Cita√ß√Ķes de Alberto Moravia

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Alberto Moravia para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

Os bons escritores são monótonos, como os bons compositores. Vivem para aperfeiçoar o problema que nasceram para compreender.

Creio que a amizade é mais difícil e mais rara do que o amor. Por isso, há que salvá-la a todo o custo.

O Gosto Pela Contemplação

O poder interior do homem pode-se comparar ao de um rio que, impedido por um dique, forme uma bacia artificial dando assim origem a uma fonte de energia. Mas h√° s√©culos que este dique tem uma falha, a bacia est√° quase vazia, a energia pouco menos que gasta e todas as regi√Ķes em volta est√£o na escurid√£o. Deve-se portanto refor√ßar o dique e permitir que o n√≠vel da √°gua suba. Por outras palavras, para encontrar uma ideia do homem, isto √©, uma fonte de verdadeira energia, necessita-se que os homens reencontrem o gosto pela contempla√ß√£o. A contempla√ß√£o √© o dique que alimenta de √°gua a bacia. Ela permite aos homens acumular de novo a energia de que a ac√ß√£o os privou.

O Desespero do Homem de Acção

Há uma ligação muito estreita entre a adoração da acção e o uso do homem como meio de atingir fins que não são o homem. Como há uma ligação aproximada entre este desespero e a acção, entre a razão e a acção. A proeminência dos valores da acção sobre os da contemplação indica, sobretudo, que o homem abandonou totalmente a busca duma ideia aprazível do homem e o desejo de o colocar como fim. E que na impossibilidade de agir segundo um fim, ou de agir para ser homem, ele decide agir de qualquer maneira, apenas para agir.
O homem de ac√ß√£o √© um desesperado que procura preencher o vazio do seu pr√≥prio desespero com actos ligados mecanicamente uns aos outros e compreendidos entre um ponto de in√≠cio e um ponto de conclus√£o, ambos gratuitos e convencionais. Por exemplo, entre o ponto de in√≠cio da fabrica√ß√£o dum autom√≥vel e o ponto de conclus√£o dessa fabrica√ß√£o. O homem de ac√ß√£o suspender√° o seu desespero enquanto durar a fabrica√ß√£o do ve√≠culo; suspend√™-lo-√° precisamente porque no seu esp√≠rito fica suspensa qualquer finalidade verdadeiramente humana: sente-se meio entre os outros homens, meios como ele. Conclu√≠da a m√°quina ele encontrar-se-√°, √© verdade, mais inerte e ex√Ęnime que a pr√≥pria m√°quina,

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√Č mais f√°cil ter ci√ļmes de um amigo feliz do que ser generoso para um amigo que esteja na desgra√ßa.

Dostoievski Mais Moderno Que Tolstoi

Qual a raz√£o porque sentimos que o romance de Dostoievski √© mais moderno, por exemplo, que o de Tolstoi? Porque os personagens de Tolstoi quase nunca s√£o o pr√≥prio Tolstoi, enquanto os personagens de Dostoievski s√£o quase sempre o pr√≥prio Dostoievski. Por outras palavras, interessamo-nos mais pelo escritor que pelas suas criaturas. Procurar-se-ia in√ļtilmente em Dostoievski a descri√ß√£o completa duma sociedade como em Guerra e Paz. O grande problema para ele √© o de dar consist√™ncia humana aos seus mais misteriosos e contradit√≥rios instintos. √Č um facto que recentemente tem havido um grande falat√≥rio acerca do subconsciente a prop√≥sito de Dostoievski. Mas n√£o acreditamos que a psican√°lise tenha alguma coisa a ver com a arte, todavia a tentativa de exegese psicanal√≠tica indica a validade de elementos puramente subjectivos perante os quais cai qualquer hip√≥tese de verosimilhan√ßa.

O Desejo de Ser Sincero é Superficial

O desejo de ser sincero √© superficial. N√£o √© por acaso que muitos dos romances entre os √ļltimos aparecidos s√£o escritos na primeira pessoa, de modo a que o eu repetido e disseminado ao longo das p√°ginas produza uma sensa√ß√£o de algo muito pr√≥ximo a uma lembran√ßa, a uma confiss√£o, a um di√°rio. N√£o √© tamb√©m por acaso que neles se evita com muito cuidado o enredo ou de certa forma tudo o que possa parecer inven√ß√£o; e que se narre os factos com garra jornal√≠stica, como coisa que realmente tivesse acontecido. A sinceridade, no seu estrito sentido, n√£o suporta a narra√ß√£o objectiva que √© um princ√≠pio de artif√≠cio nem a inven√ß√£o que em todas as ocasi√Ķes pode parecer falsa.
A sinceridade parece-se muito com o mar em certos dias. H√° manh√£s de tanta bonan√ßa que se andamos de barco e nos inclinamos para contemplar a √°gua debaixo de n√≥s, tem-se a impress√£o de que estamos suspensos sobre transparentes e tang√≠veis precip√≠cios. A √°gua, por muito profunda que seja, n√£o se op√Ķe a que se olhe a prumo para baixo e se veja, numa claridade esverdeada, o fundo areoso espargido de seixos e de trigueiras c√©spedes. Nasce ent√£o uma esp√©cie de exalta√ß√£o,

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O amor-próprio é um animal curioso, que consegue dormir sob os golpes mais cruéis, mas que acorda, ferido de morte perante uma simples beliscadura.