Passagens sobre Humanidade

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Frases sobre humanidade, poemas sobre humanidade e outras passagens sobre humanidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O pranto é o consumar de duas viagens: da lágrima à luz e do homem para uma maior humanidade. Afinal a pessoa não vem à luz logo em pranto? O choro não é a nossa primeira voz?

Talento não é Sabedoria

Deixa-me dizer-te francamente o ju√≠zo que eu formo do homem transcendente em g√©nio, em estro, em fogo, em originalidade, finalmente em tudo isso que se inveja, que se ama, e que se detesta, muitas vezes. O homem de talento √© sempre um mau homem. Alguns conhe√ßo eu que o mundo proclama virtuosos e s√°bios. Deix√°-los proclamar. O talento n√£o √© sabedoria. Sabedoria √© o trabalho incessante do esp√≠rito sobra a ci√™ncia. O talento √© a vibra√ß√£o convulsiva de esp√≠rito, a originalidade inventiva e rebelde √† autoridade, a viagem ext√°tica pelas regi√Ķes inc√≥gnitas da ideia. Agostinho, F√©nelon, Madame de Sta√ęl e Bentham s√£o sabedorias. Lutero, Ninon de Lenclos, Voltaire e Byron s√£o talentos.
Compara as vicissitudes dessas duas mulheres e os servi√ßos prestados √† humanidade por esses homens, e ter√°s encontrado o antagonismo social em que lutam o talento com a sabedoria. Porque √© mau o homem de talento ? Essa bela flor porque tem no seio um espinho envenenado ? Essa espl√™ndida ta√ßa de brilhantes e ouro porque √© que cont√©m o fel, que abrasa os l√°bios de quem a toca ? Aqui tens um tema para trabalhos superiores √† cabe√ßa de uma mulher, ainda mesmo refor√ßada por duas d√ļzias de cabe√ßas acad√©micas !

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A tirania da humanidade era como o gotejamento obstinado da água que cai em cima de uma pedra e a desgasta a pouco a pouco; e este gotejamento continua, caindo obstinadamente, caindo sem parar sobre as almas das crianças.

Posses e Capacidade atrapalham a Felicidade

Foi observado em todas as √©pocas que as vantagens da natureza, ou da fortuna, contribu√≠ram muito pouco para a promo√ß√£o da felicidade; e que aqueles a quem o esplendor da sua classe social, ou a extens√£o das suas capacidades, colocou no topo da vida humana n√£o deram muitas vezes ocasi√£o justa de inveja por parte dos que olham para eles de uma condi√ß√£o mais baixa; quer seja que a aparente superioridade incite a grandes des√≠gnios e os grandes des√≠gnios corram naturalmente o risco de insucessos fatais; ou que o destino da humanidade seja a mis√©ria, os infort√ļnios daqueles cuja emin√™ncia atraiu sobre eles a aten√ß√£o universal foram mais cuidadosamente registados, porque, em geral, eram mais bem observados e foram, na realidade, mais consp√≠cuos do que outros, mas n√£o com maior frequ√™ncia nem severidade.

O Pessimismo é Excelente para os Inertes

O Pessimismo √© uma teoria bem consoladora para os que sofrem, porque desindividualiza o sofrimento, alarga-o at√© o tornar uma lei universal, a lei pr√≥pria da Vida; portanto lhe tira o car√°cter pungente de uma injusti√ßa especial, cometida contra o sofredor por um Destino inimigo e faccioso! Realmente o nosso mal sobretudo nos amarga quando contemplamos ou imaginamos o bem do nosso vizinho – porque nos sentimos escolhidos e destacados para a Infelicidade, podendo, como ele, ter nascido para a Fortuna. Quem se queixaria de ser coxo – se toda a humanidade coxeasse? E quais n√£o seriam os urros, e a furiosa revolta do homem envolto na neve e friagem e borrasca de um Inverno especial, organizado nos c√©us para o envolver a ele unicamente – enquanto em redor toda a humanidade se movesse na benignidade de uma Primavera? (…) O Pessimismo √© excelente para os Inertes, porque lhes atenua o desgracioso delito da In√©rcia.

A mulher não nasce: ela é feita. No fazer, sua humanidade é destruída. Ela se torna símbolo disto, símbolo daquilo: mãe da terra, puta do universo; mas ela nunca se torna ela mesma porque é proibido para ela fazê-lo.

