Poemas sobre Horas

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Poemas de horas escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

De Quem é o Olhar

De quem é o olhar
Que espreita por meus olhos?
Quando penso que vejo,
Quem continua vendo
Enquanto estou pensando?
Por que caminhos seguem,
N√£o os meus tristes passos,
Mas a realidade
De eu ter passos comigo ?

Às vezes, na penumbra
Do meu quarto, quando eu
Por mim próprio mesmo
Em alma mal existo,

Toma um outro sentido
Em mim o Universo ‚ÄĒ
√Č uma n√≥doa esbatida
De eu ser consciente sobre
Minha idéia das coisas.

Se acenderem as velas
E n√£o houver apenas
A vaga luz de fora ‚ÄĒ
N√£o sei que candeeiro
Aceso onde na rua ‚ÄĒ
Terei foscos desejos
De nunca haver mais nada
No Universo e na Vida
De que o obscuro momento
Que é minha vida agora!

Um momento afluente
Dum rio sempre a ir
Esquecer-se de ser,
Espaço misterioso
Entre espaços desertos
Cujo sentido é nulo
E sem ser nada a nada.
E assim a hora passa
Metafisicamente.

Alheamento

Meu corpo estira√ßado, l√Ęnguido, ao logo do leito.

O cigarro vago azulando os meus dedos.

O r√°dio… a m√ļsica…

A tua presença que esvoaça
em torno do cigarro, do ar, da m√ļsica…

Ausência!, minha doce fuga!

Estranha coisa esta, a poesia,
que vai entornando m√°goa nas horas
como um orvalho de l√°grimas, escorrendo dos vidros
duma janela,

numa tarde vaga, vaga…

Resgate

Meus pés moídos na calçada,
minhas tardes envenenadas de álcoois nos cafés,
e o vazio por dentro
a encher o tédio das horas sem nome.

Tudo isto
– moeda triste
que nem chega a pagar o sol da tardinha
e a poeira de feno que pontilhou de oiro
teu corpo entre trigais.

As M√£es?

Fossem estes dias uma fonte que
brotasse.
Manchas de azul, um rasto de neve em pleno céu,
colmeias,
mel, uma exaltação de asas.

Mas é assim:
metais que revestem a pele e as armaduras,
bronze, ferro, formas que perduram, malhas, ameaçados
tecidos que nos moldam ‚ÄĒ
quem borda ainda,
quem se atreve √† min√ļcia das rendas?

As m√£es?
elas vinham cedo, eram como um rumor de levadas,
atravessando as terras.
Eram as mesmas m√£os trabalhando sedas, afagos e
uma conspiração de cores e agulhas frias,
mães de silêncio bordando a treva e o sono, a longa
noite dos filhos.

Herdei uma beleza amarga,
o temor das sombras, dos rel√Ęmpagos que embatiam
na inf√Ęncia,
no dorso das colinas,
no coração mais triste.

Um estrondo de muralhas, diques, batalhas que
deflagram,
uma ciência aterradora:
não quero outra véspera de espadas, a coroação do
sangue,
patíbulos onde a cabeça se expande,
rolando como a poeira e os astros,
repercutindo como um sino no choro das m√£es.

N√£o quero um bordado de horas antigas,

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Sábio é o que se Contenta com o Espetáculo do Mundo

Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo,
E ao beber nem recorda
Que j√° bebeu na vida,
Para quem tudo é novo
E imarcescível sempre.

Coroem-no p√Ęmpanos, ou heras, ou rosas vol√ļteis,
Ele sabe que a vida
Passa por ele e tanto
Corta à flor como a ele
De √Ātropos a tesoura.

Mas ele sabe fazer que a cor do vinho esconda isto,
Que o seu sabor orgíaco
Apague o gosto às horas,
Como a uma voz chorando
O passar das bacantes.

E ele espera, contente quase e bebedor tranquilo,
E apenas desejando
Num desejo mal tido
Que a abomin√°vel onda
O n√£o molhe t√£o cedo.

