Passagens sobre Experiência

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Frases sobre experi√™ncia, poemas sobre experi√™ncia e outras passagens sobre experi√™ncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Excesso de Vol√ļpia

A vol√ļpia carnal √© uma experi√™ncia dos sentidos, an√°loga ao simples olhar ou √† simples sensa√ß√£o com que um belo fruto enche a l√≠ngua. √Č uma grande experi√™ncia sem fim que nos √© dada; um conhecimento do mundo, a plenitude e o esplendor de todo o saber. O mal n√£o √© que n√≥s a aceitemos; o mal consiste em quase todos abusarem dessa experi√™ncia, malbaratando-a, fazendo dela um mero est√≠mulo para os momentos cansados da sua exist√™ncia.

Não seja escravo do passado Рmergulhe em mares grandiosos, vá bem fundo e nade até bem longe; você voltará com respeito por si mesmo, como um novo vigor, com uma experiência a mais, que vai explicar a anterior e superá-la.

Nunca releio os meus livros. Acho sempre uma experiência dececionante a releitura porque acabo por encontrar coisas que preferia que não estivessem lá, ou por considerar que poderia ter feito melhor em determinadas fases da escrita. Portanto, sustenho-me de os ler.

Um Bom Pai

Um bom pai não é aquele que nunca perde a paciência, mas é aquele que dialoga muito com os seus filhos, que tem prazer em entrar no mundo deles, que não os deixa do lado de fora da sua história. Ninguém tem filhos sabendo o que é ser pai. Ser pai exige um constante treino, em que os erros corrigem as rotas e as lágrimas acertam os caminhos. Educar filhos é uma tarefa complexa. Costumo brincar e dizer que os melhores filhos para serem educados são os dos outros e não os nossos. E fácil educar os filhos dos outros, pois não temos vínculos nem dificuldades com eles. Sem vínculo, o amor não cresce, mas onde há vínculos há sempre problemas e atritos. Não acredite em manuais mágicos de educação. Acredite na sua sensibilidade.

A melhor educa√ß√£o que os pais podem dar aos seus filhos √© dividir a sua hist√≥ria com eles. O melhor treino da emo√ß√£o √© falar das suas frustra√ß√Ķes, dos seus momentos de hesita√ß√£o, das suas conquistas, dos seus sonhos, dos seus erros. Nunca houve tantos div√≥rcios, mas o ser humano n√£o deixa de se unir. Porqu√™? Porque viver em fam√≠lia √© uma das experi√™ncias mais prazerosas da exist√™ncia.

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A História é Sempre Fabricada

A história não está ligada ao homem, nem a qualquer objecto em particular. Consiste inteiramente no seu método; a experiência comprova que ele é indispensável para inventariar a integralidade dos elementos de uma estrutura qualquer, humana ou não humana. Longe portanto de a pesquisa da inteligibilidade resultar na história como o seu ponto de chegada, é a história que serve de ponto de partida para toda a busca de inteligibilidade. Assim como se diz de certas carreiras, a história leva a tudo, mas contanto que se saia dela.

O matrimónio é uma experiência, e cada experiência tem o seu preço.

A Necessidade de Ser Insultado

Com que frequência caminhei no quarto de um lado para o outro, com o desejo inconsciente que alguém me insultasse ou proferisse alguma palavra que eu pudesse interpretar como um insulto, para que eu desabafasse a minha raiva em alguém.
√Č uma experi√™ncia muito simples que acontece quase di√°riamente, e ainda para mais quando existe algum outro segredo, uma afli√ß√£o no cora√ß√£o, para o qual se deseja dar uma express√£o verbal mas que n√£o se consegue.

Eu tenho a certeza que toda a gente já teve a experiência de ler um livro, e achar que foi vibrante, com vivacidade, colorido e excitante. E que, talvez algumas semanas mais tarde, tenham-no lido outra vez e considerá-lo simples e vazio. Bem, não foi o livro que mudou: a pessoa é que mudou.

Dest’arte se esclarece o entendimento
Que experiências fazem repousado.
E fica vendo, como de alto assento,
O baxo trato humano embaraçado.

…e que nada nem ningu√©m √© mais importante do que n√≥s pr√≥prios. E n√£o devemos negar-nos nenhum prazer, nenhuma experi√™ncia, nenhuma satisfa√ß√£o, desculpando-nos com a moral, a religi√£o ou os costumes.

