma ave monstruosa, sempre, perpetuamente, vibrante, e cruel ‚Äď a gargalhada! Pol√≠tica querida, s√™ o que quiseres, toma todas as atitudes, pensa, ensina, discute, oprime ‚Äď n√≥s riremos. A tua atmosfera √© de chala√ßa.