Textos sobre Quatro

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Textos de quatro escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

O Comportamento que Gera Influência

Um homem sincero e verdadeiro nas suas palavras, prudente e circunspecto nas suas ac√ß√Ķes, ter√° influ√™ncia, mesmo entre os b√°rbaros de centro e do norte. Um homem que n√£o √© nem sincero, nem verdadeiro nas suas palavras, nem prudente e circunspecto nas suas ac√ß√Ķes, ter√° alguma influ√™ncia, mesmo numa cidade ou numa aldeia? Quando estiverdes em p√©, imaginai essas quatro virtudes (a sinceridade, a veracidade, a prud√™ncia e a circunspec√ß√£o) conservando-se perto de v√≥s, diante dos vossos olhos. Quando estiverdes num carro, contemplai-as sentadas ao vosso lado. Desse modo, adquirireis influ√™ncia.

As Bases da Sociedade

Pode dizer-se que h√° quatro coisas b√°sicas e essenciais que a esmagadora maioria do povo de uma sociedade deseja: viver num ambiente seguro, conseguir trabalhar e sustentar-se, ter acesso a boa sa√ļde p√ļblica e s√≥lidas oportunidades educacionais para os filhos. Actualmente, enquanto sociedade, podemos estar a batalhar nestas quatro √°reas, mas temos de permanecer confiantes de que, com o compromisso pessoal de cada um de n√≥s, poderemos e iremos ultrapassar os obst√°culos na via para o desenvolvimento.

A Pluralidade Humana

A pluridade humana, condi√ß√£o b√°sica da ac√ß√£o e do discurso, tem o duplo aspecto da igualdade e diferen√ßa. Se n√£o fossem iguais, os homens seriam incapazes de compreender-se entre si e aos seus antepassados, ou de fazer planos para o futuro e prever as necessidades das gera√ß√Ķes vindouras. Se n√£o fossem diferentes, se cada ser humano n√£o diferisse de todos os que existiram, existem ou vir√£o a existir, os homens n√£o precisariam do discurso ou da ac√ß√£o para se fazerem entender. Com simples sinais e sons poderiam comunicar as suas necessidades imediatas e id√™nticas.
Ser diferente n√£o equivale a ser outro – ou seja, n√£o equivale a possuir essa curiosa qualidade de ¬ęalteridade¬Ľ, comum a tudo o que existe e que, para a filosofia medieval, √© uma das quatro caracter√≠sticas b√°sicas e universais que transcendem todas as qualidades particulares. A alteridade √©, sem d√ļvida, um aspecto importante da pluralidade; √© a raz√£o pela qual todas as nossas defini√ß√Ķes s√£o distin√ß√Ķes e o motivo pelo qual n√£o podemos dizer o que uma coisa √© sem a distinguir de outra.
Na sua forma mais abstracta, a alteridade est√° apenas presente na mera multiplica√ß√£o de objectos inorg√Ęnicos, ao passo que toda a vida org√Ęnica j√° exibe varia√ß√Ķes e diferen√ßas,

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Distinguem-se quatro tipos de temperamento: o de quem é fácil de provocar e fácil de pacificar Рesse ganha o que perde; o de quem é difícil de provocar e difícil de pacificar Рesse perde o que ganha; o de quem é difícil de provocar e fácil de pacificar Рesse é um santo; o de quem é fácil de provocar e difícil de pacificar Рesse é um perverso.

Amo-te, Portugal

Portugal,

Estou há que séculos para te escrever. A primeira vez que dei por ti foi quando dei pela tua falta. Tinha 19 anos e estava na Inglaterra. De repente, deixei de me sentir um homem do mundo e percebi, com tristeza, que era apenas mais um dos teus desesperados pretendentes.

Apaixonaste-me sem que eu desse por isso. Deve ter sido durante os meus primeiros 18 anos de vida, quando estava em Portugal e só queria sair de ti. Insinuaste-te. Não fui eu que te escolhi. Quando descobri que te amava, já era tarde de mais.