√Ālbum de Fam√≠lia

Reconheço a mãe
comia legumes
vivia roendo
entre um cheiro
herbívoro
dizendo
¬ęcomo vegetais
por v√≠cio¬Ľ

a minha outra m√£e
mansa provinha
do ventre polar
de sua m√£e
deu-me à luz
eléctrica
sob a luz solar

a terceira m√£e
porque tinha fome
ou vertigem santa
tomba de onde mora
de um arranha-céus à hora

Coroemo-nos Pois uns para os Outros

Tuas, não minhas, teço estas grinaldas,
Que em minha fronte renovadas ponho.
Para mim tece as tuas,
Que as minhas eu n√£o vejo.
Se n√£o pesar na vida melhor gozo
Que o vermo-nos, vejamo-nos, e, vendo,
Surdos conciliemos
O insubsistente surdo.
Coroemo-nos pois uns para os outros,
E brindemos uníssonos à sorte
Que houver, até que chegue
A hora do barqueiro.

Poema da Hora Escoada

Minhas m√£os
Рduas chamas débeis de vela
unidas no mesmo destino.

Minhas m√£os
derretidas em cera
que vai escorrendo,
gota a gota,
ao longo do corpo hirto
da vela moribunda.
Que vai escorrendo,
lenta,
na calmaria falsa e densa
da luz delida e mortu√°ria do meu quarto.

E o livro de Anatomia,
grave e in√ļtil,
aberto em frente.

E todo o mundo,
que me espera
e desespera,
nas p√°ginas in√ļteis e graves
do livro de Anatomia.

E as horas
morrendo, morrendo,
como uma vela que se vai derretendo
no quarto frio de um morto.

Ai! minhas m√£os, minhas m√£os
Рduas chamas débeis de vela
unidas no mesmo destino!

– Que horas ser√£o?

A vida
é uma vela de corpo hirto
que se vai derretendo, derretendo,
na calmaria falsa e densa
de um quarto de morto.

Vislumbre

A horas fl√©beis, outonais –
Por magoados fins de dia –
A minha Alma é água fria
Em √Ęnforas d’Ouro… entre cristais…

A Elvira

(Lamartine)

Quando, contigo a sós, as mãos unidas,
Tu, pensativa e muda; e eu, namorado,
√Äs vol√ļpias do amor a alma entregando,
Deixo correr as horas fugidias;
Ou quando ‚Äėas solid√Ķes de umbrosa selva
Comigo te arrebato; ou quando escuto
‚ÄĒT√£o s√≥ eu, ‚ÄĒ teus tern√≠ssimos suspiros;
E de meus l√°bios solto
Eternas juras de const√Ęncia eterna;
Ou quando, enfim, tua adorada fronte
Nos meus joelhos trêmulos descansa,
E eu suspendo meus olhos em teus olhos,
Como às folhas da rosa ávida abelha;
Ai, quanta vez ent√£o dentro em meu peito
Vago terror penetra, como um raio!
Empalideço, tremo;
E no seio da glória em que me exalto,
L√°grimas verto que a minha alma assombram!
Tu, carinhosa e trêmula,
Nos teus bra√ßos me cinges, ‚ÄĒ e assustada,
Interrogando em v√£o, comigo choras!
‚ÄúQue dor secreta o cora√ß√£o te oprime?‚ÄĚ
Dizes tu, ‚ÄúVem, confia os teus pesares…
Fala! eu abrandarei as penas tuas!
Fala! Eu consolarei tua alma aflita.‚ÄĚ

Vida do meu viver, n√£o me interrogues!
Quando enlaçado nos teus níveos braços*
A confissão de amor te ouço,

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Chegada a Hora o Sonho Ser√° Terra

Chegada a hora o sonho ser√° terra,
o medo dar√° seu √ļltimo vint√©m,
e o passado e o futuro ser√£o guerra
do não-ser sobre terras de ninguém
√Ārvore g√©mea √† que em dor se enterra,
o céu descerá em busca de outro além,
e unidos ambos, corpo e céu, a alma er-
rará distante, mas morta, também.
Será possível mesmo o fim de tudo,
tudo t√£o r√°pido? √ď p√°ssaro ao vento,
ó ave sombria: cantai num templo mudo,
a atroz saudade da alma nunca vista,
passo perdido em negro firmamento,
paisagem morta ‚ÄĒ que a terra conquista!

Cada Coisa a seu Tempo Tem seu Tempo

Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
N√£o florescem no inverno os arvoredos,
Nem pela primavera
Têm branco frio os campos.

À noite, que entra, não pertence, Lídia,
O mesmo ardor que o dia nos pedia.
Com mais sossego amemos
A nossa incerta vida.