√Č Preciso Repensar a Nossa Vida

√Č preciso repensar a nossa vida. Repensar a cafeteira do caf√©, de que nos servimos de manh√£, e repensar uma grande parte do nosso lugar no universo. Talvez isso tenha a ver com a posi√ß√£o do escritor, que √© uma posi√ß√£o universal, no lugar de Deus, acima da condi√ß√£o humana, a nomear as coisas para que elas existam. Para que elas possam existir‚Ķ Isto tem a ver com o poeta, sobretudo, que √© um demiurgo. Ou tem esse lado. Numa forma simples, essa maneira de redimensionar o mundo passa por um aspecto muito profundo, que n√£o tem nada a ver com aquilo que existe √† flor da pele. Tem a ver com uma experi√™ncia radical do mundo.
Por exemplo, com aquela que eu faço de vez em quando, que é passar três dias como se fosse cego. Por mais atento que se seja, há sempre coisas que nos escapam e que só podemos conhecer de outra maneira, através dos outros sentidos, que estão menos treinados… Reconhecer a casa através de outros sentidos, como o tacto, por exemplo. Isso é outra dimensão, dá outra profundidade. E a casa é sempre o centro e o sentido do mundo. A partir daí,

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Olhar e Chorar

Not√°vel criatura s√£o os olhos! Admir√°vel instrumento da natureza; prodigioso artif√≠cio da Provid√™ncia! Eles s√£o a primeira origem da culpa; eles a primeira fonte da Gra√ßa. S√£o os olhos duas v√≠boras, metidas em duas covas, e que a tenta√ß√£o p√īs o veneno, e a contri√ß√£o a triaga. S√£o duas setas com que o Dem√≥nio se arma para nos ferir e perder; e s√£o dois escudos com que Deus depois de feridos nos repara para nos salvar. Todos os sentidos do homem t√™m um s√≥ of√≠cio; s√≥ os olhos t√™m dois. O Ouvido ouve, o Gosto gosta, o Olfacto cheira, o Tacto apalpa, s√≥ os olhos t√™m dois of√≠cios: Ver e Chorar. Estes ser√£o os dois p√≥los do nosso discurso.
Ninguém haverá (se tem entendimento) que não deseje saber por que ajuntou a Natureza no mesmo instrumento as lágrimas e a vista; e por que uniu a mesma potência o ofício de chorar, e o de ver? O ver é a acção mais alegre; o chorar a mais triste. Sem ver, como dizia Tobias, não há gosto, porque o sabor de todos os gostos é o ver; pelo contrário, o chorar é o estilado da dor, o sangue da alma,

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A Melhor Defesa

Como me sinto fraco, vulner√°vel e aberto por todos os lados ao espanto, quando me vejo diante de pessoas que n√£o falam por falar e que est√£o sempre dispostas a confirmar pela ac√ß√£o o que dizem por palavras!… Mas existir√£o mesmo pessoas assim? N√£o me consideraram mesmo a mim como um homem firme?
A máscara é tudo. Tenho de confessar, no entanto, que os temo Рe haverá algo de mais aviltante do que o medo? O homem mais forte por natureza torna-se um poltrão, se as suas ideias forem flutuantes Рe o sangue-frio, a primeira das nossas defesas, deriva apenas do facto de uma alma já endurecida pela experiência não poder ser colhida de surpresa. Bem sei que esta minha determinação é ambiciosa, mas ir inisitindo nela apesar de tudo é já meio caminho andado.

Todo o Conhecimento Degenera em Probabilidade

A nossa raz√£o deve ser considerada como uma esp√©cie de causa cujo efeito natural √© a verdade; mas um efeito tal que pode ser facilmente evitado pela intrus√£o de outras causas e pela inconst√Ęncia das nossas faculdades mentais. Dessa maneira, todo o conhecimento degenera em probabilidade; essa probabilidade √© maior ou menor segundo a nossa experi√™ncia da veracidade ou da falsidade do nosso entendimento e segundo a simplicidade ou a complexidade da quest√£o.

Você ganha força, coragem e confiança através de cada experiência em que você realmente para e encara o medo de frente.

O Provincianismo Liter√°rio

O provincianismo do querer fazer ¬ęcomo l√° fora¬Ľ n√£o √© pecha s√≥ portuguesa. A maior parte dos pa√≠ses s√£o importadores de cultura. No entanto, redimem-se no desafogo de casos geniais, como um Lorca em Espanha e como um Ghelderode na B√©lgica. Cito estes dois exemplos porque eles acusam o verdadeiro alcance que pode ter o universal quando mergulha nos mais √≠ntimos recessos do popular. Quer Lorca, quer o autor de Mademoiselle Jair, apreenderam na psique espanhola e flamenga algo que encerra o universal em bruto na sua forma mais primitiva e, por isso mesmo, de toda a gente. Entre n√≥s pratica-se o inverso. Tem-se horror do popular pelo grande embasbacamento em que se est√° perante uma cultura que n√£o sendo vivificada pela experi√™ncia, redunda em erudi√ß√£o.