Textos sobre Oportunidades

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Textos de oportunidades escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A Actividade é Indispensável ao Homem

Desenvolver uma actividade, dedicar-se a algo ou simplesmente estudar são coisas necessárias à felicidade do ser humano. Ele deseja activar as suas forças e, de alguma maneira, sentir o êxito dessa actividade. (Talvez porque isso lhe seja uma garantia de que as suas necessidades podem ser supridas pelas suas próprias forças). Por esse motivo, durante as longas viagens de recreação, de quando em quando o homem se sente muito infeliz.
Esfor√ßar-se e lutar com resist√™ncia constitui a necessidade mais essencial da natureza humana: a pausa, que seria plenamente auto-suficiente no prazer tranquilo, √© imposs√≠vel para o homem: superar obst√°culos representa o prazer mais completo da sua exist√™ncia; para ele, n√£o h√° nada melhor. Esses obst√°culos podem ser de natureza material, como no caso de agir e operar, ou de natureza espiritual, como no caso de estudar e pesquisar: a luta contra eles e a vit√≥ria sobre eles constituem o prazer supremo da exist√™ncia humana. Se lhe falta a oportunidade para tal realiza√ß√£o, o homem cria-a como pode: inconscientemente a sua natureza o impele ou a procurar conflitos, ou a tramar intrigas, ou ainda a cometer vigarices e outras maldades de acordo com as circunst√Ęncias.

A Dificuldade de Estabelecer e Firmar Rela√ß√Ķes

A dificuldade de estabelecer e firmar rela√ß√Ķes. H√° uma t√©cnica para isso, conhe√ßo-a. Nunca pude meter-me nela. Ser ¬ęsimp√°tico¬Ľ. √Č realmente f√°cil: prestabilidade, autodom√≠nio. Mas. Ser soci√°vel exige um esfor√ßo enorme ‚ÄĒ f√≠sico. Quem se habituou, j√° se n√£o cansa. Tudo se passa √† superf√≠cie do esfor√ßo. Ter ¬ępersonalidade¬Ľ: n√£o descer um mil√≠metro no trato, mesmo quando por delicadeza se finge. Assumirmos a import√Ęncia de n√≥s sem o mostrar. Darmo-nos valor sem o exibir. Irresistivelmente, agacho-me. E logo: a pata dos outros em cima. Bem feito. Pois se me pus a jeito. E ent√£o reponto. O fim. Ser prest√°vel, colaborar nas tarefas que os outros nos inventam. Col√≥quios, confer√™ncias, organiza√ß√Ķes de. Ah, ser-se um ¬ęin√ļtil¬Ľ (um ¬ęparasita¬Ľ…). Raz√Ķes profundas ‚ÄĒ um complexo duplo que vem da juventude: incompreens√£o do irm√£o corpo e da bolsa paterna. O segundo remediou-se. Tenho desprezo pelo dinheiro. Ligo t√£o pouco ao dinheiro que nem o gasto… Mas ¬ęgastar¬Ľ faz parte da ¬ępersonalidade¬Ľ. Sa√ļde ‚ÄĒ mais dif√≠cil. Este ar apeur√© que vem logo ao de cima. A √ļnica defesa, obviamente, √© o resguardo, o isolamento, a medida.
√Č f√°cil ser ¬ęsimp√°tico¬Ľ, dif√≠cil √© perseverar, assumir o artif√≠cio da facilidade. Conservar os amigos. ¬ęN√£o √©s capaz de dar nada¬Ľ,

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O Domínio da Ira

Querer extinguir inteiramente a cólera é pretensão louca dos estóicos. A cólera deve ser limitada e confinada, tanto na extensão como no tempo. Diremos em primeiro lugar como a inclinação natural e o hábito adquirido para se encolerizar podem ser temperados e acalmados. Diremos, em segundo lugar, como os movimentos particulares da cólera podem ser reprimidos, ou pelo menos refreados, para que não façam mal. Diremos, em terceiro lugar, como suscitar ou apaziguar a cólera nas outras pessoas.
Quanto ao primeiro ponto. N√£o h√° outro caminho sen√£o o de meditar e ruminar muito bem os efeitos da c√≥lera, de ver quanto ela perturba a vida humana. E a melhor ocasi√£o de fazer isso, ser√° depois de o acesso ter passado, reflectindo sobre as desvantagens da c√≥lera. S√©neca disse muito bem que ¬ęa c√≥lera √© como uma ru√≠na que se quebra contra o que derruba¬Ľ. (…) Deve o homem cuidar de temperar a c√≥lera mais pelo desd√©m do que pelo temor, para que assim possa estar acima da inj√ļria e n√£o abaixo dela: o que ser√° coisa f√°cil, para quem quiser obedecer a esta lei.
Quanto ao segundo ponto. Há três causas e motivos principais da cólera. Primeiro, ser demasiado sensível ao toque,

