Cita√ß√Ķes de Charles Baudelaire

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Charles Baudelaire para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

O Tonel do Rancor

O Rancor é o tonel das Danaidas alvíssimas;
A Vingança, febril, grandes olhos absortos,
procura em vão encher-lhes as trevas profundíssimas,
Constante, a despejar pranto e sangue de mortos.

O Diabo faz-lhe abrir uns furos misteriosos
Por onde se estravasa o líquido em tropel;
Mil anos de labor, de esforços fatigosos,
Tudo seria v√£o para encher o tonel.

O Rancor é qual ébrido em sórdida taverna,
Que quanto mais bebeu inda mais sede tem,
Vendo-a multiplicar como a hidra de Lerna.

РMas se o ébrio feliz sabe com quem se avém,
O Rancor, por seu mal, n√£o logra conseguir,
Qual torvo beberr√£o, acabar por dormir.

Tradução de Delfim Guimarães

O Albatroz

Às vezes no alto mar, distrai-se a marinhagem
Na caça do albatroz, ave enorme e voraz,
Que segue pelo azul a embarcação em viagem,
Num v√īo triunfal, numa carreira audaz.

Mas quando o albatroz se vê preso, estendido
Nas t√°buas do conv√©s, ‚ÄĒ pobre rei destronado!
Que pena que ele faz, humilde e constrangido,
As asas imperiais caídas para o lado!

Dominador do espaço, eis perdido o seu nimbo!
Era grande e gentil, ei-lo o grotesco verme!…
Chega-lhe um ao bico o fogo do cachimbo,
Mutila um outro a pata ao voador inerme.

O Poeta é semelhante a essa águia marinha
Que desdenha da seta, e afronta os vendavais;
Exilado na terra, entre a plebe escarninha,
N√£o o deixam andar as asas colossais!

Tradução de Delfim Guimarães

O Cachimbo

Trigueiro, negro, enfarruscado,
Sou o cachimbo d’um autor,
incorrigível fumador,
Que me tem j√° quase queimado.

Quando o persegue ingente dor,
Eu, a fumar, sou comparado
Ao fogareiro improvisado
Para o jantar d’um lenhador.

Vai envolver-lhe a tova mente
O fumo azul e transparente
Da minha boca em erup√ß√£o…

A sua dor, prestes, se acalma;
Leva-lhe o fumo a paz à alma,
Vai Alegrar-lhe o coração!

Tradução de Delfim Guimarães

Sim o tempo reina; ele retomou sua brutal ditadura. E est√°-me empurrando, como se eu fosse um boi, com seu duplo aguilh√£o: Vai, anda, burrico! Vai, sua, escravo! Vai, vive, maldito!

Na cama est√° deitada a deusa, a soberana dos sonhos. Mas como √© que ela veio aqui? Quem a trouxe, que poder m√°gico a instalou neste trono de fantasia e de vol√ļpia?

Os Mochos

Sob os feixos onde habitam,
Os mochos formam em filas;
Fugindo as rubras pupilas,
Mudos e quietos, meditam.

E assim permanecer√£o
Até o Sol se ir deitar
No leito enorme do mar,
Sob um sombrio edred√£o.

Do seu exemplo, tirai
Proveitoso ensinamento:
‚ÄĒ Fug√≠ do mundo, evitai

O bul√≠cio e o movimento…
Quem atr√°s de sombras vai,
Só logra arrependimento!

Tradução de Delfim Guimarães

√Č preciso estar sempre embriagado. Para n√£o sentirem o fardo incr√≠vel do tempo, que verga e inclina para a terra, √© preciso que se embriaguem sem descanso. Com qu√™? Com vinho, poesia, ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.

As Na√ß√Ķes e os Grandes Homens

As na√ß√Ķes apenas possuem grandes homens sem a sua interven√ß√£o – como as fam√≠lias. Fazem todos os esfor√ßos para n√£o t√™-los. E, assim, o grande homem precisa, para existir, de possuir uma for√ßa de agress√£o maior do que a for√ßa de resist√™ncia desenvolvida por milh√Ķes de indiv√≠duos.