Textos sobre Cura

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Textos de cura escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

As Saudades Curtas

Tamb√©m as vers√Ķes-formiga dos maiores sentimentos t√™m tanto direito ao respeito como os le√Ķes e as impalas. At√© por serem muito mais numerosas e frequentes, como est√° a multid√£o de insectos para com a pequena minoria dos vertebrados.
A minha formiguinha emocional são as saudades curtas que eu tenho da Maria João. Plenas não posso ter, graças a ela e a Deus, porque são poucos os momentos em que ela não está comigo. Mesmo não sendo muitas, essas faltas, por muito felizmente pequenas e provocadas pela necessidade, são suficientes para incutir em mim a dor, nem que seja por cinco minutos apenas, de estar separado dela.
Parecem est√ļpidas as saudades curtas. S√£o certamente insens√≠veis e solipsistas, perante as saudades longas e profundas, que n√£o t√™m cura nem, por serem insol√ļveis, t√™m a esperan√ßa de, um dia, deixarem de existir.
São saudades de uma hora, de um almoço perdido, de uma tarde interrompida. Parecem irracionais e ingratas, estas saudades curtas, de que sofrem as pessoas apaixonadas e felizes ou infelizes.
Mas n√£o s√£o. Daqui a um X n√ļmero de horas, vou morrer. Daqui a um Y n√ļmero de horas, vai morrer a Maria Jo√£o. Morra quem morra,

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As Melhores Coisas da Vida São à Borla

As melhores coisas da vida são à borla.

Vivemos em abund√Ęncia.

N√£o parece, pois h√° muito tempo que se d√° mais valor √† mat√©ria, aos bens que possu√≠mos e √†s contas que temos no banco do que √†quilo que verdadeiramente importa, mas √© um facto. A terra d√°-nos tudo. √Č t√£o generosa que mesmo ap√≥s tanta destrui√ß√£o continua a regenerar-se e a alimentar-nos a alma e o corpo. Os melhores alimentos v√™m do solo que pisamos. As praias encontram-se o ano todo no mesmo lugar. 0 mar e a areia n√£o desaparecem. Existem desde sempre e para sempre e est√£o √† tua disposi√ß√£o sempre que entenderes senti-los. As florestas, os bosques e os jardins, a mesma coisa. A ess√™ncia do verde, apesar de amarelar no outono e cair no inverno, mant√©m-se intacta, dispon√≠vel para a respirares e te entregares sempre que precisares de te curar. O vento sopra todos os dias. O sol intercala com a chuva para poderes sentir sempre algo novo quando vais √† janela ou sais √† rua. O c√©u est√° sempre estrelado ou cheio de formas para que possas agradecer ou dar asas √† tua criatividade. Mas h√° mais. Os nossos amigos s√£o de gra√ßa.

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Os Expectantes

Entre as defini√ß√Ķes da ilha planet√°ria em que nos encontramos desterrados, uma das mais apropriadas seria: uma grande sala de espera. Uma ter√ßa parte da vida √© anulada numa semimorte, outra gasta em fazer mal a n√≥s mesmos e aos outros e a √ļltima esboroa-se e consome-se na expectativa. Esperamos sempre alguma coisa ou algu√©m – que vem ou n√£o, que passa ou desilude, que satisfaz ou mata. Come√ßa-se, em crian√ßa, a esperar a juventude com impaci√™ncia quase alucinada; depois, quando adolescente, espera-se a independ√™ncia, a fortuna ou porventura apenas um emprego e uma esposa. Os filhos esperam a morte dos pais, os enfermos a cura, os soldados a passagem √† disponibilidade, os professores as f√©rias, os universit√°rios a formatura, as raparigas um marido, os velhos o fim. Quem entrar numa pris√£o verificar√° que todos os reclusos contam os dias que os separam da liberdade; numa escola, numa f√°brica ou num escrit√≥rio, s√≥ encontrar√° criaturas que esperam, contando as horas, o momento da sa√≠da e da fuga. E em toda a parte – nos parques p√ļblicos, nos caf√©s, nas salas – h√° o homem que espera uma mulher ou a mulher que espera um homem. Exames, concursos, noivados, lotarias, semin√°rios,

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A Portugalite

Entre as afec√ß√Ķes de boca dos portugueses que nem a pasta medicinal Couto pode curar, nenhuma h√° t√£o generalizada e galopante como a Portugalite. A Portugalite √© uma inflama√ß√£o nervosa que consiste em estar sempre a dizer mal de Portugal. √Č altamente contagiosa (transmite-se pela saliva) e at√© hoje n√£o se descobriu cura.