A Indiferença ou a Paixão pelos Outros

O que √© mais proveitoso ‚ÄĒ perguntava eu ‚ÄĒ representar o mundo como pequeno ou como grande? Vejamos como eu resolvia o assunto: os homens eminentes, os capit√£es famosos, os estadistas competentes, em suma, todos os conquistadores e todos os chefes que se elevam pela viol√™ncia acima dos outros homens, devem ser feitos de tal maneira que o Mundo lhes deve parecer como um tabuleiro de damas. Se assim n√£o fosse, eles n√£o teriam a rudeza e a impassibilidade necess√°rias para subordinarem audaciosamente aos seus imprevis√≠veis planos a felicidade e os sofrimentos dos indiv√≠duos isolados, sem se importarem nada com isso. Em contrapartida, uma t√£o limitada concep√ß√£o pode levar os homens a n√£o realizarem coisa alguma, porque todo aquele que considera a humanidade como uma coisa sem import√Ęncia acabar√° por a achar insignificante e por so√ßobrar na indiferen√ßa e na passividade. Desdenhoso de tudo, preferir√° a in√©rcia √† ac√ß√£o sobre os esp√≠ritos, sem contar que a sua insensibilidade, a sua aus√™ncia de simpatia e a sua letargia chocar√£o toda a gente, ofendendo constantemente um mundo imbu√≠do do seu pr√≥prio valor. Assim se lhe fechar√£o todas as vias de um sucesso imprevisto. Ser√° mais razo√°vel ‚ÄĒ perguntava eu, ent√£o ‚ÄĒ ver na humanidade qualquer coisa de grande,

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O amor-paix√£o finalmente se sublima, tornando-se amor pela humanidade; e sublimando-se ainda mais, tornando-se amor divino.

A Força Esmaga a Fraqueza

O desbarato mais absurdo n√£o √© o dos bens de consumo, mas o da humanidade: milh√Ķes e milh√Ķes de seres humanos nasceram para ser trucidados pela Hist√≥ria, milh√Ķes e milh√Ķes de pessoas que n√£o possu√≠am mais do que as suas simples vidas. De pouco ela lhes iria servir, mas nunca faltou quem de tais miu√ßalhas tivesse sabido aproveitar-se. A fraqueza alimenta a for√ßa para que a for√ßa esmague a fraqueza.

A √önica Realidade Social (2)

As qualidades puramente sociais que governam os homens s√£o o ego√≠smo, a socialidade e a vaidade. Por socialidade entendo o instinto greg√°rio; √© ela que ameniza e limita, sem nunca o eliminar nem essencialmente o alterar, o ego√≠smo, qualidade prim√°ria, que se deriva da pr√≥pria circunst√Ęncia de haver um ego. A vaidade √© a consequ√™ncia do ego√≠smo na sua limita√ß√£o pela sociedade; √© a qualidade social humana mais evidente. Todo o homem quer ser mais que outro, todo o homem quer brilhar. Variam, com as √≠ndoles e as aptid√Ķes, as maneiras em que o homem quer destacar-se, mas cada um tem a sua vaidade.
Seria imposs√≠vel a exist√™ncia da sociedade se nela se n√£o reproduzissem estes fen√≥menos da vida do indiv√≠duo. Por isso a sociedade se divide em na√ß√Ķes, e n√£o √© poss√≠vel ¬ęhumanidade¬Ľ em mat√©ria social. Assim como tem que haver um ego√≠smo individual, tem que haver um ego√≠smo colectivo – √© o que se chama o instinto patri√≥tico. Assim como h√° uma vaidade individual – tem que haver uma vaidade colectiva – √© o que se chama imperalismo.

A humanidade que deveria ter seis mil anos de experi√™ncia, recai na inf√Ęncia a cada gera√ß√£o.

Religi√£o seria assim a neurose obsessiva universal da humanidade, tal como a neurose obsessiva das crian√ßas, que decorre do Complexo de √Čdipo, na rela√ß√£o com o pai.

A vida espiritual dos homens, os seus impulsos profundos, o seu estímulo à acção são as coisas mais difíceis de prever, mas é justamente delas que depende a morte ou a salvação da humanidade.