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√Čs Feliz?

Só há uma forma de seres feliz: tens de fazer por isso.

√Čs feliz? Queres ser? Fazes alguma coisa por isso?

Se fores, maravilha, transportas a bel√≠ssima responsabilidade de inspirar os outros a s√™-lo tamb√©m. Se ainda n√£o √©s, mas queres s√™-lo, o que tens feito por isso? Andas a respeitar-te mais vezes? A lutar pela viv√™ncia das tuas vontades? Andas mais perto da natureza? J√° consegues dizer mais vezes aquilo que sentes e aquilo que pensas? J√° n√£o p√Ķes sempre os outros √† tua frente? Come√ßaste a cuidar do teu corpo e da tua alimenta√ß√£o? Reduziste os v√≠cios? Se sim, fant√°stico. Parab√©ns! Gosto muito de pessoas felizes, mas a minha admira√ß√£o vai toda para aqueles que, n√£o o sendo ainda, lutam todos os dias para o ser, pela autodescoberta que os far√° refer√™ncia na vida de todos aqueles que os rodeiam. Agora, e por outro lado, se n√£o tens andado a fazer nada disto nem nada semelhante, mais vale assumires que, afinal, ser feliz n√£o √© uma vontade tua. E est√° tudo bem na mesma. Apenas te pe√ßo, em nome da comunidade dos seres humanos que querem viver e desfrutar desta am√°vel oportunidade que nos foi dada de aqui estar,

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Nós Trazemos na Alma uma Bomba

A causa depois do efeito. A minha tese √© esta, minha querida ‚Äď n√≥s trazemos na alma uma bomba e o problema est√° em algu√©m fazer lume para a rebentar. N√≥s escolhemos ser santos ou her√≥is ou traidores ou cobardes e assim. O problema est√° em vir a haver ou n√£o uma oportunidade para isso se manifestar. N√≥s fizemos uma escolha na eternidade. Mas quantos sabem o que escolheram? Alguns t√™m a sorte ou a desgra√ßa de algu√©m fazer lume para rebentarem o que s√£o, ver-se o que estava por baixo do que estava por cima. Mas outros v√£o para a cova na ignor√Ęncia. √Äs vezes fazem ensaios porque a press√£o interior √© muito forte. Ou passam a vida √† espera de um sinal, um ind√≠cio elucidativo. Ou passam-na sem saberem que trazem a bomba na alma que √†s vezes ainda rebenta, mesmo j√° no cemit√©rio. Ou quem diz bomba diz por exemplo uma flor para pormos num sorriso. Ou um penso para pormos num lanho. Mas n√£o sabem.

Regras Gerais da Arte da Guerra

Estou consciente de vos ter falado de muitas coisas que por vós mesmos haveis podido aprender e ponderar. Não obstante, fi-lo, como ainda hoje vos disse, para melhor vos poder mostrar, através delas, os aspectos formais desta matéria,e, ainda, para satisfazer aqueles Рse fosse esse o caso Рque não tivessem tido, como vós, a oportunidade de sobre elas tomar conhecimento. Parece-me que, agora, já só me resta falar-vos de algumas regras gerais, com as quais deveis estar perfeitamente identificados. São as seguintes:
– Tudo o que √© √ļtil ao inimigo √© prejudicial para ti, e, tudo o que te √© √ļtil prejudica o inimigo.
– Aquele que, na guerra, for mais vigilante a observar as inten√ß√Ķes do inimigo e mais empenho puser na prepara√ß√£o do seu ex√©rcito, menos perigos correr√° e mais poder√° aspirar √† vit√≥ria.
– Nunca leves os teus soldados para o campo de batalha sem, previamente, estares seguro do seu √Ęnimo e sem teres a certeza de que n√£o t√™m medo e est√£o disciplinados e convictos de que v√£o vencer.
– √Č prefer√≠vel vencer o inimigo pela fome do que pelas armas. A vit√≥ria pelas armas depende muito mais da fortuna do que da virtude.