A Portugalite √© contra√≠da por cada portugu√™s logo que entra em contacto com Portugal. √Č uma doen√ßa n√£o tanto ven√©rea como venal. Para compreend√™-la √© necess√°rio estudar a rela√ß√£o de cada portugu√™s com Portugal. Esta rela√ß√£o √© semelhante a uma outra que j√° √© cl√°ssica na literatura. Suponhamos ent√£o que Portugal √© fundamentalmente uma meretriz, mas que cada portugu√™s est√° apaixonado por ela. Est√° sempre a dizer mal dela, o que √© compreens√≠vel porque ela trata-o extremamente mal. Chega at√© a julgar que a odeia, porque n√£o acha uma √ļnica raz√£o para am√°-la. Contudo, existem cinco sinais ‚ÄĒ t√≠picos de qualquer grande e arrastada paix√£o ‚ÄĒ que demonstram que os portugueses, contra a vontade e contra a l√≥gica, continuam apaixonados por ela, por muito afectadas que sejam as ¬ębocas¬Ľ que mandam.

Em primeiro lugar, estão sempre a falar dela. Como cada português é um amante atraiçoado e desgraçado pela mesma mulher,

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O Espelho dos Relacionamentos

A ideia do espelho dos relacionamentos √© que procuramos subconscientemente nos outros o que precisamos de ver e de compreender em n√≥s mesmos de modo a alcan√ßarmos a integridade, o equil√≠brio e a cura. O outro √© um espelho atrav√©s do qual podemos perceber os aspetos da nossa personalidade em que precisamos de trabalhar. √Č por isso que, de um ponto de vista espiritual, √© in√ļtil tentarmos mudar o comportamento dos outros como base da nossa pr√≥pria felicidade. √Č t√£o f√ļtil como tentar transformar a nossa imagem atrav√©s do reflexo no espelho ou mesmo trocando de espelho.

Quanto mais identificamos os outros como uma express√£o do amor e n√£o pelos seus comportamentos, mais f√°cil √© evitarmos uma atitude defensiva e dar √†s coisas demasiada import√Ęncia. Isso permite-nos ouvir, aprender e crescer atrav√©s de todos os nossos relacionamentos, criando assim uma base mais profunda de amor e de liga√ß√£o entre os seres humanos. √Č assim que usamos o espelho dos relacionamentos para crescer emocional e espiritualmente.
Um relacionamento pode perder o interesse pelas mais diversas raz√Ķes. Talvez possa dever-se a um desejo subconsciente de a terminar ou porque j√° cumpriu a sua miss√£o e agora ambos est√£o preparados para algo mais.

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A Embriaguez também é Necessária

√Äs vezes tamb√©m √© preciso chegar at√© a embriaguez, n√£o para que ela nos trague, mas para que nos acalme: pois ela dissipa as preocupa√ß√Ķes, revolve at√© o mais fundo da alma e a cura da tristeza assim como de certas enfermidades. E L√≠ber foi chamado o inventor do vinho n√£o porque solta a l√≠ngua, mas sim porque liberta a alma da escravid√£o das inquieta√ß√Ķes; restabelece-a, fortalece-a e f√°-la mais audaz para todos os esfor√ßos. Mas, como na liberdade, tamb√©m no vinho √© salutar a modera√ß√£o. Cr√™-se que S√≥lon e Arc√©silas eram dados ao vinho; a Cat√£o, reprovou-se-lhe a embriaguez: mais facilmente se far√° honesto esse crime do que Cat√£o desonroso.

O Provincianismo Português (I)

Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros países, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civiliza√ß√£o sem tomar parte no desenvolvimento superior dela ‚ÄĒ em segui-la pois mimeticamente, com uma subordina√ß√£o inconsciente e feliz. O s√≠ndroma provinciano compreende, pelo menos, tr√™s sintomas flagrantes: o entusiasmo e admira√ß√£o pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admira√ß√£o pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.
Se h√° caracter√≠stico que imediatamente distinga o provinciano, √© a admira√ß√£o pelos grandes meios. Um parisiense n√£o admira Paris; gosta de Paris. Como h√°-de admirar aquilo que √© parte dele? Ningu√©m se admira a si mesmo, salvo um paran√≥ico com o del√≠rio das grandezas. Recordo-me de que uma vez, nos tempos do “Orpheu”, disse a M√°rio de S√°-Carneiro: “V. √© europeu e civilizado, salvo em uma coisa, e nessa V. √© v√≠tima da educa√ß√£o portuguesa. V. admira Paris,