A Fragilidade dos Valores

Todas as coisas ¬ęboas¬Ľ foram noutro tempo m√°s; todo o pecado original veio a ser virtude original. O casamento, por exemplo, era tido como um atentado contra a sociedade e pagava-se uma multa, por ter tido a imprud√™ncia de se apropriar de uma mulher (ainda hoje no Cambodja o sacerdote, guarda dos velhos costumes, conserva o jus primae noctis). Os sentimentos doces, ben√©volos, conciliadores, compassivos, mais tarde vieram a ser os ¬ęvalores por excel√™ncia¬Ľ; por muito tempo se atraiu o desprezo e se envergonhava cada qual da brandura, como agora da dureza.
A submiss√£o ao direito: oh! que revolu√ß√£o de consci√™ncia em todas as ra√ßas aristocr√°ticas quando tiveram de renunciar √† vingan√ßa para se submeterem ao direito! O ¬ędireito¬Ľ foi por muito tempo um vetitum, uma inova√ß√£o, um crime; foi institu√≠do com viol√™ncia e opr√≥bio.
Cada passo que o homem deu sobre a Terra custou-lhe muitos supl√≠cios intelectuais e corporais; tudo passou adiante e atrasou todo o movimento, em troca teve inumer√°veis m√°rtires; por estranho que isto hoje nos pare√ßa, j√° o demonstrei na Aurora, aforismo 18: ¬ęNada custou mais caro do que esta migalha de raz√£o e de liberdade, que hoje nos envaidece¬Ľ. Esta mesma vaidade nos impede de considerar os per√≠odos imensos da ¬ęmoraliza√ß√£o dos costumes¬Ľ que precederam a hist√≥ria capital e foram a verdadeira hist√≥ria,

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A Import√Ęncia da Arte

A arte √©, provavelmente, uma experi√™ncia in√ļtil; como a ¬ępaix√£o in√ļtil¬Ľ em que cristaliza o homem. Mas in√ļtil apenas como trag√©dia de que a humanidade beneficie; porque a arte √© a menos tr√°gica das ocupa√ß√Ķes, porque isso n√£o envolve uma moral objectiva. Mas se todos os artistas da terra parassem durante umas horas, deixassem de produzir uma ideia, um quadro, uma nota de m√ļsica, fazia-se um deserto extraordin√°rio. Acreditem que os teares paravam, tamb√©m, e as f√°bricas; as gares ficavam estranhamente vazias, as mulheres emudeciam. A arte √©, no entanto, uma coisa explosiva. Houve, e h√° decerto em qualquer lugar da terra, pessoas que se dedicam √† experi√™ncia in√ļtil que √© a arte, pessoas como Virg√≠lio, por exemplo, e que sabem que o seu sil√™ncio pode ser mortal. Se os poetas se calassem subitamente e s√≥ ficasse no ar o ru√≠do dos motores, porque at√© o vento se calava no fundo dos vales, penso que at√© as guerras se iam extinguindo, sem derrota e sem vit√≥ria, com a mansid√£o das coisas est√©reis. O la√ßo da fic√ß√£o, que gera a expectativa, √© mais forte do que todas as realidades acumul√°veis. Se ele se quebra, o equil√≠brio entre os seres sofre grave preju√≠zo.

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A Melhor Maneira de Viajar é Sentir

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas s√£o, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a f√ļria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que s√£o as psiques humanas no seu acordo de sentidos.

Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como v√°rias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais an√°logo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora d’Ele h√° s√≥ Ele, e Tudo para Ele √© pouco.

Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno.

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Sem Poesia N√£o H√° Humanidade

Sem Poesia n√£o h√° Humanidade. √Č ela a mais profunda e a mais et√©rea manifesta√ß√£o da nossa alma. A intui√ß√£o po√©tica ou orfaica antecede, como fonte original, o conhecimento euclidiano ou cient√≠fico. E nos d√° o sentido mais perfeito e harm√≥nico da vida. Aperfei√ßoando o ser humano, afasta-o do antrop√≥ide e aproxima-o dos antropos. Que a mocidade actual, obcecada pela bola e pelo cinema, reduzida quase a uma fotografia peculiar e uma esp√©cie de m√°quina de fazer pontap√©s, despreza o seu aperfei√ßoamento moral; e, com o seu fato de macaco, prefere regressar √† Selva a regressar ao Para√≠so. E assim, igualando-se aos bichos, mente ao seu destino, que √© ser o cora√ß√£o e a consci√™ncia do Universo: o sagrado cora√ß√£o e o santo esp√≠rito. Eis o destino do homem, desde que se tornou consciente. E tornou-se consciente, porque tal acontecimento estava contido nas possibilidades da Natureza. Sim, a nossa consci√™ncia √© a pr√≥pria Natureza numa autocontempla√ß√£o maravilhosa. Ou √© o pr√≥prio Criador numa vis√£o da sua obra, atrav√©s do homem. E, vendo-a, desejou corrigi-la, transfigurando-se em Redentor.

O natural: ¬ęO mal teve sempre por si o grande efeito! E a natureza √© m√°! Sejamos portanto naturais!¬Ľ, assim raciocinam em segredo esses grandes pesquisadores de efeito da humanidade que, vezes demais, foram contados entre os grandes homens.