Passagens sobre Humanidade

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Frases sobre humanidade, poemas sobre humanidade e outras passagens sobre humanidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Insónia

N√£o durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.

Espera-me uma insónia da largura dos astros,
E um bocejo in√ļtil do comprimento do mundo.

N√£o durmo; n√£o posso ler quando acordo de noite,
N√£o posso escrever quando acordo de noite,
N√£o posso pensar quando acordo de noite ‚ÄĒ
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!

N√£o durmo, jazo, cad√°ver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
‚ÄĒ Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me n√£o sucederam
‚ÄĒ Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que n√£o s√£o nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.

Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasi√£o qualquer em que eu pudesse sentir.

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O primeiro passo da humanidade foi ter esperança num mundo melhor e a maior virtude foi a de ser capaz de confiar que ele seria melhor; foi ter fé !

Felicidade e Ideal

O √ļnico homem feliz √© o que n√£o toma nada a s√©rio. Quanto mais as cousas se tomam a s√©rio, mais infeliz se √©. O que toma a s√©rio a sorte da humanidade √© quase o mais infeliz de todos os homens… quase, porque o que toma a s√©rio a sorte do mundo e o enigma do universo √© ainda mais infeliz.
(…) S√£o t√£o inferiores as criaturas que se dedicam a um ideal! S√≥ s√£o superiores √†quelas que n√£o se dedicam a ideal nenhum. O homem verdadeiramente superior √© aquele que gostaria de ter ideais. N√£o os pode ter por ser superior a t√™-los.

O Livro

Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso √©, indubitavelmente, o livro. Os outros s√£o extens√Ķes do seu corpo. O microsc√≥pio e o telesc√≥pio s√£o extens√Ķes da vista; o telefone √© o prolongamento da voz; seguem-se o arado e a espada, extens√Ķes do seu bra√ßo. Mas o livro √© outra coisa: o livro √© uma extens√£o da mem√≥ria e da imagina√ß√£o.
Em ¬ęC√©sar e Cle√≥patra¬Ľ de Shaw, quando se fala da biblioteca de Alexandria, diz-se que ela √© a mem√≥ria da humanidade. O livro √© isso e tamb√©m algo mais: a imagina√ß√£o. Pois o que √© o nosso passado sen√£o uma s√©rie de sonhos? Que diferen√ßa pode haver entre recordar sonhos e recordar o passado? Tal √© a fun√ß√£o que o livro realiza.
(…) Se lemos um livro antigo, √© como se l√™ssemos todo o tempo que transcorreu at√© n√≥s desde o dia em que ele foi escrito. Por isso conv√©m manter o culto do livro. O livro pode estar cheio de coisas erradas, podemos n√£o estar de acordo com as opini√Ķes do autor, mas mesmo assim conserva alguma coisa de sagrado, algo de divino, n√£o para ser objecto de respeito supersticioso, mas para que o abordemos com o desejo de encontrar felicidade,

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Felicidade, Glória, Imaginação, Inteligência e Inspiração

Numa vida profundamente atormentada seria possível muitas vezes encontrar-se felicidade para várias outras existências. Da felicidade que um homem malbarata, sem lhe suspeitar o valor, outros homens tirariam alegria para toda a vida, assim como as sobras da mesa do rico dariam para sustento de mais de um pobre.

A gl√≥ria √© um processo de apuramento que nunca p√°ra. √Ä medida que a humanidade envelhece e que as suas recorda√ß√Ķes se v√£o amontoando, tornam-se necess√°rias novas selec√ß√Ķes. S√©culos inteiros s√£o depurados nesses escrut√≠nios, sem que sobreviva um nome sequer. Um dia os imortais ir√£o unir-se aos an√≥nimos no esquecimento final.

√Č a imagina√ß√£o, tocha divina apensa ao esp√≠rito do homem, que lhe permite mover-se nas trevas da cria√ß√£o. Assim os peixes das profundezas oce√Ęnicas trazem um facho que os ilumina na noite eterna. Sem isto para que lhes serviriam os olhos? Sem imagina√ß√£o, que utilidade teria para o homem a intelig√™ncia?