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Não há Sabedoria sem Esforço

Certos v√≠cios, temos o h√°bito de atribu√≠-los aos condicionalismos do lugar e do tempo, mas o certo √© que, para onde quer que vamos, esses v√≠cios nos acompanham. (…) Para qu√™ iludirmo-nos? O nosso mal n√£o vem do exterior, est√° dentro de n√≥s, enraizado nas nossas v√≠sceras, e, como ignoramos o mal de que sofremos, s√≥ com dificuldade recuperamos a sa√ļde. E mesmo que j√° tenhamos iniciado o tratamento, quando nos ser√° poss√≠vel levar de vencida a enorme virul√™ncia de t√£o numerosas enfermidades? Nem sequer solicitamos a presen√ßa do m√©dico, quando afinal √© mais f√°cil tratar uma doen√ßa ainda no in√≠cio. Almas ainda frescas e inexperientes obedecem sem tardar a quem lhes indique o justo caminho. S√≥ √© dif√≠cil reconduzir √† via da natureza quem deliberadamente dela se apartou. Parece que temos vergonha de aprender a sabedoria! Pelos deuses, se acharmos que √© vergonhoso buscar um mestre, ent√£o podemos perder a esperan√ßa de obter as vantagens da sabedoria por obra do acaso. A sabedoria s√≥ se obt√©m pelo esfor√ßo.
Para dizer a verdade, nem sequer é necessário grande esforço se, como disse, começarmos a formar e a corrigir a nossa alma antes que as más tendências cristalizem. Mas mesmo já empedernidas,

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Dá Tempo à Tua Vocação

Nunca d√™s ouvidos √†queles que, no desejo de te servir, te aconselham a renunciar a uma das tuas aspira√ß√Ķes. Tu bem sabes qual √© a tua voca√ß√£o, pois a sentes exercer press√£o sobre ti. E, se a atrai√ßoas, √© a ti que desfiguras. Mas fica sabendo que a tua verdade se far√° lentamente, pois ela √© nascimento de √°rvore e n√£o descoberta de uma f√≥rmula. O tempo √© que desempenha o papel mais importante, porque se trata de te tornares outro e de subires uma montanha dif√≠cil. Porque o ser novo, que √© unidade libertada no meio da confus√£o das coisas, n√£o se te imp√Ķe como a solu√ß√£o de um enigma, mas como um apaziguamento dos lit√≠gios e uma cura dos ferimentos. E s√≥ vir√°s a conhecer o seu poder, uma vez que ele se tiver realizado. Nada me pareceu t√£o √ļtil ao homem como o sil√™ncio e a lentid√£o. Por isso os tenho honrado sempe como deuses por demais esquecidos.

Tu √Čs Deus

Tu, sim, √©s o Deus que vale a pena: o Deus que quer e consegue ser luz mesmo quando s√≥ parecia que conseguiria ser escurid√£o; o Deus que ama, que atrai, que exalta, que rompe, que geme. O Deus que faz milagres com um sorriso, que cura doen√ßas com um abra√ßo, que ergue pontes com um afago. O Deus que faz da ternura uma prece, da partilha um santu√°rio. √Č isso, um Deus que faz milagres desde que queira, de verdade, fazer milagres, o que tu √©s. Oremos, irm√£o.

Chegou a hora de seres a-teu. A teu. √Č a teu cargo que est√° criar o mundo. Todos os dias tens essa possibilidade, todos os dias nasces com essa for√ßa dentro de ti. Todos os dias √©s omnipotente: podes criar o teu mundo. E podes cri√°-lo exactamente igual ao que era antes e podes cri√°-lo completamente diferente do que era antes. Todos os dias crias um mundo, todos os dias tens o maior dos poderes nas tuas m√£os. Como √© que raios ainda n√£o tinhas percebido que eras Deus? A teu. Ouve, recolhe, assimila: a teu. √Č tudo teu. Tudo o que √©s √© teu. A teu. S√™ a-teu.

