Passagens sobre Verdade

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O Terror como Base da Religi√£o

√Č verdade que tanto o medo como a esperan√ßa entram na religi√£o, porque estas duas paix√Ķes, em alturas diferentes, agitam a mente humana e cada uma delas forma uma esp√©cie de divindade que lhe √© adequada. Mas, quando um homem se sente bem, ele est√° inclinado para os neg√≥cios, para o conv√≠vio ou para qualquer esp√©cie de divertimento, e dedica-se naturalmente a essas actividades e n√£o pensa em religi√£o. Quando est√° melanc√≥lico e abatido, tudo o que para fazer √© meditar sobre os terrores do mundo invis√≠vel, e mergulhar mais profundamente ainda na afli√ß√£o. Pode realmente acontecer que, ap√≥s ter assim gravado profundamente as opini√Ķes religiosas no seu pensamento e imagina√ß√£o, ocorra uma altera√ß√£o da sa√ļde ou das circunst√Ęncias que restaure o seu bom humor e, ocasionando boas perspectivas de futuro, o fa√ßa cair no extremo oposto da alegria e triunfo. Mas, ainda assim deve reconhecer-se que, como o terror √© o princ√≠pio primordial da religi√£o, √© essa a paix√£o que predomina nela e que s√≥ admite pequenos intervalos de prazer.

A Grandiosidade do Homem Depende da Mulher, mas S√≥ Enquanto n√£o a Possui…

O homem deve √† mulher tudo quanto fez de belo, de insigne, de espantoso, porque da mulher recebeu o entusiasmo; ela √© o ser que exalta. Quantos mo√ßos imberbes, tocadores de flauta, n√£o celebraram j√° o tema? E quantas pastoras ing√©nuas n√£o o ouviram tamb√©m? Confesso a verdade quando digo que a minha alma est√° isenta de inveja e cheia de gratid√£o para com Deus; antes quero ser homem pobre de qualidades, mas homem, do que mulher – grandeza imensur√°vel, que encontra a sua felicidade na ilus√£o. Vale mais ser uma realidade, que ao menos possui uma significa√ß√£o precisa, do que ser uma abstrac√ß√£o suscept√≠vel de todas as interpreta√ß√Ķes. √Č, pois, bem verdade: gra√ßas √† mulher √© que a idealidade aparece na vida; que seria do homem, sem ela? Muitos chegaram a ser g√©nios, her√≥is, e outros santos, gra√ßas √†s mulheres que amaram; mas nenhum homem chegou a ser g√©nio por gra√ßa da mulher com quem casou; por essa, quando muito, consegue o marido ser conselheiro de Estado; nenhum homem chegou a ser her√≥i pela mulher que conquistou, porque essa apenas conseguiu que ele chegasse a general; nenhum homem chegou a ser poeta inspirado pela companheira de seus dias, porque essa apenas conseguiu que ele fosse pai;

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A história dos homens é um imenso oceano de erros, no qual se vê sobrenadar uma ou outra verdade mal conhecida.

Riqueza Ilimitada mas Mortal

Eu n√£o posso, pensando bem, descobrir como √© poss√≠vel a n√≥s, que demos tanta import√Ęncia √† riqueza ilimitada e que, para falar a verdade, a divinizamos, n√£o admitir nas nossas almas os males que crescem com ela. Acompanha, com efeito, a riqueza sem medida e sem cora√ß√£o, ligada a ela, e como se diz marchando no mesmo passo, a prodigalidade, e √† medida que a riqueza abre o acesso √†s cidades e √†s casas ela entra junto e coabita. Depois, com o tempo, segundo os s√°bios, esses seres fazem os seus ninhos nas vidas humanas e rapidamente engendram outros seres, no momento da procria√ß√£o, como a cupidez, o orgulho e a lux√ļria, que n√£o s√£o seus bastardos mas filhos leg√≠timos.
Mas se permitir que esses filhos da riqueza avancem na idade, logo para as almas eles engendrar√£o tiranos inexor√°veis, a viol√™ncia, a ilegalidade e a imprud√™ncia. Pois √© assim necessariamente; os homens n√£o olham mais para o alto e n√£o d√£o import√Ęncia ao renome na posteridade, mas a destrui√ß√£o das vidas (dos homens) completa-se pouco a pouco num tal ciclo e a grandeza das almas fenece, enfraquece e n√£o √© mais assunto de emula√ß√£o, quando se reserva a sua admira√ß√£o √†s partes mortais de si mesmo,