À lareira, cansados não da obra
Mas porque a hora é a hora dos cansaços,
N√£o puxemos a voz
Acima de um segredo,

E casuais, interrompidas, sejam
Nossas palavras de reminiscência
(N√£o para mais nos serve
A negra ida do Sol) ‚ÄĒ

Pouco a pouco o passado recordemos
E as histórias contadas no passado
Agora duas vezes
Histórias, que nos falem

Das flores que na nossa inf√Ęncia ida
Com outra consciência nós colhíamos
E sob uma outra espécie
De olhar lançado ao mundo.

E assim, Lídia, à lareira, como estando,
Deuses lares, ali na eternidade,
Como quem comp√Ķe roupas
O outrora comp√ļnhamos

Nesse desassossego que o descanso
Nos traz às vidas quando só pensamos
Naquilo que j√° fomos,

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Poema de Amor

Teu rosto, no meu rosto, descansado.
Meu corpo, no teu corpo, adormecido.
Bater de asas, t√£o longe, noutro tempo,
sem relógio nem espaço proibido.

Oh, que atónitos olhos nos contemplam,
nos sorriem, nos dizem: Sossegai!
Rom√Ęnticos amantes, viajantes eternos,
olham por nós na hora que se esvai!

Que m√ļsica de prados e de fontes!
Que riso de √°guas vem para nos levar?
Meu rosto, no teu rosto de horizontes,
Meu corpo, no teu corpo, a flutuar.

Os Vencidos

Tres cavaleiros seguem lentamente
Por uma estrada erma e pedregosa.
Geme o vento na selva rumorosa,
Cae a noite do céo, pesadamente.

Vacilam-lhes nas m√£os as armas rotas,
Têm os corceis poentos e abatidos,
Em desalinho trazem os vestidos,
Das feridas lhe cae o sangue, em gotas.

A derrota, traiçoeira e pavorosa,
As fontes lhes curvou, com m√£o potente.
No horisonte escuro do poente
Destaca-se uma mancha sanguinosa.

E o primeiro dos três, erguendo os braços,
Diz n’um solu√ßo: ¬ęAmei e fui amado!
Levou-me uma vis√£o, arrebatado,
Como em carro de luz, pelos espaços!

Com largo v√īo, penetrei na esphera
Onde vivem as almas que se adoram,
Livre, contente e bom, como os que moram
Entre os astros, na eterna primavera.

Porque irrompe no azul do puro amor
O sopro do desejo pestilente?
Ai do que um dia recebeu de frente
O seu halito rude e queimador!

A flor rubra e olorosa da paix√£o
Abre languida ao raio matutino,
Mas seu profundo calix purpurino
Só reçuma veneno e podridão.

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C√Ęntico da Noite

Sumiu-se o sol esplêndido
Nas vagas rumorosas!
Em trevas o crep√ļsculo
Foi desfolhando as rosas!
Pela ampla terra alargar-se
Calada solid√£o!
Parece o mundo um t√ļmulo
Sob estrelado manto!
Alabastrina l√Ęmpada,
L√° sobe a lua! Entanto
Gemidos d‚Äôaves l√ļgubres
Soando a espaços vão!
Hora dos melancólicos,
Saudosos devaneios!
Hora que aos gostos íntimos
Abres os castos seios!
Infunde em nossos √Ęnimos
Inspiração da fé!
De noite, se um revérbero
De Deus nos alumia,
Destila-se de l√°grimas
A prece, a profecia!
A alma elevada em êxtase
Terrena já não é!
Antes que o sono t√°cito
Olhos nos cerre, e os sonhos
Nos tomem no seu vórtice,
J√° rindo, e j√° medonhos,
Hora dos céus, conserva-me
No extinto e no porvir.
Onde os que amei? sumiram-se.
Onde o que eu fui? deixou-me.
Deles, só vãs memórias;
De mim, só resta um nome:
No abismo do pretérito
Desfez-se choro e r√ļy
Desfez-se! e quantas l√°grimas
Brotaram de alegrias! Desfez-se!
e quantos j√ļbilos
Nasceram de agonias!