O homem de letras tem falhas pronunciadas de intelig√™ncia, a ponto de parecer est√ļpido ao homem de neg√≥cios. N√£o deixa por√©m por isso de se considerar, onde quer que se encontre, o mais inteligente da roda. Nada √© mais absurdo do que essa superioridade,

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A Memória é o Maior Tormento do Homem

Considera o rebanho que passa ao teu lado pastando: ele não sabe o que é ontem e o que é hoje; ele saltita de lá para cá, come, descansa, digere, saltita de novo; e assim de manhã até a noite, dia após dia; ligado de maneira fugaz por isto, nem melancólico nem enfadado. Ver isto desgosta duramente o homem porque ele vangloria-se da sua humanidade frente ao animal, embora olhe invejoso para a sua felicidade Рpois o homem quer apenas isso, viver como animal, sem melancolia, sem dor; e o que quer entretanto em vão, porque não quer como o animal. O homem pergunta mesmo um dia ao animal: por que não falas sobre a tua felicidade e apenas me observas?
O animal quer tamb√©m responder e falar, isso deve-se ao facto de que sempre se esquece do que queria dizer, mas tamb√©m j√° esqueceu esta resposta e silencia: de tal modo que o homem se admira disso. Todavia, o homem tamb√©m se admira de si mesmo por n√£o poder aprender a esquecer e por sempre se ver novamente preso ao que passou: por mais longe e r√°pido que ele corra, a corrente corre junto. √Č um milagre: o instante em um √°timo est√° a√≠,

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O Significado dos Sonhos

Os meu sonhos eram de muitas esp√©cies mas representavam manifesta√ß√Ķes de um √ļnico estado de alma. Ora sonhava ser um Cristo, a sacrificar-me para redimir a humanidade, ora um Lutero, a quebrar com todas as conven√ß√Ķes estabelecidas, ora um Nero, mergulhado em sangue e na lux√ļria da carne. Ora me via numa alucina√ß√£o o amado das multid√Ķes, aplaudido, desfilando ao longo (…), ora o amado das mulheres, atraindo-as arrebatadoramente para fora das suas casas, dos seus lares, ora o desprezado por todos embora o eleito do bem, por todos a sacrificar-me. Tudo o que lia, tudo o que ouvia, tudo o que via ‚ÄĒ cada ideia vinda de fora, cada (…), cada acontecimento era o ponto de partida de um sonho. Vinha de um circo e ficava em casa ousando imaginar-me um palha√ßo, com luzes em arco √† minha volta. Via soldados passarem na minha mente a falarem com uma vis√£o de mim pr√≥prio, tratando-me por capit√£o, chefiando, ordenando, vitorioso. Quando lia algo acerca de aventureiros imediatamente me convertia neles, por completo. Quando lia algo acerca de criminosos, morria por cometer crimes at√© me apavorar com o meu desarranjo mental. Conforme as coisas que via, ou ouvia, ou lia, vivia em todas as classes sociais,

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Chegará o tempo em que o homem conhecerá o íntimo de um animal e nesse dia todo crime contra um animal será um crime contra a humanidade.

√Č imposs√≠vel que ocorram grandes transforma√ß√Ķes positivas no destino da humanidade se n√£o houver uma mudan√ßa de peso na estrutura b√°sica de seu modo de pensar.

Por tudo o que é sagrado em nossas esperanças pela humanidade, conclamo aqueles que desejam o bem-estar da humanidade e amam a verdade a examinarem, sem preconceito, os ensinamentos do vegetarianismo.

Pensamos de Mais e Sentimos de Menos

Queremos todos ajudar-nos uns aos outros. Os seres humanos são assim. Queremos viver a felicidade dos outros e não a sua infelicidade. Não queremos odiar nem desprezar ninguém. Neste mundo há lugar para toda a gente. E a boa terra é rica e pode prover às necessidades de todos.
O caminho da vida pode ser livre e belo, mas desvi√°mo-nos do caminho. A cupidez envenenou a alma humana, ergueu no mundo barreiras de √≥dio, fez-nos marchar a passo de ganso para a desgra√ßa e a carnificina. Descobrimos a velocidade, mas prendemo-nos demasiado a ela. A m√°quina que produz a abund√Ęncia empobreceu-nos. A nossa ci√™ncia tornou-nos c√≠nicos; a nossa intelig√™ncia, cru√©is e impiedosos. Pensamos de mais e sentimos de menos. Precisamos mais de humanidade que de m√°quinas. Se temos necessidade de intelig√™ncia, temos ainda mais necessidade de bondade e do√ßura. Sem estas qualidades, a vida ser√° violenta e tudo estar√° perdido.
O avi√£o e a r√°dio aproximaram-nos. A pr√≥pria natureza destes inventos √© um apelo √† fraternidade universal, √† uni√£o de todos. Neste momento, a minha voz alcan√ßa milh√Ķes de pessoas atrav√©s do mundo, milh√Ķes de homens sem esperan√ßa, de mulheres, de crian√ßas, v√≠timas dum sistema que leva os homens a torturar e a prender pessoas inocentes.