Eu n√£o queria ficar preso a ti; queria correr mundo. Passei a querer correr para ti – e foi para ti que corri, mal pude.

Teria preferido chegar √† conclus√£o que te amava por uma lenta acumula√ß√£o de raz√Ķes, emo√ß√Ķes e vantagens. Mas foi ao contr√°rio. Apaixonei-me de um dia para o outro, sem qualquer esp√©cie de aviso, e desde esse dia, que rem√©dio, l√° fui acumulando, lentamente, as raz√Ķes por que te amo, retirando-as uma a uma dentre todas as outras raz√Ķes, para n√£o te amar, ou n√£o querer saber de ti.

Custou-me justificar o meu amor por ti.

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Humanismo e Liberalismo

O termo humanismo √© infelizmente uma palavra que serve para designar as correntes filos√≥ficas, n√£o somente em dois sentidos, mas em tr√™s, quatro, cinco ou seis. Toda a gente √© humanista na hora que passa, at√© mesmo certos marxistas que se descobrem racionalistas cl√°ssicos, s√£o humanistas num enfadonho sentido, derivado das ideias liberais do √ļltimo s√©culo, o dum liberalismo refractado atrav√©s de toda a crise actual. Se os marxistas podem pretender ser humanistas, as diferentes religi√Ķes, os crist√£os, os hindus, e muitos outros afirmam-se tamb√©m antes de mais humanistas, como por sua vez o existencialista, e de um modo geral, todas as filosofias. Actualmente muitas correntes pol√≠ticas se reivindicam igualmente um humanismo. Tudo isso converge para uma esp√©cie de tentativa de restabelecimento duma filosofia que, apesar da sua pretens√£o, recusa no fundo comprometer-se, e recusa comprometer-se, n√£o somente no ponto de vista pol√≠tico e social, mas tamb√©m num sentido filos√≥fico profundo.

Se o cristianismo se pretende antes de tudo humanista, √© porque ele n√£o pode comprometer-se, quer dizer participar na luta das for√ßas progressivas, porque se mant√©m em posi√ß√Ķes reaccion√°rias frente a esta revolu√ß√£o. Quando os pseudomarxistas ou os liberais se reclamam da pessoa antes do mais, √© porque eles recuam diante das exig√™ncias da situa√ß√£o presente no mundo.

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Os √önicos Casamentos Felizes

√Č evidente que os √ļnicos casamentos felizes s√£o os de conveni√™ncia, funcionam √†s mil maravilhas, sem conflitos, porque cada um sabe que a realiza√ß√£o das suas ambi√ß√Ķes depende da alian√ßa com o outro. D√° gosto ver como trabalham em equipa os casais que entenderam essa ideia (casamento = sociedade limitada). Desenvolvem-se como uma empresa, apoiando-se um ao outro sem hesitar, cada um deles especializado numa determinada atividade para obterem o m√°ximo rendimento do seu investimento, pois sabem que os ganhos de um beneficiar√£o os dois. As discuss√Ķes em p√ļblico, as desaven√ßas, os an√ļncios de separa√ß√£o fazem cair as a√ß√Ķes da bolsa social e prejudicam a economia dom√©stica, h√° que evitar toda essa merda que os jovens e alguns imbecis publicitam aos quatro ventos, sem se darem conta de que est√£o a desvalorizar-se. Acreditam no amor e no desamor, na trai√ß√£o e no ci√ļme, sem entenderem que, quando se mete de permeio isso a que os romances e as revistas cor-de-rosa chamam amor, est√° tudo fodido. √Č o fim da paz. Quando algu√©m te diz que te amar√° para sempre, a hist√≥ria j√° come√ßou a meter √°gua. O montanhista n√£o pode ficar eternamente parado no cume que conquistou. J√° alcan√ßou o topo.