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Captar a Essência

Para perceberes tudo o que existe para lá do óbvio, é necessário estares atento aos sinais e que te permitas sentir para lá do normal. E isso só é possível se te alienares da matemática da mente e da racionalidade do que vês e do que ouves.

Conhe√ßo perfeitamente a magia de saber ouvir a intui√ß√£o. E sim, refiro-me a magia porque √© necess√°rio alienarmo-nos do vis√≠vel para lhe termos acesso. Quem apenas se limita a acreditar no que v√™, nunca lhe achar√° sentido. A interpreta√ß√£o do que acontece √† nossa volta tem m√ļltiplas faces, por√©m existe uma ou outra que nos transcende para outros patamares de entendimento. Na vida tudo acontece ao mesmo tempo e com as mais variadas pessoas, no entanto podemos captar a ess√™ncia do que verdadeiramente acontece e que n√£o √© vis√≠vel se estivermos despertos. E estar desperto √© estar consciente, atento ao mais pequeno sinal que a vida ou os outros nos d√£o.

As maiores oportunidades, assim como as grandes tomadas de consciência, nascem dessa ligação ao invisível, dessa passagem para lá do óbvio. As peças encaixam-se quando transcendes a matriz do que te foi ensinado para o mundo daquilo que é sentido.

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Os Sintomas do Nosso Mal-Estar Espiritual

Os sintomas do nosso mal-estar espiritual s√£o demasiados familares. Incluem: a dimens√£o da corrup√ß√£o, tanto no sector p√ļblico como no sector privado, onde cargos e posi√ß√Ķes de responsabilidade s√£o tratados como oportunidades de enriquecimento pessoal; a corrup√ß√£o que ocorre no seio do nosso sistema de justi√ßa; a viol√™ncia nas rela√ß√Ķes interpessoais e nas fam√≠lias, em particular, o vergonhoso recorde de abuso de mulheres e crian√ßas; e a dimens√£o da evas√£o fiscal e a recusa em pagar pelos servi√ßos utilizados.

Ajuda entre S√°bios

Est√°s interessado em saber se um s√°bio pode ser √ļtil a outro s√°bio. N√≥s definimos o s√°bio como um homem dotado de todos os bens no mais alto grau poss√≠vel. A quest√£o est√° pois em saber como √© poss√≠vel algu√©m ser √ļtil a quem j√° atingiu o supremo bem. Ora, os homens de bem s√£o √ļteis uns aos outros. A sua fun√ß√£o √© praticar a virtude e manter a sabedoria num estado de perfeito equil√≠brio. Mas cada um necessita de outro homem de bem com quem troque impress√Ķes e discuta os problemas. A per√≠cia na luta s√≥ se adquire com a pr√°tica; dois m√ļsicos aproveitam melhor se estudarem em conjunto. O s√°bio necessita igualmente de manter as suas virtudes em actividade e, por isso mesmo, n√£o s√≥ se estimula a si pr√≥prio como se sente estimulado por outro s√°bio. Em que pode um s√°bio ser √ļtil a outro s√°bio? Pode servir-lhe de incitamento, pode sugerir-lhe oportunidades para a pr√°tica de ac√ß√Ķes virtuosas. Al√©m disso, pode comunicar-lhe as suas medita√ß√Ķes e dar-lhe conta das suas descobertas. Nunca faltar√° mesmo ao s√°bio algo de novo a descobrir, algo que d√™ ao seu esp√≠rito novos campos a explorar.
Os indivíduos perversos fazem mal uns aos outros,

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Felicidade Simplificada

Se quisermos avaliar a situação de uma pessoa pela sua felicidade, deve-se perguntar não por aquilo que a diverte, mas pelo que a aflige. Quanto mais insignificante for aquilo que, tomado em si mesmo, a aflige, tanto mais ela é feliz, pois é preciso um estado de bem-estar para impressionar-se com bagatelas: na infelicidade, nunca as sentimos.