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A Inquietação Moderna

Em direc√ß√£o a oeste, a movimenta√ß√£o moderna torna-se cada vez maior, de modo que, para os Americanos, os habitantes da Europa na sua totalidade se apresentam como seres que gostam do sossego e dele usufruem, quando estes mesmos, no entanto, voam em confus√£o como abelhas e vespas. Esta movimenta√ß√£o torna-se t√£o grande que a cultura superior j√° n√£o pode madurar os seus frutos; √© como se as esta√ß√Ķes do ano se seguissem umas √†s outras demasiado depressa. Por falta de sossego, a nossa civiliza√ß√£o vai dar a uma nova barb√°rie. Em nenhuma √©poca, os activos, ou seja, os irrequietos, foram t√£o considerados. Refor√ßar em grande medida o elemento contemplativo faz parte, por conseguinte, das necess√°rias correc√ß√Ķes que se tem de efectuar no car√°cter da humanidade. No entanto, desde j√°, cada indiv√≠duo, que seja calmo e constante de cora√ß√£o e de cabe√ßa, tem o direito de crer que possui n√£o s√≥ um bom temperamento, mas tamb√©m uma virtude de utilidade geral e que, ao conservar essa atitude, at√© cumpre uma miss√£o superior.

Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo.

Aqui n√£o andam s√≥ os vivos – andam tamb√©m os mortos. A humanidade √© povoada pelos que se agitam numa exist√™ncia transit√≥ria e ba√ßa, e pelos outros que se imp√Ķem como se estivessem vivos. Tudo est√° ligado e confundido. Sobre as casas h√° outra edifica√ß√£o, e uma trave ideal que o caruncho r√≥i une todas as constru√ß√Ķes vulgares. Debalde todos os dias repelimos os mortos – todos os dias os mortos se misturam √† nossa vida. E n√£o nos largam.

Se me Aparto de ti, Deus da Bondade

Se me aparto de ti, Deus da bondade,
Que ausência tão cruel! Como é possível
Que me leve a um abismo tão terrível
O pendor infeliz da humanidade!

Conforta-me, Senhor, que esta saudade
Me despedaça o coração sensível;
Se a teus olhos na cruz sou desprezível,
N√£o olhes para a minha iniquidade!

À suave esperança me entregaste,
E o preço de teu sangue precioso
Me afiança que não me abandonaste.

Se, justo, castigar-me te é forçoso,
lembra-te que te amei, e me criaste
para habitar contigo o Céu lustroso!

Virtude os meios ama, odeia extremos;
Extremos s√£o no mundo ou erro ou culpa.
Do mesmo que abrilhanta a Humanidade
Longe, longe, ó mortais, o injusto excesso!

O Sentimento Religioso é o Mais Inconfessável de Todos

A religi√£o, ou o sentimento religioso, √© o mais inconfess√°vel de todos: n√£o por irracional, mas porque √© da sua mais √≠ntima natureza o sil√™ncio da vida f√≠sica do universo, que s√≥ faz barulho por acaso e n√£o para a gente ouvir. Que mais n√£o fosse, acharia rid√≠cula, e acho, a atitude dos ¬ęlibertos¬Ľ, nascidas da cabe√ßa de J√ļpiter, desirmanados de tudo quanto encarnou as dores e as esperan√ßas de uma humanidade dolorosamente em busca do seu pr√≥prio corpo. Mais que rid√≠cula, criminosa, estulta, digna dos raios divinos, se os houvesse. Neste sentido, me √© respeit√°vel a religi√£o considerada na sua ac√ß√£o interior e na sua simb√≥lica aparente; e, como poeta, n√£o posso deixar de ser sens√≠vel ao paganismo que a Igreja Cat√≥lica n√£o sonha – ou sonha at√© – a que ponto herdou. Quando a religi√£o pretende fixar-se, lutar ligada a interesses materiais que geraram muitas das formas que ela tomou, evidentemente que sou contr√°rio a ela, a aquela, porque sei que n√£o h√° eternidade das formas e das conven√ß√Ķes, mas sim da org√Ęnica simb√≥lica que assume uma ou outra forma, segundo o estado social em que se desenvolve.

Jorge de Sena, carta a sua noiva Mécia Lopes,

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L√° Quando Em Mim Perder A Humanidade

L√° quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que n√£o fazem falta,
Verbi-gratia Рo teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

N√£o quero funeral comunidade,
Que engrole sub-venites em voz alta;
Pingados gatarr√Ķes, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epit√°fio m√£o piedosa:

“Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou a vida folgada, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu, sem ter dinheiro.”