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O Problema em Amar

O problema em amar quem te ama √© o de quem te ama te amar como tu amas quem te ama. E depois o encadeamento √© simples: quem te ama quer-te presente por dentro dele a toda a hora, por todo o lado do teu lado; e tu queres quem te ama presente em ti a toda a hora, por todo o lado do teu lado. Mas os corpos ‚Äď por mais que a alma n√£o seja palp√°vel tamb√©m ela tem um corpo ‚Äď t√™m um limite de dilata√ß√£o. A partir de uma certa altura: p√°ra. E j√° n√£o alarga mais. E tu queres enfiar o espa√ßo que quem ama ocupa em ti mesmo ao lado do espa√ßo do que te amas. E n√£o d√°. N√£o d√° para te amares como amas quem amas. E depois quem te ama como tu amas quem te ama vai querer fazer o mesmo contigo. E n√£o d√°. Os corpos ‚Äď repito ‚Äď t√™m um limite de dilata√ß√£o. E chega uma altura em que uma parte de ti n√£o cabe na parte toda de quem amas; e chega uma altura em que uma parte de quem amas n√£o cabe na parte toda de ti.

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A Confiança ao Virar da Esquina

Podemos ler todos os livros que falam sobre a import√Ęncia da confian√ßa nas nossas vidas, mas nunca o seremos verdadeiramente sem experimentar na pele a sensa√ß√£o de uma experi√™ncia, ou seja, nada podemos ser sem praticar seja o que for. A experi√™ncia √© a pr√°tica, √© o trabalho de campo, √© a exposi√ß√£o, a vulnerabilidade e a consuma√ß√£o do verdadeiro conhecimento. S√≥ depois de experimentares √© que podes ousar saber alguma coisa. Percebes, portanto, a import√Ęncia de ir para a rua? De levantares esse rabo gordo e achatado do sof√°? Em casa pouco ou nada consegues experimentar, pois encontras-te no dom√≠nio da rotina. Tudo o que, eventualmente, haveria para ser posto em pr√°tica j√° o foi, portanto, nada mais h√° a ganhar nessas quatro paredes a n√£o ser peso, melancolia e p√≥. Sugiro, portanto, que nesta fase v√°s a casa dormir e que v√°s para a rua viver. E √© isto, s√≥ isto, apenas isto.

O nosso índice de confiança dispara em cada experiência que escolhemos viver e como já todos experimentámos já todos sabemos disto.

As Regras do Método

(…) em vez desse grande n√ļmero de preceitos que constituem a l√≥gica, julguei que me bastariam os quatro seguintes, contanto que tomasse a firme e constante resolu√ß√£o de n√£o deixar uma s√≥ vez de os observar.
O primeiro consistia em nunca aceitar como verdadeira qualquer coisa sem a conhecer evidentemente como tal; isto √©, evitar cuidadosamente a precipita√ß√£o e a preven√ß√£o; n√£o incluir nos meus ju√≠zos nada que se n√£o apresentasse t√£o clara e t√£o distintamente ao meu esp√≠rito, que n√£o tivesse nenhuma ocasi√£o para o p√īr em d√ļvida.
O segundo, dividir cada uma das dificuldades que tivesse de abordar no maior n√ļmero poss√≠vel de parcelas que fossem necess√°rias para melhor as resolver.
O terceiro, conduzir por ordem os meus pensamentos, começando pelos objectos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir pouco a pouco, gradualmente, até ao conhecimento dos mais compostos; e admitindo mesmo certa ordem entre aqueles que não se precedem naturalmente uns aos outros.
E o √ļltimo, fazer sempre enumera√ß√Ķes t√£o complexas e revis√Ķes t√£o gerais, que tivesse a certeza de nada omitir.