Guardemo-nos de erguer a felicidade da nossa vida sobre um amplo fundamento, exigindo muito dessa felicidade: pois, estando apoiada sobre tal base, ela desaba mais facilmente, já que oferece muito mais oportunidades para acidentes, que não tardam em faltar. Portanto, a esse respeito, ocorre com o edifício da nossa felicidade o oposto do que ocorre com todos os demais, que se apoiam mais firmemente sobre um amplo fundamento.
Reduzir ao máximo as expectativas em relação aos nossos meios, sejam eles quais forem, é, pois, o caminho mais seguro para escaparmos de uma grande infelicidade.

√Č por ter Esp√≠rito que me Aborre√ßo

√Č preciso esconjurar, da forma que nos for poss√≠vel, este diabo de vida que n√£o sei porque √© que nos foi dada e que se torna t√£o facilmente amarga se n√£o opusermos ao t√©dio e aos aborrecimentos uma vontade de ferro. √Č preciso, numa palavra, agitar este corpo e este esp√≠rito que se delapidam um ao outro na estagna√ß√£o e numa indol√™ncia que se confunde com um torpor. √Č preciso passar, necessariamente, do descanso ao trabalho – e reciprocamente: s√≥ assim estes parecer√£o, ao mesmo tempo, agrad√°veis e salutares. Um desgra√ßado que trabalhe sem cessar, sob o peso de tarefas inadi√°veis, deve ser, sem d√ļvida, extremamente infeliz, mas um indiv√≠duo que n√£o fa√ßa mais do que divertir-se n√£o encontrar√° nas suas distrac√ß√Ķes nem prazer nem tranquilidade; sente que luta contra o t√©dio e que este o prende pelos cabelos – como se fosse um fantasma que se colocasse sempre por detr√°s de cada distrac√ß√£o e espreitasse por cima do nosso ombro.
Não julgue, cara amiga, que eu só porque trabalho regularmente estou isento das investidas deste terrível inimigo; penso que, quando se tem uma certa disposição de espírito, é preciso termos uma imensa energia de forma a não nos deixarmos absorver e conseguir escapar,

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Oportunidades s√£o Responsabilidades

As pessoas fogem às responsabilidades, e essa atitude é uma das causas de mal-estar. Pensam que as responsabilidades desaparecem por si se as ignorarem ou evitarem. A base da evolução e a realização é a responsabilidade. Responsabilidade é o preço a pagar pelo direito de fazermos as nossas próprias escolhas. Responsabilidade é apenas outra palavra para designar oportunidade. E tornamo-nos ricos ou pobres para sempre conforme aproveitarmos ou deixarmos fugir a oportunidade.

Nunca Mostrar Espírito e Entendimento

Como ainda √© inexperiente quem sup√Ķe que, ao mostrar esp√≠rito e entendimento, recorre a um meio seguro para fazer-se benquisto em sociedade! Na verdade, na maioria das pessoas, tais qualidades despertam √≥dio e rancor, que ser√£o t√£o mais amargos quanto quem os sentir n√£o tiver o direito de externar o motivo, chegando at√© a dissimul√°-lo para si mesmo. Isso acontece da seguinte forma: se algu√©m nota e sente uma grande superioridade intelectual naquele com quem fala, ent√£o conclui tacitamente e sem consci√™ncia clara que este, em igual medida, notar√° e sentir√° a sua inferioridade e a sua limita√ß√£o. Essa conclus√£o desperta o √≥dio, o rancor e a raiva mais amarga.
(…) Mostrar esp√≠rito e entendimento √© uma maneira indirecta de repreender nos outros a sua incapacidade e estupidez. Ademais, o indiv√≠duo comum revolta-se ao avistar o seu oposto, sendo a inveja o seu instigador secreto. A satisfa√ß√£o da vaidade √©, como se pode ver diariamente, um prazer que as pessoas colocam acima de qualquer outro, mas que s√≥ √© poss√≠vel por interm√©dio da compara√ß√£o delas pr√≥prias com os demais. No entanto, nenhum m√©rito torna o homem mais orgulhoso do que o intelectual: s√≥ neste repousa a sua superioridade em rela√ß√£o aos animais.