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Para eliminar a desarmonia do lar √© preciso que o marido, a mulher, os pais, os filhos, a sogra, a nora, etc. se coloquem um no lugar do outro. O marido deve pensar: ‚ÄėColocando-me no lugar de minha mulher, percebo qu√£o desastrado tenho sido como marido. Perdoe-me, querida‚Äô. A mulher deve pensar: ‚Äė Colocando-me no lugar de meu marido, percebo o quanto tenho sido incompetente como esposa. Perd√£o, querido‚Äô. Deste modo, cada um deve abrir o cora√ß√£o e pedir perd√£o. O ser humano n√£o perde a dignidade s√≥ porque pediu perd√£o. Se algu√©m se sente diminu√≠do quando pede perd√£o √© porque n√£o conhece a Verdade. Pedir perd√£o significa anular o ‚Äėfalso eu‚Äô e fazer renascer o ‚ÄėEu verdadeiro‚Äô (filho de Deus). Nesse momento, a pessoa se torna verdadeiramente forte.

O Esforço pelo Conhecimento da Verdade

Devemos escolher como finalidade independente do nosso esforço o conhecimento da verdade ou, exprimindo-nos mais modestamente, a compreensão do mundo inteligível por meio do pensamento lógico? Ou devemos subordinar esse esforço pelo conhecimento racional de qualquer espécie a outros objectivos, por exemplo, a objectivos práticos? O simples pensamento não pode resolver esta questão. A decisão tem, pelo contrário, uma influência decisiva na nossa maneira de pensar e julgar, partindo-se do princípio de que tem o carácter de convicção inabalável. Permitam-me que confesse: para mim, o esforço pelo conhecimento é um daqueles objectivos independentes, sem os quais uma afirmação consciente da vida me parece impossível ao homem de pensamento.
Uma das características do esforço pelo conhecimento é que ele tende a abranger tanto a multiplicidade da experiência como a simplicidade e redução das hipóteses fundamentais. O acordo final desses objectivos é, devido ao estádio primitivo da investigação, uma questão de fé. Sem essa fé, a convicção do valor independente do conhecimento não seria para mim forte e inabalável.
Esta atitude, por assim dizer, religiosa do cientista perante a verdade não deixa de ter influência sobre a sua personalidade. Pois, além daquilo que resulta da experiência e além das leis do pensamento,

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Na verdade, o cuidado e a despesa dos nossos pais visam apenas enriquecer as nossas cabeças com ciência; quanto ao juízo e à virtude, as novidades são poucas.

O Que é a Inspiração?

Eu n√£o sei o que √© a inspira√ß√£o. Mas tamb√©m a verdade √© que √†s vezes n√≥s usamos conceitos que nunca paramos a examinar. Vamos l√° a ver: imaginemos que eu estou a pensar determinado tema e vou andando, no desenvolvimento do racioc√≠nio sobre esse tema, at√© chegar a uma certa conclus√£o. Isto pode ser descrito, posso descrever os diversos passos desse trajecto, mas tamb√©m pode acontecer que a raz√£o, em certos momentos, avance por saltos; ela pode, sem deixar de ser raz√£o, avan√ßar t√£o rapidamente que eu n√£o me aperceba disso, ou s√≥ me aperceba quando ela tiver chegado ao ponto a que, em circunst√Ęncias diferentes, s√≥ chegaria depois de ter passado por todas essas fases.
Talvez, no fundo, isso seja inspiração, porque há algo que aparece subitamente; talvez isso possa chamar-se também intuição, qualquer coisa que não passa pelos pontos de apoio, que saltou de uma margem do rio para a outra, sem passar pelas pedrinhas que estão no meio e que ligam uma à outra. Que uma coisa a que nós chamamos razão funcione desta maneira ou daquela, que funcione com mais velocidade ou que funcione de forma mais lenta e que eu posso acompanhar o próprio processo,

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Títulos e Diplomas

Parece que a humanidade s√≥ se esfor√ßa enquanto tem a esperar diplomas idiotas, que pode exibir em p√ļblico para obter proveitos, mas, quando j√° tem na m√£o tais diplomas idiotas em n√ļmero suficiente, deixa-se levar. Ela vive em grande parte s√≥ para obter diplomas e t√≠tulos, n√£o por qualquer outra raz√£o, e, depois de ter obtido o n√ļmero de diplomas e t√≠tulos que, na sua opini√£o, √© suficiente, deixa-se cair na cama macia desses diplomas e t√≠tulos. Ela n√£o parece ter qualquer outro objectivo para a vida. N√£o tem, segundo parece, qualquer interesse numa vida pr√≥pria, independente, numa exist√™ncia pr√≥pria, independente, mas apenas nesses diplomas e t√≠tulos, sob os quais a humanidade h√° j√° s√©culos amea√ßa sufocar.
As pessoas não procuram independência e autonomia, não procuram a sua própria evolução natural, mas apenas esses diplomas e títulos e estariam, a todo o momento, prontas a morrer por esses diplomas e títulos, se lhos entregassem e dessem sem qualquer condição, esta é que é a verdade desmascaradora e deprimente. Tão pouco estimam elas a vida em si que só vêem os diplomas e títulos e nada mais. Elas penduram nas paredes das suas casas os diplomas e títulos, nas casas dos mestres talhantes e dos filósofos,

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Na verdade, o pintor pinta com a vista; a sua arte é a de ver tudo com regularidade e beleza.