O Homem Perfeito

A virtude subdivide-se em quatro aspectos: refrear os desejos, dominar o medo, tomar as decis√Ķes adequadas, dar a cada um o que lhe √© devido. Concebemos assim as no√ß√Ķes de temperan√ßa, de coragem, de prud√™ncia e de justi√ßa, cada qual comportando os seus deveres espec√≠ficos. A partir de qu√™, ent√£o, concebemos n√≥s a virtude? O que no-la revela √© a ordem por ela pr√≥pria estabelecida, o decoro, a firmeza de princ√≠pios, a total harmonia de todos os seus actos, a grandeza que a eleva acima de todas as conting√™ncias. A partir daqui concebemos o ideal de uma vida feliz, fluindo segundo um curso inalter√°vel, com total dom√≠nio sobre si mesma. E como √© que este ideal aparece aos nossos olhos? Vou dizer-te.
O homem perfeito, possuidor da virtude, nunca se queixa da fortuna, nunca aceita os acontecimentos de mau humor, pelo contr√°rio, convicto de ser um cidad√£o do universo, um soldado pronto a tudo, aceita as dificuldades como uma miss√£o que lhes √© confiada. N√£o se revolta ante as desgra√ßas como se elas fossem um mal originado pelo azar, mas como uma tarefa de que ele √© encarregado. ¬ęSuceda o que suceder¬Ľ, ‚ÄĒ diz ele ‚ÄĒ ¬ęo caso √© comigo;

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Da √ćndole dos Homens

A √≠ndole √©, muitas vezes, ocultada; outras, subjugada; quase nunca extinta. A for√ßa faz a √≠ndole mais violenta, em repres√°lia; a doutrina e o discurso tornam-a menos importuna; somente o costume alcan√ßa alter√°-la e refre√°-la. √Äquele que busca vencer a sua pr√≥pria √≠ndole n√£o se deve propor tarefas nem muito grandes nem muito pequenas; as primeiras tornar-le-√£o desalentado ante os sucessivos fracassos; as outras, devido √†s repetidas vit√≥rias, tornar-le-√£o convencido. A princ√≠pio, deve-se adestrar com aux√≠lios, como o fazem os nadadores com bexigas ou corti√ßas; mas ao cabo de certo tempo, √© mister se adestre com desvantagens, como os dan√ßarinos com sapatos pesados. Chega-se a grande perfei√ß√£o quando a pr√°tica √© mais √°rdua do que o uso. Quando a √≠ndole √© pujante e, por consequ√™ncia, dif√≠cil de vencer, o primeiro passo ser√° resistir-lhe e deter-lhe os √≠mpetos a tempo, a exemplo daquele que, quando estava irado, repetia as vinte e quatro letras do alfabeto; em seguida, racion√°-la em quantidade, como o que, proibido de beber vinho, passou dos repetidos brindes a um trago nas refei√ß√Ķes; por fim, anul√°-la de todo.
Não erra o antigo preceito em recomendar que, para endireitar a índole, se a encurve até ao extremo contrário,

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Os Quatro Erros

A educa√ß√£o do homem foi feita pelos seus erros: em primeiro lugar, ele nunca se viu sen√£o imperfeitamente; em seguida, atribuiu-se qualidades imagin√°rias; em terceiro, sentiu-se em rela√ß√Ķes falsas diante da natureza e do reino animal; em quarto, nunca deixou de inventar t√°buas do bem sempre novas e tomou cada uma delas durante um certo tempo como eterna e absoluta, de tal maneira que o primeiro lugar foi ocupado sucessivamente por este ou aquele instinto ou este ou aquele estado que enobrece esta aprecia√ß√£o. Ignorar o efeito destes quatro erros √© suprimir a humanidade, o humanitarismo e a ¬ędignidade humana¬Ľ.