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Indulgência com os Outros

Para sobreviver por este mundo afora, √© conveniente levar consigo uma grande provis√£o de precau√ß√£o e indulg√™ncia. Pela primeira seremos protegidos de danos e perdas, pela segunda, de disputas e querelas. Quem tem de viver entre os homens n√£o deve condenar, de maneira incondicionada, individualidade alguma, nem mesmo a pior, a mais mesquinha ou a mais rid√≠cula, pois ela foi definitivamente estabelecida e ofertada pela natureza. Deve-se, antes, tom√°-la como algo imut√°vel que, em virtude de um princ√≠pio eterno e metaf√≠sico, tem de ser como √©. Quanto aos casos mais lament√°veis, deve-se pensar: ¬ę√Č preciso que haja tamb√©m tais tipos no mundo.¬Ľ Do contr√°rio, comete-se uma injusti√ßa e desafia-se o outro a uma guerra de vida ou morte, j√° que ningu√©m pode mudar a sua pr√≥pria individualidade, isto √©, o seu car√°cter moral, as suas faculdades de conhecimento, o seu temperamento, a sua fisionomia, etc. Ora, se condenarmos o outro em toda a sua ess√™ncia, ent√£o nada lhe restar√° a n√£o ser combater em n√≥s um inimigo mortal, pois s√≥ lhe reconhecemos o direito de existir sob a condi√ß√£o de tornar-se uma pessoa diferente da que invariavelmente √©.
Portanto, para vivermos entre os homens, temos de deixar cada um existir como é,

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Glória é Vaidade

A gl√≥ria repousa propriamente sobre aquilo que algu√©m √© em compara√ß√£o com os outros. Portanto, ela √© essencialmente relativa; por isso, s√≥ pode ter valor relativo. Desapareceria inteiramente se os outros se tornassem o que o glorioso √©. Uma coisa s√≥ pode ter valor absoluto se o mantiver sob todas as circunst√Ęncias; aqui, contudo, trata-se daquilo que algu√©m √© imediatamente e por si mesmo. Consequentemente, √© nisso que tem de residir o valor e a felicidade do grande cora√ß√£o e do grande esp√≠rito. Logo, valiosa n√£o √© a gl√≥ria, mas aquilo que faz com que algu√©m a mere√ßa, pois isso, por assim dizer, √© a subst√Ęncia, e a gl√≥ria √© apenas o acidente. Ela age sobre quem √© c√©lebre, sobretudo como um sintoma exterior pelo qual ele adquire a confirma√ß√£o da opini√£o elevada de si mesmo. Desse modo, poder-se-ia dizer que, assim como a luz n√£o √© vis√≠vel se n√£o for reflectida por um corpo, toda a excel√™ncia s√≥ adquire total consci√™ncia de si pr√≥pria pela gl√≥ria. Mas o sintoma n√£o √© sempre infal√≠vel, visto que tamb√©m h√° gl√≥ria sem m√©rito e m√©rito sem gl√≥ria. Eis a justificativa para a frase t√£o distinta de Lessing: Algumas pessoas s√£o famosas, outras merecem s√™-lo.

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Agarra as Oportunidades

O que √© uma oportunidade? √Č tudo. Uma oportunidade √© uma possibilidade e tu, assim te permitas, podes tudo. Como acontece todos os dias e a todas as horas, √© algo corriqueiro, pequeno, quase invis√≠vel, e, por isso, nem sempre √© interpretado da melhor maneira. Podes cri√°-las ou, simplesmente, estar recetivo porque elas, tamb√©m, surgem do nada. A √ļnica premissa para teres uma vida cheia de oportunidades √© estares desperto e quereres, de facto, viver. Nada mais. Uma oportunidade √© um abra√ßo, √© um telefonema a convidar-te para ires almo√ßar ou jantar fora, uma ida √† praia ou √† discoteca, √© um filme que te deixe a pensar, √© um livro que te fa√ßa rir ou emocionar, uma conversa que fica, um sorriso que se pega, uma pessoa que passa e te faz olhar para tr√°s, a tua password no Facebook por te permitir iniciar sempre, e √† hora que quiseres, uma viagem maravilhosa, enfim, tanta coisa. Tudo √© uma oportunidade para sa√≠res de onde est√°s, fazer uma coisa diferente, conhecer pessoas novas, estabelecer novos contactos, largar a rotina e ser feliz. A oportunidade vincula-te sempre ao ¬ęAgora¬Ľ, √© uma pequena grande coisa onde, decerto, ir√°s encontrar as ra√≠zes da tua felicidade e,