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Controlar a Ira

Se deste vaz√£o √† ira, fica certo de que, al√©m do mal nela impl√≠cito, revigoraste o h√°bito e acrescentaste lenha √† fogueira. Quando √©s vencido por uma tenta√ß√£o da carne, n√£o consideres isso simples derrota: considera, tamb√©m, que revigoraste os teus h√°bitos dissolutos. Os h√°bitos e as faculdades s√£o necessariamente afectados pelos actos correspondentes. Os que antes n√£o existiam, agora aparecem; os demais cobram vigor e dom√≠nio. Esta √© a vers√£o que os Fil√≥sofos d√£o das mol√©stias da mente: sup√Ķe que algum dia cobi√ßaste ter dinheiro: se a raz√£o, em dose suficiente para provocar a consci√™ncia do mal, intervir, a cobi√ßa √© anulada e a mente recupera imediatamente a sua autoridade original; contudo, se n√£o recorreres a nenhum rem√©dio, jamais poder√°s esperar tal recupera√ß√£o; ao contr√°rio, a pr√≥xima vez em que for excitada pelo objecto correspondente, a chama do desejo irromper√° mais prontamente do que antes. Pela frequ√™ncia da repeti√ß√£o, a mente, ao fim e ao cabo, fica calejada e, assim, esta mol√©stia mental produz Avareza confirmada.
Quando algu√©m teve febre, mesmo depois de voltar √† normalidade, n√£o se encontra nas mesmas condi√ß√Ķes de sa√ļde que antes, a menos que a sua cura seja completa. Algo de semelhante ocorre com as mol√©stias da mente.

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Intragável é Estar Parado

Intragável é estar parado. Não mudar. Aguentar. Sobreviver. Permanecer. Mesmo que seja pouco, mesmo que seja insuficiente. Manter tudo como está apenas para não correr o risco de ficar pior. Intragável é não perdoar, não ilibar. E só criticar, só apontar, só atacar. E não criar, não refazer, não imaginar. Intragável é não acreditar. Intragável é o que não é maravilhoso, o que não é delicioso, o que não é fantástico, monumental, abençoado, miraculoso, espantoso. Intragável é acordar para o dia a recusar o dia, a não querer o dia, a não apetecer o dia, a não pensar nas mil e uma maneiras de o tornar inesquecível. Deixar estar. Não mexer, não querer a ferida se for através da ferida que se chega à cura. Ser cauteloso, prevenido. Intragável é o que não é exagerado, o que não é desproporcionado, o que não parece incomportável. Se não parece incomportável, é insuportável. Não quero. Não admito. Não me admito. Intragável é repetir. Hoje como réplica exacta de ontem e como réplica exacta de amanhã. As mesmas coisas, as mesmas palavras, os mesmos actos, os mesmos movimentos. Sempre igual. Sempre o mesmo. Intragável é continuar por continuar, andar por andar, viver por viver.

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A Vantagem da Frivolidade

O respeito que a tragédia inspira é muito mais perigoso do que a despreocupação de um chilrear de criança. Qual é a eterna condição das tragédias? A existência de ideias, cujo valor é considerado mais alto do que o da vida humana. E qual é a condição das guerras? A mesma coisa. Obrigam-te a morreres porque existe, dizem, alguma coisa que é superior à tua vida. A guerra só pode existir no mundo da tragédia; desde o começo da sua história, o homem apenas conheceu o mundo trágico e não é capaz de sair dele. A idade da tragédia só pode ser encerrada por uma revolta da frivolidade. As pessoas já só conhecem da Nona de Beethoven os quatro compassos do hino à alegria que acompanham a publicidade dos perfumes Bella. Isso não me escandaliza. A tragédia será banida do mundo como uma velha cabotina que, com a mão no peito, declama em voz áspera. A frivolidade é uma cura de emagrecimento radical. As coisas perderão noventa por cento do seu sentido e tornar-se-ão leves. Nessa atmosfera rarefeita, desaparecerá o fanatismo. A guerra passará a ser impossível.

Como é que se Esquece Alguém que se Ama?

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa Рcomo é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas t√™m de morrer; os amores de acabar. As pessoas t√™m de partir, os s√≠tios t√™m de ficar longe uns dos outros, os tempos t√™m de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. √Č preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem p√īr-se processos e ac√ß√Ķes de despejo a quem se tem no cora√ß√£o, fazer os maiores escarc√©us, entrar nas maiores peixeiradas, mas n√£o se podem despejar de repente. Elas n√£o saem de l√°. Est√ļpidas! √Č preciso aguentar. J√° ningu√©m est√° para isso, mas √© preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura √© aceitar-se que se est√° doente. √Č preciso paci√™ncia. O pior √© que vivemos tempos imediatos em que j√° ningu√©m aguenta nada. Ningu√©m aguenta a dor. De cabe√ßa ou do cora√ß√£o.