Aprende a Ser como os Outros

N√£o precisamos de ler, estudar ou conhecer ningu√©m, quando produzimos n√≥s pr√≥prios. Pois n√£o basta que produzamos n√≥s pr√≥prios? E gostemos de n√≥s pr√≥prios? Que nos pode dar o esp√≠rito alheio, quando sobre o pr√≥prio nosso desceu em l√≠nguas de fogo a sabedoria de tudo? Melhor: A verdade √© que nem precisamos n√≥s pr√≥prios de produzir (toda a produ√ß√£o √© uma limita√ß√£o), ou mal precisamos de produzir, para usufruirmos as vantagens do criador e produtor. (…) Aprende a contar uma anedota; duas anedotas; tr√™s anedotas; quatro anedotas… uma anedota diverte muita gente; quatro anedotas divertem muito mais… aprende a polvilhar de blague todas essas ideias s√©rias, pesadas, profundas, obscuras, – ao cabo simplesmente ma√ßadoras – com que pretendes sufocar (…); aprende a cultivar aquele subtil esp√≠rito de futilidade que ligeiramente embriaga como um champanhe, e a toda a gente agrada, lisonjeia todos, por a todos nos dar a reconfortante impress√£o de pertencermos ao mesmo meio… estarmos ao mesmo n√≠vel; n√£o queiras ser nem sobretudo sejas mais inteligente ou mais sens√≠vel, mais honesto ou mais sincero, mais trabalhador ou mais culto, mais profundo ou mais agudo… numa palavra: superior. Sim, homem! aprende a ser como os outros, dizendo bem ou mal de tudo e todos –

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O que Distingue um Amigo Verdadeiro

N√£o se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conhe√ßam pessoas de quem apetece ser amiga, n√£o se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupa√ß√£o da alma e a ocupa√ß√£o do espa√ßo, o tempo que se pode passar e a aten√ß√£o que se pode dar ‚ÄĒ todas estas coisas s√£o finitas e t√™m de ser partilhadas. N√£o chegam para mais de um, dois, tr√™s, quatro, cinco amigos. √Č preciso saber partilhar o que temos com eles e n√£o se pode dividir uma coisa j√° de si pequena (n√≥s) por muitas pessoas.

Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém,

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A Liberdade só Existe com Lei e Poder

Liberdade e lei (pela qual a liberdade √© limitada) s√£o os dois eixos em torno dos quais gira a legisla√ß√£o civil. Mas, a fim de que a lei seja eficaz, em vez de ser uma simples recomenda√ß√£o, deve ser acrescentado um meio-termo, o poder, que, ligado aos princ√≠pios da liberdade, garanta o sucesso dos da lei. √Č poss√≠vel conceber apenas quatro formas de combina√ß√£o desse √ļnico elemento com os dois primeiros:
A. Lei e liberdade sem poder (Anarquia).
B. Lei e poder sem liberdade (Despotismo).
C. Poder sem liberdade nem lei (Barb√°rie).
D. Poder com liberdade e lei (Rep√ļblica).

A Vaidade da Tua Imagem

S√≥ podes ter esperan√ßas de ser fiel se sacrificares a vaidade da tua imagem. √Č dizeres: ¬ęEu penso como eles, sem distin√ß√£o.¬Ľ Ver-te-√°s desprezado. Mas sendo, como √©s, parte desse corpo, queres l√° saber do desprezo! Em vez de te importares com ele, agir√°s sobre esse corpo. E carreg√°-lo-√°s com a tua pr√≥pria inclina√ß√£o. E ir√°s buscar a tua honra √† honra deles. Porque n√£o h√° outra coisa a esperar.
Se tens motivos para teres vergonha, n√£o te exponhas. N√£o fales. Rumina a tua vergonha. Essa indigest√£o que te for√ßar√° a restabeleceres-te na tua casa √© excelente. Porque depende de ti. Mas aquele acol√° tem os membros doentes. Que faz ele? Manda cortar os quatro membros. √Č doido. Podes procurar a morte para que ao menos em ti respeitem os teus. Mas n√£o podes reneg√°-los, porque ent√£o √© a ti que te renegas.