Toda a verdade e todo o erro, se repetidos mil vezes, tendem a converter-se no seu contr√°rio. Apenas pela raz√£o de nos fatigarem.

Romantismo

Quem tivesse um amor, nesta noite de lua,
para pensar um belo pensamento
e pous√°-lo no vento!

Quem tivesse um amor – longe, certo e imposs√≠vel –
para se ver chorando, e gostar de chorar,
e adormecer de l√°grimas e luar!

Quem tivesse um amor, e, entre o mar e as estrelas,
partisse por nuvens, dormente e acordado,
levitando apenas, pelo amor levado…

Quem tivesse um amor, sem d√ļvida e sem m√°cula,
sem antes nem depois: verdade e alegoria…
Ah! quem tivesse… (Mas, quem teve? quem teria?)

A Nossa Maior Crueldade é o Tempo

A nossa maior crueldade √© o tempo. Como um fabricante de armadilhas desajeitado que acaba sempre prisioneiro das engrenagens que produz, tamb√©m n√≥s inventamos o tempo e nunca temos tempo. Os nossos rel√≥gios nunca dormem. Quantas vezes o tempo √© a nossa desculpa para desinvestir da vida, para perpetuar o desencontro que mantemos com ela? Como n√£o temos diante de n√≥s os s√©culos, renunciamos √† aud√°cia de viver plenamente o breve instante. A imagem de crono, devorando aquilo que gera, obsidia-nos. O tempo consome-nos sem nos encaminhar verdadeiramente para a consuma√ß√£o da promessa. Nesse sentido, o consumo desenfreado n√£o √© outra coisa que uma bolsa de compensa√ß√Ķes. As coisas que se adquirem s√£o naquele momento, obviamente, mais do que coisas: s√£o promessas que nos acenam, s√£o protestos impotentes por uma exist√™ncia que n√£o nos satisfaz, s√£o fic√ß√Ķes do nosso teatro interno, s√£o uma corrida contra o tempo. A verdade √© que precisamos reconciliar-nos com o tempo. N√£o nos basta um conceito de tempo linear, ininterrupto, mecanizado, puramente hist√≥rico. O continuum homog√©neo do tempo que a teoria do progresso desenha n√£o conhece a rutura trazida pela novidade surpreendente. E a reden√ß√£o √© essa novidade. Precisamos identificar uma dupla significa√ß√£o no instante presente.

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Nascença Eterna

Nascença Eterna,
Nasce mais uma vez!
Refaz a humílima Caverna
Que nunca se desfez.

Dist√Ęncia Transcendente,
Chega-te, uma vez mais,
Tão perto que te aqueças, como a gente,
No bafo dos obscuros animais.

Os que te dizem n√£o,
Os épicos do absurdo,
Que afirmarão, na sua negação,
Sen√£o seu olho cego, ouvido surdo?

Infelizes supremos,
Com seu fracasso alcançam nomeada,
E contentes se atiram aos extremos
Do seu nada.

Na nossa ambiguidade,
Somos piores, nós, talvez,
E uns e outros só vemos a verdade
Que, Verdade de Sempre!, tu nos dês.

Se nada tem sentido sem a fé
No seu sentido, Sol que n√£o te apagas,
Rompe mais uma vez na noite, que não é
Sen√£o o dia de outras plagas.

Perpétua Luz, Contínua Oferta
A nossa escuridade interna,
Abre-te, Porta sempre aberta,
Mais uma vez, na humílima Caverna.

Todas as verdades são fáceis de perceber depois de terem sido descobertas; o problemas é descobri-las.

O Pregador de Verdades

Ontem o pregador de verdades dele
Falou outra vez comigo.
Falou do sofrimento das classes que trabalham
(Não do das pessoas que sofrem, que é afinal quem sofre).
Falou da injustiça de uns terem dinheiro,
E de outros terem fome, que não sei se é fome de comer.
Ou se é só fome da sobremesa alheia.
Falou de tudo quanto pudesse fazê-lo zangar-se.