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A Oportunidade de nos Vencermos a nós Próprios

Um povo de ociosos bem que se poderia divertir a construir obst√°culos para si, exercitando-se nas ci√™ncias, nas artes, nos jogos; mas os esfor√ßos que procedem apenas da fantasia n√£o constituem para o homem um meio de dominar as suas pr√≥prias fantasias. S√£o os obst√°culos com que deparamos e que √© preciso superar que fornecem a oportunidade de nos vencermos a n√≥s mesmos. Mesmo as actividades aparentemente mais livres, ci√™ncia, arte, desporto, s√≥ t√™m valor na medida em que imitam a exactid√£o, o rigor, o escr√ļpulo pr√≥prios dos trabalhos e at√© os exageram.

A Verdadeira Oportunidade

Uma das palavras que mais maltratadas têm sido, no entendimento que há delas, é a palavra oportunidade. Julgam muitos que por oportunidade se entende um presente ou favor do Destino, análogo a oferecerem-nos o bilhete que há-de ter a sorte grande. Algumas vezes assim é. Na realidade quotidiana, porém, oportunidade não quer dizer isto, nem o aproveitar-se dela significa o simplesmente aceitá-la. Oportunidade, para o homem consciente e prático, é aquele fenómeno exterior que pode ser transformado em consequências vantajosas por meio de um isolamento nele, pela inteligência, de certo elemento ou elementos, e a coordenação, pela vontade, da utilização desse ou desses. Tudo mais é herdar do tio brasileiro ou não estar onde caiu a granada.

A Glória em Função dos Feitos e das Obras

Enquanto a nossa honra vai at√© onde somos pessoalmente conhecidos, a gl√≥ria, pelo contr√°rio, precede o nosso conhecimento e leva-o at√© onde ela mesmo consegue ir. Todo o indiv√≠duo tem direito √† honra; √† gl√≥ria, apenas as excep√ß√Ķes, pois apenas mediante realiza√ß√Ķes excepcionais √© poss√≠vel atingi-la. Tais realiza√ß√Ķes, por sua vez, s√£o feitos ou obras. A partir deles, abrem-se dois caminhos para a gl√≥ria. Antes de mais nada, √© o grande cora√ß√£o que capacita para os feitos; para as obras, a grande cabe√ßa. Ambas possuem as suas pr√≥prias vantagens e desvantagens. A diferen√ßa principal √© que os feitos passam, e as obras permanecem.
Dos feitos, permanece apenas a lembrança, que se torna cada vez mais fraca, desfigurada e indiferente, e que está até mesmo fadada a extinguir-se gradualmente, caso a história não a recolha e a transmita para a posteridade em estado petrificado. As obras, pelo contrário, são imortais e podem, pelo menos as escritas, sobreviver em todos os tempos. O mais nobre dos feitos tem apenas uma influência temporária; a obra genial, pelo contrário, vive e faz efeito, de modo benéfico e sublime, por todos os tempos. De Alexandre, o Grande, vivem nome e memória, mas Platão e Aristóteles,

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A Maldade Espiritualiza-se

O julgamento e a condena√ß√£o morais s√£o a vingan√ßa predilecta dos esp√≠ritos tacanhos para com os que s√£o menos, al√©m de uma esp√©cie de indemniza√ß√£o por terem sido mal dotados pela natureza, e finalmente uma oportunidade de eles pr√≥prios obterem esp√≠rito e tornarem-se finos: – a maldade espiritualiza-se. Bem no fundo do cora√ß√£o agrada-lhes que exista um padr√£o que ponha ao seu n√≠vel os abundantemente dotados de bens e privil√©gios de esp√≠rito: – lutam pela ¬ęigualdade de todos perante Deus¬Ľ e para isso √© que quase precisam da f√© em Deus.