O Lugar Certo

O tempo mudava de um momento para o outro, juntando, no curto espa√ßo de vinte e quatro horas, a Primavera e o Outono, o Ver√£o e at√© Inverno. Mas Jos√© Artur sentia-se vivo como um lobo das estepes libertado. Tinha a tens√£o alta dos her√≥is rom√Ęnticos e, em muitas circunst√Ęncias, dava por si a citar Thoreau:

‚ÄúFui para os bosques viver de livre vontade. Vara sugar todo o tutano da vida, para aniquilar tudo o que n√£o era vida e para, quando morrer, n√£o descobrir que n√£o vivi.‚ÄĚ

Lamentava que Darwin ou Twain n√£o tivessem encontrado naquelas ilhas o mesmo que ele encontrava agora, mas percebeu que, no s√©culo dezanove, ainda restavam outros para√≠sos no planeta. E, de qualquer modo, havia Chateaubriand, Raul Brand√£o, at√© Melville, impressionado com a valentia dos marinheiros das ilhas a leste de Nantucket. N√£o, ele n√£o estava louco. Havia uma sabedoria naquilo ‚ÄĒ havia ecos e refrac√ß√Ķes, como se algo de mais profundo se insinuasse. Tinha a certeza de que, se a terra tremesse agora, conseguiria senti-la.

Aquele era o seu lugar. Não havia por que sentir falta dos privilégios da cidade. Um homem que soubesse povoar-se tinha alimento para uma vida na fotografia de um labandeira,

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O Amor é de outro Reino

O amor √© de outro reino. (…) Da amizade, do amor, do encontro de duas pessoas que se sentem bem uma ao lado da outra, fazendo amor, falando de amor, trocando amor, conversando de amor, falando de nada, falando de pequenas hist√≥rias c√≥digo de ministros com aventuras de aventuras sem ministros conversa alta e baixa de livros e de quadros de compras e de ninharias conversas trocadas em mi√ļdos ouvindo m√ļsica sem escutar m√ļsica que ajuda o amor o amor precisa de ajudas de ir √†s cavalitas de andas de muita coisa simples amor √© um segredo que deve ser alimentado nas horas vagas alimentado nas horas de trabalho nas horas mais isoladas amor √© uma ocupa√ß√£o de vinte e quatro horas com dois turnos pela mesma pessoa com desconfian√ßas e descobertas com cegueiras e lumineiras amor de tocar no mais √≠ntimo na beleza de um encanto escondido rec√īndito que todos no mundo fizeram pais de padres m√£es de bispos av√≥s de cardeais amor agarrado intrometido de falus com prazer de alegria amor que n√£o se sabe o que vai dar que nunca se sabe o que vai dar amor t√£o amor.

Toda a Aproximação é um Conflito

Que somos todos diferentes, é um axioma da nossa naturalidade. Só nos parecemos de longe, na proporção, portanto, em que não somos nós. A vida é, por isso, para os indefinidos; só podem conviver os que que nunca se definem, e são, um e outro, ninguéns.
Cada um de nós é dois, e quando duas pessoas se encontram, se aproximam, se ligam, é raro que as quatro possam estar de acordo. O homem que sonha em cada homem que age, se tantas vezes se malquista com o homem que age, como não se malquistará com o homem que age e o homem que sonha no Outro?
Somos for√ßas porque somos vidas. Cada um de n√≥s tende para si pr√≥prio com escala pelos outros. Se temos por n√≥s mesmos o respeito de nos acharmos interessantes (…) Toda a aproxima√ß√£o √© um conflito. O outro √© sempre o obst√°culo para quem procura. S√≥ quem n√£o procura √© feliz; porque s√≥ quem n√£o busca, encontra, visto que quem n√£o procura j√° tem, e j√° ter, seja o que for, √© ser feliz, como n√£o pensar √© a parte melhor de ser rico.
Olho para ti, dentro de mim, noiva suposta,

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