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Vive-se Quando se Vive a Subst√Ęncia Intacta

Vive-se quando se vive a subst√Ęncia intacta
em estar a ser sua ardente   harmonia
que se expande em clara atmosfera
leve e sem delírio ou talvez delirando
no vértice da frescura onde a imagem treme
um pouco na vis√£o intensa e fluida
E tudo o que se vê é a ondeação
da transparência até aos confins do planeta
E h√° um momento em que o pensamento repousa
numa s√≠laba de ouro √Č a hora leve
do ver√£o a sua correnteza
azul H√° um paladar nas veias
e uma lisura de estar nas esp√°duas do dia
Que respiração tão alta da brisa fluvial!
Afluem energias de uma violência suave
Min√ļcias musicais sobre um fundo de brancura
A certeza de estar na fluidez animal

Dispers√£o

Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
√Č com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na √Ęnsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida…

Para mim é sempre ontem,
N√£o tenho amanh√£ nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:

Porque um domingo é familia,
√Č bem-estar, √© singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem familia).

O pobre mo√ßo das √Ęnsias…
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismaste nas √Ęnsias.

A grande ave dourada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traíu a si mesmo.

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projecto:
Se me olho a um espelho,

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Noutes de Chuva

Eu não sei, ó meu bem, cheio de graças!
Se tu amas no Outomno – j√° sem rosas! –
A longa e lenta chuva nas vidraças,
E as noutes glaciaes e pluviosas!

N’essas noutes sem luz, que – visionarios-
Temos chymeras misticas, celestes,
E scismamos nos pobres solitarios
Que tiritam debaixo dos cyprestes!

Que evocamos os liricos passados,
As chymeras, e as horas infelizes,
Os velhos casos tristes olvidados,-
E os mortos cora√ß√Ķes sob as raizes!

N’essas noutes, meu bem! em que desfeito
Cae o frio granizo nas estradas,
E tanto apraz, sonhando, sobre o leito,
Ouvir a longa chuva nas calçadas!

N’essas noutes, electricas, nervosas,
Todas cheias d’aromas outonaes,
Que a tristeza tem formas monstruosas
Como n’um sonho os porticos claustraes.

Noutes só em que o sabio acha prazeres,
– T√£o ignorados dos crueis profanos! –
E em que as nervosas, mysticas mulheres,
Desfallecem chorando nos pianos.

N’essas noutes, meu bem! √© que os poetas
Tem √°s vezes seus sonhos mais brilhantes,
Folheam suas obras predilectas…

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O que Poder√° Ver quem j√° da Vista Cegou?

Ante Sintra, a mui prezada,
e serra de Ribatejo
que Arrábeda é chamada,
perto donde o rio Tejo
se mete n’√°gua salgada,
houve um pastor e pastora,
que com tanto amor se amaram
como males lhe causaram
este bem, que nunca fora,
pois foi o que n√£o cuidarom.

A ela chamavam Maria
e ao pastor Crisfal,
ao qual, de dia em dia,
o bem se tornou em mal,
que ele t√£o mal merecia.
Sendo de pouca idade,
n√£o se ver tanto sentiam
que o dia que n√£o se viam,
se via na saudade
o que ambos se queriam.

Algumas horas falavam,
andando o gado pascendo;
e ent√£o se apascentavam
os olhos, que, em se vendo,
mais famintos lhe ficavam.
E com quanto era Maria
pequena e, tinha cuidado
de guardar melhor o gado
o que lhe Crisfal dizia;
mas, em fim, foi mal guardado;

Que, depois de assim viver
nesta vida e neste amor,
depois de alcançado ter
maior bem pera mor dor,
em fim se houve de saber
por Joana,

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Menina e Moça

Est√° naquela idade inquieta e duvidosa,
Que não é dia claro e é já o alvorecer;
Entreaberto bot√£o, entrefechada rosa,
Um pouco de menina e um pouco de mulher.

Às vezes recatada, outras estouvadinha,
Casa no mesmo gesto a loucura e o pudor;
Tem coisas de criança e modos de mocinha,
Estuda o catecismo e lê versos de amor.

Outras vezes valsando, e* seio lhe palpita,
De cansaço talvez, talvez de comoção.
Quando a boca vermelha os l√°bios abre e agita,
Não sei se pede um beijo ou faz uma oração.

Outras vezes beijando a boneca enfeitada,
Olha furtivamente o primo que sorri;
E se corre parece, à brisa enamorada,
Abrir asas de um anjo e tranças de uma huri.

Quando a sala atravessa, é raro que não lance
Os olhos para o espelho; e raro que ao deitar
N√£o leia, um quarto de hora, as folhas de um romance
Em que a dama conjugue o eterno verbo amar.

Tem na alcova em que dorme, e descansa de dia,
A cama da boneca ao pé do toucador;

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