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A Maneira como cada um Pensa Determina a sua Maneira de Viver

A vida n√£o √© governada por actos ou circunst√Ęncias extr√≠nsecos, vindos de fora. Cada um de n√≥s cria a sua pr√≥pria vida pelos pensamentos que tem. Marco Aur√©lio afirmou: – ¬ęA nossa vida √© o que os nossos pensamentos fazem dela.¬Ľ Emerson disse: – ¬ęO homem √© o que pensa ser.¬Ľ Jesus Cristo ensinou: – ¬ęO que um homem pensa no seu cora√ß√£o √© o que ele √©.¬Ľ Um simples pensamento n√£o constr√≥i ou destr√≥i uma vida, mas um h√°bito de pensar pode faz√™-lo. N√£o podemos pensar em derrota e sair vitoriosos. Um h√°bito fixo de esperan√ßa √© a cura para um cora√ß√£o preocupado e perturbado. Podemos fazer mais contra n√≥s ou a nosso fazer que qualquer for√ßa estranha.
A maneira como cada um pensa determina a sua maneira de viver. Todo o pensamento bom contribui com a sua quota-parte para o resultado final da nossa vida. Um simples pensamento tido pela manh√£ pode encher o dia inteiro de alegria e de sol, ou de tristeza e des√Ęnimo. Quantos dias n√£o t√™m sido deprimentes devido a um pensamento inconsiderado ou mal√©volo. Voc√™ nunca poder√° ser melhor ou mais elevado que o seu melhor pensamento.

Divertimento Enganador

Os homens, tendo podido curar-se da morte, da mis√©ria, da ignor√Ęncia, lembraram-se, para se tornarem felizes, de n√£o pensar nisso. Foi tudo quanto inventaram para se consolarem de t√£o poucos males. Consola√ß√£o riqu√≠ssima. N√£o se dirige a curar o mal. Esconde-o por um pouco. Escondendo-o, faz com que se pense em cur√°-lo. Por uma leg√≠tima desordem da natureza do homem, n√£o se acha que o t√©dio, que √© o seu mal mais sens√≠vel, seja o seu maior bem. Pode contribuir mais do que qualquer outra coisa para lhe fazer procurar a sua cura. Eis tudo. O divertimento, que ele olha como o seu maior bem, √© o seu √≠nfimo mal. Aproxima-o, mais do que todas as outras coisas, de procurar o rem√©dio para os seus males. Um e outro s√£o contraprova da mis√©ria, da corrup√ß√£o do homem, excepto da sua grandeza. O homem aborrece-se, procura aquela multid√£o de ocupa√ß√Ķes. Tem a ideia da felicidade que conquistou; felicidade que, encontrando em si, procura nas coisas exteriores. Contenta-se.

Daqui a Vinte e Cinco Anos

Perguntaram-me uma vez se eu saberia calcular o Brasil daqui a vinte e cinco anos. Nem daqui a vinte e cinco minutos, quanto mais vinte e cinco anos. Mas a impressão-desejo é a de que num futuro não muito remoto talvez compreendamos que os movimentos caóticos atuais já eram os primeiros passos afinando-se e orquestrando-se para uma situação económica mais digna de um homem, de uma mulher, de uma criança. E isso porque o povo já tem dado mostras de ter maior maturidade política do que a grande maioria dos políticos, e é quem um dia terminará liderando os líderes. Daqui a vinte e cinco anos o povo terá falado muito mais.
Mas se n√£o sei prever, posso pelo menos desejar. Posso intensamente desejar que o problema mais urgente se resolva: o da fome. Muit√≠ssimo mais depressa, por√©m, do que em vinte e cinco anos, porque n√£o h√° mais tempo de esperar: milhares de homens, mulheres e crian√ßas s√£o verdadeiros moribundos ambulantes que tecnicamente deviam estar internados em hospitais para subnutridos. Tal √© a mis√©ria, que se justificaria ser decretado estado de prontid√£o, como diante de calamidade p√ļblica. S√≥ que √© pior: a fome √© a nossa endemia, j√° est√° fazendo parte org√Ęnica do corpo e da alma.

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Portugal Est√° a Atravessar a Pior Crise

Que fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: Рmas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não Рpelo menos o Estado não tem: Рe homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela Política. De sorte que esta crise me parece a pior Рe sem cura.