Passagens de Johann Wolfgang von Goethe

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O Divino

Nobre seja o homem,
Caridoso e bom!
Pois isso apenas
√Č que o distingue
De todos os seres
Que conhecemos.

Glória aos incógnitos
Mais altos seres
Que pressentimos!
Que o homem se lhes iguale!
Seu exemplo nos ensine
A crer naqueles!

Pois insensível
√Č a natureza:
O sol ‘spalha luz
Sobre maus e bons,
E ao criminoso
Brilham como ao santo
A lua e as ‘strelas.

Vento e torrentes,
Trov√£o e saraiva
Rugem seu caminho
E agarram,
Velozes passando,
Um após outro.

Tal a sorte às cegas
Lança mãos à turba
E agarra os cabelos
Do menino inocente
Ou a fronte calva
Do velho culpado.

Por eternas leis,
Grandes e de bronze,
Temos todos nós
De fechar os círculos
Da nossa existência.

Mas somente o homem
Pode o impossível:
Só ele distingue,
Escolhe e julga;
E pode ao instante
Dar duração.

Só ele é que pode
Premiar o bom,
Castigar o mau,

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Sobre a Descoberta

Ninguém nos pode privar da alegria do primeiro momento de consciência, ou seja, da descoberta. Mas, se reclamamos as respectivas honras, a alegria corre grave risco de se desfazer. Porque na maior parte dos casos não somos os primeiros.
O que √© a descoberta? E quem pode dizer que descobriu isto ou aquilo? Que grande loucura √© afinal alardear prioridades nesta mat√©ria. Porque n√£o querer confessar abertamente o pl√°gio √© arrog√Ęncia e inconsci√™ncia.
Há dois sentimentos que são os mais difíceis de ultrapassar: o que resulta de descobrir uma coisa que já foi descoberta e o que decorre de se não ver descoberto aquilo que se devia ter descoberto.

Os preguiçosos estão sempre a falar do que tencionam fazer, do que hão de realizar; aqueles que verdadeiramente fazem alguma coisa não têm tempo de falar sequer do que fazem.

Propriedade

Sei que nada me é pertencente
Além do livre pensamento
Que da alma me quer brotar,
E cada amig√°vel momento
Que um destino bem-querente
A fundo me deixa gozar.
Tradução de Paulo Quintela

A Nossa Falsa Verdade

Uma vez que em boa verdade os homens apenas se interessam pela sua opinião própria, qualquer indivíduo que queira apresentar uma dada opinião trata de olhar para um lado e para o outro à procura de meios que lhe permitam dar força à posição, sua ou alheia, que defende.
As pessoas servem-se da verdade quando ela lhes √© √ļtil, mas recorrem com ret√≥rica paix√£o √† falsidade logo que se lhes depara o momento em que a podem usar para produzir a ilus√£o de um meio-argumento e dar assim, com uma manobra de divers√£o, a apar√™ncia de unificar aquilo que se apresenta como fragment√°rio.
A princ√≠pio, quando me apercebia de tais situa√ß√Ķes, ficava incomodado, depois passei a ficar perturbado, mas tudo isso suscita-me hoje um prazer malicioso. E prometi a mim mesmo que nunca mais volto a p√īr a descoberto esse tipo de procedimentos.

Aristocracia e Democracia

Fala-se sempre muito em aristocracia e democracia. Pois o caso √© apenas este: Na mocidade, quando nada possu√≠mos ou n√£o sabemos apreciar a posse tranquila, somos democratas. Mas se, no decurso de uma longa vida, conseguimos possuir alguma coisa, desejamos n√£o somente garanti-la, mas queremos tamb√©m que os nossos filhos e netos possam goz√°-la tranquilamente. √Č por isso que na velhice somos sempre aristocratas, mesmo que na nossa mocidade tiv√©ssemos tido pendor para uma mentalidade diferente.